quinta-feira, 9 de julho de 2009

Governo vai limitar subida dos ‘spreads’ pela banca


Este é o título desta notícia do Diário Económico.
Por princípio não concordo com ingerências do Estado na economia, mas também por princípio demonstrado inquestionavelmente por esta crise os mercados não se regulam eficazmente por si só, pelo que por vezes é importantíssimo que o Estado se imponha, não num papel interventor, mas sim regulador. E creio sinceramente que esta matéria da limitação dos "spreads" é uma matéria de regulação, sendo crucial que, não inibindo a concorrência, se estabeleçam limites máximos para os "spreads".
Acho porém que a medida peca por limitada. Além desta medida, no mercado do crédito à habitação, e neste contexto particular de crise, impunham-se medidas extraordinárias. Medidas como uma revisão do cálculo das prestações de quem usufrui (ainda) de crédito bonificado, para que as prestações destes empréstimos não sejam agravadas, bem como voltar a atribuir crédito bonificado aos jovens, na compra de habitação. Ambas as medidas são medidas de apoio ao mercado, especificamente dirigidas a um sector crucial na nossa economia, a construção, sendo também uma forma de apoio às pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que estimula o consumo privado, que tanto necessita de ser reanimado. Claro que tais medidas não agradam a quem prefere anúncios de milhões, em programas onde depois são gastos tostões, dada a ineficácia dos mesmos, bem como a dificuldade de acesso que têm.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O exercício da política


Depois de ter olhado com tanta negritude para a política e para os políticos, há uma questão que parece gritantemente impor-se: afinal porquê fazer política, porquê estar na política, porquê querer ser "político"?
De toda a reflexão pessoal que fiz impõe-se apenas uma resumida conclusão: é apenas por uma questão de consciência.
Como? O que quero dizer com isso?
O meu interesse pela política já vem da minha adolescência, sem que disso tenha tirado qualquer consequência. Porém mais tarde, aos 19 anos de idade, tornei-me cristão evangélico. Do exercício da minha fé cristã, uma consciência social foi crescendo, quer em mim, quer no meu grupo de amigos. Dessa consciência social iniciei um período da minha vida em que dedicava todos os meus tempos livres às causas sociais, ligado sempre à igreja a que pertenci. O trabalho social foi crescendo, principalmente no apoio a toxicodependentes e suas famílias. Mas a envolvência com estas problemáticas sociais ainda nos fazia encarar e ver mais e mais necessidades, crescendo sempre dentro de mim e dentro de cada um desse grupo a que pertencia, a vontade e a urgência de intervir nessas outras problemáticas. Até que, desse crescimento, formámos uma instituição particular de solidariedade social, da qual fui eleito secretário da direcção. Iniciámos uma batalha, conseguimos alguns apoios, mas na hora h, outros que nos acompanhavam, não conseguiram encarar a urgência das necessidades e travaram o rápido avanço da obra, levando a uma dispersão desse grupo mais empenhado, chegando mesmo a desfazer-se mais tarde todo o trabalho até aí desenvolvido. No entanto a consciência ficou.
Ficou a consciência do próximo, das suas necessidades, das dificuldades encontradas em ajudar outros, na forma como o Estado engole tudo e não deixa nada, da forma como nós somos difíceis de mobilizar para uma causa, da dificuldade que existe na mudança de mentalidades. Ficou essa consciência.
Esta evoluiu, amadureceu e daqui surgiu a necessidade de me realizar pessoalmente na ajuda ao outro, ao próximo, ao cidadão. Como voltar para o trabalho social era algo que estava fora de questão, por motivos pessoais, a política, com o gosto pessoal que já tinha por esta, surgiu como a saída óbvia.
E é assim e só assim que entendo o exercício da política, como o serviço prestado à comunidade, seja local, regional ou nacional, procurando buscar sempre, não o proveito próprio ou do partido, mas sim o proveito do próximo, da melhoria da qualidade de vida de todos.
Bem sei que não é assim que a maioria dos políticos vê a política, mas apenas respondo por mim. E acredito que no meu partido a maior parte das pessoas estão nesse espírito, concerteza que com motivações, com histórias pessoais diferentes. Até porque quem procura projecção pessoal, viver e servir-se da política não se filia num pequeno e recém-criado partido, alia-se aos grandes e tradicionais que mais depressa garantirão o respectivo lugar desejado.

O BdP, o BPN, o PSD e o PS


Se durante muito tempo o BPN foi conotado como sendo o "banco do PSD", onde gradas figuras investiram ou estiveram mesmo nos quadros do banco, durante a comissão parlamentar este parecia sim ser o "banco do PS". Acontece que o branqueamento produzido na comissão parlamentar, via relatório final, incomodou até o último Presidente do banco antes da nacionalização: Miguel Cadilhe - que, numa entrevista ao Diário Económico, afirma ter "morrido na praia" a comissão parlamentar de inquérito. A verdade é que o PS pouco importado estava com o banco ou com o PSD, demonstrou até estar pouco preocupado com o interesse nacional. A grande preocupação do PS nesta comissão de inquérito foi proteger um dos seus, foi esconder a incompetência de um dos seus, a incompetência de Vítor Constâncio.
O ministro Teixeira dos Santos acusou a oposição de apenas procurar caçar VC, mas a verdade é que, independentemente das conjecturas político-partidárias da questão, houve falhas graves de supervisão que deveriam ser corrigidas, quer pela via legal, quer pelo reforço de meios do BdP. Mas nada disso foi olhado de frente. O reconhecimento tímido de alguns erros, não levou, nem levará, ao reconhecimento dos defeitos mais profundos do sistema de supervisão. De quem é a culpa? Claramente do PS, que na sua ânsia de proteger a bem paga cabeça de Constâncio, procurando não dar razão à oposição, pouco ou nada cogitou acerca do interesse nacional. Este gritava a plenos pulmões uma necessidade imediata de uma profunda mudança do sistema de supervisão, o que se impõe.
Desta forma, com estas conclusões, completamente manchadas da lama do interesse partidário, tudo fica na mesma, abrindo-se portas para que outros BPN's surjam no futuro do sistema financeiro nacional.

