quinta-feira, 22 de outubro de 2009

BE a demagogia barata de regresso


Há assuntos que são sérios e quando envolvem crianças ainda mais sérios se tornam. É o caso das agressões no Colégio Militar, uma instituição de prestígio, mas onde, dada a sua disciplina militar, eu nunca deixaria um filho meu. Mas respeito quem pense o contrário, até porque quem por ali passa em geral tem futuro assegurado, o que por si só é motivo para muitos pais depositarem confiança nesta instituição.
São sérias, são demasiado sérias todas as acusações de agressão em instituições fechadas, onde a defesa de quem lá está perante fenómenos grupais é mínima. Mas quando essas agressões ocorreram sobre crianças e numa instituição que ensina e recebe crianças, a seriedade da questão aumenta exponencialmente. Trata-se de um assunto que deve ser tratado com todo o rigor, as responsabilidades devem ser apuradas, os pais das vítimas, se o entenderem, devem recorrer aos tribunais, tudo isso está correcto.
Incorrecto é um partido politico, seja ele qual for, tentar apropriar-se deste assunto e numa atitude moralista, no pior sentido da palavra, no sentido mais farisaico do termo, tentar obter ganhos políticos com isto. O BE vem exigir, colocar-se ao lado dos pais de ex-alunos, procurar arranjar confusão, destpristigiar e destabilizar uma instituição onde continuam a estar crianças, pelo que estas devem ser protegidas e mantidas fora deste espectáculo com aproveitamentos políticos vergonhosos, em que tudo isto se está a tornar.
O Bloco de Esquerda em mais uma tirada de populismo e demagogia barata intervém num assunto que não é político, nem nunca deverá ser, apenas devido ao preconceito ideológico contra tudo o que seja militar. O despropósito desta situação é tal que exigem que se investigue, que se esclareça, que se diga, quando já tudo foi investigado e dito, quando já tudo se sabe. Claro que não se sabe na esfera pública, sabe-se onde se deve saber, porque é aí que tudo deve ser mantido, até para manter a dignidade daqueles que continuam no colégio.
Imagino que, tal como exigia o BE no seu programa eleitoral em relação às forças armadas, o Bloco nos próximos dias vá pedir o encerramento, o fim, a extinção do Colégio Militar, porque esse é o grande, oculto e inconfessado objectivo que têm com toda esta história.

Porque é que Deus não aceitou a oferta de Caim?


Saramago depois de ter feito afirmações, mais do que lamentáveis, são sim ofensivas, acerca de Deus e da Bíblia (fazendo uma certa confusão entre o Deus da Bíblia e o Deus dos Católicos), voltou à carga: emendando a mão mas dando logo a seguir outra facada, deixou mais uma farpa - "Deus não é de fiar". Rematou com várias observações, entre elas esta pergunta: Porque é que Deus não aceitou a oferta de Caim? Desta pergunta Saramago retira um Deus mau que descriminou o pobre Caim, mas esta não é a verdade, a verdade está encerrada no próprio texto bíblico que Saramago lê como quer - tem e deve ter liberdade para isso - dali forma o seu dogma do "Deus mau" e depois, como o pior dos fundamentalistas, procura impor essa sua convicção pela força de um racionalismo humanista, que procura descredibilizar e imbecilizar quem o coloca em questão.
Leia-se a este propósito as seguintes palavras do jornalista Miguel Gaspar, publicadas hoje na última página do Público: "Li as palavras sobre a maldade de Deus como expressão da intolerância que o caracteriza (o autor aqui fala de Saramago). E é verdadeira essa intolerância: Saramago eleva a sua leitura da Bíblia à dimensão de um dogma. Para ele, a ideia do 'Deus rancoroso, vingativo e má pessoa' é uma verdade 'inquestionável'. 'Eu leio apenas aquilo que lá está', escreve Saramago, como se Saramago não soubesse que a Bíblia, como todos os textos, é aberto à pluralidade de leituras. Viaja-se alegremente de Deus a Marx sem perceber que o mais importante é olhar para o mundo sem um sentido único."
Mas para percebermos melhor que Saramago apenas está a apresentar um dogmático, e por isso religioso, relativo e muito pouco credível ponto de vista, é interessante observar as palavras que se seguem, de José Manuel Fernandes, o ainda director do Público, presentes do editorial de hoje: "E como, por cá, ninguém reage com fatwas, Saramago pode tirar partido de uma liberdade de expressão que ele, curiosamente, não deu a quem trabalhou sob as suas ordens no Diário de Notícias no tempo da Revolução." Saramago demonstrou não ser um homem da liberdade de expressão, mas sim um homem da liberdade de expressão do seu pensamento, ou seja, liberdade só a de exprimir o pensamento que com o dele coincide. Um homem dogmático, intolerante e preconceituoso, que com o passar dos anos não amadureceu, apenas requintou os seus tiques autoritários, dourando-os sob uma imagem de intelectualidade e genialidade literária.

Mas afinal Porque é que Deus não aceitou a oferta de Caim? Esta pergunta é interessante e não posso de deixar de ir ao seu encontro, até porque acho que muitas pessoas que afirmam acreditar na Bíblia não devem saber responder à mesma.

Deixo aqui o texto bíblico:
"E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu, e teve a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um varão. E teve mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. E aconteceu, ao cabo de dias, que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante. E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás. E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel e o matou. E disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e errante serás na terra. Então, disse Caim ao SENHOR: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada. Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e errante na terra, e será que todo aquele que me achar me matará. O SENHOR, porém, disse-lhe: Portanto, qualquer que matar a Caim sete vezes será castigado. E pôs o SENHOR um sinal em Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse."

