quinta-feira, 18 de junho de 2009

Autoeuropa - pré-acordo chumbado




A minha preocupação primordial com estes meus ex-colegas, prende-se com o facto de, compreendendo totalmente as razões deste chumbo, pois a lógica de pensamento dentro da fábrica, perante a realidade do trabalho que ali se faz, é muito diferente daquela que comummente se pode pensar, é que estão completamente abandonados. A CT faz acordos muitas vezes prejudiciais, que têm sido aceites, muitas vezes sob uma verdadeira chantagem, tendo-se repetido votações até que o resultado desejado fosse alcançado. Ali a democracia não funciona, para vergonha do Sr. Chora e sua pandilha bloquista. Mas os trabalhadores estão abandonados porque nem sequer o governo, com o qual a empresa tem vários acordos e várias responsabilidades assumidas, sem que o Ministro da tutela, o excelentíssimo Manuel Pinho, venha uma única vez que seja lembrar a administração desses mesmos acordos, procurando sempre pressionar os trabalhadores da AE. Aliás estou a aguardar que a qualquer momento a triste declaração, do triste governante, venha a público.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Moção de Censura do CDS/PP ao Governo - Leia aqui o texto integral da moção



1.As eleições de 7 de Junho representaram um inequívoco voto de censura face ao Governo. Tendo o primeiro-ministro assumido que, nessas eleições, se faria a avaliação não apenas do seu Governo mas também da oposição, o resultado verificado não pode ter outra leitura senão a de uma penalização fortíssima da actividade do Governo. Todos os Partidos da oposição registaram subidas percentuais face aos resultados das eleições legislativas de 2005.

2. Em qualquer democracia ocidental, quando um Governo é censurado pela população, de forma tão significativa, a consequência normal é o exercício institucional dessa censura. O princípio de que as instituições – no caso, a Assembleia da República – devem acompanhar a vontade popular tão expressamente maioritária, é um bom princípio democrático. É esse o primeiro sentido da moção de censura que apresentamos: a expressão institucional da vontade do país.

3. Acresce que a peculiar forma de governo revelada pelo primeiro-ministro José Sócrates – teimosa na essência, arrogante na atitude e ineficaz nos resultados – dificulta a correcção das políticas públicas do Governo. Numa democracia ocidental, o profundo aviso à navegação dado pelo eleitorado a 7 de Junho conduziria, naturalmente, à mudança de protagonistas ou à rectificação de políticas. Em nosso entender, é manifesto que o primeiro-ministro errou ao não remodelar o Governo – em áreas tão sensíveis como a Educação, a Administração Interna e a Justiça, a Agricultura e Pescas, a Economia ou as Obras Públicas. Dissemo-lo em devido tempo. Agora, o primeiro-ministro terá uma especial dificuldade em fazê-lo com sucesso. Por outro lado o primeiro-ministro comprometeu-se exaustivamente com políticas que estão erradas. A sua margem de manobra para as rectificar, sem quebra de autenticidade, é mínima. A moção de censura apresentada pelo CDS tem também o sentido de demonstrar que o modo de governar do primeiro-ministro José Sócrates está esgotado. A equipa governamental é cada vez mais fraca, face às dificuldades; e o rumo do Governo não é uma questão de imagem nem de discurso, tem a ver com erros de fundo na condução das políticas.

4. É nosso entendimento que o país castigou, severamente, nas eleições de 7 de Junho um estilo – a arrogância e a conflitualidade sistemática com os grupos profissionais -, bem como a ausência de resultados positivos em inúmeras políticas públicas. Compete ao CDS dar voz, expressão e consequência ao sentido crítico dos eleitores que em nós confiaram. Esse sentido crítico manifesta-se, principal mas não exclusivamente, nas seguintes áreas:

a) O eleitorado castigou a ausência de resultados práticos no combate ao desemprego, bem como a circunstância, socialmente incompreensível, de boa parte dos desempregados, incluindo jovens e casais, não terem acesso às prestações sociais na situação de desemprego:

b) Os cidadãos revelaram expressiva preocupação com uma política económica essencialmente virada para as grandes obras públicas, ao mesmo tempo que cerca de 280 mil micro, pequenas e médias empresas, que garantem mais de 2 milhões de postos de trabalho, continuam a ser sufocadas com impostos por conta a mais, devoluções de IVA a menos, pagamentos do Estado em atraso ou dificuldades absurdas no acesso às linhas de crédito;

c) Os portugueses manifestaram, também, a sua discordância com o facto de, em período de recessão profunda da economia, o Governo revelar uma forte incompetência na aplicação dos fundos comunitários que permitiriam injectar liquidez na economia, promover o investimento, gerar actividade económica e aumentar a produção, a exportação e a substituição de importações na nossa economia. Quer a deficiente aplicação do QREN, quer a inconcebível perda de fundos na Agricultura e Pescas são, disso, testemunho indiscutível;

d) Outras áreas em que os nossos compatriotas mostraram um efectivo cartão vermelho ao Governo são áreas de Estado: desde logo, a segurança, onde a sociedade portuguesa está a pagar, injustamente, a factura de inúmeros erros cometidos, quer nas políticas de polícia, quer nas políticas penais, quer nas políticas sociais; também na área da justiça, onde a descredibilização do sistema judicial atingiu proporções nunca antes verificadas, ameaçando a confiabilidade num dos pilares do Estado de Direito; e na área da imigração, está à vista os limites de um discurso – e de uma legislação – pouco realista e pouco rigorosa, com dezenas de milhar de imigrantes sem trabalho, ocupação ou realização pessoal;

e) É também notório que, no sector do ensino, o Governo foi censurado, especialmente porque a sua política cega conduziu à desmotivação e à desautorização dos professores, e também porque o objectivo de “governar para as estatísticas”, e não para a excelência, leva muitas famílias a recusar medidas facilitistas quanto à avaliação dos alunos;

f) Salientamos, ainda, a frustração de uma parte considerável da sociedade portuguesa com a insuficiência de resultados no domínio da saúde. Na verdade, os objectivos prometidos pelo Governo na redução das listas de espera ou na reforma da política do medicamento não se cumpriram;

g) O défice social português, em particular o que se relaciona com a situação de pobreza dos idosos, constitui um poderoso factor de contestação deste Governo, sobretudo se compararem as limitações impostas aos pensionistas de menos rendimentos, com a ausência de fiscalização efectiva que se verifica noutras prestações sociais, v.g. o Rendimento Social de Inserção;

h) Acrescentemos que, para inúmeros cidadãos, é revoltante a sucessão de falhas nas políticas de supervisão, regulação e concorrência, a um tempo porque essas falhas têm custos elevados para o contribuinte, e a outro porque essas falhas não são assumidas pelos seus responsáveis.

Estas razões, ou outras, no caso de outras forças políticas, estão entre as que mais motivaram o voto crítico do eleitorado. O CDS tem obrigação democrática de as enunciar e explicar. Mas é nossa convicção que o eleitorado pede mais. Pede, exige, tem direito à formulação de políticas alternativas.

5. Na verdade, a três meses das eleições legislativas, a moção de censura do CDS tem o sentido de demonstrar que há soluções diferentes, políticas diferentes e atitudes diferentes, em relação ao estado do país.

