domingo, 17 de janeiro de 2010

Diálogo


- Dizes também que não sabes viver sem que os sons te invadam a sonolenta mente? Porque dizes isso? Onde podes encontrar um silêncio que te responde a todas as dúvidas que precisa de burburinho que te leve o pensamento. São sons, mas são também vento e cores e coisas que se dispersam na mente sem que nada faça sentido. Não consegues ir de fio a pavio. Não consegues assim. Não insistas. Esse não é o caminho.

- Qual é o caminho então?

- O caminho é aquele que te leva do silêncio ao céu, que te arranca da estrada larga e te leva por lugar estreito, onde espreitas água que parece parada e de repente salta, salta para a vida. Esse caminho desagua, tal corrente, numa estreita porta, pequenina e humilde, onde muitos passaram, um dia desejo eu passar e contigo passar também.

- Não quero ir por aí, escolho um outro momento e instante. Desejo um arranque diferente, uma experiência mais real. Quero ver e sentir, agora, hoje, no momento, não sou de aforrear, sou de esbanjar e quero esbanjar vida, muita vida, quero por isso dar-me, ser, enlouquecer e depois esquecer, para me lembrar do bom, assumir outra escada, outro degrau.

- Não erres. Não prossigas. Esse caminho é bom, delicioso, mas é também falso, efémero, superfulo, leva à morte e quebra a vida. Não é dom essa vida, é privilégio dado, é apenas graça esse tempo, por isso é teu sem o ser, é para ti mas para dares, ao dares irás ganhar, receber mais, o que desejarás por fim dar, compartilhar e assim multiplicas vida, não a gastas.

- Pois essa é a tua visão do pequeno mundo em que mergulhas, sentes que estás perdido mas sabes sempre onde é o norte e o porto é seguro. Mas eu quero a tempestade, andar ao vento, sentir as rajadas, levar bofetadas. chorar hoje e rir amanhã, embriagar-me no ser de outrem, encontrar-me na vida de alguém que aos poucos a minha leva, estancando depois a ferida. Sim quero ser hoje alguém, e amanhã outro ser, quero encontrar caminhos, pois não suporto a ideia de um só ser.

- Nada mais te posso dizer a não ser alerta, estende-te ao comprido e deita-te na cama que fazes, mas acorda antes que o final suspiro exales, para que, nem que seja tangentemente, ao caminho voltes, o passo dês e a porta atravesses, pois a linda música de hoje, pode ser o horrível ruído amanhã. Não te deixes levar pelo turpor, nem oiças demais aquilo que te parece ser a tua razão, pois entre o céu e a terra tantas coisas há, que os olhos não vêm e a mente não alcança, mas há um, um só que esquadrinha, que conhece, que vê todas essas coisas. Alerta mente, não te deixes enganar, não sabes tudo.

O regresso do poeta Alegre


Ninguém ficou já surpreendido com o anúncio da disponibilidade de Manuel Alegre em ser candidato à Presidência da República. Ninguém se surpreende, até porque a não candidatura a deputado nas listas do PS cheirava mesmo a candidatura, ainda mais quando era conhecido o desejo deste de, sendo candidato o ser, não apenas com o apoio do PS, mas sim com um apoio mais alargado da esquerda - e aqui entenda-se do Bloco, porque o PCP nunca abdicará de apresentar um candidato próprio.

O poeta Alegre, como gosto de lhe chamar, tem de si mesmo uma visão de novo grande aglutinador e salvador da esquerda, até porque não reconhece em Sócrates um homem de esquerda, apenas o tolerou, na expectativa de assim ganhar a simpatia e o apoio do seu velho partido, ansiando que as hostes mais "esquerdistas" dentro do PS se sintam mais dinamizadas para lutas internas, até, quanto mais não seja num período pós Sócrates.