Como podemos ler neste texto foram feitas duas ofertas a Deus: uma de animais, por Abel, que Deus aceitou, outra de vegetais, por Caim, que Deus não aceitou. Caim ficou desiludido, descaiu o seu semblante, quando Deus não aceitou a sua oferta. Claro que como muitas pessoas fazem, Caim fulanizou a questão, mas a frase seguinte, a pergunta seguinte, encerra todo o cerne da questão: "Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti?". Deus disse a Caim que bastava ele oferecer correctamente, oferecer animais, fazer como estava estabelecido, haveria também aceitação para ele. Caim só precisava trocar verduras por animais e realizar a sua oferta. Assim estava estabelecido simbolicamente desde o momento em que Deus com peles de animais cobriu a nudez de Adão e Eva, era com derramamento de sangue que o homem cobria a sua nudez para se aproximar de Deus. Caim sabia disso, assim tinha sido ensinado, educado. Assim vira os seus pais fazer centenas de vezes: mas quis inovar, quis fazer diferente, quis ser desobediente, quis ser rebelde. Quis fazer à sua maneira e foi recusado: Deus recusou a oferta de Caim porque ele foi desobediente e rebelde, quis ser mais esperto do que os outros e fazer as coisas à sua maneira. Deus ainda lhe disse, "faz tudo correctamente, arrepende-te, arrepia caminho e a nossa relação ficará restabelecida, a justiça será reposta". Mas a reacção de Caim foi alimentar a rebelião, dela produzir a revolta e da revolta a reacção. Reagiu então contra o seu irmão, porque ele fez tudo bem feito, não foi rebelde, não o acompanhou, armou-se em menino lindo e tinha ficado bem visto, enquanto ele agora era o mau. Caim tinha dois caminhos, dois intemporais caminhos, os mesmos que hoje se nos deparam em cada dia: o do arrependimento e correcção, ou o da rebelião e revolta; o do "bem fazer", ou o do "pecado jaz à porta". Caim tinha o caminho de oferecer os animais adquiridos com os vegetais fruto do seu trabalho, ou rebelar-se matando o seu irmão. Caim escolheu, não foi Deus quem escolheu o caminho, não foi Deus quem induziu Caim, foi de Caim, foi do homem, foi dele a escolha que fez: escolheu o pior caminho, escolheu matar o irmão, deu lugar à revolta, ao rancor, à inveja e matou, derramou sangue, não o de um animal, mas o sangue do seu irmão. Não é Deus que é mau e rancoroso, como diz Saramago, essa é a descrição do homem, de Caim e do homem, de cada um.

Deus não é mau, rancoroso, vingativo e má pessoa, Caim sim, esse é mau rancoroso, vingativo e má pessoa, por isso escolhe o homicídio à reconciliação, escolhe a morte à vida, escolhe estar sem Deus a estar com Deus. Se daqui julgamentos de valor podemos fazer, que tipo de homem será Saramago?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Eleição do “lambe botas” do ano 2009








A textura do Texto associa-se ao Sono Luso nesta eleição. Participe (clique na imagem)

O Génio Imbecil, Intolerante e Preconceituoso (e ainda por cima equivocado)


Sou uma daquelas pessoas que admira o génio literário de José Saramago, que se arrepia quando pensa na maravilha da escrita que é o Memorial do Convento, que olha e suspira perante a tremenda arte demonstrada no Ensaio Sobre a Cegueira, que são, para mim, as grandes obras de referência de José Saramago, e que justificam, também por si só, os prémios e reconhecimentos que tem recebido. Porém há algo que eu prezo muito, tanto quanto o direito à liberdade de expressão, que é o respeito pelo próximo, sobretudo naquilo que de mais íntimo existe na natureza humana, tal como a dimensão espiritual. E ofender não é direito de ninguém, ou ainda que o deseje fazer, que o faça para quem esteja disposto a ouvir, mas agredir, ofender publicamente e propositadamente é profundamente errado e revelador de mau carácter.
Identifico-me como evangélico, não sou católico, e revejo-me na posição da Aliança Evangélica Portuguesa acerca deste assunto, que no seu site, diz o seguinte: "Os evangélicos contam-se entre os portugueses que durante séculos foram privados da liberdade de expressão e por isso entendem o valor de tal direito como fundamental e inalienável. Por isso, defendem o direito de todas as pessoas a expressarem as suas ideias. A liberdade de expressão adquire ainda mais significado quando a reconhecemos àqueles que a usam para nos agredir e para defenderem ideias das quais discordamos absolutamente. Os evangélicos defendem que devemos ser tolerantes mesmo para com quem usa a liberdade de expressão para agredir as nossas convicções religiosas. A liberdade de expressão não foi concebida só para ouvirmos palavras agradáveis. Não é agradável ouvir-se a defesa de ideias que expressam ignorância, preconceito e agressividade acerca da Bíblia e acerca de Deus, mas temos presente que todo o homem é mortal mas que a Palavra de Deus é eterna."

Mas gostaria de deixar aqui mais alguns pensamentos.