Não nos limitaremos a um exercício de crítica, próprio da oposição em democracia. Procuraremos responder aos portugueses, explicando o que faríamos melhor. Esse sentido construtivo desta moção de censura contra um mau Governo, é importante e será visível no conjunto das políticas, com especial destaque para as que incidem sobre o desemprego; PME’s; impostos; sectores produtivos; segurança e justiça; imigração; educação; saúde, pensões e redução da pobreza em Portugal.

6. Finalmente, quer o CDS alertar, com esta moção de censura, para a circunstância de, politicamente, o Governo dever evitar decisões irreversíveis em matéria de grandes projectos; e ser de toda a conveniência a transparência orçamental e o conhecimento, pelo povo português, das exactas circunstâncias, do ponto de vista dos indicadores macro-económicos, da situação de Portugal, de modo a habilitar os cidadãos com toda a informação relevante para poderem avaliar as políticas do Governo e fazerem as suas escolhas de futuro.

É nossa opinião que o eleitorado, em 7 de Junho, remeteu para um passado que não quer repetir esta maioria absoluta de um só Partido. Censurou a sua atitude de confronto permanente e uma governação baseada em anúncios e promessas que não se projectam na realidade económica, social e institucional.

Por isso, a Assembleia da República, nos termos do artigo 194º da Constituição, delibera censurar o XVII Governo Constitucional.

Palácio de São Bento, 9 de Junho de 2009

Os Deputados do CDS/Partido Popular


terça-feira, 16 de junho de 2009

Coisas que eu não entendo


Tem a direita neoliberal governado o país na maioria dos últimos 14 anos para ser a culpada pela crise?

Se a direita neoliberal é a culpada pela crise porque é que só os partidos no governo de família socialista é que perderam as eleições europeias?

Porque é que a esquerda socialista se identifica tanto com Obama quando ele é um social-democrata, ou democrata-cristão ao estilo europeu?

Acerca do Finaciamento dos Partidos - Mais uma tirada de João Miguel Tavares


Os marcianos tomaram conta do Parlamento

Lembram-se daquela série de televisão chamada V - A Batalha Final? Havia nela alguma coisa de premonitório. Sob a aparência de humanos escondiam--se extraterrestres que queriam tomar conta da Terra. À primeira vista nada os distinguia de uma pessoa normal, mas quando a pele se rasgava surgia um réptil carnívoro, que se dedicava a praticar maldades. Pois bem: receio que tenhamos assistido a um remake desta série dos anos 80 em plena Assembleia da República, durante a aprovação da lei do financiamento partidário. Tenho cá para mim que a conspiração alienígena se infiltrou no Parlamento e os deputados que andaram a levantar os braços em Abril eram, na verdade, marcianos.

As provas são claras. Como qualquer pessoa com o olho treinado para o reconhecimento de extraterrestres malévolos facilmente percebe, os homens e as mulheres que aprovaram a lei em tempo recorde há menos de dois meses - carimbando assim uma lei que multiplicava por 55 a entrada de dinheiro vivo nas contas dos partidos - não são manifestamente os mesmos que há poucos dias aceitaram, com um alívio visível, o veto da mesma lei por parte do Presidente da República. Com a excepção de António José Seguro - um corajoso resistente à investida dos lagartos, à semelhança do jornalista Michael Donovan na série origi-nal -, todos os outros representantes da nação ou estavam a vestir de verde por baixo da epiderme ou terão sido, de alguma forma, sujeitos àquele processo de controlo da mente conhecido como "conversão", que transformava os humanos em meros peões dos Visitantes.

Reparem. Os deputados de Abril fecharam-se em esconsos gabinetes, de onde saíram para uma votação-relâmpago, e ainda assim falaram de um processo envolto em grande "transparência". Felizmente, a conspiração falhou, porque os deputados de Junho já vieram aplaudir a decisão de Cavaco Silva, atirando o financiamento das naves espaciais - perdão, dos partidos - para as calendas. O PS disse agora encarar "com naturalidade" o veto do Presidente. O CDS disse que "não há condições" para insistir na aprovação. O Bloco disse que Cavaco colocou "um ponto final" no processo nesta legislatura, que é uma boa frase para encerrar o episódio. O PCP, é certo, foi o que se mostrou mais contrariado, discordando do veto - mas há muito tempo que se desconfia que o partido não vive na Terra. Já as declarações do PSD, através de Paulo Rangel, deixaram--me mais preocupado. Disse ele que o PSD aceitou a lei mas que "nunca foi a favor" dela, "pelo contrário, até foi contra". Hummm… É uma daquelas cambalhotas tão desastradas que, pelo sim pelo não, eu mandava-lhe fazer umas análises ao sangue. Nunca se sabe quem pode ter ganho as europeias.


Soares e a ingovernabilidade


O antigo Presidente da República Mário Soares é uma figura que conquistou o seu lugar na história de Portugal, para uns por más razões, para outros pelas melhores possíveis. Senhor da fundação do Partido Socialista deseja ver neste ainda um arauto da esquerda democrática, de onde este PS há muito se deslocalizou, apesar das tiradas mais ou menos esquizofrénicas de franjas da militância, ou dos dirigentes motivados por razões meramente contextuais.
Mário Soares continua assim a ver o mundo pintado em tons de rosa e laranja, como se Portugal tivesse sofrido de um tratado de Tordesilhas, dividindo o país entre estas duas grandes potências políticas, desdenhando de tudo o resto. Além disso vê fantasmas onde estes não existem, procurando agora encontrar a luz para a saída de uma negritude repentina na pessoa de Obama, a quem constantemente se refere numa atitude de adoração do Messias completamente descabida.
O ex-PR ainda se revê em rótulos desadequados e antiquados de direita e esquerda, que muito honestamente me parecem absolutamente relegados para os compêndios de história. Mas a arrogância roça os limites do cúmulo, pois o respeito democrático pelos povos é algo de que MS várias vezes já demonstrou não ter. Em recente texto publicado no Diário de Notícias MS escreve o seguinte:

Com a União Europeia, paralisada e governada, sobretudo, à direita, é difícil imaginar a mudança que se impunha.

É por demais evidente que Mário Soares não perceba que os povos da Europa decidiram apostar nos partidos mais conservadores para os representar a nível europeu, concluindo daí que isso leva à paralisia. O respeito pelo poder do voto é nenhum e pior ainda é não conseguir perceber o porquê. Na minha análise o facto dos partidos mais conservadores terem vencido as europeias deve-se a que estes são identificados como defendendo atitudes políticas europeias de maior defesa dos interesses nacionais, enquanto os partidos socialistas se mostram mais federalistas e dispostos a abdicar muito mais de certas autonomias nacionais, o que em alturas de incerteza e crise como a que vivemos leva o eleitorado a procurar defender-se
.
Embebido continuamente de um espírito dualista direita-esquerda MS vê estarem a levedar-se na Europa certas alternativas de esquerda que, mais dia menos dia, tomarão conta dos países europeus:


As forças de esquerda estão, por toda a parte, a levedar no sentido de uma mudança que, no entanto, não será para já. Muitos talvez o não tenham percebido ainda.

