sábado, 18 de abril de 2009

Guerra dos medicamentos


Sempre me habituei a ver uma separação no sector da saúde entre quem prescreve os medicamentos e quem os vende. Claro que quem os vende, não tendo um curso de relações comerciais, mas sim de farmácia, deve estar habilitado para mais do que apenas vender medicamentos. Claro que quem prescreve medicamentos está formado para prescrever substâncias, moléculas, o que se queira chamar, não para prescrever marcas comerciais.
Acho que tudo isto é óbvio, logo não percebo porque raio querem os farmacêuticos alterar as receitas dos médicos, ou porque raio devem os médicos dispensar medicamentos.
Opinião de amador ignorante:
Os medicamentos deviam ser receitados sempre pela substância e princípio activo, em casos em que os excipientes sejam importantes para a terapêutica (como ouvi dizer que seriam no caso de medicamentos para cardíacos), indicar que excipientes desejam que acompanhem o princípio activo respectivo, sabendo na farmácia o farmacêutico, porque para isso tem formação, adequar o receitado ao que é vendido. Os farmacêuticos por outro lado venderiam tantas unidades do medicamento quantas as que são pelo médico prescritas, sendo vendidos em mono doses, recebendo o doente os comprimidos que lhe foram receitados num frasco, com o seu nome, e com o número de comprimidos que lhe foram rigorosamente prescritos.
Assim sim, assim é que esta situação e estas suspeições seriam definitivamente afastadas.

Cada cavadela, cada minhoca/ Cada Jornal Nacional de sexta-feira, cada revelação do caso Freeport que enterra o Sócrates

Eu já não sei se isto é para prejudicar o Sócrates, se é para o beneficiar. Passo a explicar: eu já não entendo se estas revelações constantes da TVI no Jornal Nacional das sextas-feiras são puro jornalismo de investigação, se são perseguição ao Primeiro-Ministro, ou se são apenas argumentos para que o Eng. Sócrates possa continuar o seu número de vitimização.
Mas é incrível como neste país, com este "ridículo" Partido Socialista, um indivíduo pode continuamente ser achincalhado, publicamente demonstrar-se que o nome do seu líder é mencionado pela comunicação social como estando envolvido num grave caso de corrupção, e, ninguém faz nada. Imagino isto no New Labour, no Reino Unido, ou até no PSOE, em Espanha, Sócrates já não era líder do PS, nem tão pouco do governo. Mas em Portugal...

Estranhos alinhamentos





Este final de semana foi do mais estranho, em termos políticos, com alinhamentos, que até há pouco tempo, poderiam parecer improváveis: assistimos ao PS a alinhar com o BE, e, ao Presidente da República a alinhar com o PSD. Foi estranho perceber que as estruturas políticas mais improváveis estão a aproximar-se há medida que as primeiras eleições (as europeias) se aproximam.
Quem pensaria que, apesar da clara viragem do PS à esquerda, após o congresso, com o violento ataque desferido por António Costa contra o BE, seria precisamente com o BE que o PS se iria começar a alinhar?! Da mesma forma é bastante surpreendente que o Presidente da República da cooperação estratégica, que tanto tem colaborado com o governo socialista, agora que Manuela Ferreira Leite está a querer lançar o PSD para campanha, tenha desferido este violento ataque contra o governo, no jantar dos Gestores Cristãos!
Quanto ao PS creio que este alinhamento se deve ao facto de a viragem à esquerda do partido, como até da própria actuação do governo, com lançamento sucessivo de medidas de milhões, atrás de medidas de milhões, não se tem reflectido na melhoria dos resultados dos socialistas nas sondagens de opinião, que continuam a indicar que ganhando, perderá a sua maioria absoluta, pelo que iniciou uma abordagem, uma aproximação, um alinhamento ao BE, por muito que isso obrigue alguns dirigentes socialistas a engolir alguns sapos. Mas se existir algum espírito que duvide do facto de que a aprovação da proposta do BE, de levantamento do sigilo bancário, é uma aproximação clara do PS ao BE, ela dissipa-se com um simples exercício de memória: o PSD alguns dias antes tinha apresentado uma proposta em que o enriquecimento ilícito passaria a ser crime, permitindo assim o levantamento imediato de todo o sigilo bancário nos casos em investigação. Aqui o Estado não tributaria em 60%, o Estado iria retirar ao criminoso todo o produto obtido através do seus actos ilícitos. Agora com esta proposta do BE, aprovada pela maioria PS, um funcionário das finanças pode levantar um sigilo bancário, buscar na vida da pessoa, julgar o que é lícito e ilícito e condenar, aplicando a tal taxa especial. Isto no mínimo é vergonhoso, tão somente porque inverte o ónus da prova, ao exigir que o contribuinte prove que o seu rendimento, superior a 100 mil Euros é lícito, em vez de ser o Estado a provar que é ilícito, e, atenção, tudo isto fora do âmbito do sistema de justiça e dos tribunais. É grave e vergonhoso. Mas é preciso lembrar as recentes palavras do Primeiro-Ministro, acerca da inversão do ónus da prova, considerando-a extremamente gravosa num Estado de Direito. Claro que ele estava a pensar no caso Freeport, mas agora, desavergonhadamente aceita que se aplique aos outros. Ele é sério e os outros não. Revoltante a todos os níveis.
Quanto ao Presidente da República fiquei muito surpreendido, para não dizer mesmo chocado, com o facto de ter atacado tanto o governo, e, de pôr tanto em causa as medidas anti-crise apresentadas, muito ao encontro das afirmações de Manuela Ferreira Leite em Castelo Branco, onde a líder do PSD afirmou que as medidas do governo não estão a ter efeito, sendo importante então esclarecer o porquê: que verbas estão envolvidas, que condições de acesso são exigidas às empresas, que efeitos concretos têm nestas, etc. Muito semelhantes, muito coincidentes para um fim de semana só, logo para mim, a evidência de um claro alinhamento.
Sras e Srs começou a campanha eleitoral, e até o PR veio fazer campanha pelo PSD.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Colaborador precisa-se

O blogue "A textura do Texto" tem sido sempre publicado por mim. Mas creio que uma variedade de opiniões, de ideias e até de estilos só o poderia enriquecer. Como tal procuro colaborador que comigo queira publicar neste blogue. Claro que a palavra colaborador é apenas indicativo, "blogar" é um hobby, engraçado e interessante, mas apenas isso, pelo que não se trata de nenhum emprego.
Os interessados e/ou interessadas devem contactar-me, enviando para o meu email sergiofbernardo@gmail.com, textos da sua autoria e alguns dados, como idade, nome, localidade, etc., ao que responderei, seja no sentido de anuir ou rejeitar as propostas apresentadas.
Fico ansiosamente à espera.

Pedido de desculpas

O autor do blogue "A textura do Texto" pede desculpa aos leitores (inexistentes) do mesmo, imensas desculpas pela pouca actualização que tem tido nos últimos dias. Tal facto prende-se com factos de índole pessoal que não têm permitido uma actualização maior do blogue. Hoje ou amanhã voltarão os novos textos a este blogue. No entanto como se pode ver, este blogue já sofreu uma remodelação de imagem, espero que gostem.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Cabeça de Lista do MMS às Eleições Europeias


Já agora que estamos a falar de candidatos às europeias fica aqui o cabeça de lista do Movimento Mérito e Sociedade às Eleições Europeias, Carlos Gomes. Fica aqui o seu curriculo.