O escritor José Saramago afirmou que o Deus da Bíblia é invejoso e insuportável. Para quem tem um relacionamento impessoal, religioso ou meramente filosófico com a pessoa de Deus estas palavras podem parecer meramente uma opinião, mais uma posição filosófica, mais uma demonstração de humanismo militante, ou até uma mera provocação, com objectivos comerciais ou outros. Mas para quem mantém com Deus um relacionamento pessoal e íntimo, convívio diário com a sua Pessoa, isto parece apenas agressividade gratuita, ofensa a alguém muito amado e querido. Ao mesmo nível que alguém sente quando chamam coisas pouco recomendáveis à mãe, ou ofendem um filho a quem se ama. Devemos entender que as nossas palavras produzem impacto nas outras pessoas e que estas têm direitos a, mais do que acreditar, a viver a sua espiritualidade. E isto é algo que José Saramago não entende, e como ele muitas outras pessoas, que apontam para quem crê em Deus e afirmam "Prove-me que Deus existe" e um cristão sincero responderá "Prove-o você, basta crer e querer e saberá naturalmente que Deus existe". Para um cristão bíblico, não falo de um cristão religioso ou católico, Deus pode ser experimentado, sentido, como uma realidade muito perto da realidade física, que basta querermos e crermos para que aconteça essa experiência única e pessoal com Deus. É a maravilha da fé depositada na pessoa de Deus.
Além disso dizer que o Deus da Bíblia é cruel e invejoso está ao mesmo nível das mentiras vinculadas pela IURD para extorquir dinheiro aos seus fiéis, pois é desenraizar os textos bíblicos dos seus contextos textuais e históricos e reduzir factos isolados a isso mesmo, olhando para eles com os olhos do homem do século XXI. Também é olhar para a Bíblia com um olhar plano e preconceituoso, pois é importante, sem condicionarmos o nosso pensamento num sentido ou noutro, olhar para a Bíblia de cima, vendo que todos os desenvolvimentos históricos seguem um plano, um plano que se desenrola diante dos homens ao longo da história.
O Deus da Bíblia não é cruel nem insuportável, bem pelo contrário, o Deus da Bíblia é um Deus de Amor e de Paciência, no termo bíblico, de longanimidade. Onde Saramago vê crueldade eu vejo ensino e plano, onde Saramago vê inveja eu vejo justiça.
É verdade que somos manipulados desde pequeninos, como disse o escritor, somos manipulados para não crermos em Deus, para acreditarmos unicamente no poder indestrutível do ser humano e para olharmos para as obras do homem como as únicas existentes no mundo, recusando a evidência que a natureza grita constantemente aos nossos ouvidos, de que Deus existe e é recompensador dos que o buscam.
Saramago não entende que raio de canal poderá ter existido entre os escritores da Bíblia e Deus, se Deus lhes estaria a sussurrar ao ouvido. Este é um belo exemplo da má vontade, da intolerância e pior, da ligeireza com que trata de assuntos importantes. Se Saramago se tivesse dado ao trabalho de estudar um pouco de doutrina cristã teria essa sua "dúvida" esclarecida. Mas claro que este só pretende atirar-se ao pescoço da Igreja Católica e por ela desacreditar Deus, a Bíblia e os Cristãos - nem Deus é a Igreja Católica, nem os Cristãos bíblicos são católicos, nem Deus deve ser tomado pelas asneiras dos homens. Mas voltando à inspiração divina da Bíblia: José Saramago deveria entender que Deus não ditou nem sussurrou as palavras que queria aos ouvidos dos escritores da Bíblia. Deus usou os conhecimentos de cada escritor - há alguns mais cultos que outros - Deus usou o contexto histórico de cada um - uns em cativeiro, outros durante o domínio romano - Deus usou até os devaneios e loucuras de alguns - como por exemplo de Salomão - mas usou tudo isso, todos e cada um dos escritores para escreverem aquela que era a sua vontade, sem erros, por forma a que tudo, mas tudo o que ficasse naqueles livros fosse facilmente identificado como sendo Palavra Inspirada Divinamente, ou Palavra de Deus. Pelo que os cristãos bíblicos vêm naqueles livros, não uma palavra de Deus, nem que contêm a palavra de Deus, mas como toda a completa e única Palavra de Deus. É um dogma da fé cristã? É certamente, mas baseado na evidência prática do plano histórico que encerram, na uniformidade linear dos pensamentos e princípios que defendem, bem como na evidência concreta e indesmentível da transformação positiva que esta mensagem tem em milhares de vidas que todos os dias se convertem ao Deus amoroso da Bíblia.
Por fim Saramago diz que antes de criar o Universo Deus nada fez, até que decidiu cria-lo. Na teoria alternativa, o Big-bang, também nada aconteceu à partícula que explodiu até que esta decidiu explodir. Ou será que foi até ter condições para explodir? e de onde veio essa partícula, veio do nada e apareceu cresceu até explodir? e surgiu de onde para depois explodir e do nada criar o universo? e sendo assim o universo iniciou-se aquando do big-bang ou quando apareceu essa partícula? Aos meus olhos a melhor ciência de Saramago é apenas uma questão de fé...
Saramago questiona-se ainda acerca das razões que levaram Deus a criar o Universo, o que queria Deus atingir com a criação do Universo. Bem quanto a isto tenho uma opinião que é apenas esta: Deus criou o Universo para criar o Homem, a coroa da sua criação. Porque era importante para Deus criar o Homem? Aqui é onde Saramago mais poderia ficar admirado: Deus criou o Homem por amor, para a existência do mais excelso e puro Amor. Deus criou o Homem, um ser inteligente e sobretudo com livre arbítrio, existindo numa dimensão diferente da espiritual onde Deus era (e é e será). Sim Deus existia rodeado de seres celestiais, criados por si, para o adorarem, também inteligentes, também com livre arbítrio, mas que existiam na sua dimensão, logo com a evidência da existência de Deus bem demarcada na sua natureza. Mas o Homem criado era diferente: vivia numa dimensão diferente, a que hoje chamamos de física, relacionando-se com Deus, onde o exercício do livre arbítrio seria efectivamente mais concreto, logo o amor que este ser magnífico tributaria para com Deus seria de uma outra pureza, de uma outra sinceridade, seria um amor maior e mais verdadeiro, por ser livre e espontâneo, natural, interior. Foi então apenas para que Deus amasse e fosse amado pelo Homem que o Universo e todas as coisas foram criadas. Obviamente que havendo liberdade esta poderia encaminhar-se para a rebelião. Foi o que aconteceu: o homem virou-se contra Deus e afastou-se d'Ele.
A Bíblia é apenas o explanar do plano de Deus para levar o Homem a reconstruir a sua relação com a divindade, de uma forma a que o amor pudesse ser restabelecido com sinceridade. E é apenas isso que Deus hoje espera de cada ser humano: Deus aguarda pacientemente que cada um de nós se vire espontaneamente e de livre vontade para Ele, pois só assim o amor é verdadeiro, quando é livre e sincero.
Dizer que Deus nunca mais fez nada é apenas uma coisa: estupidez. Certeza desta afirmação tenho quando vi tantos homens e mulheres, destruídos e estrangulados pela sabedoria e pela sociedade humana e que, diante dos meus olhos, foram reconstruídos, recuperados, sarados e devolvidos ao mundo, à vida. Gostaria de saber quantos compendêndios da sabedoria humana e das ideias comunistas que Saramago tanto propala alguma vez conseguiram transformar a natureza humana como a mensagem e a pessoa do Deus da Bíblia.

Apenas uma nota final para quem acha - como a ilustre eurodeputada Edite Estrela - que reagir contra as palavras de Saramago é sinal de intolerância: intolerância é alguém achar-se no direito de pronunciar todo o lixo que isso lhe vem à cabeça, intolerantes foram em si mesmas as palavras de José Saramago.

