quarta-feira, 8 de julho de 2009

O BdP, o BPN, o PSD e o PS


Se durante muito tempo o BPN foi conotado como sendo o "banco do PSD", onde gradas figuras investiram ou estiveram mesmo nos quadros do banco, durante a comissão parlamentar este parecia sim ser o "banco do PS". Acontece que o branqueamento produzido na comissão parlamentar, via relatório final, incomodou até o último Presidente do banco antes da nacionalização: Miguel Cadilhe - que, numa entrevista ao Diário Económico, afirma ter "morrido na praia" a comissão parlamentar de inquérito. A verdade é que o PS pouco importado estava com o banco ou com o PSD, demonstrou até estar pouco preocupado com o interesse nacional. A grande preocupação do PS nesta comissão de inquérito foi proteger um dos seus, foi esconder a incompetência de um dos seus, a incompetência de Vítor Constâncio.
O ministro Teixeira dos Santos acusou a oposição de apenas procurar caçar VC, mas a verdade é que, independentemente das conjecturas político-partidárias da questão, houve falhas graves de supervisão que deveriam ser corrigidas, quer pela via legal, quer pelo reforço de meios do BdP. Mas nada disso foi olhado de frente. O reconhecimento tímido de alguns erros, não levou, nem levará, ao reconhecimento dos defeitos mais profundos do sistema de supervisão. De quem é a culpa? Claramente do PS, que na sua ânsia de proteger a bem paga cabeça de Constâncio, procurando não dar razão à oposição, pouco ou nada cogitou acerca do interesse nacional. Este gritava a plenos pulmões uma necessidade imediata de uma profunda mudança do sistema de supervisão, o que se impõe.
Desta forma, com estas conclusões, completamente manchadas da lama do interesse partidário, tudo fica na mesma, abrindo-se portas para que outros BPN's surjam no futuro do sistema financeiro nacional.

BE: Louçã e Chora


Ainda que para alguns isto seja estranho efectivamente de estranho nada tem. Acontece que o ilustre António Chora tem uma agenda pessoal muito própria, que não se coaduna, nem tão pouco tem em conta, quer os interesses dos trabalhadores, quer, pelos vistos, os interesses do BE. Mas eu não sei se estas declarações elogiosas de Chora a Manuel Pinho não são um qualquer namoro deste ao PS, porque consta, segundo fontes ligadas ao processo, que António Chora foi afastado das listas do BE para as próximas legislativas, devido às medidas manifestamente lesivas do interesse dos trabalhadores da AE que tem defendido. É que no interior da CT e da própria fábrica há mais pessoas com interesses e influência dentro do BE que têm sido frontalmente contra o caminho e as opções de António Chora. Aliás o clima de intimidação e de falta de liberdade de expressão dentro da empresa está atingir um nível preocupante, que apenas por poder piorar a situação não desmonto aqui mais, sem que o ilustre Chora diga uma palavra acerca do assunto.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A (in)dignidade dos políticos