BE: Louçã e Chora


Ainda que para alguns isto seja estranho efectivamente de estranho nada tem. Acontece que o ilustre António Chora tem uma agenda pessoal muito própria, que não se coaduna, nem tão pouco tem em conta, quer os interesses dos trabalhadores, quer, pelos vistos, os interesses do BE. Mas eu não sei se estas declarações elogiosas de Chora a Manuel Pinho não são um qualquer namoro deste ao PS, porque consta, segundo fontes ligadas ao processo, que António Chora foi afastado das listas do BE para as próximas legislativas, devido às medidas manifestamente lesivas do interesse dos trabalhadores da AE que tem defendido. É que no interior da CT e da própria fábrica há mais pessoas com interesses e influência dentro do BE que têm sido frontalmente contra o caminho e as opções de António Chora. Aliás o clima de intimidação e de falta de liberdade de expressão dentro da empresa está atingir um nível preocupante, que apenas por poder piorar a situação não desmonto aqui mais, sem que o ilustre Chora diga uma palavra acerca do assunto.

terça-feira, 7 de julho de 2009

A (in)dignidade dos políticos


Gosto de pensar em mim como uma pessoa interessada em política, aliás desde que me tornei militante do MMS, comecei mesmo a desenvolver actividade política com alguma intensidade, pelo que por vezes penso mesmo que sou um político. Em pequeníssima escala, a um nível muito inferior, mas político. Porém quando penso nisso sinto-me como se me estivesse a chamar a mim mesmo um palavrão feio, algo muito pouco próprio de se chamar a alguém. Ser político hoje em dia não é sinal de prestígio, de despego pessoal em prol da causa pública, é sim tomado com desconfiança, a pessoa é vista com estranheza, como estando à procura de um tacho e imediatamente se torna mal vista. Na verdade a política tornou-se numa actividade de gente pouco séria, ou pelo menos de gente que tem fama de ser pouco séria. Mas os políticos não podem culpar mais ninguém senão a eles próprios.
Recentemente durante o debate parlamentar mais importante do ano, aquele que serviria supostamente para analisar o país após mais um ano de exercício governativo, o debate do Estado da Nação, este ficou marcado pelo gesto inqualificável de um inqualificável ministro, que nesse mesmo dia foi demitido, ou, na versão oficial, demitiu-se. Acontece que a atitude do ministro foi o reflexo de todo um debate. Este debate foi tenso, encharcado de acusações viscosas e pouco construtivas, sobretudo de índole pessoal. É verdade que me irrita um pouco aqueles debates com lencinho branco e pó de talco, em que não se chama uma mentira a uma mentira, esta torna-se eufemisticamente numa inverdade, nem tão pouco suporto debates de ideias em que toda a gente educadamente desmente o outro para depois dizer exactamente o mesmo mas por outras palavras. Estes eram os debates que dominavam a política portuguesa até há alguns anos atrás. Eu gosto de debates garridos e aguerridos, onde se chamam os bois pelos nomes, mas gosto de debates onde se discutam assuntos, onde uma mentira é uma mentira, mas não um onde, sem grande base factual, os deputados se limitam a chamar mentirosos uns aos outros, carregadinhos de nervos, onde por isso debate de ideias, de propostas, escrutínio da governação, entre outras funções que o debate parlamentar tem, não existe. Os políticos têm com isso tornado a sua imagem cada vez mais degradada. Eu bem sei que o Primeiro-Ministro José Sócrates é um dos grandes responsáveis por este estado de coisas, quando durante quatro anos de debates quinzenais no parlamento nunca respondeu directamente a nenhuma pergunta que a oposição parlamentar lhe fez. Este exercício não é inédito, mas nunca a este ponto. Esta foi a legislatura em que mais vezes o Primeiro Ministro esteve no parlamento, mas também foi a legislatura onde o nível do debate parlamentar desceu mais e sobretudo a sua importância para o país. E este facto não é reflexo de nenhuma banalização devida à frequência do debate, tem sim a ver com o facto de o debate nunca o ser verdadeiramente, pois a perguntas não respondidas restam as respostas que cada um lhes quer dar, o que de democrático e relevante nada tem.
Continuando na senda da pouca dignidade do exercício da política temos a medida requentada que o PS foi buscar ao PSD, anunciando a proibição de duplas candidaturas às legislativas e às autárquicas. Torna-se evidente que o Partido Socialista não toma esta atitude por convicção, pois se assim fosse teria feito o anúncio antes das europeias, impossibilitando desde logo a dupla candidatura europeia-autárquica de Elisa Ferreira no Porto e de Ana Gomes em Sintra. O mau resultado nas primeiras eleições do ano certamente levou a esta atitude. Claro que certas vozes dentro do PS, como Manuel Alegre, imediatamente se levantaram a solicitar essa retroactividade nas candidaturas anunciadas, solicitando a ambas as senhoras que renunciem ou ao mandato de eurodeputadas ou às candidaturas autárquicas. Seria talvez um exercício de decência política, mas já viria tarde, pois apenas reforçaria sempre a ideia, que esta tardia medida por si só já deixa, de que no PS de Sócrates tudo se move apenas e só pela imagem, pela aparência e muito pouco ou nada mesmo pelo conteúdo, pelas convicções. O que revela apenas um grande apego ao poder e uma incessante e insaciável sede de perpetuação no poder pelo poder. Daqui a imagem geral dos políticos decai ainda mais, logo também a dignidade do exercício da política.
Continuando por aí a observar das indignidades políticas e dos políticos, hoje veio a público mais uma exibição desta despudorada manipulação governamental, mas desta vez evidenciando uma profunda falta de sentido de estado e logo num dos sectores nevrálgicos do desenvolvimento do país: a Educação - os resultados dos exames nacionais do 12º ano. O ministério não assume qualquer culpa, não faz qualquer auto-crítica, culpando sim a comunicação social de divulgar um facilitismo nos exames, no qual os alunos acreditaram, logo não se esforçaram tanto na preparação para o exame. Onde estamos a chegar. O ponto de baixeza no exercício da política em Portugal é tal que um ministério da educação se acha no direito de, melhorando os resultados recolher os louros para si, piorando lança as culpas nos outros. É preocupante. Entende-se assim cada vez mais o desencanto, a decepção e o desinteresse dos portugueses pela política: isto é baixeza de carácter.
Mas muitos mais exemplos de indignidade na política portuguesa existem. O pior, como este exemplo que se segue, o da Fundação para as Comunicações Móveis, onde é mesmo o desleixo, ou melhor a desconsideração, com que se tratam os dinheiros públicos, envolvendo negócios pouco claros, situações dúbias, zonas cinzentas, enfim tudo aquilo que a política não deve ter.
É um diagnóstico negro este que faço sobre a dignidade da política e dos políticos, sobre a dignidade ou não de se chamar alguém de político.
Mas infelizmente a política está reduzida a isto, a grupos pouco claros que entre si lutam, não pelo interesse nacional, mas pelo seu próprio interesse. Os partidos políticos não procuram o desenvolvimento do país, nem tão pouco a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, apenas procuram a melhor forma de se perpetuarem no poder, ou, como no caso dos mais pequenos, de se poderem continuar a alimentar à mesa do orçamento de estado. É isto a política em Portugal.
Mas tem de haver esperança, pelo que devemos, pelo que absolutamente necessitamos de mudar Portugal. Mas não uso aqui a palavra mudar num sentido cosmético, para mascarar um mofo e uma falta de ideias latente, que uma palavra bonita e apelativa anseia-se que disfarce. Utilizo a palavra mudar como um verbo, um verbo de acção, de acção concreta e corajosa, propondo ideias que, novas ou não, se propõe com acuidade e com desejo e intento concreto de aplicar, de efectivar, de concretizar, rompendo assim com a prática imóvel e ignóbil dos partidos tradicionais, que têm o seu assento no parlamento.
Mudar Portugal.
Este é um verdadeiro desígnio, e é verdade que a revolução inteligente proposta pelo Movimento Mérito e Sociedade é de difícil implementação, até porque implica uma profunda mudança de mentalidades, que é a mudança mais difícil e demorada de fazer. Mas acredito que com a catadupa de exemplos da degradação da condição, da prática da política, esta urgência de mudança seja sentida por cada vez mais pessoas, servindo de catalisador desta imperiosa mudança de mentalidades, reduzindo assim em muito o tempo expectável para a concretização dessa mesma revolução.