No final do blogue está um texto bíblico que é um sério conselho a quem diz o que Saramago disse, e, sem crueldades, invejas nem maus costumes.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Tvi, Sócrates e Freeport














A novela, cheia de intriga, inveja, discussões, desmentidos, pressões, situações mirabolantes, meias verdades e situações mal explicadas em que se tornou o caso Freeport, com dois protagonistas, arqui-inimigos confessos, a TVI e o "Eng." Sócrates, teve mais um episódio. Segundo esta notícia do Público surgiu mais um documento incriminador (ou não) do Primeiro-Ministro, desta vez um fax, tendo a TVI enviado algumas perguntas, a que este se recusou, fruto da inimizade mutuamente cultivada, a responder.
Enfim as suspeitas prosseguem. Vamos ver se afinal o Presidente da República não terá argumentos, fornecidos directamente pela TVI (especialista neste género literário), para dissolver a Assembleia da República e demitir o Governo, ainda antes das Eleições Presidenciais. Atenção que no actual estado de coisas Cavaco ainda tem tempo de dar uma de Sampaio, deixar o PSD organizar-se e pegar numa desculpa para correr com o PS e dar oportunidade ao seu clube, perdão, partido do coração de tentar reconquistar o poder.

Continuidade da textura

Depois de alguma reflexão e descanso decido continuar a escrever n' A textura do Texto. Não sei se vou conseguir manter a regularidade anterior, mas vou esforçar-me. Sei que mais difícil será recuperar os leitores que anteriormente mantinha, mas procurarei estimular essa mesma continuidade.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Coligações


A dignidade dos governos, as convicções dos partidos e das pessoas que os dirigem manifestam-se nos momentos da verdade. E no momento da verdade do Engenheiro Sócrates, enquanto Primeiro-Ministro Indigitado, dignidade e convicções fortes foram coisas que não existiram. Digo isto pelo simples facto de ter estendido a mão para coligações de governo a todos os partidos com assento parlamentar, independentemente de serem mais de esquerda ou direita. Equidistância estranha que no entanto não é de todo surpreendente. Afinal é apenas a manifestação concreta do que tenho pensado, que as diferenças entre os partidos do sistema são apenas aparentes, pois no fundo são todos iguais e todos procuram o mesmo: um lugarzinho à mesa do orçamento.
Por isto me mantenho, mais convicto que nunca, como militante de um partido que está fora do sistema, não sendo irresponsável ou anárquico, mas sim um partido que coloca o interesse nacional acima da necessidade evidente das clientelas, que se balcanizaram há muito nos partidos do sistema, e, sim incluo aqui o BE, porque não sai do esquema, entrou nele e dele se alimenta.
O nosso sistema político-partidário grita por renovação, mas infelizmente a maioria dos portugueses ainda não se aperceberam disso. Assim acredito que um partido de fora do sistema, como é o MMS, não deve procurar a destruição do sistema, mas sim assumir uma atitude pedagógica de demonstrar aos concidadãos a necessidade de mudança de mentalidade, esclarecendo e demonstrando cabalmente as vantagens de um outro sistema.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dúvidas

Depois de todo este tempo de paragem e de toda a energia despendida em política, está difícil de encontrar vontade, motivação para voltar à Textura, pelo que estou a pensar se irei continuar ou extinguir o blogue. Nos próximos dias decidirei.

sábado, 10 de outubro de 2009

Quase de volta

Depois de meses de frenética actividade política, com as duas eleições, sendo que nas autárquicas tive de organizar toda a lista, organizar e fazer a campanha eleitoral para a Junta de Freguesia de Agualva, finalmente estou a descansar. Hoje é dia de reflexão e finalmente, depois de alguns meses, tive um pequeno momento para dedicar à Textura. Estou quase de regresso a este espaço: em princípio a partir da próxima segunda feira regressarei ao comentário na Textura.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Lançamento de Candidatura


Estou a preparar uma candidatura autárquica, pelo Movimento Mérito e Sociedade, à Junta de Freguesia de Agualva, Concelho de Sintra, onde serei o cabeça de lista. Como tal estamos a preparar um pequeno evento de lançamento da candidatura do próximo dia 2 de Setembro, pelas 19 horas, no Largo da República (antigo largo da feira, largo dos bombeiros), em Agualva-Cacém. Este contará com a presença de vários elementos do MMS.


Deixo aqui o convite para que todos os amigos da textura do Texto, leitores, outros bloggers, etc. para estarem presentes neste pequeno evento.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Aborto: a degradação da condição e do valor da pessoa humana


Sempre fui e serei sempre contra a prática de crimes contra a vida humana. Entre estes incluo o aborto. Claro que não me venham falar no aborto terapêutico porque aí há uma opção entre duas vidas do mesmo valor, ou o valor de uma pessoa enquanto tal. Atenção que eu não valorizo a vida humana por si só, mas a pessoa humana, a sua dignidade, a sua condição e a sua qualidade de vida.

Por tudo isto a liberalização do aborto sempre me pareceu uma má solução, sobretudo porque a alternativa, até por uma questão de valorizar a pessoa das mulheres, não é nunca o aborto, mas sim a contracepção e a possibilidade de engravidar no momento escolhido.

Mas a nossa sociedade é a sociedade da irresponsabilidade social, é a sociedade que prefere lavar as mãos em vez de educar, formar, apoiar e construir. Opta-se apenas pelo facilitismo, pelo imediatismo, tal toxicodependente ressacado a precisar urgentemente da dose seguinte.

Assumir o problema do aborto clandestino como um verdadeiro problema social e que retira dignidade à vida e à pessoa das mulheres, não é dar-lhes a possibilidade infinita de abortar: dignificar a pessoa humana é construir um verdadeiro programa de educação sexual nas escolas, onde não seja dito aos jovens "façam sexo mas protejam-se" onde se dê a todos e a cada um o equipamento pessoal de decidirem pelo seu tempo, pelo seu momento e quando esse momento acontecer, aí saberem como se protegerem, não só de uma gravidez indesejada, mas também de doenças; dignificar a pessoa humana é depois disso construir uma verdadeira rede de planeamento familiar, onde as mães das adolescentes assumam que, sem preconceitos nem vergonhas, as suas filhas devam ir para iniciarem um contraceptivo, sem que isso signifique necessariamente atirá-las para debaixo de algum rapaz desejoso; educar, formar. Prova de toda esta irresponsabilidade social está neste artigo do Público de hoje, que dada a sua acuidade decidi reproduzir integralmente.