Carlos GOMES é um Português que adora Portugal.
Licenciado em Gestão de Empresas pelo I.S.C.T.E.
Começou a sua carreira em 1988 na Citroen em Portugal. De 1991 a 1994, exerce a sua actividade na Renault Portuguesa. Em 1995 ingressa na “Direction Commerciale Europa da Renault, SA” em Paris, como responsável dos Métodos e Formação Comercial. Em 1996, é nomeado “Area Manager” para os Mercados de Espanha, Portugal e Itália.
Em 1998 integrou a Fiat Auto S.p.A.. É de seguida nomeado Director Comercial para as marcas Fiat, Lancia e Alfa Romeo em Portugal e nos mercados de Africa e do Médio Oriente.
Em Junho de 2002, integra a Alfa Romeo França, como Director Geral. Desde Julho 2005 é Director Geral da Fiat France. Desde Fevereiro 2009, que é o responsável da Europa do Sul. Mantém em paralelo as funções de Director Geral da Fiat France assumindo ainda as de Presidente e Director Geral da Fiat Group Automobiles Espanha.
Em paralelo das suas funçöes profissionais, Carlos GOMES participa em numerosas actividades sociais, económicas e desportivas nomeadamente:
- Apoio à Cruz Vermelha;
- Membro do Conselho Estratégico para o desenvolvimento das Relaçöes entre Portugal e a França;
- Co-autor, com o Professor Eduardo Correia do primeiro ensaio sobre a História do Marketing em Portugal.
Carlos GOMES é casado e pai de 2 filhos de 18 e 14 anos.

PSD+Europeias=Paulo Rangel








Apesar de muitas reacções menos entusiastas, creio que o nome de Paulo Rangel é de longe o melhor que, neste momento, o PSD podia encontrar, até porque o outro nome, Marques Mendes, parecia muito pouco interessante. Muitos dos barões do PSD, desde Marcelo Rebelo de Sousa a Rui Rio preferiam o nome de Mendes, mas este era um nome muito mais ligado às cúpulas do que às bases, com a desvantagem de ter uma imagem esbatida e de já ter tido a sua oportunidade de fazer oposição e confrontar o PS de Sócrates. Paulo Rangel por outro lado é um combatente político, um deputado de qualidade, que se tem destacado ultimamente na oposição ao governo, sendo mesmo, actualmente, a única voz reconhecida de oposição (até mesmo mais do que a própria líder) ao governo e ao PS, dentro do PSD. A única desvantagem deste nome é também essa mesma, o facto de estar intimamente ligado a uma liderança fraca e esbatida de Manuela Ferreira Leite.

Apesar da Partidocracia vigente, com a mistura de nomes para vários tachos, como acontece actualmente com as listas do PS, misturando candidatos das europeias e das autárquicas, o PSD também tem a sua culpa neste sistema viciado (tanto ou mais que o PS e os outros), parecendo no entanto fugir a esta lógica com a escolha de Rangel.

Pode-se dizer que, embora tarde, a direita apresenta excelentes nomes. Comparemos: PS - Vital Moreira (medíocre); PCP - Ilda Figueiredo (o mesmo nome de sempre, sem novidade); BE - Miguel Portas (habitual e pouco interessante); PP - Nuno Melo (excelente parlamentar, talvez o único interessante dentro do PP); PSD - Paulo Rangel (combatente frontal e competente à ditadura da maioria absoluta do PS).

Digno de ser lido


Eis mais um texto "polémico" de João Miguel Tavares no DN, aqui.


A não perder: debate sobre a Eutanásia no CRC Lisboa

A discussão da eutanásia está na ordem do dia. Algumas situações de suposta eutanásia têm invadido os noticiários. Vários técnicos e comentadores têm tecido comentários acerca do assunto. Contudo, o que é eutanásia? Quais as questões éticas e morais que levanta?Muitos comentários, várias opiniões e diversas posições têm sido defendidas e difundidas com base em conceitos pouco claros e de limites ténues. Assim, importa também pensar conceitos implicados nesta complexa questão (eutanásia, suicídio assistido, suspensão terapêutica, etc.).Eutanásia advém da palavra grega euthanasía que significa «morte doce e fácil». No entanto, neste conceito apenas cabe o suicídio assistido. Será esse suicídio assistido a única forma de ter uma morte doce e fácil quando se padece de uma doença terminal? É isto o melhor que temos para oferecer? Quais são as alternativas? O que são cuidados paliativos?
“O «tempo de morrer» possui um valor.” (Marie de Hennezel)
João Bernardo
Psicólogo
Este é um evento organizado pelo Psicólogo João Bernardo, na igreja evangélica Centro de Renovação Cristã, em Lisboa. Trata-se de um debate, onde várias visões, de técnicos e religiosos, irão ser abordadas, num tema comummente cheio de equívocos e termos mal explicados, conforme já discutido aqui, que neste momento importa esclarecer. A não perder, seja por pessoas com interesses espirituais ou não, mas que buscam mais esclarecimento e outras perspectivas.
Para dúvidas sobre como chegar ao CRC Lisboa clicar aqui.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O coerente Ti Vital (Moreira)


Sem mais delongas fica aqui a ligação para este texto do Delito de Opinião, onde fica bem patente a coerência, e com isso a pessoa, do Prof. Vital Moreira - cabeça de lista do PS às Eleições Europeias.

"Propaganda Quinzenal" ou "A Solução Miraculosa para a Crise"


O país vive neste momento em suspenso durante quinze dias, o espaço que medeia entre um debate quinzenal e o seguinte. Este suspense, esta ansiedade, esta necessidade que o país tem em relação a estes debates, nada tem a ver com vivacidade ou interesse democráticos, tem sim a ver com o facto de que aí, em geral sempre aí, o Primeiro-Ministro, qual Imperador a debitar ordens na sala do trono, anuncia sempre mais uns milhões, mais uma medida recheada de Euros, que vem, como bóia em mar agitado, salvar a doente economia e sociedade portuguesa. Bem-haja ao nosso Primeiro pelas suas intervenções, onde, apesar do debate enfadonho, no qual nem as perguntas são as certas, fazem sempre as perguntas erradas, pelo que recebem as respostas certas, apresenta a luz, o caminho, nos conduz, país perdido, rumo ao paraíso do milhões do orçamento de Estado, que nos hão de salvar da perdição e trazer para uma paz, a paz de Sócrates, pela qual lhe estaremos para sempre gratos.
Claro que nesse espaço, nesse tempo infindo, qual oceano azul, muito azul, cujo fim é uma linha do horizonte, que insistentemente se afasta, não permitindo que a alcancemos, o vazio é o rei, nada há, nada se faz, nada surge. Pelo que agradecemos sempre, para sempre, por esse dia, o dia mais importante, o dia da luz, da descida de Sócrates ao Parlamento, para dali falar ao povo, tal Deus em Tabernáculo, no meio do deserto onde militava o povo hebraico.

a Qimonda já estava salva nas respostas bélicas e arrogantes no Parlamento, mas está fechada