A verdade, a grande verdade que MS e o PS não querem encarar é que, se existem forças de esquerda em crescimento, este é fruto da crise e do facilitismo social com que essa mesma esquerda propõe resolver a crise, mas as forças que efectivamente crescem nesse espectro estão longe de serem do socialismo democrático tão amado de Soares. Na verdade forças trotzkistas como o BE, apesar de toda a retórica, não são forças democráticas, nem tão pouco respeitadoras de princípios simples como o direito à propriedade privada. Estas crescem, mas este não é um sinal de esperança, é sim um sinal de grande preocupação.
Analisando os resultados eleitorais do PS nas europeias MS afirma o seguinte:

A meu ver, o mais importante - e urgente - é recuperar os votos perdidos na abstenção, em votos brancos e nulos e nos que fugiram, dispersos, para outros partidos, por estarem descontentes com a crise global, importada, e talvez, também, pela maneira como o PS tem lutado contra a crise.

Acho particularmente interessante a última parte "
pela maneira como o PS tem lutado contra a crise". Que mal pergunte que forma tem sido essa? Efectivamente, espremendo tudo o que o governo socialista tem apresentado em termos de programas para acabar com a crise os efeitos têm sido zero, nada, pelo que se começa a tornar gritante a absoluta incapacidade do PS apresentar ideias e alternativas que realmente possam fazer a diferença no combate à crise. Soares vê que da abstenção, aos nulos e brancos e aos votos no BE e CDU, existem votos perdidos do PS. Provavelmente tem razão, a questão é se, com medidas inúteis e em plena campanha eleitoral, conseguirá o governo tirar algum coelho da cartola que leve essas pessoas a recuar no seu sentido de voto.
Outra pérola de Soares:

Compreender os sinais que o eleitorado soberano quis dar aos partidos, porque está descontente com todos - embora com o PS, em especial, por ser Governo e, em primeiro lugar, com o primeiro-ministro, José Sócrates, que a comunicação social e os outros partidos, sem excepção, converteram, sistematicamente, no "bode expiatório" de todas as dificuldades e males que nos afectam.

Gostaria de destacar esta parte "
descontente (...) com o primeiro-ministro, José Sócrates, que a comunicação social e os outros partidos, sem excepção, converteram, sistematicamente, no 'bode expiatório' ". MS entra na auto-comiseração de Sócrates e alimenta o Calimero-Sócrates, fazendo-o passear-se mais um pouco por aí, como se apenas com o actual Primeiro-Ministro a comunicação social e outros partidos pedissem contas ao governo das suas decisões. É inédito isto? Claro que é, para o seu próprio umbigo.
Continuando o seu texto, o ex-Presidente entra por uma incursão estranha, num mundo ainda mais estranho, onde ele encontra ainda uma capacidade ao PS de Sócrates a capacidade de enfrentar a crise, como se não estivesse no governo e ainda tivesse de ser alternativa. Veja-se:

E explicar, por forma muito clara e sintética, quais as soluções alternativas que apresenta para "vencer a crise" e como pode ajudar, efectivamente, os portugueses, sobretudo os mais pobres e desfavorecidos - os trabalhadores, os desempregados, os pobres, os idosos, os jovens, privados do primeiro emprego, os imigrantes, os pequenos e médios comerciantes falidos, as classes médias em vias de pauperização - mas também as classes profissionais, enfermeiros e médicos, professores, magistrados em começo de carreira, polícias, baixas patentes nas forças armadas, funcionários, etc. E como ajudá-los em concreto - e por forma isenta - quer o Governo quer o partido que o apoia a serem menos afectados pela crise global, que está longe de terminar. Para isso é preciso uma estratégia com uma linha de rumo clara e novas ideias.

Vemos por este trecho que MS não consegue perceber que, principalmente em relação às classes profissionais, o governo tem hostilizado as mesmas. Esses mesmos pequenos e médios comerciantes, enfermeiros e médicos, professores, magistrados,têm sido tratados como bandidos exploradores e cheios de regalias indecentes. Se em certos níveis se impunha um acerto claro no funcionalismo público, a hostilização, realizada através de uma depreciação intensa da imagem dessas classes para depois as enfrentar e lhes reduzir direitos, parece-me uma atitude no mínimo de falta de carácter. É necessário pois que MS olhe de frente para a realidade e perceba que a ingovernabilidade do país com que este acena, como perigo eminente, decorrente dos resultados das europeias, foi provocada pela forte incapacidade do governo em dialogar, quer com as classes, quer sobretudo com os cidadãos, explicando, não denegrindo, a razão das adaptações que se pretendem fazer. PS e Sócrates tornaram este país num lugar ainda mais deprimido, o que o discurso da ilusão optimista do governo não consegue contrariar.

Onde quer Soares chegar com estas palavras:

Por outro lado, importa ouvir e dialogar - o mais tardar até meados de Julho - com os sindicatos, as comissões de trabalhadores, as associações ambientais, de direitos humanos, de consumidores, etc.

Para depois dizer:

Não se trata de estabelecer acordos, mas tão-só de os ouvir - para perceber - e de confrontar soluções, alternativas e políticas possíveis.

Veja-se bem que não se trata de ouvir para mudar, para tirar conclusões, trata-se de ouvir para ficar tudo na mesmo, ou seja, ouvir não ouvindo. Continua depois com este namoro indecoroso:

No mesmo sentido, acharia também útil que se ouvissem os partidos de esquerda - o Bloco de Esquerda e a CDU - não para fazer acordos, antes ou pós-eleitorais, não é tempo disso, mas para compreender como vêem o futuro próximo, que é bem possível, se houvesse uma nova derrota do PS, ficasse bem mais negro do que está.

Como se ainda houvesse esperança na esquerda e em especial no PS, ao contrário daquilo que é a sensibilidade da generalidade dos cidadãos por essa Europa fora MS diz:

Pelo contrário, um acordo do PSD com o CDS/PP será possível, ainda que não creio que possa ser maioritário. E se fosse seria mais do mesmo...

Por fim vem o papão, vem o susto, o medo, aquilo que for, acenando com o monstro da ingovernabilidade, não percebendo que esta já está instalada e que a alteração, não a alternância, porque nisso já não acredito, mas sim a alternativa, a aposta em movimentos novos, com gente nova, com ideias novas, políticas novas torna-se por isso no mínimo irritante esta amedrontamento que MS pretende apresentar.

a probabilidade de, nas próximas eleições legislativas, Portugal se poder tornar ingovernável é alta e perigosa, para a democracia e para o nosso futuro colectivo. É nisso que o nosso eleitorado, que sempre deu mostras de ser sensato, deve agora reflectir.

Esperemos que a sensatez dos eleitores se demonstre, não tanto apenas por castigar o PS, mas por valorizar novas propostas e ideias. Lembro-me sempre da lufada de ar fresco democrático que foi o PRD de Eanes, que de repente passou de zero a cerca de 20 deputados, de uma forma verdadeiramente entusiasmante. Esperemos que se comece a criar em Portugal uma alternativa de novos partidos e movimentos que venham substituir efectivamente os velhos partidos. Já tiveram o seu tempo. Chega, venham novos partidos com novas ideias.