Lei que despenalizou a IVG entrou em vigor há dois anos

Segundo aborto devia ser a pagar, diz director do serviço de ginecologia de Santa Maria

15.07.2009 - 08h52 Natália Faria

As mulheres que fazem mais do que um aborto deviam começar a pagar pela segunda interrupção, preconizou ao PÚBLICO Luís Graça, director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santa Maria (HSM).


Apesar de fazer um balanço "extremamente positivo" dos primeiros dois anos de vigência da lei - que despenaliza o aborto até às dez semanas - que hoje se assinalam, aquele responsável lembra que, desde o início do ano, mais de 20 mulheres recorreram ao HSM para fazer um segundo aborto. "Se estas mulheres tivessem que pagar o custo hospitalar da segunda IVG, pelo menos pensariam duas vezes", declarou Luís Graça.


"Em Inglaterra, a primeira interrupção é gratuita e a segunda é a pagar. Creio que isso ajudaria estas mulheres a perceber que isto tem um custo e que a disposição da sociedade para lhes pagar o direito a fazer um aborto tem limites", insiste Graça, ressalvando que o preço "teria que ser sempre mais baixo que o aborto na clandestinidade".


No HSM, duas em cada três mulheres não aparecem à consulta de planeamento familiar que, nos termos da lei, deve ocorrer no prazo de um mês após o aborto. "É a negligência pura e simples. Algumas mulheres não fazem anticoncepção e jogam na sorte, o que é muito triste para quem, como eu, se bateu muito por esta lei", lamenta.


Esta posição não é consensual. Admitindo que "algumas mulheres têm repetido o aborto", o director da Maternidade Alfredo da Costa, Jorge Branco, considera que tal não permite concluir que tenha havido negligência ao nível da contracepção. "Temos mulheres que repetem a interrupção mas não podemos deixar de a fazer, até porque a lei não limita o número de abortos por mulher", sublinha. De resto, para Branco, que coordena o Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, limitar o número de abortos empurraria muitas mulheres de volta ao circuito clandestino. "Seria andar para trás. E a legalização da IVG surgiu precisamente para evitar situações que possam pôr em perigo a vida da mulher".


Porque os números divulgados pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) mostram que 433 mulheres que fizeram IVG em 2008 já tinham quatro abortos no seu historial, a Associação de Planeamento Familiar (APF) promete fazer um estudo sobre as razões que levam as mulheres a repetir abortos num curto espaço de tempo. "A ideia é apurar os contextos e as razões das gravidezes não planeadas e, a partir daí, desenvolver acções que previnam esses comportamentos de risco", adiantou Duarte Vilar, director executivo da APF.


Ligeiro aumento em 2009


Numa coisa os profissionais da saúde concordam: "Deixámos de ter nas urgências hospitalares as consequências do aborto clandestino. Praticamente já não fazemos corretagens e isso é um grande ganho em termos de saúde", sintetizou Luís Graça. "Num ano, quase 18 mil mulheres puderam interromper uma gravidez não desejada sem terem de se submeter à indignidade do aborto ilegal", reforça Duarte Vilar.


Quanto aos números, só em Agosto é que a Direcção-Geral de Saúde (DGS) deverá divulgar as estatísticas do aborto no primeiro semestre de 2009. Nas instituições contactadas pelo PÚBLICO, registou-se um ligeiro aumento. "É uma variação sazonal normal, inferior a cinco por cento", minimizou Luís Graça, para especificar que, a manter-se o ritmo actual, "isto significa que, no fim do ano, "o Santa Maria terá feito 525 abortos, em vez dos 500 do ano passado". Já na Maternidade Alfredo da Costa, nos primeiros cinco meses deste ano, tinham sido registadas mais 51 IVG do que no mesmo período de 2008. "Fizemos 765 e, no ano passado, tínhamos feito 714", adiantou Branco.


Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa pela Vida, continua a lamentar que a lei não seja acompanhada de um quadro de estruturas de apoio à mulher. "Algumas que chegam às nossas instituições desistem do aborto depois de ajudas tão simples como as que lhes dão a conhecer os apoios sociais existentes", exemplifica, considerando "escandaloso" que, dois anos depois, o Tribunal Constitucional continue sem se pronunciar quanto ao pedido de fiscalização sucessiva da lei. "Os 40 deputados pediam tão simplesmente que o tribunal dissesse se esta lei, da forma como está feita, protege o direito à vida como vem consagrado no artigo 26.º da Constituição".

O aborto em 2008


Quando a lei 16/2007, de 17 de Abril, entrou em vigor, as previsões dos especialistas apontavam para uma média de 20 mil abortos por ano. Em 2008, primeiro ano de vigência da lei, foram realizadas 17.511 IVG, das quais 9.492 em Lisboa e Vale do Tejo. Houve variações sazonais: em Janeiro, houve 1.610 e, em Dezembro, esse número tinha descido para 1.313. Do universo total, 244 mulheres fizeram fizeram duas IVG em 2008. Do mesmo modo, 2.659 mulheres declararam já ter feito um aborto ao longo da vida, enquanto 433 declararam ter feito mais de quatro. Quanto à idade, em 11.470 casos (65,5 por cento) as mulheres tinham entre 20 e 34 anos. A faixa etária dos 15-19 foi responsável por 11,7 por cento das IVG. Cerca de metade vivia em casal e as trabalhadoras não qualificadas surgiam à frente (20,7 por cento), enquanto as desempregadas e as estudantes perfaziam 15,8 e 15,5 por cento, respectivamente. Em termos de escolaridade, 31,6 por cento das mulheres tinham o ensino secundário e 24,8 por cento o básico.