Gosto de pensar em mim como uma pessoa interessada em política, aliás desde que me tornei militante do MMS, comecei mesmo a desenvolver actividade política com alguma intensidade, pelo que por vezes penso mesmo que sou um político. Em pequeníssima escala, a um nível muito inferior, mas político. Porém quando penso nisso sinto-me como se me estivesse a chamar a mim mesmo um palavrão feio, algo muito pouco próprio de se chamar a alguém. Ser político hoje em dia não é sinal de prestígio, de despego pessoal em prol da causa pública, é sim tomado com desconfiança, a pessoa é vista com estranheza, como estando à procura de um tacho e imediatamente se torna mal vista. Na verdade a política tornou-se numa actividade de gente pouco séria, ou pelo menos de gente que tem fama de ser pouco séria. Mas os políticos não podem culpar mais ninguém senão a eles próprios.
Recentemente durante o debate parlamentar mais importante do ano, aquele que serviria supostamente para analisar o país após mais um ano de exercício governativo, o debate do Estado da Nação, este ficou marcado pelo gesto inqualificável de um inqualificável ministro, que nesse mesmo dia foi demitido, ou, na versão oficial, demitiu-se. Acontece que a atitude do ministro foi o reflexo de todo um debate. Este debate foi tenso, encharcado de acusações viscosas e pouco construtivas, sobretudo de índole pessoal. É verdade que me irrita um pouco aqueles debates com lencinho branco e pó de talco, em que não se chama uma mentira a uma mentira, esta torna-se eufemisticamente numa inverdade, nem tão pouco suporto debates de ideias em que toda a gente educadamente desmente o outro para depois dizer exactamente o mesmo mas por outras palavras. Estes eram os debates que dominavam a política portuguesa até há alguns anos atrás. Eu gosto de debates garridos e aguerridos, onde se chamam os bois pelos nomes, mas gosto de debates onde se discutam assuntos, onde uma mentira é uma mentira, mas não um onde, sem grande base factual, os deputados se limitam a chamar mentirosos uns aos outros, carregadinhos de nervos, onde por isso debate de ideias, de propostas, escrutínio da governação, entre outras funções que o debate parlamentar tem, não existe. Os políticos têm com isso tornado a sua imagem cada vez mais degradada. Eu bem sei que o Primeiro-Ministro José Sócrates é um dos grandes responsáveis por este estado de coisas, quando durante quatro anos de debates quinzenais no parlamento nunca respondeu directamente a nenhuma pergunta que a oposição parlamentar lhe fez. Este exercício não é inédito, mas nunca a este ponto. Esta foi a legislatura em que mais vezes o Primeiro Ministro esteve no parlamento, mas também foi a legislatura onde o nível do debate parlamentar desceu mais e sobretudo a sua importância para o país. E este facto não é reflexo de nenhuma banalização devida à frequência do debate, tem sim a ver com o facto de o debate nunca o ser verdadeiramente, pois a perguntas não respondidas restam as respostas que cada um lhes quer dar, o que de democrático e relevante nada tem.
Continuando na senda da pouca dignidade do exercício da política temos a medida requentada que o PS foi buscar ao PSD, anunciando a proibição de duplas candidaturas às legislativas e às autárquicas. Torna-se evidente que o Partido Socialista não toma esta atitude por convicção, pois se assim fosse teria feito o anúncio antes das europeias, impossibilitando desde logo a dupla candidatura europeia-autárquica de Elisa Ferreira no Porto e de Ana Gomes em Sintra. O mau resultado nas primeiras eleições do ano certamente levou a esta atitude. Claro que certas vozes dentro do PS, como Manuel Alegre, imediatamente se levantaram a solicitar essa retroactividade nas candidaturas anunciadas, solicitando a ambas as senhoras que renunciem ou ao mandato de eurodeputadas ou às candidaturas autárquicas. Seria talvez um exercício de decência política, mas já viria tarde, pois apenas reforçaria sempre a ideia, que esta tardia medida por si só já deixa, de que no PS de Sócrates tudo se move apenas e só pela imagem, pela aparência e muito pouco ou nada mesmo pelo conteúdo, pelas convicções. O que revela apenas um grande apego ao poder e uma incessante e insaciável sede de perpetuação no poder pelo poder. Daqui a imagem geral dos políticos decai ainda mais, logo também a dignidade do exercício da política.
Continuando por aí a observar das indignidades políticas e dos políticos, hoje veio a público mais uma exibição desta despudorada manipulação governamental, mas desta vez evidenciando uma profunda falta de sentido de estado e logo num dos sectores nevrálgicos do desenvolvimento do país: a Educação - os resultados dos exames nacionais do 12º ano. O ministério não assume qualquer culpa, não faz qualquer auto-crítica, culpando sim a comunicação social de divulgar um facilitismo nos exames, no qual os alunos acreditaram, logo não se esforçaram tanto na preparação para o exame. Onde estamos a chegar. O ponto de baixeza no exercício da política em Portugal é tal que um ministério da educação se acha no direito de, melhorando os resultados recolher os louros para si, piorando lança as culpas nos outros. É preocupante. Entende-se assim cada vez mais o desencanto, a decepção e o desinteresse dos portugueses pela política: isto é baixeza de carácter.
Mas muitos mais exemplos de indignidade na política portuguesa existem. O pior, como este exemplo que se segue, o da Fundação para as Comunicações Móveis, onde é mesmo o desleixo, ou melhor a desconsideração, com que se tratam os dinheiros públicos, envolvendo negócios pouco claros, situações dúbias, zonas cinzentas, enfim tudo aquilo que a política não deve ter.
É um diagnóstico negro este que faço sobre a dignidade da política e dos políticos, sobre a dignidade ou não de se chamar alguém de político.
Mas infelizmente a política está reduzida a isto, a grupos pouco claros que entre si lutam, não pelo interesse nacional, mas pelo seu próprio interesse. Os partidos políticos não procuram o desenvolvimento do país, nem tão pouco a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, apenas procuram a melhor forma de se perpetuarem no poder, ou, como no caso dos mais pequenos, de se poderem continuar a alimentar à mesa do orçamento de estado. É isto a política em Portugal.
Mas tem de haver esperança, pelo que devemos, pelo que absolutamente necessitamos de mudar Portugal. Mas não uso aqui a palavra mudar num sentido cosmético, para mascarar um mofo e uma falta de ideias latente, que uma palavra bonita e apelativa anseia-se que disfarce. Utilizo a palavra mudar como um verbo, um verbo de acção, de acção concreta e corajosa, propondo ideias que, novas ou não, se propõe com acuidade e com desejo e intento concreto de aplicar, de efectivar, de concretizar, rompendo assim com a prática imóvel e ignóbil dos partidos tradicionais, que têm o seu assento no parlamento.
Mudar Portugal.
Este é um verdadeiro desígnio, e é verdade que a revolução inteligente proposta pelo Movimento Mérito e Sociedade é de difícil implementação, até porque implica uma profunda mudança de mentalidades, que é a mudança mais difícil e demorada de fazer. Mas acredito que com a catadupa de exemplos da degradação da condição, da prática da política, esta urgência de mudança seja sentida por cada vez mais pessoas, servindo de catalisador desta imperiosa mudança de mentalidades, reduzindo assim em muito o tempo expectável para a concretização dessa mesma revolução.