O ridículo Vital Moreira


Apesar de ter sido eleito para o Parlamento Europeu, Vital Moreira ainda não embarcou para Estrasburgo, para mal dos pecados do PS. Como tal continua por cá a dizer os seus habituais disparates. Como habitual hoje é terça-feira, dia de VM publicar a sua crónica no Público, espaço cómico semanal que já não dispenso.
Desta vez o título da dita crónica é Eleições e "grupos de interesse", onde o novo eurodeputado da nação enceta um imparável discurso de auto-comiseração, bem ao estilo do Calimero-Sócrates, que só é preocupante como sinal de que uma auto-crítica é algo que está bem longe do horizonte mental do Prof. Dr.
Ainda não me consegui entender comigo mesmo se foi o PSD e Paulo Rangel quem ganhou as europeias ou seu foi o Vital Moreira, com as suas tiradas, do tipo imposto europeu e PSD=BPN, quem perdeu as eleições, mas este exercício literário de hoje no Público é deveras lamentável e acentua a minha opinião acerca da segunda hipótese. Perante a impossibilidade de deixar aqui um link, que o Público não disponibiliza, vejo-me obrigado a deixar aqui algumas das pérolas de Vital Moreira, sob o risco sempre de, ao não apresentar o contexto, o seu sentido ser sempre mais difícil de ser objectivamente entendido:

Uma das novidades das recentes eleições europeias (...) foi a interferência directa de algumas organizações representativas de interesses económico-profissionais na própria campanha eleitoral.


(...) pela primeira vez (...) um grande sindicato e uma organização de agricultores convocaram manifestações (...) em plena campanha eleitoral.


A
intervenção directa em processos eleitorais não consta das atribuições correntes das organizações representativas de interesses.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

"O objectivo é depois dizerem, 'então não sabe? O que é que anda lá a fazer?' "



O Governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, que voltou hoje ao Parlamento para responder às perguntas dos deputados acerca das alegadas falhas de supervisão no caso BPN, depois de na semana passada ter exigido aos deputados mais cuidado no trato com os técnicos do BdP que ali têm feito depoimentos, esta semana continuou ao ataque contra os deputados. É de um desses ataques que sai a pérola que faz o título deste artigo.
O Sr. Governador esquece-se que os deputados são titulares de um cargo eleito, não nomeado, de um órgão de soberania, coisa que ele não é, sendo ele e os outros técnicos hierarquicamente inferiores a estes no Estado. Tal não justifica maus tratos, não há que exigir deles cuidados, até porque eles não estão lá para ser cuidadosos, mas sim para fazer as perguntas que o povo que os elegeu quer ver respondidas. A essas as respostas são poucas.
Por isso é com espanto que ouço este tipo de saídas.
Como é que Vítor Constâncio pode dizer que os deputados lhe fazem perguntas que não fazem sentido, por serem demasiado técnicas, que o objectivo é dizer depois que ele não tinha as respostas e achar que isso é justificação para alguma coisa? Será que o ordenado milionário de Vítor Constâncio não será suficiente para este, sabendo que iria a uma comissão parlamentar, gastar um pouco de tempo a informar-se de todos os pormenores, por mais técnicos que sejam, para poder responder aos deputados? Será que teremos de aprovar um subsídio de apoio ao estudo inerente às respostas necessárias às perguntas dos deputados em inquérito parlamentar?
Se calhar é isso.
A posição de Vítor Constâncio era já muito frágil, mas com saídas destas, ao melhor estilo arrogante, que compartilha com o nosso caríssimo Primeiro-Ministro, torna-se manifestamente insustentável, porque para além de tudo demonstra um profundo desrespeito para com os deputados.

Segurança - notícia do Público: "Falta de guardas nas prisões pode ter facilitado fugas do Hospital Prisional de Caxias"


Sem margem para dúvidas a nossa justiça, em todos os seus aspectos, até no cumprimento de penas, na segurança das prisões está cada vez mais degradada: parabéns Engenheiro Sócrates. Leia-se esta notícia do Público.

O número de guardas prisionais recomendado pelo estatuto da classe não está a ser respeitado. A acusação parte do Sindicato dos Guardas Prisionais que, em declarações à TSF diz que a falta de guardas pode ter facilitado a fuga de cinco reclusos, este fim-de-semana, do Hospital Prisional de Caxias.

Segundo Jorge Alves, presidente do Sindicato do Corpo da Guarda Prisional faltam mais de mil guardas prisionais em Portugal actualmente. E o número de profissionais existentes está muito abaixo do mínimo indicado pelo estatuto profissional da classe.

Jorge Alves, que avança com este facto como possível justificação da fuga de cinco reclusos, na noite de sábado, do Hospital Prisional de São João de Deus, em Caxias, conta que naquela noite apenas uma das quatro torres de vigia estava activa e que apenas estavam três guardas ao serviço.

Todos os reclusos evadidos, incluindo um homem acusado de triplo homicídio, foram recapturados.


Em comunicado, a Direcção-Geral dos Serviços Prisionais disse hoje que instaurou um processo de inquérito na sequência da evasão dos reclusos e que prevê, ainda hoje, apresentar conclusões preliminares a esse inquérito.

Adianta ainda que "no Hospital Prisional de Caxias encontram-se internados 108 reclusos e estão ali afectos 75 guardas prisionais, sendo 66 guardas, 8 subchefes e um chefe".

Os estudos de Mário Lino


Hoje fiquei ainda mais preocupado do que já estava com o projecto do TGV. Ouvi na TSF o Ministro Mário Lino a afirmar que os estudos que tinha comprovavam as vantagens que a alta velocidade traziam para Portugal. O Ministro afirmou que estas, segundo os mesmos estudos, superavam as custols, pelo que valia a pena avançar com a obra.
A minha aflição vem do facto de Mário Lino se estar a basear em estudos. Sim, quem não se recorda dos inúmeros estudos que o mesmo ministro possuía e que confirmavam que a Ota era o melhor local para a construção do novo aeroporto. Será que, como ali, temos de aguardar que um estudo da CIP venha de novo salvar o país de mais uma asneira do governo socialista de José Sócrates e Mário Lino?
Temos de temer e tremer sempre que este governo puxa dos estudos para justificar as suas decisões, porque já daí verificámos a qualidade de tais estudos.

Vontades

As próximas eleições aí estão, ainda sem data, mas com a previsão de se realizem em dois fins-de-semana seguidos, o que é no mínimo vergonhoso, porque se a proximidade é tanta não existe justificação nenhuma para que não se realizem no mesmo dia. O prejudicado é o do costume, é o povo que tem de pagar tudo isto: em vez de pagar uma campanha, paga duas, em vez de pagar a organização de uma eleição paga duas. Também é verdade que, em vez dos elementos das assembleias de voto ganharem só um dia, ganham dois: dos males o menor.

domingo, 14 de junho de 2009

Uma outra reflexão (5)


A partir do dia de hoje "Uma outra reflexão" passa a ser um novo blogue. O objectivo é proporcionar um outro tipo de reflexão, bem diferente d' A textura do Texto, que é uma blogue eminentemente de opinião e reflexão política. O "Uma outra reflexão" será um blogue de reflexão eminentemente espiritual.