Esta frase, título desta mensagem, não é fumo da minha chaminé, foi escrita por Pacheco Pereira, no Público, do passado sábado, e agora disponível aqui, como crítica ao governo propagandístico do Eng. Sócrates.
Se bem me recordo, creio que Pacheco Pereira se refere a um debate quinzenal, onde o Primeiro-Ministro foi confrontado, pelo líder do PCP, Jerónimo de Sousa, com o nome de uma série de empresas em dificuldades por causa da crise, onde o governo não tinha tido qualquer acção, nem tomara qualquer medida que minimizasse os efeitos da mesma nessas empresas. Em resposta, em tom ainda mais arrogante do que é costume, o Primeiro-Ministro responde dando exemplos de intervenções de sucesso, destacando de entre todas a Qimonda, como exemplo de sucesso do governo, numa intervenção que beneficiou a empresa e a colocou a salvo dos efeitos da crise. Porém, no dia seguinte, ou poucos dias depois, a casa-mãe da Qimonda, na Alemanha, declara a falência arrastando a fábrica de Vila do Conde para uma insolvência forçada, estando neste momento parada.
Mas a meu ver, esta frase de Pacheco Pereira, não serve tanto como crítica ao governo, nem ao PS, serve como crítica sobretudo ao PSD e aos outros partidos da oposição, que numa posição situacionista, não utilizam estes exemplos para deixar em maus lençóis o governo, desmascarando a arrogância e mostrando, com factos, a face propagandística dominante neste governo. Estes exemplos é que deviam estar na rua. Os cartazes não deviam dizer "Política de verdade", deviam dizer "Sabe que o Primeiro-Ministro afirmou ter salvo a Qimonda e que ela fechou?". Depois Sócrates e os seus súbditos, bem como a sua querida namoradinha, ficam muito ofendidos quando lhe chamam "mentiroso".

domingo, 12 de abril de 2009

107 Soluções para Portugal (6)


Alargar as práticas de escrutínio aos interesses directos e indirectos dos eleitos.

As declarações do Presidente da Câmara Municipal de Oeiras ao Tribunal, acerca das declarações de rendimentos dos políticos ao Tribunal Constitucional, reflectem bem o respeito que os políticos têm para com a Lei e os seus eleitores. De facto creio que isto acontece e muito, que muita gente da política, desprezando a Lei e os concidadãos, não declaram os seus rendimentos e posses ao Tribunal Constitucional. Esta proposta que o MMS faz é em favor da transparência, numa luta pela seriedade da política, e por uma renovação profunda da mesma, em que, mais do que declarar rendimentos e propriedades, deveriam declarar os interesses, mesmo que indirectos, que detenham, principalmente quem tenha empresas que se relacionem com o Estado.

107 Soluções para Portugal (5)



Revogar as imunidades dos eleitos.

Esta é uma proposta polémica, que muita discussão originará. A intenção do MMS é fazer com que seja consequente a acção política, por nojenta que é a impunidade constante dos actores políticos em Portugal. Já enjoa, e há que tomar medidas, e os políticos são peritos em sacar responsabilidades aos outros, legislando em protecção a si mesmos, pelo que esta revogação, agora proposta, parece radical, mas é reflexo do mal-estar latente pelos abusos dos nossos políticos.

107 Soluções para Portugal (4)


Limitar o número de nomeações para a administração pública por parte dos eleitos ao staff pessoal.
Esta proposta contém em si mesmo muito mais do que aparenta. Nesta proposta está incluída uma reforma profunda do sistema de Administração Pública, em que toda a Administração será profissional, sem as inúmeras nomeações habituais, com todo o despesismo que arrastam, limitando-se as nomeações políticas, de cada vez que muda o partido do poder, apenas ao staff dos eleitos, sem que haja intervenção a outros níveis, despoluindo a Administração Pública das interferências partidárias que minam e prejudicam o funcionamento harmonioso, e sobretudo o aproveitamento financeiro. Nesta proposta apenas será pessoal de nomeação e confiança política os cargos até ao nível de Secretário de Estado, pelo que daí para baixo, os cargos deverão ser ocupados por profissionais, que na função pública, vão merecendo pelo demonstrado ao longo da carreira, a confiança pelo mérito e não pela cor partidária.

Reflexões sobre a Páscoa


A Páscoa é uma festa antiga, historicamente originária do povo hebraico, dos tempos em que, escravos no Egipto, os Judeus alcançaram a liberdade. Páscoa é daí uma festa da passagem, Páscoa é uma festa de libertação: o povo oprimido, pela acção milagrosa de Deus, alcança a liberdade e passa da vida limitada, escrava da terra do Egipto, para uma vida de liberdade e nómada, deambulando 60 anos no deserto até ao alcance da terra prometida.
Com o cristianismo este simbolismo, da passagem e da liberdade, mantiveram-se, sendo no entanto enriquecidos com novas perspectivas e aprofundamento de sentido. A celebração da Páscoa Cristã inicia-se com a morte, não sendo esta a Páscoa, é o princípio da mesma. Tal como na primeira Páscoa judaica, a festa da passagem começou com a morte, a morte dos primogénitos, da qual só escaparam as casas cujo sangue do cordeiro sacrificial, foi espalhado pelas ombreiras das portas de entrada, sendo morto um cordeiro no lugar do primogénito. A Páscoa Cristã celebra depois, e no seu âmago, a ressurreição do Messias, a ressurreição do cordeiro sacrificial que substituiu a morte de cada um, tal como o cordeiro na primeira Páscoa hebraica. Daqui os cristãos celebram a renovação, o renascer, o começar de novo, ou como disse certa vez Nicodemos "Como pode um homem nascer sendo velho? Pode porventura voltar a entrar no ventre de sua mãe e nascer de novo? (parafraseado). Na verdade a Páscoa é a celebração da passagem da escravidão do pecado, para a liberdade dos filhos de Deus, mediante o sacrifício do cordeiro, neste caso de Cristo, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Pelo que, conforme se costuma dizer que Natal é quando o homem quer, também é possível, e provavelmente mais acertado, dizer que Páscoa é quando o homem quer, quando o homem quer passar da escravidão para a liberdade.

sábado, 11 de abril de 2009

Seja bem-vindo à causa caro Dr. José Miguel Júdice

O conhecido advogado e antigo Bastonário da Ordem dos Advogados José Miguel Júdice escreveu no jornal Público, de ontem sexta-feira, um texto para mim surpreendente, que vem ao encontro do afirmado muitas vezes neste blog, acerca da maldita partidocracia que destruiu e substituiu a democracia no nosso país. Mais curiosa ainda é que vai ao encontro das propostas apresentadas pelo Movimento Mérito e Sociedade, embora em alguns pontos mais suave nas medidas a tomar.

Vejamos então.

Miguel Júdice começa por reconhecer que os temas a tratar pouco ou nada interessam aos partidos. Apresenta assim os temas a tratar, que afirma serem sinais da partidocracia, a meu ver vigente, a seu ver crescente:

"Estou a pensar na dimensão da subvenção aos partidos e na quantidade imensa de eleitos locais."

Acerca da subvenção aos partidos políticos, José Miguel Júdice faz uma pergunta:

(...)"como é possível que o Estado todos os anos venha aumentando a subvenção (...) sem que nenhum partido reaja com a apresentação de um diploma legal que limite (...) a correcção anual ao valor da inflação esperada?"

Antes de continuar e deixar a resposta apresentada por Miguel Júdice, importa apresentar uma pequena correcção: existe um partido que de facto se importa e discute acerca da subvenção aos partidos - este partido é o Movimento Mérito e Sociedade - que defende não o aumento apenas segundo a inflação, mas sim o fim desta subvenção, defendendo que cada partido deve ser financiado pelos seus militantes. Claro que o MMS não pode apresentar propostas para diplomas legais, pois não tem qualquer representante no parlamento, situação que pode ser alterada pelo voto de cada um, nas próximas legislativas, a começar pelo próprio Júdice.