No entanto o poeta Alegre insiste em cair no ridículo. Sim a palavra é forte mas é certamente a mais correcta. Como se pode qualificar a expressão de Alegre ao acusar Cavaco de querer governar a partir de Belém e de as forças conservadoras e de direita se congregarem à volta do Presidente, tentando alcançar o controlo do país que não conseguiram via eleitoral?? Eu classifico estas palavras como ridículas sobretudo vindas de um indivíduo que é de um partido que tem como histórico um homem que fez isso mesmo - aglutinou as forças da esquerda numa oposição a partir de Belém enquanto o PS se organizava, liderando ele toda a contestação aberta ao governo e ao partido que o apoiava - e esse foi Mário Soares, o antigo concorrente com Alegre nas anteriores presidenciais. Se há memória no Portugal democrático de um exercício desses ele partiu da esquerda e do seu partido, como poderá criticar desta forma o PSD. Mais ridículo foi quando afirmou ser perigoso para o país que um governo e um Presidente sejam da mesma família política. Aqui também seria de recordar que essa seria sempre mais uma razão para não votar no poeta Alegre, afinal é o PS que está e se tudo correr normalmente, quando for a eleição presidencial ainda estará. E mais uma vez a única experiência que este país já viveu de Presidente e Governo da mesma cor foi na sua área política - Guterres e Sampaio - com os belos resultados que isso trouxe para o país.

O poeta Alegre entrou portanto com o pé esquerdo, mas até pode ser bom por ser o seu "lado" de eleição. Mas que é melhor poeta que político...

Sim porque este senhor, desde o 25 de Abril pelo menos, nunca fez mais nada na vida a não ser poesia e política, pelo que o seu contacto com a realidade deve ser assombroso.

Desça do mundo da fantasia poeta...

Mais 5 do Benfica

Marítimo 0 - Benfica 5

À meia dúzia era mais barato, mas ficou assim!!

Cristianismo e Política


Deparei-me hoje com o seguinte texto aqui no facebook: "Quando Pilatos perguntou se Jesus é rei, ele respondeu: 'A minha realeza não é deste mundo (kosmos) se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá" (Jo 18:36). «Muitos gostariam de integrar o reino de Jesus neste mundo político.»....«É que Jesus não veio trazer ao mundo qualquer forma de política.»".Não pude comentar no local por essa pessoa não ser um dos meus amigos do face. Mas como não consigo ficar sem comentar esta manipulação descarada do texto bíblico, ou pelo menos a que está implícita decidi escrever este texto.

No texto em que Jesus afirma não ser deste mundo, ele reafirma não só a essência espiritual do seu reinado, como desmistifica mais uma vez a expectativa judaica de que o Messias seria um grande líder político/militar que iria enaltecer o povo judaico. Foi aliás essa uma das dificuldades essenciais que os judeus tiveram para reconhecer em Jesus o Messias vindouro e prometido pelos profetas das escrituras. Agora daqui concluir que Jesus está a excluir o seu reino deste mundo político é um profundo e grande abuso, é uma distorcer violentamente o sentido das palavras. Pior ainda, mais perigoso até, é dizer que Jesus não veio trazer ao mundo qualquer forma de política. Esta é uma frase assassina e até radicalmente perigosa, pois demonstra não só uma visão (e até equívoco e portanto ignorância) sobre o que é política, como exala essa ignorância radicalizada para outros. Qualquer pessoa entende que se Jesus não foi um ideólogo político, certamente que todos os valores por si defendidos e ensinados são valores de uma profundidade e impacto político imenso. Além disso não nos podemos esquecer que os próprios judeus sempre estiveram organizados num Estado, um país, com política, sendo esses políticos dos maiores personagens bíblicos. Olhemos mesmo para Moisés: alguém poderá dizer, ao ler o relato bíblico, que Moisés não foi um líder do povo, não só no sentido espiritual, e portanto um político, e, que este é um tipo de Cristo no Antigo Testamento?? É verdade que Jesus nunca foi nem teve intenções de ser um político, mas alguém que ensina a solidariedade, a compreensão, o valor da família mas também o valor da pessoa humana, que fala de justiça e de verdade, que desmascara a mentira, que se corrói contra a corrupção, não transmitiu profundos valores políticos?! Claro que sim.
Concordo e sou o primeiro defensor da laicidade do estado, até porque foi aí que se perdeu o cristianismo primitivo, quando da institucionalização pelo império romano da religião cristã, obrigando o povo a ter de participar da nova religião, a essência da vida cristã, a "conversão pelo arrependimento" deixou de existir. Sim Igreja e Estado devem estar separados, mas os valores que o verdadeiro cristianismo inculcam nos crentes são valores de profunda relevância política, que não podemos nem devemos ignorar, e creio mesmo, que fazem dos crentes os melhores políticos. Assim, os ensinos de Jesus têm lugar na política, aliás creio mesmo que têm um papel essencial, pois não sendo o homem a solução para o homem, mas Deus, quem mais pode ter a solução para o mundo senão aqueles que têm Deus vivente em si??