Visitar aqui.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Financiamento dos partidos (2)

Após leitura desta proposta a um colega, este fez duas observações que, por me parecerem pertinentes e contribuírem para o aperfeiçoamento desta ideia, que aqui desde já publico.
A primeira é de que um militante, que queira fazer uma doação para além do limite de 10€ mensais, só entrará na lista pública a partir de um determinado montante.
A segunda é de que o partido, em época de campanha, quando recebe um financiamento, em vez de informar o Tribunal antes da oferta, por ser muito complicado, tenha sim um tempo limitado de tempo quer para informar o Tribunal, quer para publicar a declaração de interesses.

Financiamento dos partidos


Agora que a polémica nova lei do financiamento partidário foi vetada pelo PR e relegada a aprovação de uma outra versão desta lei para a próxima legislatura, importa reflectir um pouco sobre o assunto.
Por princípio sou contra a utilização de dinheiros públicos para fins particulares. No entanto no domínio do financiamento partidário, há que perceber da virtude do puro e simples fim desse financiamento pelo estado.
Costuma-se encarar os custos com o financiamento partidário como inerentes ao sistema democrático, que não pode existir sem partidos. Esta opção é justificada pela tentativa de, pelo financiamento público, limitar ou tornar completamente desnecessário o financiamento privado, que, pela sua natureza intrínseca, poderia acarretar um comprometimento pouco salutar com as agendas e objectivos particulares dos financiadores. Acontece porém que, da prática actual, o sistema de financiamento público dos partidos tem-se demonstrado, ainda assim, permeável às incursões da corrupção nos meandros político partidários. Desde situações, como as de Felgueiras, onde um alegado saco azul serviria para financiar as campanhas do Partido Socialista local, até situações de compadrio e ingerência directa de financiadores de campanhas em decisões políticas. Pior é que este modelo, como é bem conhecido, nada tem feito ou resultado em termos de transparência, tendo proliferado as situações de corrupção e favorecimento que são bem conhecidas.
Em conclusão, o sistema de financiamento dos partidos pelo Estado, justificado como um meio para prevenir a corrupção proveniente dos favorecimentos em financiamentos vindos de privados, pessoas ou empresas, não tem efectivamente prevenido esse nefasto fenómeno, com a agravante de ser um peso financeiro, algo considerável, para as finanças públicas.
Além do já considerado, este sistema de financiamento dos partidos pelo estado tem servido para a manutenção do poder oligárquico de um grupo muito restrito de partidos. Importa lembrar o dito aqui, bem como as declarações a este propósito ali deixadas por José Miguel Júdice:
(...)"como é possível que o Estado todos os anos venha aumentando a subvenção (...) sem que nenhum partido reaja com a apresentação de um diploma legal que limite (...) a correcção anual ao valor da inflação esperada?"
"A resposta é óbvia. Os partidos políticos têm uma lógica oligopolista e estão todos interessados em manter a posição dominante conjunta que detêm no mercado político."
"E diz a teoria da concorrência que subsídios elevados a incumbentes funcionam como uma forte barreira à entrada de competidores"
Assim resta pensar no enquadramento devido, mais apropriado e sobretudo de forma a aumentar a transparência do financiamento dos partidos, partindo para um modelo alternativo, onde os financiamentos públicos não existissem, sendo exclusivamente feito por privados.
Aqui devemos colocar várias questões:
  1. Deve haver ou não limite à verba que um privado pode conceder no financiamento a um partido?
  2. Quem deve poder financiar os partidos, apenas os militantes ou qualquer outra pessoa ou entidade?
  3. Como deve ser feito esse financiamento, pode ser em dinheiro vivo ou apenas por meios bancários?
  4. Deve ser obrigatório os partidos revelarem quem são os seus financiadores ou não?

Muitas outras se poderão colocar, mas creio estas serem as principais.

O que defendo é um modelo de financiamento partidário onde o estado não tem qualquer outra intervenção senão a de fiscalizador do cumprimento rigoroso das normas e leis decretadas. No modelo defendido, que aqui apresento pela primeira vez, o financiamento é feito eminentemente pelos militantes do partido. Estes estão devidamente identificados e devem estar registados junto do Tribunal que fiscaliza as contas partidárias. Os militantes devem poder entregar verbas em dinheiro vivo aos partidos, até um limite máximo de 10€ mensais, seja a título de quota ou doação, sobre o qual deve ser emitido o respectivo recibo ou talão de quota. Além desta verba, os militantes podem financiar os seus partidos em montantes sem limites, desde que seja por meios bancários, facilmente identificáveis. Os partidos devem publicar, de forma actualizada diariamente, os nomes e interesses dos militantes que exerçam esse direito, em sítio da internet, ou seja deve estar acessível na internet o nome, profissão, entidade patronal, ou em alternativa os negócios ou ligações empresariais do militante que financia em valores mais altos os partidos. Todos os eventos de angariação de fundos, sejam festas, sorteios, rifas, ou outros, devem ser previamente autorizados pelo governo civil, e os seus proveitos devidamente registados. Para além destes meios de financiamento, outros particulares não militantes devem poder financiar os partidos. Neste caso, a meu ver, deve haver um limite de até 1000€ por pessoa e por ano, que só pode ser por meio bancário, devendo ser publicada uma declaração de interesses, tal como indicado para os militantes. Em época de campanhas eleitorais não existem limites de doações, nem para militantes, nem para outras pessoas, mas as doações devem ser sempre por meios bancários. Porém, antes de se concretizar a transacção, deve ser informado o Tribunal que aquela pessoa vai realizar na data tal uma determinada oferta, por um determinado meio, sendo depois publicada uma declaração de interesses, conforme anteriormente indicado para os militantes. Nenhuma instituição, nomeadamente empresas, poderá financiar directamente um partido, embora o possa fazer por interposta pessoa, que a dita declaração de interesses despistará e esclarecerá quem é.

Creio que com este modelo, a ser com certeza aperfeiçoado com outros contributos, será certamente mais transparente, reduzindo também assim os encargos do estado.

Aguardo comentários e propostas de melhoria desta ideia.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Discurso do 10 de Junho do Presidente da República

Transcrevo a seguir o discurso do Presidente da República, do qual deixo aqui o link, neste 10 de Junho, ficando para adiante mais comentários.

Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhor Primeiro-Ministro,
Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça,
Senhor Presidente do Tribunal Constitucional,
Senhores Membros do Governo,
Senhores Membros do Corpo Diplomático,
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Santarém,
Senhor Presidente da Comissão Organizadora das Comemorações,
Senhoras e Senhores,
Portugueses,

Hoje é o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o dia em que evocamos os nossos maiores e prestamos homenagem àqueles que continuam a sua obra e se distinguem por feitos notáveis em prol da nação.

Neste dia tão cheio de significado para os Portugueses, estamos aqui, em Santarém, para celebrar a nossa identidade como povo e os laços que desde há séculos nos unem, seja onde for que tenhamos rumado, em busca de um futuro melhor.

Estamos aqui, além disso, para honrar a obrigação que temos para com aqueles que nos antecederam e legaram um País soberano, manifestando a nossa vontade de deixar esse mesmo legado, se possível engrandecido, àqueles que nos irão suceder.