Vamos então à resposta apresentada por Júdice para a pergunta por si formulada:

"A resposta é óbvia. Os partidos políticos têm uma lógica oligopolista e estão todos interessados em manter a posição dominante conjunta que detêm no mercado político."

Mais uma vez deixar a ressalva de que o MMS não se insere nesta lógica. Júdice continua:

"E diz a teoria da concorrência que subsídios elevados a incumbentes funcionam como uma forte barreira à entrada de competidores"

Claro, conciso e absolutamente correcto.
E deixa a questão seguinte:

"O outro tema é o da pletora de eleitos locais. Os regimes passam, mas têm em comum uma regra há quase dois séculos: autarquias não se extinguem, o número de membros dos seus órgãos está sempre a aumentar, os cadernos eleitorais deliberadamente não são corrigidos para assim haver mais eleitos, o custo da função política local e a sua influência crescem."
Não poderia estar mais de acordo. Por isso é que o Movimento Mérito e Sociedade defende a redução do número de Câmaras Municipais até um máximo de 100, numa média de um município por cada 100 mil habitantes, regulando a função destas. O MMS defende ainda a extinção das Assembleias Municipais, porque as Câmaras seriam órgãos dirigentes e eficazes. O Movimento ainda defende a extinção das juntas de freguesia, que seriam unidades profissionalizadas de gestão local. Pensamos que esta quantidade de autarquias, freguesias, com seus executivos e respectivas assembleias não se justificam, porque como diz Júdice na sua crónica:

(...)"os progressos das vias de comunicação, dos meios de transporte e das novas tecnologias apontam claramente no sentido da "redução" do território e da desnecessidade de estruturas locais tão abundantes e disseminadas."

Muito antes de se falar em simplex, já o Professor Eduardo Correia falava em "Webização" do governo e em formas de utilizar as novas tecnologias como forma de aproximar o governo dos cidadãos, bem como a modernização das infraestruturas, como caminho evidente a continuar, tornam a estrutura pesada da administração local, cada vez mais obsoleta e desnecessária. Esta divisão administrativa traz dois grandes problemas para o nosso país, conforme o texto em análise, um problema administrativo propriamente dito, o outro político:

"O primeiro é a dificuldade da organização de um território excessivamente dividido e, por isso, ineficiente. (...) O segundo é o facto de o apodrecimento do sistema político-partidário começar, em boa medida, pela existência de um pessoal político que fabrica os dirigentes e que está instalado à mesa do orçamento a todos os níveis da organização territorial do Estado.(...) os dirigentes locais partidários fazem tudo para que não aumente a participação política nos partidos, pois novos aderentes serão novos rivais para a distribuição do bem (relativamente) escasso que são os vencimentos dos quadros autárquicos a nível de município e de freguesia. O processo tem uma evolução natural: os militantes dos partidos são cada vez mais e apenas os candidatos a eleitos locais, fechando-se a si mesmos e sobre si mesmos.

Concordando em absoluto com o diagnóstico traçado resta observar que consequências José Miguel Júdice vê haverem deste regime partidocrático:

"O efeito é a distância crescente entre os eleitores e os eleitos, a perda de diversidade e de diferenciação políticas, o conservadorismo, a criação de uma "elite" afastada do "povo", o caciquismo, a selecção de dirigentes nacionais que apenas respondam às necessidades dos militantes locais partidários, numa palavra a apropriação da função política por uma classe política profissional que tende a tratar apenas ou sobretudo dos seus interesses grupais."

Por concordar com esta análise, o MMS, de raiz, no seu manifesto, defende medidas concretas como os círculos uninominais, entre outros, para reduzir este enquistamento dos partidos e da vida política portuguesa, conforme denunciado várias vezes neste blogue. Júdice conclui com a seguinte frase, com a qual concluio também este texto, discordando apenas no tempo, pois diz Júdice que "matará" e digo eu que já substituiu, a Partidocracia já substituiu a democracia.

"O regime político português deveria ser um "Estado Democrático de Partidos". Mas é cada vez mais uma "Partidocracia", uma degenerescência que matará a Democracia se nada for feito."

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Partidocracia sem vergonha


Não pude apesar de tudo evitar de escrever este texto, porque as evidências da Partidocracia, e devido à impunidade e arrogância com que os partidos, líderes e senhores inquestionáveis deste sistema falido e manipulado, tratam sem respeito e sem pudor os eleitores e cidadãos deste país. Perante a nojice manifesta nesta situação: a lista de candidatos do PS às Europeias está cheia de candidatos já anunciados às eleições autárquicas, em lugar elegível. Esta não é uma crítica apenas para o PS, mas para todos os partidos que tenham a mesma atitude. Vejamos: o cabeça de lista é Vital Moreira, o número dois é Edite Estrela, em terceiro lugar aparece o nome de Capoulas Santos, em quarto está Elisa Ferreira - candidata do PS à Câmara do Porto -, em quinto aparece Correia de Campos, em sexto está Luís Palma e em sétimo Ana Gomes - candidata do PS à Câmara Municipal de Sintra. Imediatamente vem-me à mente a busca habitual dos políticos pelo tacho. Afinal que consideração há pelos eleitores: o PS se eleger todos estes nomes, estes vão para o Parlamento Europeu, mas aquando das autárquicas virão pedir votos, e, se forem eleitos lá vêm para as Câmaras e abandonam o Parlamento, quem irá para lá? Certamente não são as pessoas em quem os eleitores votaram. Isto demonstra uma imensa falta de respeito, é o mínimo que consigo dizer, porque os partidos portugueses continuam a considerar seus os mandatos, a utilizarem testas-de-ferro eleitorais, para depois os substituírem por aparelhistas sem mérito nem reconhecimento público. Isto passa-se não só no Parlamento Europeu, mas também no Parlamento Nacional, nas Assembleias Municipais, etc.
É a desconsideração total, daí apoiar a 100% as propostas do MMS, porque este partido defende que deve cada lugar pertencer a quem é eleito e não aos partidos.

Afinal isto é uma democracia ou uma ditadura dos partidos: Partidocracia.

Luto

O Bolgue A textura do Texto está neste momento de luto, indo por isso ser menor a frequência das mensagens publicadas, por morte de familiar do autor do mesmo.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Sócrates O Calimero III


O infindável Caso Freeport vai continuar a fornecer uma série de argumentos para mais um conjunto de episódios da série de animação preferida do povo português, "Sócrates O Calimero". Sim, o passarinho negro com a casquinha de ovo na cabeça e um sentido de auto-comiseração elevada, Calimero vai passear-se pelas campanhas eleitorais deste ano, demonstrando como é uma vítima, coitadinho, vítima da campanha negra, vítima de uma cabala, vítima dos monstros Sol e TVI, piu, piu. Mas enfim, lá se vai passear, convencendo uma série de incautos, de que como vítima é melhor governante.

Moção de apoio a João Miguel Tavares

Não podia deixar de me associar ao movimento de apoio ao João Miguel Tavares, processado por José Sócrates, devido a este texto, em que é emitida apenas uma opinião, que vale o que vale, pelo que, sendo uma opinião não é uma afirmação nem declaração de facto, o que faz com que seja um exercício essencial e básico de liberdade, que goste ou não goste o nosso primeiro, ainda é um direito no nosso país. A liberdade de expressão não é, nem deve ser condicionada pelos tiques mais ou menos ditatoriais de quem se sente no poder. Já todos vimos que Sócrates não gosta de ser confrontado, não gosta de responder às perguntas que lhe são feitas e sobretudo, tem sempre razão. Mas nunca lhe foram dados plenos poderes, sobretudo poderes de ditador, não tendo por isso o direito de pretender calar a opinião de ninguém. Aliás esse atrevimento mostra que algo o afectou e que a calma e a distância que pretende demonstrar do caso Freeport está a começar a esbater-se. Certamente baterá com o nariz no chão, pois nenhum juiz lhe dará razão. Mas ainda assim é uma vergonha.