Que fantástico Ministério da Educação


A equipa do Ministério da Educação começa realmente a cansar, senão mesmo a irritar.

Hoje foram divulgados os resultados dos exames de matemática do 12º Ano. Surpresa das surpresas os resultados pioraram: a média baixou de 12,5 para 10 valores, havendo também um número maior de reprovações, tendo duplicado a taxa das mesmas.
Onde está a parte irritante é aqui: a equipa do Ministério da Educação culpa a comunicação social por esta piora nos resultados. Pois é isso mesmo, segundo esta notícia do Público, o Ministério diz que de tanto a comunicação social dizer que os exames estão mais fáceis, os alunos fizeram "menos investimento, menos trabalho e menos estudo".
Compreendo a revolta do ministério, pois após tanto investimento na imagem de que a Educação estava a melhorar, com facilitismo nos exames à mistura, tudo foi por água abaixo. Isto demonstra toda a falsidade e política da aparência, pois se os resultados tivessem melhorado os louros seriam da política governativa, como pioraram a culpa é dos outros. Da comunicação social que andou a espalhar a mentira da facilidade dos exames e dos alunos que acreditaram, mas nunca, nunca é do ministério e da sua miserável política educativa: tenham vergonha senhores.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Pinho: RUA



Foi tarde, é tudo o que tenho para dizer, é que foi tarde, muito tarde: principalmente numa altura de crise económica o país precisava e merecia um ministro da economia à altura do desafio, mas tinha um ministro bem medíocre, até para alturas de abundância.

Adeus Pinho, foi pena teres durado tanto.


O ministro das Finanças é agora o super ministro, pois vai acumular as Finanças com a Economia até às legislativas.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Manuel Pinho, impagável

O ministro Manuel Pinho, em mais um dos seus acessos de boçalidade (perdoem-me a força do adjectivo mas não me surge outro), numa entrevista dada hoje à SIC, ilustrou aquilo que Ferreira Leite afirmara - em que rasgaria a política económica deste governo - rasgando uma folhinha A4 onde a amarelo estavam os programas lançados por este governo no apoio às pequenas e médias empresas. A acção além de triste, só nos deixa a sonhar, porque com os resultados que esses programas têm tido, todos sonhamos com o momento em que alguém faça isso com eficácia prática. A impressão deixada foi de que Pinho estava a limpar a nódoa que ele próprio, entre outros, criara.
Aliás o próprio António Costa hoje falou nas nódoas do ministério das obras públicas (o célebre Mário Lino), podendo essa distinção ser estendida ao ministro Pinho (o outro da célebre dupla de que Hugo Chavéz tanto gosta Pino e Lino).
De nódoa em nódoa até à nódoa final, perderem as eleições, este é um bom caminho, que nem a PT e a campanha de Granadeiro contra MFL, consegue disfarçar.