sábado, 16 de janeiro de 2010

Um bom fim de semana para todos



Sem mais palavras. Quem quiser saber ou conhecer mais deixe contacto nos comentários (estes não serão tornados públicos).

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"Lisboa pode-se transformar por exemplo na praia de Madrid"



O ex-Ministro das Obras Públicas Mário Lino, sim o célebre por frases inteligentes e emblemáticas do anterior governo - tais como "Aeroporto na margem sul jamais, jamais..." ou "a margem sul é um deserto" - encontrou um substituto à altura.
Dúvidas houvesse, o novo ministro António Mendonça, aludindo às vantagens do TGV no sector do turismo, disse a seguinte e inteligente frase:


Lisboa pode-se transformar por exemplo na praia de Madrid


E mais palavras são escusadas, vamos gastar uns milhões avultdos de Euros para garantir "praia" aos madrilenos?!

Crise


O Subsídio de Desemprego vai acabar


Esta não é uma frase catastrofista, nem tão pouco uma notícia de hoje, é aquilo que acredito ser uma notícia do futuro, algo que, permanecendo no actual rumo da governação, será uma inevitabilidade. Não será por falta de vontade dos governos ou dos políticos em geral, esta realidade acontecerá pura e simplesmente porque, permanecendo neste rumo, o dinheiro vai acabar.

Ainda ontem foi interessante ver o líder parlamentar do PCP Bernardino Soares defender o alargamento dos critérios e do prazo de atribuição do Subsídio de Desemprego, afirmações que me suscitam sempre uma interrogação: "Mas esta gente pensa que o dinheiro nasce nas árvores".

Meus amigos leitores, é impossível que o dinheiro dê para tudo, sobretudo numa situação crítica como a actual. E quando falo de situação crítica não me refiro apenas à crise em si, falo também do rumo que este sistema económico/social, nos está a levar: à falência.

Não duvidemos que cenários como o ocorrido na Grécia estão muito próximos de acontecer em Portugal.

Senão vejamos: estamos com um brutal endividamento, que segundo um recente estudo do BPI atingirá em poucos meses os 120% do PIB - ou seja tudo o que produzimos num ano e mais vinte por cento, está comprometido para pagamento de dívida; ou seja por ano sobra 20% o que significa que ao quinto ano temos num ano dois de dívida para pagar, sem contar com os juros sempre a cair - a isto junta-se a iminência de uma quebra no rating da República, o que levará a que nos emprestem dinheiro mais caro, logo a um disparar da inflação e com ela maiores dificuldades na sobrevivência do dia a dia; a isto devemos somar uma quebra dos impostos, por via do brutal arrefecimento da actividade económica, o que levará também a uma redução da receita da segurança social, numa altura em que os encargos desta aumanetam cada vez mais; a tudo isto ainda somamos um défice das contas do Estado de mais de 8%, levando a que estas estejam descontroladas, sendo exigível por isso uma contração das despesas do Estado. Com tudo isto se pensarmos que estes 120% de dívida externa e estes 8% de défice ainda não estão contabilizados com a despesa vindoura da construção do TGV, do novo aeroporto, das novas auto-estradas e da nova ponte sobre o Tejo, facilmente podemos perceber os níveis para onde esses índices vão disparar, o que vai levar, muito rapidamente à falência, ou muito perto disso, e teremos de nos encarar com uma realidade onde não haverá dinheiro para muitas coisas, de entre elas a protecção social será certamente uma das vítimas.