Mais uma imbecilidade de Vital Moreira


O cabeça de lista do PS às Eleições Europeias, Prof. Vital Moreira, escreveu hoje no Público mais um conjunto de imbecilidades, que começam a ser habituais nas páginas de terça-feira do referido jornal. Citando:

Nesta crónica Vital Moreira postula uma doutrina nunca compartilhada por nenhum outro analista, jornalista, comentador ou politólogo, de que a União Europeia foi uma vencedora desta cimeira porque se apresentou unida, com pontos de vista e objectivos comuns, bem liderada e coordenada. Mas é o único a pensar assim. Ninguém mais disse o mesmo, aliás todos os comentadores registaram o facto de a UE se apresentar dividida, com cada um dos líderes europeus a demonstrar ter interesses e agendas muito próprias, deixando a posição de Durão Barroso muito comprometida.

Como é que Vital Moreira viu nisso uma demonstração de unidade? Não sei, talvez a sua visão esteja um pouco toldada pela partidarite de ser candidato do PS.

Mas a acompanhar esta visão maravilhosa de Vital Moreira estão as suas declarações acerca do Presidente da Comissão Europeia. Ao contrário do quem tem sido o consenso pela Europa fora, Vital Moreira declarou que, caso o Partido Socialista Europeu saia vencedor das Europeias, deve ter um candidato próprio. O problema é que o PS português já reiterou, após estas declarações, o seu apoio a Barroso. Outro problema nas declarações do cabeça de lista do PS, foi que muitos outros governos e partidos pertencentes ao PS Europeu já declararam também o seu apoio a Durão. Mas o mais triste de tudo é que estas declarações foram motivadas, ou digamos despoletadas, ou mais simples, foram precedidas por outras de Mário Soares que afirmou que Durão não era um bom candidato, porque tinha participado na cimeira da vergonha e era um rosto do passado. UM ROSTO DO PASSADO. Mas que grande lata. Como teve a lata, Mário Soares, de dizer isto de alguém: um homem que foi Presidente da República durante dois mandatos (10 anos), que após dois mandatos de outro Presidente (Jorge Sampaio), voltou a ser candidato à Presidência, pode ter a desfaçatez de chamar Rosto do Passado a alguém? É no mínimo descaramento.

domingo, 5 de abril de 2009

Parece que já há candidato


Recebi agora mesmo de fonte próxima à líder do PSD
que o cabeça de lista do PSD às europeias, será o tão
falado Marques Mendes.


Só falta a confirmação pública, porque a informação é segura.


Aguardemos.

Precisa-se de Candidato





Este parece o título de um anúncio que o PSD e o CDS/PP poderiam publicar em qualquer jornal, porque a ausência de candidatos, pelo menos de cabeças de lista, às Eleições Europeias, da parte dos partidos mais à direita começa a ser constrangedor. E as perguntas, legitimamente, surgem.

A verdade é que o PS já anunciou o medíocre Vital Moreira, o PCP a habitual Ilda Figueiredo e o BE o inevitável Miguel Portas.

Mas à direita é o deserto...

O que será que se passa. Não haverá ali personalidades de qualidade dispostas a abraçar esta luta, ou será que toda a gente assume que o momento é tão mau que não vale a pena dar a cara por líderes que se adivinham temporários.

No PP a grande dificuldade será encontrar mesmo alguém. Paulo Portas tem secado tanto o partido que a única personalidade que resta, com possibilidades e notoriedade para ser candidato às Europeias é o próprio Portas. Não seria novidade, pois Manuel Monteiro, quando era líder do PP, também foi cabeça de lista às europeias e nessa altura o partido não estava tão seco. Hoje em dia, sobretudo numa altura em que se anuncia o fim da era neoliberal, os populares parecem bastante comprometidos com a defesa que fizeram dessas doutrinas, parecendo o PCP em tempos de queda do muro de Berlim. No entanto esses sempre mantiveram um espírito de grupo que no PP, o Paulinho da Feiras, mata completamente, como um gigantesco planeta, provocando o esmagamento de tudo e todos, atraídos por uma lei da gravidade avassaladora.

No PSD o problema parece mais sério, porque ali nem a líder tem carisma para enfrentar o Vital Moreira. E ninguém quer dar a cara por Manuela Ferreira Leite, que parece cada vez mais ter os dias contados à frente do PSD. Tem melhorado as suas intervenções, tem sido séria nas suas propostas, à que lhe reconhecer isso. Mas falta-lhe o instinto político, o sentido de oportunidade política, a palavra certa no momento certo. E isto está a matá-la. Não se consegue acreditar que, numa altura em que o PS já tem cartazes do Vital Moreira, com um insípido "Nós Europeus", espalhados pelas ruas, o PSD tenha ocultado o nome do seu cabeça de lista por uma questão de estratégia. Não há pura e simplesmente ninguém. E para provar que estou errado, só há uma forma, é anunciar de vez o candidato. O pior, e que funciona como desvantagem para o PSD, é que com esta demora a expectativa cresce, logo o candidato tem de ser muito bom, porque se não o for, por melhor que seja que o Vital Moreira, será sempre pior porque se esperava que fosse alguém melhor. Ou seja, o PS não apresentou grande candidato, mas está a dar-lhe tempo, já é conhecido e a expectativa ainda não havia sido criada. Com este adiar o PSD está a arranjar o problema da expectativa estar muito alta, logo a decepção poderá ser muito maior.

Pelo que é urgente que saia um bom candidato da cartola de Manuela Ferreira Leite.

Chega


  1. Chega de se continuar a tapar os olhos, os ouvidos e a boca, é altura de se denunciar que em Portugal está a acontecer algo de muito grave com a credibilidade e a sustentabilidade no cargo do nosso Primeiro-Ministro.
  2. Chega de se querer negar que desde Cavaco Silva até hoje nunca um primeiro-ministro esteve tão sob suspeita como José Sócrates está.
  3. Chega de querer-se achar que este caso Freeport não afecta em nada o exercício do cargo de Primeiro-Ministro.
  4. Chega de se tapar o sol com a peneira e de se encarar que na verdade a política portuguesa, já tão descredibilizada e divorciada do cidadão, só mais débil ainda deste caso.
  5. Chega de não se querer entender que não se trata de querer condenar publicamente ou não uma pessoa.
  6. Chega de não se aceitar que, embora não haja nada provado, as suspeitas são o suficiente para se exigir responsabilidade política: veja-se Dias Loureiro e os pedidos para a saída do Conselho de Estado, lugar que não é nada ao pé do de primeiro-ministro.
  7. Chega de se querer achar que tudo não passa de invenções da imprensa, que depois a reboque, como no caso das pressões a magistrados, se vem a saber que aconteceram, ou que, pelo menos, encontrou-se matéria para avançar com uma investigação.
  8. Chega de se querer negar que o primeiro-ministro tem o hábito de contactar redacções para fazer pressões acerca de determinadas matérias, numa demonstração de pressão, conforme as que agora os magistrados disseram ter sido alvo.
  9. Chega de se querer manter num cargo desta importância alguém que não tem as mínimas condições políticas para o fazer.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mais uma mentira do Bloco de Esquerda

Demagogia tem limites.