O fim da crise

Há uns anos atrás um ministro das finanças de um governo PSD ficou célebre por elaborar uma inovadora teoria económica acerca de Portugal, a teoria do Oásis. Braga de Macedo nunca mais se livro de ser o ministro do Oásis, uma teoria manifestamente contrariada pela realidade.
Ora o PS, como não gosta nem por nada de ficar atrás do PSD, encontrou um também brilhante ministro das finanças, neste caso Teixeira dos Santos, que postulou uma teoria semelhante e igualmente desmentida pela realidade, a teoria do Fim da Crise.
Tal como rimos de Braga de Macedo, rimos agora de Teixeira dos Santos, ao melhor nível de Manuel Pinho (sim aquele que decretou o fim da crise antes desta começar).

O PSD a copiar o MMS (III)

Fui alertado por algumas pessoas do MMS que não nos podemos arrogar de ter tido a ideia de unificar as forças policiais, pois esta já é discutida quase desde a queda do regime monárquico (?!), pelo que um pouco de humildade não ficaria mal.
O que acontece é que, e foi isso que estas pessoas não entenderam e motivou este texto, é que desde o 25 de Abril, as forças políticas não debatem a sério este tema, nem tão pouco apresentam um plano concreto para o fazer. O MMS -lo quase desde a sua génese, desde a ideia inicial do Prof. Eduardo Correia, quando escreveu o Manifesto Mérito e Sociedade.
Além disso existe hoje em dia uma prática habitual entre os partidos maiores do nosso sistema político de sondar esse mercado e procurar ideias novas, que possam aplicar nos seus programas, mesmo roubando aos outros. Isso confere-lhes alguma frescura de ideias e permite-lhes secar o terreno à sua volta para que mais ninguém possa surgir e contestar a hegemonia dessas mesmas forças políticas. E é esta consciência que me leva a dizer que o PSD está a imitar o PSD, porque em 35 anos de democracia o PSD nunca se lembrou de tal ideia e agora, após o MMS ter divulgado a mesmo o PSD está a pensar no assunto, com reacções bastante positivas por parte das entidades indicais e sócio-profissionais das forças de segurança.
É pena que o MMS tenha para sempre perdido esta bandeira, porque não tendo ido junto dessas forças em tempo apresentar a ideia, e, não alertando agora para o facto de a ideia ter surgido no MMS, nunca ninguém vai acreditar que defendemos sempre isto, vai ser sempre o MMS a querer imitar o PSD, o que é uma desolação e assim, assim dificilmente vamos longe.

O PSD a copiar o MMS (II)


Notícia de hoje do Público:

Hipótese de polícia única avançada pelo PSD divide os representantes das diversas forças
01.07.2009, José Bento Amaro
Medida colhe a simpatia
de alguns sindicatos da PSP e GNR, mas não agrada a PJ, advogados e MP
O PSD não exclui a hipótese de analisar a hipótese da unificação das polícias portuguesas. O tema é recorrente e agrada a alguns sindicatos da PSP e GNR, as duas forças de segurança mais numerosas. A PJ, a Ordem dos Advogados e os magistrados do Ministério Público entendem que a haver unificação, esta deverá ser apenas entre a PSP e a GNR, de modo a promover a rentabilização de meios e pessoal. Juntar todas as polícias num só ministério obrigava a fazer reajustamentos financeiros de milhões de euros e trazia à baila a questão da liderança. Quem mandaria? A Administração Interna ou a Justiça? O tema da unificação foi aflorado ontem, durante uma reunião do PSD e representantes das diversas forças de segurança nacionais. O vice-presidente dos sociais-democratas, José Pedro Aguiar Branco, anunciou que o seu partido está disposto a analisar uma eventual junção. Esta medida foi, entretanto, saudada pelo Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP) da PSP e pela Associação dos Profissionais da Guarda (APG) da GNR. Os presidentes destas duas estruturas disseram defender desde jáque uma futura polícia unificada deve ficar na dependência do Ministério da Administração Interna. "Evitava-se a sobreposição de tarefas", diz o presidente do SPP, António Ramos. "Aumentava-se a eficácia e a funcionalidade", refere José Manageiro, presidente da APG. Estas foram, de resto, as duas vozes que mais defenderam a unificação. Para Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP), o maior sindicato da PSP, a ocasião "não é a ideal para se discutir a junção das polícias". "O que entendemos é que qualquer mudança que se faça nas forças policiais não deve ser feita com o intuito de poupar dinheiro, mas sim no interesse da segurança dos cidadãos", acrescentou. Satisfeito com o resultado da reunião estava o presidente da Associação Sindical dos Funcionários de Investigação Criminal (ASFIC) da PJ. Carlos Anjos entende que as opiniões expressas vão no sentido de reforçar as actuais competências da PJ e manifesta o desejo de que a PSP e a GNR continuem a ganhar autonomia na investigação da pequena criminalidade. 50.000 é o número aproximado de polícias que estão nos quadros da PSP, GNR e PJ.

Volto a dizer que esta medida já há muito que é defendida pelo MMS, mais concretamente a unificação de todas as instituições policiais em duas apenas, uma Polícia Civil e uma Polícia Criminal. Simplificar, reduzir cúpulas, agilizar a investigação e a partilha de informações, erc, etc. Uma série de vantagens. Mais uma vez volto a dizer que veja-se onde estão as boas ideias e quem será por isso mais capaz de governar bem este país.

O PSD a copiar o MMS

É sempre bom quando os outros reconhecem a qualidade das nossas ideias, das nossas propostas. É muito importante porém, é mesmo de bom tom, demonstração de boa educação que, quando repetimos uma ideia de outra pessoa, referir de quem é essa ideia, apontar o seu autor.
Ora é notório que, apesar da partidocracia, dominada no nosso país pelo PS e pelo PSD, esses mesmos países estão a ficar esgotados. Como tal parece que começaram uma pesquisa nas ideias de outros, numa tentativa de mostrarem frescura e secarem o mercado político à sua volta.
No MMS já não é a primeira vez que se nota uma similaridade nas propostas e afirmações de líderes de grandes partidos.
Mas hoje, perante esta notícia de ontem, onde se afirma que o PSD vai estudar uma proposta para a unificação das forças policiais, essa certeza reforçou-se. Ainda bem que o PSD concorda connosco, mas mais uma vez o mais pequeno vai sair abafado. E não vale a pena afirmarem que o MMS se está a por em bicos de pés, que quer ser mais do que é: já no manifesto do partido (página 24) esta proposta estava consignada, sendo de novo levantada como uma medida proposta pelo partido na moção aprovada no I Congresso Nacional do MMS, "Soluções para Portugal" (página 14).
Por aqui os nossos cidadãos e eleitores deveriam reconhecer onde está realmente quem tem a capacidade, as propostas e a capacidade de mudar Portugal... mas de mudar efectivamente, de mudar para melhor.