Gostaria, neste momento, de evocar a memória de João Bénard da Costa, que, nos últimos dez anos, desempenhou de forma notável as funções de Presidente da Comissão Organizadora destas Comemorações.

As comemorações do 10 de Junho representam, antes de mais, uma manifestação de fé e confiança nas capacidades do povo português, tantas vezes demonstradas ao longo dos tempos.

Capacidade para resistir em momentos adversos e defender a integridade do território e a independência nacional, como a que demonstrou, por exemplo, Nuno Álvares Pereira, que a Igreja Católica ainda recentemente canonizou.

Capacidade para planificar com rigor e executar com determinação as ideias mais arrojadas, como a que demonstrou o Almirante Gago Coutinho, nascido há precisamente 140 anos, que realizou com Sacadura Cabral essa proeza extraordinária que foi a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.

Capacidade, ainda, para ir à aventura, arriscar e descobrir novas terras e novos mundos onde vencer, como a que podemos ver ainda hoje em tantos dos nossos emigrantes.

O exemplo destes e de tantos outros homens e mulheres, nossos compatriotas, sejam eles famosos ou simples anónimos, é um justificado motivo de orgulho.

Mas deve igualmente constituir um estímulo, uma prova de que somos capazes de vencer, mesmo perante os maiores desafios ou as piores adversidades.

Numa passagem das Viagens da minha terra, esse livro magnífico onde se retrata com tanta sensibilidade a região de Santarém, Almeida Garrett contempla o rio Tejo, lê alguns versos d’Os Lusíadas, e exclama com entusiasmo:

«sonhei que era português, que Portugal era outra vez Portugal!».
Neste dia de Camões, mais do que sonhar, temos de acreditar que Portugal será outra vez Portugal, um Portugal melhor, o mesmo Portugal que tantas vezes se afirmou no decorrer da sua história.

Os exemplos que nos vêm do passado constituem, em primeiro lugar, uma responsabilidade para todos e para cada um de nós. Responsabilidade na solução dos problemas que temos pela frente. Responsabilidade na criação de um País melhor para os nossos filhos e para os nossos netos.

Não se trata de uma responsabilidade em abstracto. Trata-se de uma responsabilidade concreta, que se traduz, desde logo, na obrigação que temos de participar na vida pública.

Em tempos reconhecidamente difíceis como aqueles em que vivemos, não é aceitável que existam Portugueses que se considerem dispensados de dar o seu contributo, por mais pequeno que seja.

O alheamento não é uma forma adequada – nem, certamente, eficaz - de enfrentar os desafios e resolver as dificuldades. Pelo contrário, níveis de abstenção como aquele que se verificou nas eleições de domingo passado são um sintoma de desistência, de resignação, que só empobrecem a democracia.

Quando estão em causa questões que a todos dizem respeito, nenhum de nós se pode eximir das suas obrigações, sob pena de a gestão da coisa pública ficar sem esse escrutínio indispensável que é o voto popular.

A abstenção deve, além disso, fazer reflectir os agentes políticos. A confiança dos cidadãos nas instituições democráticas depende, em boa parte, da forma como aqueles que são eleitos actuam no desempenho das suas funções.

Se não tivermos órgãos de representação prestigiados, será difícil aumentar a participação dos eleitores e demonstrar-lhes que o seu voto é importante e útil para a formação das decisões de interesse geral.

A credibilidade dos agentes políticos é tanto mais necessária quanto a situação económica e financeira actual representa um desafio, sem precedentes nas últimas décadas, à qualidade das instituições democráticas, à competência e visão de futuro dos decisores, e ao empenhamento responsável e solidário de cada um dos cidadãos. Da minha parte, asseguro aos portugueses que, nas boas como nas más horas, estarei aqui.

Senhoras e Senhores,

Neste dia em que se celebra Portugal e a memória de uma nação com mais de oito séculos, devemos interrogar-nos sobre aquilo que podemos e queremos fazer para que essa caminhada prossiga, e para que os nossos descendentes possam vir também a sentir-se orgulhosos das nossas realizações e das opções que tomámos.

Não podemos invocar as glórias do passado sem olhar às dificuldades do presente e à responsabilidade que a todos cabe na procura de soluções para o futuro.

É correcto, e certamente justo, que tenhamos confiança nas nossas energias e recursos enquanto nação. Mas é necessário ter também a coragem de encarar a verdade dos factos e proceder às mudanças que sejam necessárias, na política como na sociedade em geral, na esfera pública como na actuação de cada um em particular.

Conforme já tenho dito, «a verdade gera confiança, a ilusão é fonte de descrença». Só uma informação correcta permite às pessoas fazerem as escolhas mais adequadas para acautelarem o seu futuro e o das suas famílias.

Temos, antes de mais, de saber extrair da actual situação as lições que se impõem.

De pouco adiantarão os diagnósticos e, ainda menos, as lamentações ou recriminações, se nada, entretanto, mudar nas atitudes e nos comportamentos.

Face às dificuldades e aos desafios que temos pela frente, é imperativo promover uma cultura de valores, uma cultura que contemple a dignidade das pessoas, incentive o esforço e o mérito e favoreça a coesão social.

É preciso valorizar os laços familiares, que são o mais sólido alicerce de qualquer sociedade e a melhor forma de assegurar a responsabilidade inter-geracional.

É preciso reavivar nas pessoas um espírito de sobriedade e uma consciência solidária; combater o esbanjamento e o desperdício e rever hábitos de consumismo; compreender que também somos responsáveis pela sorte dos outros, principalmente daqueles que são mais carenciados e que vivem e sofrem perto de nós, na nossa cidade ou aldeia, no nosso bairro ou na nossa empresa.

Mais do que simples regras formais, terá de haver, sobretudo, uma clara presença de princípios éticos nas instituições, no mundo dos negócios e no mundo do trabalho. A justiça, a equidade e a responsabilidade social não podem ser letra morta, simples palavras de que só nos lembramos em momentos de apuros.

Tanto no Estado como na sociedade civil é preciso adoptar uma cultura de transparência e de prestação de contas.

Não esqueçamos que, na origem de alguns dos principais problemas que o mundo actualmente enfrenta, esteve a ausência de escrúpulos e de princípios por parte daqueles que abusaram da confiança neles depositada, prejudicando milhões de pessoas e acabando por comprometer o bem-estar de muitos mais.

Se há um ensinamento claro a retirar da conjuntura actual é o de que o desenvolvimento económico não pode processar-se à margem da responsabilidade social e do respeito por normativos éticos, que vinculam tanto os governos e os políticos, como os mercados, os empresários e os gestores.

Senhoras e Senhores,

Tal como sempre aconteceu no passado, para triunfar das dificuldades é indispensável ter confiança. Portugal, pese o realismo que os indicadores impõem, tem razões para confiar. Portugal não é «o País possível», nem «o País de desistentes», de que noutro tempo falou o poeta Ruy Belo, em versos inspirados mas de profundo desalento. Portugal pode e tem de confiar em si próprio.

No mundo globalizado em que vivemos, Portugal possui recursos estratégicos importantes, recursos que estão de há muito identificados e que são conhecidos de todos.

Somos, desde há séculos, um Estado com fronteiras definidas e uma nação coesa, que fala a mesma língua e que tem uma origem e uma história comuns.