Este é o novo cartaz e novo slogan do Bloco de Esquerda. Mais um sonoro soundbite sem conteúdo concreto.

Tentei perceber qual é a lógica deste tipo de pensamento. Li o que o Bloco diz acerca deste cartaz, no site oficial, onde afirmam que os 1500 milhões de lucros destas empresas devem ser aplicados em políticas sociais, em vez de serem distribuídos por apenas meia dúzia de accionistas. Claro que esses accionistas, se as empresas tivessem dado prejuízo, aí o Estado teria de compensar esses mesmos accionistas, só assim seria justo - claro que ninguém defende isto, mas este pensamento do Bloco deve ser visto pelos dois lados, porque apresentar as questões apenas por um prisma é falta de sinceridade intelectual. O Bloco de Esquerda, aquando da privatização do BPN, questionou, e com alguma razão, porque é que só se nacionalizava o prejuízo (ou seja as empresas desse grupo com problemas) e não os lucros, mas com este tipo de slogan que agora usa, perdem a razão que tinham, porque defendem a nacionalização do lucro e não do prejuízo.
Mas este pensamento do Bloco de Esquerda leva-nos ainda a outra extrapolação, que pelo seu exagero e ridículo, leva a concluirmos que estas ideias do Bloco são isso mesmo, ridículas e matam por si só o desenvolvimento económico de qualquer sociedade. Pensemos então porque é que o Bloco diz 'A Todos o que é de Todos', como assim. Então é de todos porquê? Porque todos usam. Se é porque todos usam então há muito mais a nacionalizar. As telecomunicações por exemplo, são de todos, a todos o que é de todos, vamos nacionalizar a PT; mas aí temos de nacionalizar a Zon e também a Vodafone e a Sonaecom, entre outras operadoras. A televisão, que todos vemos, essa é do Estado, mas dá prejuízo. Porém há algumas que dão lucro, provavelmente deveríamos nacionalizar a SIC e a TVI. Mas há mais, e então e os super e hipermercados: todos usamos, a todos o que é de todos, deveríamos nacionalizar o Modelo Continete e a Jerónimo Martins, também o grupo Auchan. Se continuarmos a discorrer neste tipo de pensamento chegamos à conclusão que tudo é de todos, que tudo deve ser nacionalizado e que aí a livre iniciativa individual não deve existir, porque se está a tirar a todos o que é de todos.

terça-feira, 31 de março de 2009

30 anos de SNS


O Serviço Nacional de Saúde - doravante SNS - foi criado em 1979, pelo que se comemoram este ano os 30 anos do SNS. Este é sem dúvida um serviço fundamental no Estado de direito democrático, num espírito de solidariedade e responsabilidade social. Porém ninguém pode esconder também que este é um sistema podre, actualmente quase indefensável, pelo menos nos moldes actuais.

O candidato do PS às europeias, Prof. Vital Moreira, publicou hoje um texto no jornal público em que diz o seguinte:

"Essa conexão, popularmente enraizada, entre o SNS e a democracia teve duas cosequências altamente positivas. Primeiro, conferiu-lhe uma grande base social de apoio e uma grande legitimação política na sociedade portuguesa, como condição de igualdade social e de cidadania efectiva. Segundo, tornou-o largamente consensual no plano político, não sendo contestado em si mesmo por nenhum partido político do arco parlamentar (pelo menos até recentemente), apesar de nem todos os partidos o terem apoiado de início. Depois da sua consolidação nos anos 80, só nos últimos anos, sob pressão da onda neoliberal (radicalmente hostil aos serviços universais e gratuitos em especial), é que começou a surgir a contestação ideológica e política do SNS, umas vezes em geral, outras pelo menos quanto ao seu actual modelo.

Algumas considerações.

Se é uma verdade histórica inquestionável que a existência de um SNS é uma conquista da democracia, e que, a sua existência confere uma estabilidade social e uma melhor qualidade de vida, sendo promotora de igualdade e cidadania, ninguém também pode negar que os anos 80, não foram de consolidação, mas sim de saturação, ou pelos menos o início da saturação, e consequente desfuncionalidade deste mesmo sistema.

Ao contrário do que Vital Moreira sugere, todos os ataques que tenho ouvido de partidos do 'arco parlamentar' ao SNS, não são dirigidas ao sistema em si, mas sim ao modelo.

Não sei que tipo de experiências tem tido o Prof. Vital Moreira com o SNS, mas certamente não o estou a ver levantar-se às cinco da manhã doente para ir para uma fila, esperar pelas oito da manhã, quando o centro de saúde abre, para tentar marcar uma consulta. Pior, gostaria que me explicasse como é que eu, com dois filhos pequenos, com menos de cinco anos de idade, quando a minha mulher fica doente - e recorrentemente tem problemas de garganta, com febres e dores - deixo os meus filhos em casa às cinco da manhã, com a mãe doente e por isso incapaz de cuidar deles, e ir marcar uma consulta para ela no centro de saúde, tendo ao mesmo tempo de os entergar no infantário até às nove e meia da manhã, sem ainda assim saber se vou ter consulta ou não.

A alternativa que tive de encontrar para isto foi pagar um seguro de saúde e assim ter médico em casa por 15€, ter urgência em hospital por 36€ e consulta de clínica geral, ou especialidades por 12,50€.

O Prof. Vital Moreira e muitos outros intelectuaisitos de esquerda acham que o SNS é muito bom para o Zé povinho, com o qual depois nem gostam de se misturar, porque assim, mesmo eles, coitaditos, sempre vão tendo um médico.

O Prof. Vital Moreira é intelectualmente desonesto quando deixa entender que quem defende uma mudança profunda, quem combate até contra o SNS é pura e simplesmente por questões ideológicas, o que não é verdade. Eu e muitas pessoas anónimas como eu, criticamos e condenamos a existência do SNS nestes moldes porque este não tem funcionado, não tem sido um garante de saúde com qualidade para todos.

Pior, não é intelectualmente sério quando afirma que, na 'onda neo liberal' existe um ataque contra tudo o que é serviço público e universal. É de um atrevimento tal alguém considerar que existem pessoas que consideram haver outras, seus concidadãos, que não merecem cuidados de saúde. Isso é mentira, nem tão pouco anda perto da verdade. Essas pessoas, de tudo o que tenho lido, defendem sim um sistema regido por pricípios de rigor de gestão, que lhe garantam, não só qualidade, como também sustentabilidade: pois, os intelectualsitos de esquerda esquecem-se é que os serviços universais e gratuitos custam na mesma dinheiro, e que não é o Estado quem o produz, para haver riqueza esta tem de ser criada e esse não tem sido, e a meu ver não é mesmo o papel do Estado. O que não lhe confere por isso o direito de delapidar essa riqueza como entende. É vergonhoso que se continue a achar que há sempre dinheiro para tudo.

Mas o Prof. Vital Moreira permitirme-á uma reflexão: afinal quem criou as taxas moderadoras; pior, quem as criou para tudo o que é exames e análises que se façam, mesmo numa urgência; quem criou taxas moderadoras para as cirurgias e para o internamento. Resposta: o PS, com o qual se sente, este caro Prof., em casa.

A Segurança Social é uma vergonha


Paço a explicar as minhas razões de queixa da Segurança Social.