Só pode ser brincadeira




O Presidente de uma empresa, onde o Estado tem uma golden share, em debate político em público com a líder do maior partido da oposição, em ano de eleições legislativas: só pode ser brincadeira.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Manifestos e confusões: o que conta é o dinheiro


Temos sido atingidos nas últimas semanas com manifestos, todos eles de alegadas sumidades da economia, uns contra os grandes investimentos públicos, outro a favor dos mesmos, estando prometido para breve um outro, vamos a ver se ficará por aqui. Estes manifestos, mascarados de uma ciência exacta, a economia, mas que são efectivamente meros exercícios políticos.

Ontem no Público, na sua crónica de última página, Rui Tavares, o historiador recentemente eleito pelo Bloco de Esquerda para o Parlamento Europeu, assumiu as dores deste último manifesto, favorável aos investimentos com um argumento sinceramente fraco, ou mesmo demagógico. Comparando os economistas com os médicos, Rui Tavares assumia que só os médicos que acertassem no diagnóstico seriam competentes para apontar uma cura. Sendo assim, uma vez que, segundo o historiador, apenas os economistas deste segundo manifesto tinham previsto a chegada da actual crise, pelo que só estes seriam credíveis para indicar uma saída para a mesma.

Ora pegando no próprio exemplo de Rui Tavares se consegue desmontar esse mesmo argumento: quantas vezes um médico de clínica geral, ou mesmo estagiário faz um diagnóstico que um especialista, ou um médico mais experiente tinha errado, sendo depois por esse mesmo médico encaminhado para o tal especialista afim de obter a melhor terapêutica possível??!! Isto é comum e depende de muitas condicionantes. Na economia, que está imensamente limitada pelo exercício político dos economistas, como na medicina, as perspectivas limitam ou ampliam a forma como se consegue efectuar uma análise e retirar as conclusões mais acertadas. Mas um médico experiente e especialista é sempre uma voz credível, capaz de indicar uma terapia adequada. Pelo que é fácil concluir que mesmo os economistas que não previram a chegada da crise, não perdem nenhuma competência ou qualidade para apontarem uma saída eficaz para a corrente crise.

Assim só podemos pensar que a diversidade de opiniões se deve a condicionantes ou adesões políticas.

Sendo assim acho que a minha opinião perante esses investimentos só pode ser condicionada pelo seguinte: Portugal passou no último ano para uma nível de endividamento externo superior a 100% do PIB, logo Portugal não produz o suficiente para pagar o que deve; logo como será possível aumentar ainda mais o endividamento - possível é, mas será aconselhável? - sem corrermos o risco de um grande desastre para o país?; para mim a opção contra é clara.

Mas não vejo tudo preto ou branco.

Há mais vida além destes investimentos. Portugal com o dinheiro do TGV, ou provavelmente com bem menos, pode modernizar a sua rede ferroviária, reforçar por exemplo a linha do Norte para que o Alfa pendular possa ser mais eficiente, e, reforçar as ligações ferroviárias de Portugal a Espanha, tudo o que se dizia só ser possível com o TGV. Além disso reforça-se a coesão nacional e estimula-se o crescimento das regiões do interior, coisa que não ia acontecer com o TGV que só ia passar, sem qualquer vantagem para essas zonas do país, que com esse reforço das ferrovias iam ganhar mais um meio para transportar pessoas e mercadorias.

Quanto ao Aeroporto de Alcochete já não se vislumbra a necessidade tão urgente do mesmo, uma vez que a saturação prevista para a Portela, dentro de poucos anos, com a actual crise, atrasou-se cerca de dez anos, pelo que não necessitamos de tanta urgência. Podemos aguardar uma estabilização da crise, ou até uma ligeira recuperação, para depois o país avançar para a construção destas infraestruturas, que sendo importantes, dado o cenário actual, deixam de ser tão urgentes como isso.

Em relação ao plano rodoviário não se pode embrulhar tudo e deitar fora, temos de desmontar esse plano, ver o que faz falta e o que é superfulo e o que é megalómano. O que é útil avance, o que não o é pode esperar, o que é megalómano, como a terceira auto-estrada Lisboa-Porto.

Assim se desmonta o monstro dos investimentos, na minha opinião claro.

Prémio Lemniscata


O Carlos Santos que assina um dos meus espaços favoritos da blogosfera, O Valor das Ideias, deve ser o primeiro ou segundo que mais leio, atribuiu à textura do Texto o Prémio Lemniscata. Este prémio atribuido a sete blogues e cada um desses deve destinguir sete da sua preferência. Sendo assim, segue-se o texto oficial deste prémio com os espaços a quem atribuo este prémio.