Que fantástico Ministério da Educação


A equipa do Ministério da Educação começa realmente a cansar, senão mesmo a irritar.

Hoje foram divulgados os resultados dos exames de matemática do 12º Ano. Surpresa das surpresas os resultados pioraram: a média baixou de 12,5 para 10 valores, havendo também um número maior de reprovações, tendo duplicado a taxa das mesmas.
Onde está a parte irritante é aqui: a equipa do Ministério da Educação culpa a comunicação social por esta piora nos resultados. Pois é isso mesmo, segundo esta notícia do Público, o Ministério diz que de tanto a comunicação social dizer que os exames estão mais fáceis, os alunos fizeram "menos investimento, menos trabalho e menos estudo".
Compreendo a revolta do ministério, pois após tanto investimento na imagem de que a Educação estava a melhorar, com facilitismo nos exames à mistura, tudo foi por água abaixo. Isto demonstra toda a falsidade e política da aparência, pois se os resultados tivessem melhorado os louros seriam da política governativa, como pioraram a culpa é dos outros. Da comunicação social que andou a espalhar a mentira da facilidade dos exames e dos alunos que acreditaram, mas nunca, nunca é do ministério e da sua miserável política educativa: tenham vergonha senhores.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pinho: RUA



Foi tarde, é tudo o que tenho para dizer, é que foi tarde, muito tarde: principalmente numa altura de crise económica o país precisava e merecia um ministro da economia à altura do desafio, mas tinha um ministro bem medíocre, até para alturas de abundância.

Adeus Pinho, foi pena teres durado tanto.


O ministro das Finanças é agora o super ministro, pois vai acumular as Finanças com a Economia até às legislativas.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Manuel Pinho, impagável

O ministro Manuel Pinho, em mais um dos seus acessos de boçalidade (perdoem-me a força do adjectivo mas não me surge outro), numa entrevista dada hoje à SIC, ilustrou aquilo que Ferreira Leite afirmara - em que rasgaria a política económica deste governo - rasgando uma folhinha A4 onde a amarelo estavam os programas lançados por este governo no apoio às pequenas e médias empresas. A acção além de triste, só nos deixa a sonhar, porque com os resultados que esses programas têm tido, todos sonhamos com o momento em que alguém faça isso com eficácia prática. A impressão deixada foi de que Pinho estava a limpar a nódoa que ele próprio, entre outros, criara.
Aliás o próprio António Costa hoje falou nas nódoas do ministério das obras públicas (o célebre Mário Lino), podendo essa distinção ser estendida ao ministro Pinho (o outro da célebre dupla de que Hugo Chavéz tanto gosta Pino e Lino).
De nódoa em nódoa até à nódoa final, perderem as eleições, este é um bom caminho, que nem a PT e a campanha de Granadeiro contra MFL, consegue disfarçar.

O fim da crise

Há uns anos atrás um ministro das finanças de um governo PSD ficou célebre por elaborar uma inovadora teoria económica acerca de Portugal, a teoria do Oásis. Braga de Macedo nunca mais se livro de ser o ministro do Oásis, uma teoria manifestamente contrariada pela realidade.
Ora o PS, como não gosta nem por nada de ficar atrás do PSD, encontrou um também brilhante ministro das finanças, neste caso Teixeira dos Santos, que postulou uma teoria semelhante e igualmente desmentida pela realidade, a teoria do Fim da Crise.
Tal como rimos de Braga de Macedo, rimos agora de Teixeira dos Santos, ao melhor nível de Manuel Pinho (sim aquele que decretou o fim da crise antes desta começar).