A rede de instituições de solidariedade social, disseminada por todo o território, com uma já longa tradição de prestação de inestimáveis serviços à comunidade, representa um activo da maior relevância nos tempos que correm, constituindo uma prova irrefutável das reservas morais que soubemos preservar.

Estamos, além disso, integrados no espaço europeu e na zona euro, um espaço dotado de grande dinamismo económico, que tem vindo, no último meio século, a dar um contributo inestimável para a melhoria das condições de vida dos cidadãos e para a solidariedade entre os povos.

No plano internacional, temos um relacionamento privilegiado com um conjunto importante de países, em todos os continentes, fruto da nossa aventura marítima, da nossa já secular diáspora, da dimensão universal da língua portuguesa e do prestígio que conhecem as comunidades de emigrantes.

Em virtude da nossa situação geográfica, somos detentores de uma das maiores zonas económicas exclusivas da Europa, de um património oceânico que é único e de recursos geológicos, biotecnológicos e energéticos muito relevantes.

Temos uma riqueza florestal de grande valor, se a soubermos proteger dos incêndios.
As condições climatéricas e de segurança, somadas a um rico e diversificado património natural e cultural, fazem de Portugal um País reconhecidamente vocacionado para o desenvolvimento do turismo.

Há que saber mobilizar o esforço e o talento dos portugueses para aproveitar todos estes recursos, quer para melhorar o desempenho da nossa economia, quer para suster a tendência para o endividamento crescente do País - famílias, empresas, sector público.

É certo que a situação económica e financeira internacional, ao mesmo tempo que tornou claro até que ponto os países estão hoje interdependentes, veio também evidenciar algumas vulnerabilidades específicas de Portugal.

Não basta, por isso, que nos limitemos a tentar sobreviver.

É necessário ver mais além; antecipar, desde já, a situação em que queremos estar quando for finalmente ultrapassada a conjuntura actual; e criar as condições para tirarmos partido da fase de recuperação.

É necessário, em suma, ter uma visão estratégica de médio e longo prazo, uma visão alheia a calendários imediatos, que poderiam comprometer o futuro e tornar inúteis os sacrifícios que a hora exige.

A história demonstra que, dos tempos de profundas dificuldades, sempre emergiram vencedores: os que souberam agir com determinação, sentido estratégico e capacidade de mobilizar esforços e vontades. Portugal pode ser um dos vencedores.

Sabemos bem quais são os grandes desígnios nacionais. Resta sabermos colocar o País no rumo certo, introduzir as mudanças necessárias, reajustar os comportamentos e expectativas individuais, apostar no que é, de facto, essencial para o aumento da nossa capacidade competitiva.

Ninguém ignora a urgência de uma melhoria do sistema educativo, por forma a incutir nos jovens o valor do conhecimento, da inovação, da criatividade e do empreendedorismo.

A educação não é só um problema da escola. A sociedade, no seu conjunto, tem de incorporar no seu dia-a-dia a importância da aprendizagem, como factor de realização pessoal e de progresso social.

Não podemos esquecer o mundo rural, cujo desenvolvimento é decisivo, tanto na perspectiva da produção agrícola e de actividades complementares, como na perspectiva do ordenamento territorial, do combate ao despovoamento do interior e da coesão do todo nacional.

Temos de ambicionar uma sociedade civil verdadeiramente emancipada do Estado, afirmando-se, autonomamente, pela sua criatividade, organização, trabalho e capacidade inovadora; uma Administração Pública que preste serviços de qualidade e tenha assegurada a sua independência face a interesses partidários ou outros; um sistema judicial com credibilidade e prestígio, eficiente no seu funcionamento e que inspire confiança à comunidade.

Portugueses,

Não podemos deixar-nos abater pelo desalento.

Portugal soube sempre encontrar a forma de vencer as dificuldades que conheceu ao longo da sua história.

Estou certo de que saberemos, uma vez mais, estar à altura dos nossos antepassados.
Tenho mantido contactos frequentes com os mais diversos sectores da nossa sociedade. Por tudo quanto vi e ouvi, tenho a certeza de que podemos fazer deste tempo de provação um tempo de esperança.

Existem, felizmente, muitos exemplos, em particular entre os mais jovens, de cientistas, empresários, artistas e outros profissionais portugueses que têm triunfado, tanto cá dentro como no estrangeiro, e que não se conformam com os atrasos que persistem em muitos sectores da vida nacional.

O seu inconformismo deve ser o nosso lema. O seu trabalho deve ser o exemplo e o seu triunfo a meta que ambicionamos para o País inteiro.

Esperança é a palavra.

Dia de Portugal - O hino completo


I
Heróis do mar, nobre Povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós,
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

II

Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O Oceano, a rugir d'amor,
E o teu braço vencedor
Deu mundos novos ao Mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

III

Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre a terra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

terça-feira, 9 de junho de 2009

Financiamento dos partidos - um veto inevitável


Após uma lei vergonhosa feita na Assembleia da República, o Presidente deu-lhe o inevitável veto, o que me deixa particularmente satisfeito.
Porém a moralidade, ou melhor, a boa gestão do dinheiro dos contribuintes, como o ministro Teixeira dos Santos gosta de dizer para ir cozinhando os depositantes do BPP em lume brando, impõe que o financiamento dos partidos seja feito apenas, sublinho o apenas, pelos seus militantes, por meios completamente claros e verificáveis. Não entendo a paranóia em querer que as entradas de dinheiros da festa do avante ou de quotas de militantes pagas directamente em dinheiro, justifiquem a desregulamentação que os partidos queriam implementar. Basta que tudo esteja facturado, as quotas com o recibo adequado passado, tudo documentado, como em qualquer instituição deste país, para que tudo esteja certo. Esta entrada livre de dinheiro vivo sem justificação deixa no ar, e muito justificadamente, todo o aroma podre da corrupção e do compadrio, de que a nossa nacional política tanto padece.
Volto a falar do MMS e das suas propostas, pois é o único partido, gostaria de reforçar isto, o ÚNICO PARTIDO, a defender o fim de toda e qualquer subvenção estatal, pelo que os partidos teriam sempre que se auto-financiar. Caro ministro Teixeira dos Santos, isto é que é boa gestão dos dinheiros públicos.

Apreciação dos Resultados Eleitorais do MMS nas Eleições Europeias 2009


Transcrevo aqui a apreciação do resultado eleitoral do MMS, publicada ontem pela comissão política no site do partido.

O MMS apresentou-se ontem a eleições pela primeira vez. Treze propostas políticas foram apresentadas aos portugueses para a escolha dos seus eurodeputados mas, mesmo com esse alargado leque de escolha os portugueses preferiram massivamente a abstenção. A abstenção pode até servir de protesto mas, não tem qualquer outra utilidade. Para resolver os problemas de Portugal temos de começar por resolver os problemas da política em Portugal, e isso só se consegue votando.