Realismo é o que falta à nossa classe dirigente. Aparentemente o PSD parece querer ser um fiel da balança e colocar-se diante do governo para negociar um compromisso de médio prazo para o controlo das contas públicas, mas duvido que consiga. Até porque as obssessões de Sócrates por vezes são incontroláveis.

A realidade mais uma vez é que o PS nos mentiu, José Sócrates é um mentiroso, tal como afirmou, talvez não tão taxativamente, João Salgueiro, mas esconderam-nos a verdade das contas, anunciaram as grandes obras como o remédio para todos os males, mas realmente apenas mentiram - afinal Manuela Ferreira Leite tinha razão, mas o PS ganhou: os protugueses continuam infelizmente a preferir confiar em quem mente com um sorriso, do que quem é sério e carrancudo.

Mas calma, o PSD não é nenhum santo de altar - como aliás ninguém, de hoje e de ontem, é - até porque, tendo um gastador e esbanjador como Alberto João Jardim à solta no partido, não têm grande moral.

Para mim a solução passa por uma profunda mudança de mentalidades e de classe política: pelo menos que quando nos mentem o saibamos reconhecer e corramos com essa gente.

Que palavras se podem dizer


Só me espanto mais uma vez pelo espanto que ainda há pela destruição imensa de uma força da natureza, bruta e indomável.
Não sei que mais dizer, não sei que mais pensar, já que de fazer pouco posso, por ser só um. Claro que as correntes, uniões, contribuições, tal gotas, unidas são um oceano, que no lago seco, ressequido, que hoje é o Haiti, toda a falta fazem.
Mas e o ontem, onde a miséria já era a vida, apenas hoje destapada por destroços que levaram os restos de vida que por ali deambulavam.
"Abaixo do limiar da pobreza" é mais uma expressão técnica de economia que já só faz ricochete na nossa endurecida mente, não provoca arrepio nem reacção.
Só queremos milhões, para pontes, estradas e TGV, mas o limiar da pobreza continua uma expressão, seja de um povo longe ou de um mal cheiroso perto - é apenas uma expressão.
Que palavras se podem dizer.
As palavras não dizem aquilo que as imagens mostram, mas ainda aí limpamos os olhos, pelo reflexo do desvio, pelo afastamento mental, que leva à lonjura da mente, à falência do coração.
Deveras há gente a sofrer, longe no Haiti, perto na casa do lado, mas a distância é a mesma, é aquela que colocamos no centro de nós. Sim somos muito capazes desse feito tremendo de viajar pelo mundo sem sair do mesmo lugar, tão pouco haja egoístico refúgio da realidade feia que os olhos querem mostrar, os ouvidos sentir, mas a mente, o coração, o eu, afastar.
Não há perfeição em mim, não a há em ninguém, mas podia haver uma centelha, uma pequena fagulha ainda. Mas não, sou só eu, também aqui pela escrita, em divagações loucas a fazer a mesma longínqua viagem de quem nos outros vê argueiro, com trave no seu olhar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Google assume defesa da liberdade





É impressionante como democracias ocidentais, como os Estados Unidos e a União Europeia se têm vergado ao poder do dinheiro, aceitando ditaduras como chinesa como parceiros naturais de negócios. Sim, os mesmos países que no Afeganistão e Iraque lançam bombas e guerras pela democracia e pela liberdade, apertam a mão aos chineses, fechando negócios, em nome do todo-poderoso dólar, o que envergonha todo o cidadão amante da liberdade.

Também em Portugal temos a nossa carga de vergonha a carregar: Angola, uma ditadura que explora um povo, espoliando-o dos recursos naturais, onde a família do Presidente e os que à sua volta circulam enriquecem cada vez mais à custa do país e o povo morre na ignorância e na miséria. Onde existem milhões para comprar a Zon, mas não existe dinheiro para construir um hospital digno desse nome. Mais uma vez nos calamos em nome do precioso dinheiro que dali escorre através dos negócios.