O blogue O valor das Ideias atribuiu a A textura do Texto o Prémio Lemniscata


O selo deste prémio foi criado a pensar nos blogs que demonstram talento, seja nas artes, nas letras, nas ciências, na poesia ou em qualquer outra área e que, com isso, enriquecem a blogosfera e a vida dos seus leitores."
Sobre o significado de LEMNISCATA:LEMNISCATA: “curva geométrica com a forma semelhante à de um 8; lugar geométrico dos pontos tais que o produto das distâncias a dois pontos fixos é constante.”
Lemniscato: ornado de fitas Do grego Lemniskos, do latim, Lemniscu: fita que pendia das coroas de louro destinadas aos vencedores(In Dicionário da Língua Portuguesa, Porto Editora)
Acrescento que o símbolo do infinito é um 8 deitado, em tudo semelhante a esta fita, que não tem interior nem exterior, tal como no anel de Möbius, que se percorre infinitamente.
Texto da editora de “Pérola da cultura”
Seguindo as regras este prémio é para ser atribuído de seguida a 7 blogues. Assim, sem qualquer ordem prévia:










De referir que se não fosse o Carlos Santos a entregar este prémio à textura o Valor das Ideias seria provavelmente a minha escolha mais imediata, mas como creio que essa não é ideia, nomeei outros, apesar de ter lutado contra esse impulso até ao fim.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

No país de Sócrates

Existe um país que é membro da União Europeia e que é governado por um engenheiro, acerca do qual, em certa altura, se colocaram dúvidas acerca dessa licenciatura em engenharia: questionou-se se ela própria não teria sido um excelente exercício de engenharia.
Adiante.
Nesse país, governado por esse engenheiro, numa outra altura da governação desse mesmo engenheiro, surgiram muitas dúvidas acerca da transparência das obras públicas, porque estas eram adjudicadas por um determinado valor, mas a derrapagem era prática habitual, levando a que essas obras custassem muito mais do que o inicialmente orçamentado.
Devido a essas dúvidas esse engenheiro e os seus coleguinhas de governo decidiram incumbir a um dos seus inúmeros institutos públicos (no caso concreto o Instituto da Construção e do Imobiliário), de criar um site na internet, onde os cidadãos desse país pudessem consultar e acompanhar o desenvolvimento dos processos de adjudicação e construção de obras públicas. Esse instituto, desse país, governado por esse engenheiro, dada a urgência do assunto adjudicou por ajuste directo com uma empresa a criação desse site, contrariando logo a transparência que esse site visava aumentar. Não contentes com isso, a empresa escolhida já tinha sido consultora do governo, desse engenheiro, acerca desse mesmo assunto, o que contariava todas as regras de transparência e a própria lei desse país.
Mas ainda assim a coisa avançou.
No entanto os pobres dos cidadãos desse país, governado por esse engenheiro, nunca conseguiram encontrar a dita informação que iria trazer transparência, nesse site da transparência, o que de transparente não tem nada, porque a dita empresa, escolhida pelo instituto, a quem o governo desse engenheiro incumbiu de fazer a coisa, nunca conseguiu colocar o tal site a funcionar "transparentemente", ou melhor dizendo, como deve ser.
Mas enfim, até aí ainda vamos.
Acontece por fim, e aqui está mesmo o fim da picada, que esse portal da transparência, criado para prevenir as derrapagens de obras públicas, está ele mesmo em derrapagem, pois a tal empresa, escolhida sem concurso pelo tal instituto, incumbido pelo governo desse engenheiro, já apresentou facturas de valor muito superior ao que havia sido orçamentado para a criação do dito site. Ou seja derrapagem no anti derrapante: lindo não é.
Por muito que isto pareça de um país de brincar, ou de uma república das bananas, este país chama-se Portugal. E, caso ainda não tenha chegado lá, esse engenheiro é o Primeiro-Ministro José Sócrates.
Mais uma: estamos mesmo "No país de Sócrates".

domingo, 28 de junho de 2009

Alberto João Jardim no país dos ricos... partidos


Já várias vezes denunciei neste espaço a vergonhosa forma como os partidos tradicionais tratam os dinheiros públicos, usando e abusando, sem consideração nenhuma. Esse despesismo só aumenta a necessidade que a máquina do Estado tem em consumir dos recursos produzidos no sector privado, e o pior é que tudo se desculpa como estando a coberto de uma alegada distribuição de riqueza que o Estado proporcionaria, fazendo chegar aos mais carenciados os recursos que os mais favorecidos teriam em excesso. Mas efectivamente não é assim. A máquina do estado, pesada e ineficiente perde na sua inércia grande partes desses recursos, já para não falar de quando esses são usados de forma negligente e desleixada.
De entre tantos outros exemplos, como o que se viu na forma como os partidos concordam em aumentar constantemente as subvenções que recebem do estado, ou a maneira egoísta como preferem várias eleições em vez de tentarem reduzir despesas, hoje foi noticiado pelo Público mais este exemplo de gasto desprezível dos dinheiros públicos: Assembleia da Madeira pagou pareceres para iniciativas do PSD.
Se há forma desprezível de mal gastar dinheiros que são de todos é distribuí-los pelos amigos. Mas se esses amigos prestarem um bom serviço ao estado, ainda se poderá tolerar, mas quando os amigos recebem dinheiros públicos para fazerem serviços a entidades particulares aí é, no mínimo, abuso e até mesmo desvio de verbas.
Mas a partidocracia portuguesa é mesmo assim, sem vergonha e continuamos a querer votar nestes senhores.
Este fim de semana com as tiradas do Sócrates na TVI e agora do PSD na Madeira, se os portugueses não fossem tão... já não votariam nunca mais nestes senhores. Mas percebo que a alternativa não é animadora: do CDS de Portas, que já virou e revirou casaca, não ao sabor de convicções (o que até seria legítimo) mas do seu interesse pessoal, tem tanta credibilidade com um cata-vento; passando pelo PCP, com a sua receita ultrapassada seria condenar o país à miséria, e não estou a exagerar, é mais um dos casos de cegueira nacional, porque só neste pequeno país ainda se dá ouvidos a este tipo de conversa; acabando no BE, que não saberia nunca governar, a sua especialidade é acusar e apontar, e, a preocupante forma como as pessoas têm abraçado este projecto que alia um profundo desrespeito pela propriedade privada a uma intensa e bem afiada demagogia, manipulando abertamente o eleitorado, deixam-me com muitas reservas acerca do nosso futuro colectivo.
Mas deixo o desafio para os portugueses começarem a descobrir os novos movimentos políticos que se levantam, em especial o MMS, com propostas realmente diferentes e melhores para a seriedade e transparência do nosso sistema político.