No total nacional, o MMS recebeu 21633 votos, que correspondem a 0,61% e lhe conferem a 9ª posição das treze candidaturas sufragadas. Assumimos com humildade a condição de estreantes e demonstraremos a todos e todas, com responsabilidade, que somos merecedores da confiança depositada. Em 2007 éramos uma centena, em 2008 reunimos mais de 8000 assinaturas para constituir o partido, hoje somos dezenas de milhares e as perspectivas de grande crescimento são reais. Apesar das limitações de meios e visibilidade na comunicação social, a estreia foi auspiciosa. No grupo dos 8 pequenos partidos portugueses, o MMS entrou para o quarto lugar, a curtíssima distância do terceiro posto.

Verificamos nestas eleições uma derrota importante dos partidos da alternância do poder, PS+PSD nunca tinham tido tão pouca expressão. O país está aberto à mudança e às novas ideias. Com o MMS o país ganhou um novo partido e novas soluções e, quando Portugal ganha ganhamos todos. Estamos certos que os mais de 20 mil apoiantes do MMS votaram, essencialmente, nas ideias que sustentam o projecto político do MMS. Votaram para MUDAR PORTUGAL com base no mérito, rigor, transparência e responsabilidade. A mensagem do MMS é credível e obtém a aprovação dos portugueses que a conhecem, como o demonstram os resultados no distrito de Aveiro (com o dobro da expressão nacional do MMS), fruto da forte divulgação do MMS nesse distrito.

Agradecemos o apoio de todas e todos quantos votaram MMS. Um agradecimento especial a todas e todos os que voluntariamente, e com elevado sentido de luta pelo bem comum, participaram activamente na campanha eleitoral. Contamos com todos para fazer mais e melhor nas próximas Eleições Legislativas. Desde já, e com sentido de responsabilidade, a Comissão Política do MMS compromete-se com mais empenho para desenvolver com maior sucesso as próximas campanhas. O MMS somos todos, e todos juntos formaremos um MMS maior e melhor.

A Comissão Política Nacional do MMS,
08 de Junho de 2009

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Análise aos resultados do MMS



Estas foram as primeiras eleições do Movimento Mérito e Sociedade, umas eleições europeias, onde a forte abstenção marcou a sua senda vitoriosa cada vez mais evidente na sociedade portuguesa. Este alheamento dos portugueses em relação à política, sobretudo no que diz respeito à política europeia, deveria preocupar os políticos, que porém se limitam a fazer crítica de circunstância, não retirando daí ilações, pois a auto-crítica não faz parte dos seus exercícios políticos.
Daí passemos para os resultados do MMS.
Estamos perante umas eleições onde o MMS teve uma intensa exposição pública, através dos cartazes e das acções de campanha, mais presente até do que o próprio CDS/PP, porém este arrastava a comunicação social consigo, coisa que ao MMS não aconteceu, preferindo a comunicação social manifestamente a candidatura do MEP.
A verdade é que o MMS escolheu o caminho mais difícil, entrar de novo na política, com transparência, sem grandes rasgos publicitários, tipo autocarros, e sem se ancorar em figuras públicas, que por si só atraem atenções. Este caminho difícil coloca o partido numa situação de, sendo sério, está também muito isolado. Os cerca de 21 mil votos que o partido obteve são claramente um resultado insuficiente perante o esforço despendido. O preocupante é que o MEP, partido pequeno e que também concorreu a umas eleições pela primeira vez, ultrapassou os 50 mil votos, logo a barreira da subvenção, pelo que terá a sua campanha paga pelo estado e as suas actividades subvencionadas. Isto dá um avanço considerável a este partido perante os outros pequenos, dando razão à sua cabeça de lista que afirmou que com este resultado o MEP estava no mapa. Preocupante também é o facto de o PCTP/MRPP também obter mais votos que o MMS. Este partido certamente goza do estatuto de figura pública do seu mandatário nacional, o advogado Garcia Pereira, mas a sua mensagem, ultrapassada e desactualizada mantém fiel um eleitorado considerável, apesar de não ter chegado aos 50 mil votos. A seguir ficou o MPT, que pela primeira vez fez uma campanha com uma forte presença na rua. Se a sombra do fundador deste partido, o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, que ainda é o presidente honorário do partido, ainda traz notoriedade, o facto de ter ideias claras sobre o Tratado de Lisboa, entre outras questões europeias, talvez tenha dado os seus frutos. O MMS surge depois.
Claro que estes resultados não sendo em si mesmos maus para um partido estreante, ficaram muito longe das expectativas que a campanha criou. Deixa também um problema nas mãos da Comissão Política Nacional, que deverá, não enterrar a cabeça na areia, mas analisar o que correu menos bem. Para mim a maior evidência é a falta de uma estrutura nacional mais disseminada do partido, que continua ainda muito concentrado na figura do presidente, o Prof. Dr. Eduardo Correia. Parece-me evidente que a estrutura das distritais deve ser implementada enquanto estrutura organizacional, com uma Comissão Política Distrital, naqueles onde existem militantes para tal. O exemplo de Lisboa é gritante, onde a Distrital não existe, confunde-se com a estrutura nacional. Um erro, mas natural num partido estreante de gente estreante, do qual faço, orgulhosamente, parte.

Uma outra reflexão (4)

domingo, 7 de junho de 2009

Eleições (15)

Resultados praticamente finais. Com 4250 de 4260 freguesias apuradas, o MMS obteve um total de 21493 votos.
Resultados distritais:
Viana do Castelo - 252 votos, 0,3%, 11º lugar
Vila Real - 206 votos, 0,27%, 11º lugar
Braga - 1369 votos, 0,43%, 8º lugar
Bragança - 175 votos, 0,35%, 10º lugar
Porto - 2968 votos, 0,47%, 8º lugar
Aveiro - 3160 votos, 1,32%, 7º lugar
Viseu - 487 votos, 0,38%, 9º lugar
Guarda - 276 votos, 0,44%, 9º lugar
Castelo Branco - 733 votos, 0,99%, 8º lugar
Coimbra - 724 votos, 0,5%, 9º lugar
Leiria - 841 votos, 0,55%, 10º lugar
Santarém - 902 votos, 0,58%, 9º lugar
Portalegre - 188 votos, 0,47%, 9º lugar
Lisboa - 6208 votos, 0,82%, 8º lugar
Setúbal - 1587 votos, 0,59%, 9º lugar
Évora - 236 votos, 0,41%, 9º lugar
Beja - 182 votos, 0,35%, 11º lugar
Faro - 733 votos, 0,63%, 10º lugar
Açores - 111 votos, 0,23%, 11º lugar
Madeira - 299 votos, 0,29%, 12º lugar
Estrangeiro - 7 votos, 0,33%, 11º lugar

Termina por aqui esta cobertura d' A textura do Texto, desta noite eleitoral, de onde não saio obviamente feliz, porque o resultado foi, quanto a mim, muito à quem daquilo que era a minha expectativa, dada a campanha realizada. Amanhã voltarei com uma análise mais fria dos resultados.

Eleições (14)

MMS: Lisboa já é o melhor resultado distrital, com mais de 5 mil votos.

Eleições (13)

MMS: 4097 freguesias apuradas, 19417 votos.

Eleições (12)

Por distrito o melhor resultado do MMS até agora foi em Aveiro.

Eleições (11)

O MMS está a ter uma média de 3,82 votos por cada freguesia, quanto a mim manifestamente pouco.

Eleições (10)

Movimento Mérito e Sociedade: 3653 freguesias apuradas, 13958 votos.