O PSD a copiar o MMS (III)

Fui alertado por algumas pessoas do MMS que não nos podemos arrogar de ter tido a ideia de unificar as forças policiais, pois esta já é discutida quase desde a queda do regime monárquico (?!), pelo que um pouco de humildade não ficaria mal.
O que acontece é que, e foi isso que estas pessoas não entenderam e motivou este texto, é que desde o 25 de Abril, as forças políticas não debatem a sério este tema, nem tão pouco apresentam um plano concreto para o fazer. O MMS -lo quase desde a sua génese, desde a ideia inicial do Prof. Eduardo Correia, quando escreveu o Manifesto Mérito e Sociedade.
Além disso existe hoje em dia uma prática habitual entre os partidos maiores do nosso sistema político de sondar esse mercado e procurar ideias novas, que possam aplicar nos seus programas, mesmo roubando aos outros. Isso confere-lhes alguma frescura de ideias e permite-lhes secar o terreno à sua volta para que mais ninguém possa surgir e contestar a hegemonia dessas mesmas forças políticas. E é esta consciência que me leva a dizer que o PSD está a imitar o PSD, porque em 35 anos de democracia o PSD nunca se lembrou de tal ideia e agora, após o MMS ter divulgado a mesmo o PSD está a pensar no assunto, com reacções bastante positivas por parte das entidades indicais e sócio-profissionais das forças de segurança.
É pena que o MMS tenha para sempre perdido esta bandeira, porque não tendo ido junto dessas forças em tempo apresentar a ideia, e, não alertando agora para o facto de a ideia ter surgido no MMS, nunca ninguém vai acreditar que defendemos sempre isto, vai ser sempre o MMS a querer imitar o PSD, o que é uma desolação e assim, assim dificilmente vamos longe.

O PSD a copiar o MMS (II)


Notícia de hoje do Público:

Hipótese de polícia única avançada pelo PSD divide os representantes das diversas forças
01.07.2009, José Bento Amaro
Medida colhe a simpatia
de alguns sindicatos da PSP e GNR, mas não agrada a PJ, advogados e MP
O PSD não exclui a hipótese de analisar a hipótese da unificação das polícias portuguesas. O tema é recorrente e agrada a alguns sindicatos da PSP e GNR, as duas forças de segurança mais numerosas. A PJ, a Ordem dos Advogados e os magistrados do Ministério Público entendem que a haver unificação, esta deverá ser apenas entre a PSP e a GNR, de modo a promover a rentabilização de meios e pessoal. Juntar todas as polícias num só ministério obrigava a fazer reajustamentos financeiros de milhões de euros e trazia à baila a questão da liderança. Quem mandaria? A Administração Interna ou a Justiça? O tema da unificação foi aflorado ontem, durante uma reunião do PSD e representantes das diversas forças de segurança nacionais. O vice-presidente dos sociais-democratas, José Pedro Aguiar Branco, anunciou que o seu partido está disposto a analisar uma eventual junção. Esta medida foi, entretanto, saudada pelo Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP) da PSP e pela Associação dos Profissionais da Guarda (APG) da GNR. Os presidentes destas duas estruturas disseram defender desde jáque uma futura polícia unificada deve ficar na dependência do Ministério da Administração Interna. "Evitava-se a sobreposição de tarefas", diz o presidente do SPP, António Ramos. "Aumentava-se a eficácia e a funcionalidade", refere José Manageiro, presidente da APG. Estas foram, de resto, as duas vozes que mais defenderam a unificação. Para Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), o maior sindicato da PSP, a ocasião "não é a ideal para se discutir a junção das polícias". "O que entendemos é que qualquer mudança que se faça nas forças policiais não deve ser feita com o intuito de poupar dinheiro, mas sim no interesse da segurança dos cidadãos", acrescentou. Satisfeito com o resultado da reunião estava o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da PJ. Carlos Anjos entende que as opiniões expressas vão no sentido de reforçar as actuais competências da PJ e manifesta o desejo de que a PSP e a GNR continuem a ganhar autonomia na investigação da pequena criminalidade. 50.000 é o número aproximado de polícias que estão nos quadros da PSP, GNR e PJ.

Volto a dizer que esta medida já há muito que é defendida pelo MMS, mais concretamente a unificação de todas as instituições policiais em duas apenas, uma Polícia Civil e uma Polícia Criminal. Simplificar, reduzir cúpulas, agilizar a investigação e a partilha de informações, erc, etc. Uma série de vantagens. Mais uma vez volto a dizer que veja-se onde estão as boas ideias e quem será por isso mais capaz de governar bem este país.