sábado, 27 de junho de 2009

José Sócrates: o descaramento total


Vou transcrever aqui o título da manchete do Expresso de hoje, bem como o pequeno texto que o acompanha na primeira página:

Governo já conhecia o negócio PT/TVI desde o início do ano


O Governo acompanhou todo o processo de venda de parte da Media Capital (dona da TVI) pelos espanhóis da Prisa. Desde Janeiro que a hipótese de a PT entrar na empresa era defendida pelo Executivo de Sócrates, podendo ser feita directamente ou via Espanha, onde a Prisa pode sofrer uma recomposição accionista. Sócrates e Zapatero estiveram sempre a par. Os protestos contra um negócio que colocava a TVI na alçada do Estado deram cabo da transacção.


Perante isto gostaria de deixar algumas perguntinhas:
  1. Porque é que o Governo acompanhou um negócio meramente empresarial (como o próprio afirmou que era este)?
  2. Porque razão é que a hipótese de a PT entrar na TVI era defendida desde Janeiro pelo Executivo de Sócrates?
  3. Que razões haveria para o Executivo estar interessado na entrada de uma empresa onde o Estado tem posição, na TVI?
  4. Porque não só Sócrates mas também Zapatero acompanhavam o desenrolar do negócio?
  5. Porque razão o Primeiro-Ministro declarou que nada sabia sobre o negócio, no Parlamento, quando desde o início do ano já sabia do assunto?
  6. O que quis José Sócrates esconder?
  7. Porque razão é que o Governo, se não tinha nada na manga, boicotou o negócio?
  8. Terão então valido a pena os protestos e a denuncia do PSD?
  9. Se a oposição não tivesse protestado acerca deste negócio o que teria acontecido?
São algumas perguntitas que me levam a concluir que este Primeiro-Ministro tem, do meu ponto de vista, cada vez mais lama sobre si mesmo. E como é possível ainda haver quem equacione votar neste senhor??!!

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Mas a cara de pau voltou

Sim a cara de pau do PS e governo voltou, veja-se só este título de notícia do Público.
Governo vai vetar o negócio da compra da TVI pela PT

Finalmente temos Provedor


Finalmente a vergonha na cara venceu a cara de pau e os dois maiores partidos do parlamento lá se entenderam acerca do nome para o novo Provedor de Justiça. O juiz Alfredo José de Sousa, ex-Presidente do Tribunal de Contas será o novo Provedor de Justiça, por acordo alcançado entre PS e PSD.
Mas nenhum dos dois sai limpo deste lamaçal, embora se tenha visto que bastou um pouco de descrição para que o acordo fosse alcançado, em vez de arrastar o lixo pela rua. E aqui, embora volte a dizer que os partidos saem todos sujos, o PS esteve muito mal, em especial o Eng. Sócrates que revelou mais uma vez os seus tiques autoritários e de menino, porque foi ele quem no parlamento trouxe a público uma matéria habitualmente tratada, com pudor e sentido de estado, em privado.
Claro que já muito se disse sobre o assunto e quero apenas deixar aqui o alívio por perceber que mais uma vez, a saca rolhas é certo, as coisas lá andaram. E lições disto será que esta gente tirou alguma? Não sei porquê mas duvido!!

Sobre a Política


A política é uma actividade, que para muitos tem sido a sua profissão, uma actividade que é empolgante e interessante, uma vez que é sobretudo um debate de ideias para se encontrar um meio de melhorar a vida do próximo. Sempre que estendo o braço para ajudar alguém caído, mais do que fazer o bem, ou estar a ter uma atitude moralmente correcta, estou a exercer política, a política da proximidade, em prefiro ver uma pessoa em pé do que caída.
A política é a actividade das ideias, da criatividade, mas também do debate, do estudo, da observação. Daqui toda a nobreza subjacente à actividade política.
Mas para que se produza a política esta é exercida, quer na oposição, mas sobretudo no poder, onde se tem a capacidade de levar à concretização as ideias concebidas, discutidas e amadurecidas.
Infelizmente o poder corrompe, corrompe em primeiro lugar as ideias, que são subjugadas para dar lugar aos interesses. Corrompe também a discussão, levando muitas vezes a uma surdez selectiva onde só se consegue ouvir a própria voz. Corrompe porque leva por fim à instalação de uma série de redes de interesse que minam toda a capacidade de fazer política democraticamente.
Porém continuo a acreditar que, se a preocupação central for o interesse dos cidadãos, do próximo, como prefiro dizer, certamente um político consciente consegue escapar a essa corrupção, pois a sua preocupação com os outros leva a que não se preocupe tanto com a sua perpetuação no poder.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

"Não falou verdade"


Ontem a líder do PSD, durante uma entrevista à SIC, numa tirada pouco feliz, , por não ser nova, nem tão pouco original, acusou o Primeiro-Ministro José Sócrates de não ter falado verdade quando este se referiu, no Parlamento, à compra de 30% da TVI pela PT, como sendo algo que desconhecia completamente. A tirada de MFL foi infeliz porque já estamos todos a ficar habituados às constantes mentiras de José Sócrates. Pior, já estamos todos a ficar habituados às mentiras dos políticos dos partidos tradicionais.
Claro que o raciocínio de MFL para concluir ser impossível o Primeiro-Ministro não saber do negócio é completamente razoável, porque seria impossível o governo, porque o estado detém uma golden share na PT, não ser informado de um negócio desta importância.
Claro que o Presidente do conselho de administração da PT, Henrique Granadeiro, veio dizer que não falou com o accionista estado sobre o negócio, nem deste recebeu qualquer instrução. Não me parece que tenha havido instrução, mas um conselho de amigo todo suspeitamos que terá havido, até porque Henrique Granadeiro pouco ou nada sabe destas negociações, porque é pouco mais que uma mera figura, sem pouco ou nenhum poder, pois quem manda ali é Zeinal Bava, o Presidente Executivo da PT. Este ficou em silêncio, nada disse sobre o negócio. Ele é que está por dentro das negociações, não é Henrique Granadeiro.
Nunca vamos saber a verdade, mas as palavras oportunistas de Mário Lino são no mínimo ridículas, quando exige que MFL prove o que diz. Ora esta não tem de provar porque não fez um juízo de facto, mas tirou uma conclusão lógica dos factos disponíveis. Algo que qualquer um entenda. Mas coitado de Mário Lino, já não tem idade para estas coisas.