Vergonha atrás de vergonha, ainda temos aquela, que sendo conhecida de muitos, foi corajosamente denunciada por Manuel Monteiro na última campanha eleitoral para as legislativas: em nome do dinheiro recebemos milhares de emigrantes chineses, que fazem negócio com as suas lojinhas, pois escapam-se aos impstos, usando isenções, que findo o prazo das mesmas, renovam pela simples troca de nome do proprietário.

Aqui um aparte: fala-se muito de presidenciais - se posso recomendar um candidato, creio que o Dr. Manuel Monteiro daria um excelente Presidente da República.

Enfim o dinheiro tem vergado a democracia, sendo que esse valor tem-se sobreposto à liberdade, à igualdade, aos direitos humanos, etc., o que me leva a duvidar, também por isto, desta classe vergonhosa e interesseira de políticos sem vergonha.

Para maior vergonha ainda teve de ser uma empresa - esta sim que vive e existe para ter lucros - a dizer que o dinheiro não é tudo, que a sua integridade enquanto empresa e a defesa da privacidade dos utilizadores dos seus emails se sobrepunha aos 600 milhões de Euros de lucros que podem retirar deste mercado. Assumem que censuraram pesquisas por imposição do governo chinês, mas dizem que não o farão mais, pois este, sem o dizer deixou implícito, tentou assaltar a caixas de email de quem era activista anti-governamental. Do lado da China nada de novo, o que mudou foi que, de Tianamen, onde os chineses foram criticados e ostracizados, pelo poder do dinheiro agora são louvados, mudou foi a perspectiva com que o resto do mundo olha a China: passou de ditadura comunista, a economia comunista, de país fechado a mercado interessante. Que vergonha. Afinal a democracia e a liberdade estão à venda.

Quando alguém diz que tudo e todos temos um preço provavelmente não está a exagerar.

Sismo no Haiti


Cerca de três milhões de pessoas terão sido afectados pelo violento sismo que abalou ontem o pobre país que é o Haiti.

Perante a nossa pequenez, a textura do Texto, mais do que comentar, apenas pode solidarizar-se com o pesar pela perca de vidas humanas e declarar que os nossos pensamentos e orações estão com as famílias das vítimas mortais, bem como com aqueles que ainda sofrem as consequências de mais esta catástrofe natural.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Governo vai corrigir erros e lacunas da reforma penal de há dois anos


Este é o título de uma notícia do Público, perante a qual dá vontade de dizer "o que é que eu tinha dito". Todos os agentes da justiça, partidos da oposição, advogados, etc., logo aquando da entrada em vigor destes códigos agora alterados avisaram dos perigos do mesmo, quer pelos seus erros, quer pela forma apressada e precipitada como entrou em vigor.
Mas bem à maneira do teimoso Sócrates, ainda por cima desta vez com o beneplácito do PSD, motivado por uma brutal sede de vingança contra a Justiça, que atacou, na sua egocêntrica óptica, o PS, ao indiciar vários dirigentes socialistas no Caso Casa Pia. Sim bem me lembro da raiva debitada por Ferro Rodrigues e da promessa de Sócrates, nessa altura, dizendo que quando o PS fosse governo isto ia acabar. Acabou de facto.
As dificuldades de investigação e a penalidade foram alteradas, não só a favor de suspeitos de pedofilia (que afinal era disso que os dirigentes do PS eram acusados, mas como para Sócrates e sua pandilha o PS e amigos são mais importantes dos que as nossas crianças...), mas de todo o tipo de criminosos, criando o tão falado sentimento de impunidade nos criminosos.
O facto, é que coincidentemente com o vigor destes códigos os crimes mais violentos aumentaram, tanto que o próprio governo, numa lógica do troço mas não quebro, que é perigosa e vergonhosa em governantes, sentiu necessidade de contrariar, mas em vez de o fazer pela alteração dos códigos o fez por via da lei das armas.
É espantoso como é que perante tantas demonstrações de incompetência, teimosia, pouco interesse pelo povo, os portugueses reelegeram o PS, dão importância ao PSD, levam ao colo CDS e BE e ainda suportam o moribundo PCP-PEV.
Será que não chega já? Não estará na hora de uma verdadeira mudança?

domingo, 10 de janeiro de 2010

O tacho


Frase domingueira II


"Um dos pilares da democracia e da governabilidade que é o poder executivo está decrépito, em declínio e em degenerescência acelerada"


O país "vive também uma grave crise do poder judicial, outro pilar da democracia".