O PSD a copiar o MMS

É sempre bom quando os outros reconhecem a qualidade das nossas ideias, das nossas propostas. É muito importante porém, é mesmo de bom tom, demonstração de boa educação que, quando repetimos uma ideia de outra pessoa, referir de quem é essa ideia, apontar o seu autor.
Ora é notório que, apesar da partidocracia, dominada no nosso país pelo PS e pelo PSD, esses mesmos países estão a ficar esgotados. Como tal parece que começaram uma pesquisa nas ideias de outros, numa tentativa de mostrarem frescura e secarem o mercado político à sua volta.
No MMS já não é a primeira vez que se nota uma similaridade nas propostas e afirmações de líderes de grandes partidos.
Mas hoje, perante esta notícia de ontem, onde se afirma que o PSD vai estudar uma proposta para a unificação das forças policiais, essa certeza reforçou-se. Ainda bem que o PSD concorda connosco, mas mais uma vez o mais pequeno vai sair abafado. E não vale a pena afirmarem que o MMS se está a por em bicos de pés, que quer ser mais do que é: já no manifesto do partido (página 24) esta proposta estava consignada, sendo de novo levantada como uma medida proposta pelo partido na moção aprovada no I Congresso Nacional do MMS, "Soluções para Portugal" (página 14).
Por aqui os nossos cidadãos e eleitores deveriam reconhecer onde está realmente quem tem a capacidade, as propostas e a capacidade de mudar Portugal... mas de mudar efectivamente, de mudar para melhor.

Só pode ser brincadeira




O Presidente de uma empresa, onde o Estado tem uma golden share, em debate político em público com a líder do maior partido da oposição, em ano de eleições legislativas: só pode ser brincadeira.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Manifestos e confusões: o que conta é o dinheiro


Temos sido atingidos nas últimas semanas com manifestos, todos eles de alegadas sumidades da economia, uns contra os grandes investimentos públicos, outro a favor dos mesmos, estando prometido para breve um outro, vamos a ver se ficará por aqui. Estes manifestos, mascarados de uma ciência exacta, a economia, mas que são efectivamente meros exercícios políticos.

Ontem no Público, na sua crónica de última página, Rui Tavares, o historiador recentemente eleito pelo Bloco de Esquerda para o Parlamento Europeu, assumiu as dores deste último manifesto, favorável aos investimentos com um argumento sinceramente fraco, ou mesmo demagógico. Comparando os economistas com os médicos, Rui Tavares assumia que só os médicos que acertassem no diagnóstico seriam competentes para apontar uma cura. Sendo assim, uma vez que, segundo o historiador, apenas os economistas deste segundo manifesto tinham previsto a chegada da actual crise, pelo que só estes seriam credíveis para indicar uma saída para a mesma.

Ora pegando no próprio exemplo de Rui Tavares se consegue desmontar esse mesmo argumento: quantas vezes um médico de clínica geral, ou mesmo estagiário faz um diagnóstico que um especialista, ou um médico mais experiente tinha errado, sendo depois por esse mesmo médico encaminhado para o tal especialista afim de obter a melhor terapêutica possível??!! Isto é comum e depende de muitas condicionantes. Na economia, que está imensamente limitada pelo exercício político dos economistas, como na medicina, as perspectivas limitam ou ampliam a forma como se consegue efectuar uma análise e retirar as conclusões mais acertadas. Mas um médico experiente e especialista é sempre uma voz credível, capaz de indicar uma terapia adequada. Pelo que é fácil concluir que mesmo os economistas que não previram a chegada da crise, não perdem nenhuma competência ou qualidade para apontarem uma saída eficaz para a corrente crise.

Assim só podemos pensar que a diversidade de opiniões se deve a condicionantes ou adesões políticas.

Sendo assim acho que a minha opinião perante esses investimentos só pode ser condicionada pelo seguinte: Portugal passou no último ano para uma nível de endividamento externo superior a 100% do PIB, logo Portugal não produz o suficiente para pagar o que deve; logo como será possível aumentar ainda mais o endividamento - possível é, mas será aconselhável? - sem corrermos o risco de um grande desastre para o país?; para mim a opção contra é clara.

Mas não vejo tudo preto ou branco.

Há mais vida além destes investimentos. Portugal com o dinheiro do TGV, ou provavelmente com bem menos, pode modernizar a sua rede ferroviária, reforçar por exemplo a linha do Norte para que o Alfa pendular possa ser mais eficiente, e, reforçar as ligações ferroviárias de Portugal a Espanha, tudo o que se dizia só ser possível com o TGV. Além disso reforça-se a coesão nacional e estimula-se o crescimento das regiões do interior, coisa que não ia acontecer com o TGV que só ia passar, sem qualquer vantagem para essas zonas do país, que com esse reforço das ferrovias iam ganhar mais um meio para transportar pessoas e mercadorias.