Há alguns anos atrás, solicitei que os pagamentos que, eventualmente, viesse a receber da Segurança Social me fossem pagos por transferência bancária. Para tal preenchi e entreguei o respectivo impresso, tento para mim como para a minha esposa. Cerca de dois anos depois, alterei o banco com o qual trabalhava, para evitar problemas, porque a qualquer altura poderia ficar doente e ter uma baixa para receber, fui à Segurança Social e mudei o NIB para o qual os pagamentos deveriam ser feitos. Mais uma vez entreguei os respectivos impressos, tanto para mudar o meu NIB como o da minha esposa. Alguns anos mais tarde, a minha mulher engravida e temos a nossa menina. Aguardámos o pagamento do subsídio de maternidade e de uma semana de baixa que ela gozou antes da bebé nascer, como estava já a demorar mais do que o razoável fomos à Segurança Social perguntar o que se passava. Informaram-nos então, para espanto e revolta nossos, que o dinheiro já tinha sido enviado para o NIB indicado, que era do banco x. Qual não foi o meu espanto quanto verifiquei que essa era a conta que eu tinha encerrado, a do banco antigo. Fiquei revoltadíssimo. A informação que me deram era de que o NIB tinha sido alterado para abonos de família, mas para baixas e subsídios de maternidade, que eram outros departamentos, não. Pior ainda, informaram-me que quando fiz a alteração é que devia ter pedido alteração para todas as prestações. A minha revolta aumentou ainda mais e perguntei se fazia algum sentido isso, pois quando dou inicialmente o NIB basta dar uma vez que serve para todos, porque é que não servia para todos quando é para alterar? Mas o pior de tudo foi que, quando pedi para verificarem o meu processo, esse estava todo alterado, o NIB tinha sido actualizado para todo o tipo de prestações sociais que pudesse receber. Claro que me revoltei e tive de perguntar porque é que actualizaram o meu processo e o da minha esposa não. Mas pronto, entregámos de novo os papéis para actualizar tudo, corrigir tudo e a minha esposa pode então receber, embora por cheque, o pagamento do subsídio e da baixa.

Qual o meu espanto quando hoje a minha esposa telefona para a Segurança Social, perguntando pelo seu subsídio de desemprego, e lhe foi indicado que tinha sido de novo pago para a conta antiga, encerrada há mais de quatro anos. COMO É ISTO POSSÍVEL.

Só é explicável com uma grande incompetência e sobretudo irresponsabilidade, agravada por um sentimento de impunidade, destas pessoas que trabalham nestes serviços.

Só consigo dizer que a Segurança Social é uma vergonha.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Porquê só agora? Afinal a Manuela Ferreira Leite tem razão

Deixei a escola há pelo menos 13 anos e já na altura escolas degradadas é coisa que não faltava. Recuperaram-se algumas, arranjaram-se e pronto. De repente, o nosso Primeiro-Ministro arranja 175 milhões de Euros para reparar e renovar as 50 escolas (antigamente designadas preparatórias e secundárias) mais degradadas do país.
A única dúvida com que fico é se foi em quatro anos de governo de Sócrates que estas escolas se degradaram de uma forma que agora urgisse encetar obras inadiáveis, ou esteve o nosso primeiro a aguardar que a urgência eleitoral do PS exigisse uma medida de tão mérito e premência como esta. A medida em si é absolutamente intocável, já a escolha do momento é em si bastante questionável. O povo diz, sempre em surdina, para os políticos não ouvirem, que deviam haver sempre eleições, porque é a única altura em que - sejam governos ou municípios - fazem alguma coisa.
Mas o mais asqueroso - peço desculpa pela força da palavra, ma é a que mais me corre na mente - é que o nosso primeiro, começasse, muito ao de leve, quando da assinatura deste protocolo com as Câmaras Municipais (só ainda não verifiquei se as contempladas com este protocolo são todas do PS, para dar uma ajudinha na campanha autárquica, o que seria ainda mais nojento, mas vou tentar averiguar) a criticar aqueles que apontam o dedo ao investimento público, afirmando que não iriam esperar mais, que era este o momento, que não iriam esperar pelo fim da crise.
Pois o que o nosso primeiro não disse, é que com esta medida, neste contexto de crise, só estão a dar razão à Manuela Ferreira Leite, que ao contrário do que a manipulação governativa quer ventilar, nunca esteve contra o investimento público, mas sim contra todo e qualquer investimento público, afirmando até que o investimento em obras públicas de proximidade - como é o caso das escolas - é benvindo e é benéfico no combate à crise, até porque gerará empregos entre os nacionais. Era bom que algum órgão de comunicação social confrontasse as afirmações do Sr. Primeiro-Ministro de hoje, com as afirmações que a líder do PSD tem feito, para que a verdade fosse reposta.

Mais milhões

O nosso caríssimo Primeiro-Ministro voltou a anunciar uma distribuição de milhões de Euros do erário público.
Anunciou duas medidas sobremaneira importantes: a primeira foi o alargamento do subsídio do Estado à formação de funcionários de empresas, que antes era privilégio reservado às empresas do sector automóvel, mas agora está acessível a empresas de qualquer área de negócio, aprofundando mesmo essa ajuda, que anteriormente se ficava pelos 85% do ordenado, para os 95%; a segunda medida foi a assinatura de um protocolo com várias autarquias para a recuperação das 50 escolas preparatórias e secundárias mais degradadas (perdoem-me a denominação antiquada).
Apesar do mérito das medidas, fico com um saborzinho estranho na boca: não estivemos em contenção devido ao défice durante os últimos quatro anos?, não se fechou todo o tipo de serviços tendo em conta a racionalização de recursos?, não se esteve a fazer uma contenção? como é que de repente já existe tanto dinheiro para gastar?, terá sido o esforço destes últimos anos em vão?, será que afinal o esforço não era para controlo do défice orçamental, mas sim para se conseguir margem financeira para um despesismo desmesurado em ano de eleições?, há quantos anos as escolas precisam de obras e só agora é que estas vão avançar?, há quantos anos o sector automóvel recebe subsídios para fazer formação e só agora é que são divulgados (trabalhei 10 anos na autoeuropa e todas as formações que lá se fizeram foram pagas pelo Estado, ao ponto de se formalizar mesmo uma instituição, em conjunto com a Siemens e a Câmara de Comércio Luso-Alemã, para canalizar esses subsídios, a Academia ATEC)?
Deixo as perguntas, cada um que responda para si, embora a manipulação me pareça óbvia.

domingo, 29 de março de 2009

Carrapatoso? E porque não?


O presidente da Vodafone em Portugal, António Carrapatoso, teve esta semana umas declarações onde anunciou estar na disposição de deixar a presidência da empresa, porque 17 anos à frente da mesma já era tempo suficiente.
Esta afirmação deixou-me de pulga atrás da orelha. Porque será que logo agora vem afirmar-se como descomprometido profissionalmente?
A primeira ideia que tive é se seria ele o cabeça de lista do PSD para o Parlamento Europeu.
Depois surgiu, em conversa com um colega, a hipótese de que estaria a preparar um posicionamento para a liderança do PSD, após a queda de Ferreira Leite.
E porque não?
Jovem, dinâmico, de imagem fácil de vender, com contactos no mundo empresarial, de mensagem fácil, excelente líder, de imagem completamente renovada, sem qualquer tipo de comprometimento com o PSD do passado.
Este é um nome valioso para o PSD e a ter em conta.

Pacheco Pereira e a comunicação social


A seguir reproduzo um post de Pacheco Pereira no seu blog Abrupto.