Paulo Rangel durante um almoço de ano novo organizado pela Concelhia de Braga do PSD - 10-01-2010

Iniciativas


Iniciativa do dia: Governo (Omni)Presente - um achado.

Frase domingueira acertadíssima



"Ao comprometer-se com a política económica do Governo, o PSD compromete-se também com a comprovada falência dela. Um suicídio exemplar".


João Pereira Coutinho, "Correio da Manhã", 10-01-2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Assembleia da República encontra a solução para a corrupção em Portugal: mais uma Comissão Parlamentar







Tomou hoje posse uma nova Comissão Parlamentar: a Comissão Parlamentar Eventual Contra a Corrupção. Não sendo pessimista, até porque esta comissão tem na sua constituição dois dos melhores deputados dos maiores partidos do parlamento - Vera Jardim e Pacheco Pereira - a verdade é que em Portugal estes problemas resolvem-se sempre da mesma maneira: com comissões. Claro está que desta comissão vai surgir uma comissão para estudar a aplicabilidade das propostas desta comissão, que será seguida, essa outra comissão, por uma terceira comissão que irá avaliar o impacto da aplicação das novas medidas legislativas e assim por diante.
Claro que para se juntar a esta salada que não resolverá em si o problema urgente e escandaloso da corrupção, está a batalha entre o PS e a oposição quanto à questão do enriquecimento ilícito, tendo como pano de fundo uma discordância quanto a um falso problema de inversão de ónus da prova na criminalização do enriquecimento ilícito. Já o escrevi noutras ocasiões e torno a deixar aqui que me parece muito fácil contornar tal questão. O difícil de entender é de que raio tem o Partido Socialista medo para não querer a criminalização daquilo que por si só já é criminoso.
Mas enfim temos uma nova comissão para estudar a corrupção, que de estudos já está cansada pobresinha, sendo urgente sim é que lhe tratem da saúde.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Lei estúpida - Código Penal, artigo 152º-A, número 1


Este Código Penal, com esta alteração que vou mencionar, foi aprovada já em 2007, mas apenas há pouco tempo fiquei de facto alerta para esta realidade: a de poder ser preso por dar uma palmada a um filho meu.

Sim de facto eu sou um desses seres humanos cruéis e brutais que defende o direito de poder dar uma palmada num filho quando este se porta mal, e nenhuma outra forma de o acalmar ou corrigir resulta. É lindo ver nos centros comerciais e nas ruas as crianças a arrstarem-se no chão em birras intermináveis, apenas porque os intolerantes dos pais insistem em não satisfazer todos os desejos dos petizes, nem tão pouco podem usar um cruel e desproporcionado castigo corporal para acalmar e corrigir a sua criancinha.

Os legisladores, pensadores e estudiosos modernos estão a criar um mundo de gente mimada que não sabe ouvir um não, contribuindo para um mundo mais frio e distante, onde as relações humanas se tornarão cada vez mais difíceis, pois com este tipo de educação que nos querem fazer dar aos nossos filhos, eles tornar-se-ão egoístas, egocêntricos, totalmente incapazes de entender o outro e que os outros também são pessoas com desejos e vontades, pelo que não podemos, por não consegurimos, ter tudo o que desejamos - o que também contribui para o ecludir de uma geração frustrada e depressiva, enfim doente.

O inimaginável texto da lei diz o seguinte: "1-Quem, tendo ao seu cuidado, à sua guarda, sob a responsabilidade da sua direcção ou educação ou a trabalhar ao seu serviço, pessoa menor ou particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou gravidez, e: a) lhe infligir, de modo reiterado ou não, maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais, ou a tratar cruelmente; (...) é punido com pena de prisão de um a cinco anos, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal."