Quanto ao Aeroporto de Alcochete já não se vislumbra a necessidade tão urgente do mesmo, uma vez que a saturação prevista para a Portela, dentro de poucos anos, com a actual crise, atrasou-se cerca de dez anos, pelo que não necessitamos de tanta urgência. Podemos aguardar uma estabilização da crise, ou até uma ligeira recuperação, para depois o país avançar para a construção destas infraestruturas, que sendo importantes, dado o cenário actual, deixam de ser tão urgentes como isso.

Em relação ao plano rodoviário não se pode embrulhar tudo e deitar fora, temos de desmontar esse plano, ver o que faz falta e o que é superfulo e o que é megalómano. O que é útil avance, o que não o é pode esperar, o que é megalómano, como a terceira auto-estrada Lisboa-Porto.

Assim se desmonta o monstro dos investimentos, na minha opinião claro.

Prémio Lemniscata


O Carlos Santos que assina um dos meus espaços favoritos da blogosfera, O Valor das Ideias, deve ser o primeiro ou segundo que mais leio, atribuiu à textura do Texto o Prémio Lemniscata. Este prémio atribuido a sete blogues e cada um desses deve destinguir sete da sua preferência. Sendo assim, segue-se o texto oficial deste prémio com os espaços a quem atribuo este prémio.


O blogue O valor das Ideias atribuiu a A textura do Texto o Prémio Lemniscata


O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)
Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”
Seguindo as regras este prémio é para ser atribuído de seguida a 7 blogues. Assim, sem qualquer ordem prévia:










De referir que se não fosse o Carlos Santos a entregar este prémio à textura o Valor das Ideias seria provavelmente a minha escolha mais imediata, mas como creio que essa não é ideia, nomeei outros, apesar de ter lutado contra esse impulso até ao fim.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

No país de Sócrates

Existe um país que é membro da União Europeia e que é governado por um engenheiro, acerca do qual, em certa altura, se colocaram dúvidas acerca dessa licenciatura em engenharia: questionou-se se ela própria não teria sido um excelente exercício de engenharia.
Adiante.
Nesse país, governado por esse engenheiro, numa outra altura da governação desse mesmo engenheiro, surgiram muitas dúvidas acerca da transparência das obras públicas, porque estas eram adjudicadas por um determinado valor, mas a derrapagem era prática habitual, levando a que essas obras custassem muito mais do que o inicialmente orçamentado.
Devido a essas dúvidas esse engenheiro e os seus coleguinhas de governo decidiram incumbir a um dos seus inúmeros institutos públicos (no caso concreto o Instituto da Construção e do Imobiliário), de criar um site na internet, onde os cidadãos desse país pudessem consultar e acompanhar o desenvolvimento dos processos de adjudicação e construção de obras públicas. Esse instituto, desse país, governado por esse engenheiro, dada a urgência do assunto adjudicou por ajuste directo com uma empresa a criação desse site, contrariando logo a transparência que esse site visava aumentar. Não contentes com isso, a empresa escolhida já tinha sido consultora do governo, desse engenheiro, acerca desse mesmo assunto, o que contariava todas as regras de transparência e a própria lei desse país.
Mas ainda assim a coisa avançou.
No entanto os pobres dos cidadãos desse país, governado por esse engenheiro, nunca conseguiram encontrar a dita informação que iria trazer transparência, nesse site da transparência, o que de transparente não tem nada, porque a dita empresa, escolhida pelo instituto, a quem o governo desse engenheiro incumbiu de fazer a coisa, nunca conseguiu colocar o tal site a funcionar "transparentemente", ou melhor dizendo, como deve ser.
Mas enfim, até aí ainda vamos.
Acontece por fim, e aqui está mesmo o fim da picada, que esse portal da transparência, criado para prevenir as derrapagens de obras públicas, está ele mesmo em derrapagem, pois a tal empresa, escolhida sem concurso pelo tal instituto, incumbido pelo governo desse engenheiro, já apresentou facturas de valor muito superior ao que havia sido orçamentado para a criação do dito site. Ou seja derrapagem no anti derrapante: lindo não é.
Por muito que isto pareça de um país de brincar, ou de uma república das bananas, este país chama-se Portugal. E, caso ainda não tenha chegado lá, esse engenheiro é o Primeiro-Ministro José Sócrates.
Mais uma: estamos mesmo "No país de Sócrates".