Adolescentes - os novos hábitos de consumo


Certamente que quase toda a gente que frequenta habitualmente a internet já ouviu falar neste relatório feito por um miúdo de 15 anos, acerca dos hábitos de consumo, sobretudo de informação, música, televisão e cinema, de outros miúdos da sua idade.
O que mais me surpreende neste relatório foram as reacções que suscitou, a grande surpresa que os adultos tiveram com o dito neste.
Não me surpreende nada esta visão da comunicação e do mundo, até porque acredito que, em relação por exemplo aos jornais, aquilo que este adolescente afirmou ser hábitos desta faixa etária, certamente poderão ser vistos como prática em adultos, sobretudo os mais familiarizados com a internet. Qual a surpresa? Quem não conhece homens e mulheres de mais de 40 anos que o seu entertenimento não são as telenovelas da TVI mas intermináveis sessões de jogos da Playstation?! Quem não viu ainda a rede social do seu filho e surpreendeu por este ter mais de 400 "amigos" ligados, de todas as partes do mundo?!
Quem ainda acha que os CD's vendidos pela Fnac são comprados por adolescentes?!, claro que não, são gente mais velha, ou com mais posses, mas ainda assim uma franja muito limitada.
Não surpreende, a não ser pela surpresa causada. Isto quanto a mim revela que de facto no mundo e na sociedade existem vários mundo e várias sociedades, que tão perto estão, mas que se desconhecem cada vez mais, numa espiral de afastamento emocional.
No entanto isto pode ser apenas mais uma versão, desta vez batalhada num campo mais tecnológico, da velha guerra de gerações, sendo que o espaço entre as gerações que se rompem umas com as outras seja cada vez mais curto, percepção que tenho e que creio dever-se ao facto de também o mundo, em especial o das tecnologias, ou melhor as tecnologias do mundo, o fazerem mudar cada vez mais rápido, à mesma velocidade a que a velocidade da Internet aumenta por esse mesmo mundo.

Pedido de desculpas

Pela segunda vez A textura do Texto tem um interregno de actualizações. Por tal facto deixo aqui o meu pedido de desculpas, mas tal facto deve-se a estar a organizar uma candidatura autárquica à Freguesia de Agualva, o que me tem dado muito que fazer, tirando-me todo o tempo e energia que anteriormente era dedicado ao blogue.
Pelo que esta dificuldade nas actualizações se vai manter por mais algum tempo, sendo que na primeira quinzena de Agosto as férias serão totais, longe de tudo de telefones e computadores, descansar será a palavra de ordem, pelo que aí não haverá mesmo qualquer actualização do blogue.
Estou consciente que isto para um blogue pequeno e no início da sua afirmação é um grande golpe, mas são opções, pelo que a minha candidatura à freguesia, bem como as férias, estão agora no topo das minhas prioridades.
Espero que não abandonem a Textura, continuando sempre que desejarem a vir aqui procurando pelas actualizações.
A todos muito obrigado, mais uma vez fica o meu pedido de desculpas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ferreira Leite quer "transformações profundas" em consenso, mas concorda com medidas sociais do Governo

Este é o título de uma notícia de hoje do Público que só confirma o que, quer eu, quer o MMS, vimos dizendo acerca dos partidos tradicionais: que são todos iguais.
Não querendo voltar de novo a observações negativas acerca dos políticos dos partidos do costume - leia-se PS, PSD, PCP, PEV, CDS/PP e BE - a grande verdade que a arte de desmentir o dito anteriormente é comum a todos eles. Isso, para além de acarretar uma grande carga de descredibilidade para a actividade política, traduz a pouca consciência ou seriedade que os políticos assumem das suas palavras. Aqui só tenho a dizer que a culpa é dos próprios eleitores que perpetuam constantemente estas personalidades na ribalta da vida política.
Sendo assim resta apenas uma única alternativa: olhar para quem se propõe fazer uma política nova, seriamente transparente, sem os compromissos e os constrangimentos do passado.
Ainda hoje falei com alguém acerca da minha candidatura à junta de freguesia de Agualva, que me disse conhecer uma Advogada que se move nos meandros da política local, e que, reconhecendo a falta de qualidade do actual Presidente da Junta, Rui Castelhano, afirmava ser muito difícil de o vencer, porque está bem protegido por gradas figuras do PSD. Ora isto além de confirmar a minha perspectiva sobre o executivo da Junta de Freguesia de Agualva, também confirma as minhas palavras acerca dos eleitores, que provavelmente continuarão a votar (espero que não) num presidente de junta manifestamente mau, apenas pela manipulação partidária.
A constatação desta realidade deixa uma perspectiva muito negra, mas gostaria de acreditar numa possibilidade de que o eleitorado não entre em carneirismos e seja informado, procurando comparar programas. Claro que mesmo aí os partidos tradicionais pregam uma rasteira aos eleitores. Produzem programas extensíssimos, com o objectivo de que ninguém, nem mesmo eles, os conheça e por isso não lhes cobre a realização dos mesmos. Mas até aí é possível ser sério: produzir um programa eficaz e concreto, com medidas poucas e difíceis de desmontar, verdadeiramente importantes para as populações. É essa a prerrogativa do MMS e a minha na Agualva.

Governo vai limitar subida dos ‘spreads’ pela banca


Este é o título desta notícia do Diário Económico.
Por princípio não concordo com ingerências do Estado na economia, mas também por princípio demonstrado inquestionavelmente por esta crise os mercados não se regulam eficazmente por si só, pelo que por vezes é importantíssimo que o Estado se imponha, não num papel interventor, mas sim regulador. E creio sinceramente que esta matéria da limitação dos "spreads" é uma matéria de regulação, sendo crucial que, não inibindo a concorrência, se estabeleçam limites máximos para os "spreads".
Acho porém que a medida peca por limitada. Além desta medida, no mercado do crédito à habitação, e neste contexto particular de crise, impunham-se medidas extraordinárias. Medidas como uma revisão do cálculo das prestações de quem usufrui (ainda) de crédito bonificado, para que as prestações destes empréstimos não sejam agravadas, bem como voltar a atribuir crédito bonificado aos jovens, na compra de habitação. Ambas as medidas são medidas de apoio ao mercado, especificamente dirigidas a um sector crucial na nossa economia, a construção, sendo também uma forma de apoio às pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que estimula o consumo privado, que tanto necessita de ser reanimado. Claro que tais medidas não agradam a quem prefere anúncios de milhões, em programas onde depois são gastos tostões, dada a ineficácia dos mesmos, bem como a dificuldade de acesso que têm.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O exercício da política