Leia bem, se der uma palmada a um filho, ou se o colocar de castigo no quarto, privando-o de liberdade, pode ser punido com pena de prisão até cinco anos.

Nunca me tinha apercebido bem do alcance disto até há poucos dias. Numa certa tarde fui buscar o meu filho de quatro anos ao Colégio onde passa as horas diurnas. Quando me viu a mim e à mãe deu em desobedecer a tudo o que são as regras habituais do colégio. Começou a correr pela sala, e meter-se dentro dos armários onde se guardam as mochilas e os casacos, a bater com as portas, etc. Chamei-lhe a atenção, até levantei um pouco a voz, não muito dado o local. Agarrei-o e avisei-o para parar com aquilo se não iria sofrer um castigo. Ainda assim, conforme o larguei voltou ao mesmo comportamento, tendo mesmo ido contra a irmã, a minha filhota de dois anos, atirando-a violentamente contra os móveis e para o chão. Perante isto detive-o de novo mas desta vez dei-lhe uma palmada no rabo que o deteve de imediato. Perante isto ele parou, acalmou, apliquei-lhe o castigo, segundos depois estava agarrado a mim e pediu desculpa. Portou-se mal e só acalmou com uma palmada no rabo. Perante isto a auxiliar imediatamente alertou-me que não podia bater no menino, até porque no colégio havia CCTV e aquilo era uma violação à lei, eu não podia bater no meu filho mal comportado.

Que venha o psicólogo ou psiquiatra mais pintado dizer-me que errei, que lhe contraponho com factos como este: além disso os meus filhos distinguem bem quando a mão vai mimar de quando vai castigar - não façam das crianças animaizinhos estúpidos que elas não são.

Soube de uma história, não em Portugal, onde um homem esteve dois anos preso por dar uma palmada a um filho. Anos mais tarde, quando o filho era adolescente, este envolveu-se num assalto a um banco. A polícia foi pedir responsabilidades aos pais. O Pai, perante o sucedido declarou apenas que quando corrigiu o filho o penalizaram, não deixaram, agora não tinham o direito de lhe exigir responsabilidades. Tinha toda a razão.

Não sou nenhuma besta, mas em certas alturas uma palmada, ou até um castigo de algum tempo no quarto, podem fazer muito pela boa educação dos nossos filhos.

Esta lei ridícula chega a comparar as palmadas a ofensas sexuais e tratamentos cruéis, naquilo que me parece mais do que exagero, parece sim pura e profunda estupidez. Perdoem-me a crueza das palavras.

Ramalho Eanes: eis o exemplo de um homem decente

A crónica que abaixo publico, da autoria de Fernando Dacosta, já tem mais de um ano (é de Outubro de 2008), mas apenas agora chegou ao meu conhecimento, por email enviado pelo meu amigo e colega de partido, e portanto de ideias, Victor Magro, de Castelo Branco.
A crónica fala por si, mas a este exemplo de honestidade e verticalidade, podemos sem dúvida, contrapor a imoralidade e corrupção que graçam por aí. Sem querer insinuar mais do que as minhas palavras deixam transparecer, esta crónica, com a atitude de Ramalho Eanes nela revelada, demonstra bem porque razão homens políticos como Mário Soares, entre outros, não se deram bem com este Homem durante o exercício comum de funções políticas.

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.
O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.
Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.
O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.
Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.
Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.
As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.
Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!»
O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta,
de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.
“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das
utopias de outrora”.
Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros.
“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”.
O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.
Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Economia portuguesa 2009-2010

Após todas as keynesianas políticas do PS, da vitória eleitoral dos mesmos, apesar de perderem a maioria absoluta, após os ajustes directos a favor dos amigos, após os "apoios" à economia, os subsídios ao descanso, após as escutas a Belém, os casos de corrupção e as birras do Sócrates, após o discurso de Natal do Primeiro-Ministro e do de Ano Novo do Presidente da República, ninguém, mas ninguém mesmo captou tão bem a essência do estado da nossa economia como o cartoonista Rodrigo do Expresso.
Parabéns.