domingo, 28 de junho de 2009

Alberto João Jardim no país dos ricos... partidos


Já várias vezes denunciei neste espaço a vergonhosa forma como os partidos tradicionais tratam os dinheiros públicos, usando e abusando, sem consideração nenhuma. Esse despesismo só aumenta a necessidade que a máquina do Estado tem em consumir dos recursos produzidos no sector privado, e o pior é que tudo se desculpa como estando a coberto de uma alegada distribuição de riqueza que o Estado proporcionaria, fazendo chegar aos mais carenciados os recursos que os mais favorecidos teriam em excesso. Mas efectivamente não é assim. A máquina do estado, pesada e ineficiente perde na sua inércia grande partes desses recursos, já para não falar de quando esses são usados de forma negligente e desleixada.
De entre tantos outros exemplos, como o que se viu na forma como os partidos concordam em aumentar constantemente as subvenções que recebem do estado, ou a maneira egoísta como preferem várias eleições em vez de tentarem reduzir despesas, hoje foi noticiado pelo Público mais este exemplo de gasto desprezível dos dinheiros públicos: Assembleia da Madeira pagou pareceres para iniciativas do PSD.
Se há forma desprezível de mal gastar dinheiros que são de todos é distribuí-los pelos amigos. Mas se esses amigos prestarem um bom serviço ao estado, ainda se poderá tolerar, mas quando os amigos recebem dinheiros públicos para fazerem serviços a entidades particulares aí é, no mínimo, abuso e até mesmo desvio de verbas.
Mas a partidocracia portuguesa é mesmo assim, sem vergonha e continuamos a querer votar nestes senhores.
Este fim de semana com as tiradas do Sócrates na TVI e agora do PSD na Madeira, se os portugueses não fossem tão... já não votariam nunca mais nestes senhores. Mas percebo que a alternativa não é animadora: do CDS de Portas, que já virou e revirou casaca, não ao sabor de convicções (o que até seria legítimo) mas do seu interesse pessoal, tem tanta credibilidade com um cata-vento; passando pelo PCP, com a sua receita ultrapassada seria condenar o país à miséria, e não estou a exagerar, é mais um dos casos de cegueira nacional, porque só neste pequeno país ainda se dá ouvidos a este tipo de conversa; acabando no BE, que não saberia nunca governar, a sua especialidade é acusar e apontar, e, a preocupante forma como as pessoas têm abraçado este projecto que alia um profundo desrespeito pela propriedade privada a uma intensa e bem afiada demagogia, manipulando abertamente o eleitorado, deixam-me com muitas reservas acerca do nosso futuro colectivo.
Mas deixo o desafio para os portugueses começarem a descobrir os novos movimentos políticos que se levantam, em especial o MMS, com propostas realmente diferentes e melhores para a seriedade e transparência do nosso sistema político.

sábado, 27 de junho de 2009

José Sócrates: o descaramento total


Vou transcrever aqui o título da manchete do Expresso de hoje, bem como o pequeno texto que o acompanha na primeira página:

Governo já conhecia o negócio PT/TVI desde o início do ano


O Governo acompanhou todo o processo de venda de parte da Media Capital (dona da TVI) pelos espanhóis da Prisa. Desde Janeiro que a hipótese de a PT entrar na empresa era defendida pelo Executivo de Sócrates, podendo ser feita directamente ou via Espanha, onde a Prisa pode sofrer uma recomposição accionista. Sócrates e Zapatero estiveram sempre a par. Os protestos contra um negócio que colocava a TVI na alçada do Estado deram cabo da transacção.


Perante isto gostaria de deixar algumas perguntinhas:
  1. Porque é que o Governo acompanhou um negócio meramente empresarial (como o próprio afirmou que era este)?
  2. Porque razão é que a hipótese de a PT entrar na TVI era defendida desde Janeiro pelo Executivo de Sócrates?
  3. Que razões haveria para o Executivo estar interessado na entrada de uma empresa onde o Estado tem posição, na TVI?
  4. Porque não só Sócrates mas também Zapatero acompanhavam o desenrolar do negócio?
  5. Porque razão o Primeiro-Ministro declarou que nada sabia sobre o negócio, no Parlamento, quando desde o início do ano já sabia do assunto?
  6. O que quis José Sócrates esconder?
  7. Porque razão é que o Governo, se não tinha nada na manga, boicotou o negócio?
  8. Terão então valido a pena os protestos e a denuncia do PSD?
  9. Se a oposição não tivesse protestado acerca deste negócio o que teria acontecido?
São algumas perguntitas que me levam a concluir que este Primeiro-Ministro tem, do meu ponto de vista, cada vez mais lama sobre si mesmo. E como é possível ainda haver quem equacione votar neste senhor??!!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mas a cara de pau voltou