No Correio da Manhã a notícia é esta:
A presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, voltou ontem a insistir na criação de um fundo de emergência social para apoiar as instituições que estão a acudir às situações de carência originadas pela crise.
No Público a notícia é esta:
Ferreira Leite fala em sucessão de factos no caso Freeport e pede esclarecimento rápido.
No Diário de Notícias a "notícia" é esta:
Manuela Ferreira Leite queixou-se de não ser ouvida pelo País, num momento em que o corre de lés a lés em numerosas iniciativas. Os polítólogos consultados pelo DN dizem que ela continua a rejeitar as regras do espaço mediático e que concorre com uma hiperprofissional máquina de José Sócrates.
O artigo é mais um artigo de ego e eco, o enésimo vindo no Diário de Notícias, cuja conclusão só pode ser "contrate uma agência de comunicação", subordine-se às "regras do espaço mediático", porque sem isso não existe em política, nem nós a deixamos existir. Pague a portagem, se faz favor, torne-se igual aos outros, se faz favor.
Por muito que admire o Pacheco Pereira acho que ele está a bater contra uma parede de betão. Insistentemente tem criticado o facto de os jornais não darem a relevância de direito à líder do PSD. Posso concordar com muitas das críticas que faz de subserviência evidente, principalmente por parte da RTP, mas também de outros órgãos de comunicação social, não tanto pelo desinvestimento no PSD, mas pelo sobrinvestimento no governo. Ninguém equidistante consegue disfarçar, nem tão pouco negar, esse fenómeno, mas este é independente do facto da líder do PSD não se conseguir impor na agenda mediática, sobretudo pela forma da mensagem, mais do que pelo seu conteúdo. Goste-se ou não os jornais, revistas, rádios e televisões são negócios - exceptua-se os canais televisivos e radiofónicos da Rádio e Televisão de Portugal - e como negócios que são vivem do lucro, lucro que vem da publicidade, publicidade que vem das audiências, audiências que vêm dos conteúdos, conteúdos esses que têm de ser atractivos. Logo se a líder do PSD não consegue transmitir a sua mensagem, sem deturpar a sua essência, de forma que os órgãos de comunicação social possam produzir um conteúdo - de preferência com qualidade - que consiga conquistar audiências, pura e simplesmente não é interessante para o negócio. Não se trata do facto de ter de pagar uma portagem, mas sim de encarar a realidade. Não se trata do facto de se tornar igual aos outros, mas sim de ser pragmática e compreender o meio em que se move. Quando se dá aulas fala-se de uma forma, quando se ensina numa escola primária fala-se de outra, numa conversa informal explica-se de outra, quando se fala para a comunicação social de outra. O PSD, e o Pacheco Pereira, mais do que criticar os jornais e a comunicação social em geral, devem é de, sem deixarem de ser quem são, compreender as regras do jogo e jogá-lo. Aliás isto até me surpreende um pouco vindo de um homem que de forma que raia a genialidade, comunica em todas, ou praticamente todas, as plataformas de comunicação que existem: escreve em jornais, de maneira diferente do que escreve nos blogues e de maneira diferente do que escreve nos livros; fala de maneira diferente no debate da Quadratura do Círculo do que fala a dar aulas, ou do que falava quando era parlamentar. Diferentes plataformas e diferentes destinatários, diferentes formas de comunicar a mensagem.

Vieira da Silva e o abandono de Estado - Evidência gritante da Partidocracia vigente

O Partido Socialista escolheu um coordenador para os vários actos eleitorais que irão decorrer ao longo deste ano. A escolha recaiu sobre Vieira da Silva: socialista de renome, da velha guarda, conotado com a ala mais à esquerda do PS, sentido para o qual Sócrates tem virado todo o discurso do partido nos últimos tempos.
Por coincidência Vieira da Silva é também Ministro do Trabalho e da Solidariedade.

Salvo erro este é o ministério que regula o mercado de trabalho, tem a tutela do Instituto do Emprego e da Formação Profissional, e, tutela também a Segurança Social. Salvo erro também acho que, pelo menos é o que dizem as televisões e os jornais - já agora também os bloggers -, estamos numa época de crise, onde os problemas nas empresas são grandes, onde o desemprego tem aumentado sobremaneira e onde os problemas sociais se têm agravado.

Isto mete-me um bocadinho de confusão: então se o Vieira da Silva é o ministro daquele ministério, quando estão a haver tantos problemas destes, ele deve estar cheio de trabalho, de coisas para tratar, de problemas para resolver, ou será que não? Como é que então este pobre senhor vai conseguir ainda fazer este trabalho todo no PS? Será que é por ser o ministro do trabalho, quer dar o exemplo trabalhando até à exaustão? Ou será que se vai aplicar o velho provérbio popular que diz que 'quem muitos burros toca algum fica para trás'. E o pior, é que da experiência que temos com estes políticos, o 'burro que ficará para trás' de certeza que será o ministério, porque o primeiro instinto dos partidos políticos portugueses, regentes desta Partidocracia, é a sobrevivência política, negligenciando tudo o resto à sua volta.

Daí que seja bastante questionável a opção do PS por Vieira da Silva, pois denota um tremendo egoísmo, pensando primeiro no partido e só depois no país, mas desta vez de uma forma descarada e por demais evidente.

O fumo da corrupção


Vivemos num país que gosta de se ver como sendo de brandos costumes, de gente séria, onde uma cunha vem sempre a calhar e onde um chico esperto é sempre bem visto. Em Portugal um corrupto nunca o é, é apenas alguém que foi esperto: costuma-se mesmo dizer que se se estivesse no lugar dele, se faria exactamente o mesmo. Isto porque o português nunca admite ser menos esperto do que o outro.
Só por este retrato é que se consegue compreender a apetência que o povo português tem para admirar, defender e, insistentemente, eleger e proteger políticos acusados ou suspeitos de corrupção.
Existem inúmeros casos de autarcas com processos judiciais devido a casos de corrupção, que são amados, seguidos e eleitos sucessivamente, de uma forma que outros apenas desejam e nunca conseguem alcançar. Vamos a nomes: Fátima Felgueiras, Avelino Ferreira Torres, Isaltino Morais, Valentim Loureiro, entre outros, amados, alguns rejeitados pelos partidos, mas concorrendo como independentes conseguiram ganhar as câmaras (excepção de Avelino Ferreira Torres, mas porque não concorreu ao Marco e sim a Amarante).
Nunca as gentes destes lugares puseram a hipótese de que estas pessoas, pelos seus comportamentos não seriam a melhor escolha.
Depois existe sempre a questão das provas: nunca se consegue provar nada e ninguém acredita na justiça, porque mesmo aqueles que chegam a Tribunal são, normalmente absolvidos - como aconteceu esta semana com Avelino Ferreira Torres, absolvido por falta de provas. Claro que ninguém pensa, ao contrário do que disse Salazar e do que muitas vezes se quer fazer passar, que em política 'o que parece é', é mais complicado, porque o corrupto, que nunca o é, é só um esperto, logo ou se prova que é corrupto - e se há provas é porque já não é tão esperto assim e já merece ser castigado - ou é impoluto e limpo, estando só a ser alvo de uma calúnia, uma campanha negra, vítima de uma cabala, o que se quiser.
Só assim entendo que, havendo fumos, nuvens, de corrupção a pairar sobre o Primeiro-Ministro José Sócrates, como nunca aconteceu com nenhum outro, este continue tão popular e com grandes chances de ganhar as próximas eleições.