Depois de ter olhado com tanta negritude para a política e para os políticos, há uma questão que parece gritantemente impor-se: afinal porquê fazer política, porquê estar na política, porquê querer ser "político"?
De toda a reflexão pessoal que fiz impõe-se apenas uma resumida conclusão: é apenas por uma questão de consciência.
Como? O que quero dizer com isso?
O meu interesse pela política já vem da minha adolescência, sem que disso tenha tirado qualquer consequência. Porém mais tarde, aos 19 anos de idade, tornei-me cristão evangélico. Do exercício da minha fé cristã, uma consciência social foi crescendo, quer em mim, quer no meu grupo de amigos. Dessa consciência social iniciei um período da minha vida em que dedicava todos os meus tempos livres às causas sociais, ligado sempre à igreja a que pertenci. O trabalho social foi crescendo, principalmente no apoio a toxicodependentes e suas famílias. Mas a envolvência com estas problemáticas sociais ainda nos fazia encarar e ver mais e mais necessidades, crescendo sempre dentro de mim e dentro de cada um desse grupo a que pertencia, a vontade e a urgência de intervir nessas outras problemáticas. Até que, desse crescimento, formámos uma instituição particular de solidariedade social, da qual fui eleito secretário da direcção. Iniciámos uma batalha, conseguimos alguns apoios, mas na hora h, outros que nos acompanhavam, não conseguiram encarar a urgência das necessidades e travaram o rápido avanço da obra, levando a uma dispersão desse grupo mais empenhado, chegando mesmo a desfazer-se mais tarde todo o trabalho até aí desenvolvido. No entanto a consciência ficou.
Ficou a consciência do próximo, das suas necessidades, das dificuldades encontradas em ajudar outros, na forma como o Estado engole tudo e não deixa nada, da forma como nós somos difíceis de mobilizar para uma causa, da dificuldade que existe na mudança de mentalidades. Ficou essa consciência.
Esta evoluiu, amadureceu e daqui surgiu a necessidade de me realizar pessoalmente na ajuda ao outro, ao próximo, ao cidadão. Como voltar para o trabalho social era algo que estava fora de questão, por motivos pessoais, a política, com o gosto pessoal que já tinha por esta, surgiu como a saída óbvia.
E é assim e só assim que entendo o exercício da política, como o serviço prestado à comunidade, seja local, regional ou nacional, procurando buscar sempre, não o proveito próprio ou do partido, mas sim o proveito do próximo, da melhoria da qualidade de vida de todos.
Bem sei que não é assim que a maioria dos políticos vê a política, mas apenas respondo por mim. E acredito que no meu partido a maior parte das pessoas estão nesse espírito, concerteza que com motivações, com histórias pessoais diferentes. Até porque quem procura projecção pessoal, viver e servir-se da política não se filia num pequeno e recém-criado partido, alia-se aos grandes e tradicionais que mais depressa garantirão o respectivo lugar desejado.

O BdP, o BPN, o PSD e o PS


Se durante muito tempo o BPN foi conotado como sendo o "banco do PSD", onde gradas figuras investiram ou estiveram mesmo nos quadros do banco, durante a comissão parlamentar este parecia sim ser o "banco do PS". Acontece que o branqueamento produzido na comissão parlamentar, via relatório final, incomodou até o último Presidente do banco antes da nacionalização: Miguel Cadilhe - que, numa entrevista ao Diário Económico, afirma ter "morrido na praia" a comissão parlamentar de inquérito. A verdade é que o PS pouco importado estava com o banco ou com o PSD, demonstrou até estar pouco preocupado com o interesse nacional. A grande preocupação do PS nesta comissão de inquérito foi proteger um dos seus, foi esconder a incompetência de um dos seus, a incompetência de Vítor Constâncio.
O ministro Teixeira dos Santos acusou a oposição de apenas procurar caçar VC, mas a verdade é que, independentemente das conjecturas político-partidárias da questão, houve falhas graves de supervisão que deveriam ser corrigidas, quer pela via legal, quer pelo reforço de meios do BdP. Mas nada disso foi olhado de frente. O reconhecimento tímido de alguns erros, não levou, nem levará, ao reconhecimento dos defeitos mais profundos do sistema de supervisão. De quem é a culpa? Claramente do PS, que na sua ânsia de proteger a bem paga cabeça de Constâncio, procurando não dar razão à oposição, pouco ou nada cogitou acerca do interesse nacional. Este gritava a plenos pulmões uma necessidade imediata de uma profunda mudança do sistema de supervisão, o que se impõe.
Desta forma, com estas conclusões, completamente manchadas da lama do interesse partidário, tudo fica na mesma, abrindo-se portas para que outros BPN's surjam no futuro do sistema financeiro nacional.

BE: Louçã e Chora


Ainda que para alguns isto seja estranho efectivamente de estranho nada tem. Acontece que o ilustre António Chora tem uma agenda pessoal muito própria, que não se coaduna, nem tão pouco tem em conta, quer os interesses dos trabalhadores, quer, pelos vistos, os interesses do BE. Mas eu não sei se estas declarações elogiosas de Chora a Manuel Pinho não são um qualquer namoro deste ao PS, porque consta, segundo fontes ligadas ao processo, que António Chora foi afastado das listas do BE para as próximas legislativas, devido às medidas manifestamente lesivas do interesse dos trabalhadores da AE que tem defendido. É que no interior da CT e da própria fábrica há mais pessoas com interesses e influência dentro do BE que têm sido frontalmente contra o caminho e as opções de António Chora. Aliás o clima de intimidação e de falta de liberdade de expressão dentro da empresa está atingir um nível preocupante, que apenas por poder piorar a situação não desmonto aqui mais, sem que o ilustre Chora diga uma palavra acerca do assunto.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A (in)dignidade dos políticos