Sim a cara de pau do PS e governo voltou, veja-se só este título de notícia do Público.
Governo vai vetar o negócio da compra da TVI pela PT

Finalmente temos Provedor


Finalmente a vergonha na cara venceu a cara de pau e os dois maiores partidos do parlamento lá se entenderam acerca do nome para o novo Provedor de Justiça. O juiz Alfredo José de Sousa, ex-Presidente do Tribunal de Contas será o novo Provedor de Justiça, por acordo alcançado entre PS e PSD.
Mas nenhum dos dois sai limpo deste lamaçal, embora se tenha visto que bastou um pouco de descrição para que o acordo fosse alcançado, em vez de arrastar o lixo pela rua. E aqui, embora volte a dizer que os partidos saem todos sujos, o PS esteve muito mal, em especial o Eng. Sócrates que revelou mais uma vez os seus tiques autoritários e de menino, porque foi ele quem no parlamento trouxe a público uma matéria habitualmente tratada, com pudor e sentido de estado, em privado.
Claro que já muito se disse sobre o assunto e quero apenas deixar aqui o alívio por perceber que mais uma vez, a saca rolhas é certo, as coisas lá andaram. E lições disto será que esta gente tirou alguma? Não sei porquê mas duvido!!

Sobre a Política


A política é uma actividade, que para muitos tem sido a sua profissão, uma actividade que é empolgante e interessante, uma vez que é sobretudo um debate de ideias para se encontrar um meio de melhorar a vida do próximo. Sempre que estendo o braço para ajudar alguém caído, mais do que fazer o bem, ou estar a ter uma atitude moralmente correcta, estou a exercer política, a política da proximidade, em prefiro ver uma pessoa em pé do que caída.
A política é a actividade das ideias, da criatividade, mas também do debate, do estudo, da observação. Daqui toda a nobreza subjacente à actividade política.
Mas para que se produza a política esta é exercida, quer na oposição, mas sobretudo no poder, onde se tem a capacidade de levar à concretização as ideias concebidas, discutidas e amadurecidas.
Infelizmente o poder corrompe, corrompe em primeiro lugar as ideias, que são subjugadas para dar lugar aos interesses. Corrompe também a discussão, levando muitas vezes a uma surdez selectiva onde só se consegue ouvir a própria voz. Corrompe porque leva por fim à instalação de uma série de redes de interesse que minam toda a capacidade de fazer política democraticamente.
Porém continuo a acreditar que, se a preocupação central for o interesse dos cidadãos, do próximo, como prefiro dizer, certamente um político consciente consegue escapar a essa corrupção, pois a sua preocupação com os outros leva a que não se preocupe tanto com a sua perpetuação no poder.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

"Não falou verdade"


Ontem a líder do PSD, durante uma entrevista à SIC, numa tirada pouco feliz, , por não ser nova, nem tão pouco original, acusou o Primeiro-Ministro José Sócrates de não ter falado verdade quando este se referiu, no Parlamento, à compra de 30% da TVI pela PT, como sendo algo que desconhecia completamente. A tirada de MFL foi infeliz porque já estamos todos a ficar habituados às constantes mentiras de José Sócrates. Pior, já estamos todos a ficar habituados às mentiras dos políticos dos partidos tradicionais.
Claro que o raciocínio de MFL para concluir ser impossível o Primeiro-Ministro não saber do negócio é completamente razoável, porque seria impossível o governo, porque o estado detém uma golden share na PT, não ser informado de um negócio desta importância.
Claro que o Presidente do conselho de administração da PT, Henrique Granadeiro, veio dizer que não falou com o accionista estado sobre o negócio, nem deste recebeu qualquer instrução. Não me parece que tenha havido instrução, mas um conselho de amigo todo suspeitamos que terá havido, até porque Henrique Granadeiro pouco ou nada sabe destas negociações, porque é pouco mais que uma mera figura, sem pouco ou nenhum poder, pois quem manda ali é Zeinal Bava, o Presidente Executivo da PT. Este ficou em silêncio, nada disse sobre o negócio. Ele é que está por dentro das negociações, não é Henrique Granadeiro.
Nunca vamos saber a verdade, mas as palavras oportunistas de Mário Lino são no mínimo ridículas, quando exige que MFL prove o que diz. Ora esta não tem de provar porque não fez um juízo de facto, mas tirou uma conclusão lógica dos factos disponíveis. Algo que qualquer um entenda. Mas coitado de Mário Lino, já não tem idade para estas coisas.