Gosto de pensar em mim como uma pessoa interessada em política, aliás desde que me tornei militante do MMS, comecei mesmo a desenvolver actividade política com alguma intensidade, pelo que por vezes penso mesmo que sou um político. Em pequeníssima escala, a um nível muito inferior, mas político. Porém quando penso nisso sinto-me como se me estivesse a chamar a mim mesmo um palavrão feio, algo muito pouco próprio de se chamar a alguém. Ser político hoje em dia não é sinal de prestígio, de despego pessoal em prol da causa pública, é sim tomado com desconfiança, a pessoa é vista com estranheza, como estando à procura de um tacho e imediatamente se torna mal vista. Na verdade a política tornou-se numa actividade de gente pouco séria, ou pelo menos de gente que tem fama de ser pouco séria. Mas os políticos não podem culpar mais ninguém senão a eles próprios.
Recentemente durante o debate parlamentar mais importante do ano, aquele que serviria supostamente para analisar o país após mais um ano de exercício governativo, o debate do Estado da Nação, este ficou marcado pelo gesto inqualificável de um inqualificável ministro, que nesse mesmo dia foi demitido, ou, na versão oficial, demitiu-se. Acontece que a atitude do ministro foi o reflexo de todo um debate. Este debate foi tenso, encharcado de acusações viscosas e pouco construtivas, sobretudo de índole pessoal. É verdade que me irrita um pouco aqueles debates com lencinho branco e pó de talco, em que não se chama uma mentira a uma mentira, esta torna-se eufemisticamente numa inverdade, nem tão pouco suporto debates de ideias em que toda a gente educadamente desmente o outro para depois dizer exactamente o mesmo mas por outras palavras. Estes eram os debates que dominavam a política portuguesa até há alguns anos atrás. Eu gosto de debates garridos e aguerridos, onde se chamam os bois pelos nomes, mas gosto de debates onde se discutam assuntos, onde uma mentira é uma mentira, mas não um onde, sem grande base factual, os deputados se limitam a chamar mentirosos uns aos outros, carregadinhos de nervos, onde por isso debate de ideias, de propostas, escrutínio da governação, entre outras funções que o debate parlamentar tem, não existe. Os políticos têm com isso tornado a sua imagem cada vez mais degradada. Eu bem sei que o Primeiro-Ministro José Sócrates é um dos grandes responsáveis por este estado de coisas, quando durante quatro anos de debates quinzenais no parlamento nunca respondeu directamente a nenhuma pergunta que a oposição parlamentar lhe fez. Este exercício não é inédito, mas nunca a este ponto. Esta foi a legislatura em que mais vezes o Primeiro Ministro esteve no parlamento, mas também foi a legislatura onde o nível do debate parlamentar desceu mais e sobretudo a sua importância para o país. E este facto não é reflexo de nenhuma banalização devida à frequência do debate, tem sim a ver com o facto de o debate nunca o ser verdadeiramente, pois a perguntas não respondidas restam as respostas que cada um lhes quer dar, o que de democrático e relevante nada tem.
Continuando na senda da pouca dignidade do exercício da política temos a medida requentada que o PS foi buscar ao PSD, anunciando a proibição de duplas candidaturas às legislativas e às autárquicas. Torna-se evidente que o Partido Socialista não toma esta atitude por convicção, pois se assim fosse teria feito o anúncio antes das europeias, impossibilitando desde logo a dupla candidatura europeia-autárquica de Elisa Ferreira no Porto e de Ana Gomes em Sintra. O mau resultado nas primeiras eleições do ano certamente levou a esta atitude. Claro que certas vozes dentro do PS, como Manuel Alegre, imediatamente se levantaram a solicitar essa retroactividade nas candidaturas anunciadas, solicitando a ambas as senhoras que renunciem ou ao mandato de eurodeputadas ou às candidaturas autárquicas. Seria talvez um exercício de decência política, mas já viria tarde, pois apenas reforçaria sempre a ideia, que esta tardia medida por si só já deixa, de que no PS de Sócrates tudo se move apenas e só pela imagem, pela aparência e muito pouco ou nada mesmo pelo conteúdo, pelas convicções. O que revela apenas um grande apego ao poder e uma incessante e insaciável sede de perpetuação no poder pelo poder. Daqui a imagem geral dos políticos decai ainda mais, logo também a dignidade do exercício da política.
Continuando por aí a observar das indignidades políticas e dos políticos, hoje veio a público mais uma exibição desta despudorada manipulação governamental, mas desta vez evidenciando uma profunda falta de sentido de estado e logo num dos sectores nevrálgicos do desenvolvimento do país: a Educação - os resultados dos exames nacionais do 12º ano. O ministério não assume qualquer culpa, não faz qualquer auto-crítica, culpando sim a comunicação social de divulgar um facilitismo nos exames, no qual os alunos acreditaram, logo não se esforçaram tanto na preparação para o exame. Onde estamos a chegar. O ponto de baixeza no exercício da política em Portugal é tal que um ministério da educação se acha no direito de, melhorando os resultados recolher os louros para si, piorando lança as culpas nos outros. É preocupante. Entende-se assim cada vez mais o desencanto, a decepção e o desinteresse dos portugueses pela política: isto é baixeza de carácter.
Mas muitos mais exemplos de indignidade na política portuguesa existem. O pior, como este exemplo que se segue, o da Fundação para as Comunicações Móveis, onde é mesmo o desleixo, ou melhor a desconsideração, com que se tratam os dinheiros públicos, envolvendo negócios pouco claros, situações dúbias, zonas cinzentas, enfim tudo aquilo que a política não deve ter.
É um diagnóstico negro este que faço sobre a dignidade da política e dos políticos, sobre a dignidade ou não de se chamar alguém de político.
Mas infelizmente a política está reduzida a isto, a grupos pouco claros que entre si lutam, não pelo interesse nacional, mas pelo seu próprio interesse. Os partidos políticos não procuram o desenvolvimento do país, nem tão pouco a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, apenas procuram a melhor forma de se perpetuarem no poder, ou, como no caso dos mais pequenos, de se poderem continuar a alimentar à mesa do orçamento de estado. É isto a política em Portugal.
Mas tem de haver esperança, pelo que devemos, pelo que absolutamente necessitamos de mudar Portugal. Mas não uso aqui a palavra mudar num sentido cosmético, para mascarar um mofo e uma falta de ideias latente, que uma palavra bonita e apelativa anseia-se que disfarce. Utilizo a palavra mudar como um verbo, um verbo de acção, de acção concreta e corajosa, propondo ideias que, novas ou não, se propõe com acuidade e com desejo e intento concreto de aplicar, de efectivar, de concretizar, rompendo assim com a prática imóvel e ignóbil dos partidos tradicionais, que têm o seu assento no parlamento.
Mudar Portugal.
Este é um verdadeiro desígnio, e é verdade que a revolução inteligente proposta pelo Movimento Mérito e Sociedade é de difícil implementação, até porque implica uma profunda mudança de mentalidades, que é a mudança mais difícil e demorada de fazer. Mas acredito que com a catadupa de exemplos da degradação da condição, da prática da política, esta urgência de mudança seja sentida por cada vez mais pessoas, servindo de catalisador desta imperiosa mudança de mentalidades, reduzindo assim em muito o tempo expectável para a concretização dessa mesma revolução.