Trabalhadores da Autoeuropa perdem mais em dez dias de lay-off do que a trabalhar seis sábados até 2011




Este é o título de uma notícia do jornal Público, que me parece evidentemente tendenciosa, não por vontade do jornal, mas de quem entregou ao jornal os factos que serviram de base à notícia.
O facto real é de que a perca de valor que os trabalhadores irão ter com o Lay-off é meramente pontual, enquanto a perca de remuneração proveniente da cedência de sábados iria repercutir-se ao longo dos anos, acumulando sempre essa perca. É que as pessoas não vão trabalhar apenas até 2011.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

TVI: venda ou mudança de rumo


A televisão mais anti-Sócrates de Portugal, a TVI, que com os seus Jornais das noites de sexta-feira tanto tem aterrorizado o governo socialista, irá ser vendida em 30% à PT.
A pergunta impõe-se: esta venda será meramente um negócio ou uma tentativa do grupo Prisa, próximo do PSOE e de Zapatero, amigo de Sócrates, se livrar deste incómodo activo que tanto ataca o amigo do seu amigo? Esta suspeição é acicatada pelas notícias que circularam esta semana de que os espanhóis, incomodados com tanto ataque aos socialistas, estariam interessados na saída de Moniz (e com ele da sua bela "Boca Guedes").
Seria lindo ver a RTP e a TVI a rumarem para o mesmo lado político!!!...

A habitual demagogia de Francisco Louçã


Se há personagem na vida política nacional por quem nutro uma particular antipatia essa personagem é definitivamente o Prof. Dr. Francisco Louça, Coordenador Nacional do Bloco de Esquerda.
E porquê?
Para um eminente economista e brilhante académico, que inquestionavelmente é, faz umas contas muito estranhas. A única razão que encontro para esses resultados matemáticos questionáveis é porque a calculadora do Prof. Dr. Louça deve ter um botãosinho para a demagogia, com a qual tempera normalmente as suas incursões pelo mundo da aritmética.
Falando mais claramente: acho impressionante que este Sr. venha comparar o custo de umas eleições com o da iluminação de Natal na baixa lisboeta, que são cerca de quatro milhões de Euros. Esta analogia fraudulenta e demagógica só serve para encobrir os abusos da partidocracia: efectivamente um acto eleitoral ronda, em si mesmo esse valor, mas o Estado gasta muito mais, porque as subvenções e contribuições do Estado para as campanhas eleitorais são muito superiores e devem ser somados aos tais quatro milhões. Mas essas contas o eminente Prof. Dr, não "sabe" fazer, preferindo a analogia demagógica do costume.

Lay-off na Autoeuropa


Lançamento do blogue Fórum Agualva

Texto inaugural do blogue Fórum Agualva, que hoje lancei.

Abertura

Inauguro hoje este espaço da blogosfera destinado à discussão dos problemas da freguesia de Agualva, no Concelho de Sintra. Em ano de eleições autárquicas, em que propus ao meu partido, o Movimento Mérito e Sociedade, a apresentação de uma candidatura a esta freguesia, ainda antes de ter a confirmação se iremos avançar ou não, tornou-se para mim evidente a necessidade deste espaço. Porquê? Os partidos tradicionais afastaram-se sobremaneira dos cidadãos e pedem-lhes sempre a confiança, sem que isso se retorne aos cidadãos em atenção por parte dos eleitos. Pelo que, perante esta realidade, entendi que as coisas devem ser feitas ao contrário: os partidos devem ouvir primeiro as necessidades dos fregueses - neste caso específico - ou dos cidadãos a quem se apresentam, e daquilo quem ouvem desenvolver estratégias para ajudar a solucionar esses problemas. Esse alheamento, essa surdez crónica do sistema político em relação às necessidades do terreno, tem aniquilado pelos fundamentos a nossa democracia. Pelo que se torna essencial ouvir as pessoas, ouvir as instituições que no terreno são de pessoas e estão próximas das pessoas - as escolas, as associações de pais, as ipss's, as colectividades, as associações, as igrejas, etc., etc., sendo este o trabalho base que me proponho fazer caso a candidatura do MMS à freguesia de Agualva vá para a frente. Ouvir estas instituições e daí elaborar um programa a propor à freguesia, aos eleitores, rompendo assim com a prática dos partidos tradicionais, procurando assim pedir a confiança de quem elege, para que esta lhes seja retribuída com acções.
Nesse sentido parece ser correcto começar esta discussão por este meio, o mais fácil, onde posso começar já a apresentar problemas que vejo e as ideias que tenho para os resolver, solicitando que as pessoas comentem e debatam comigo esses problemas. Além disso podem enviar os seus próprios assuntos e problemas que queiram ver aqui apresentados e discutidos, para o email sergiofbernardo@gmail.com, que serão depois aqui publicados.
Obrigado e vamos começar a Mudar Agualva.

terça-feira, 23 de junho de 2009

A Obra é de quem a paga

Disse António Costa, citando Rui Rio, que as obras públicas não devem ser imputadas a quem as promove e desemvolve mas sim a quem paga a factura.

Pensamento estranho este...!!!

Por 5%


A época de crise económica em que vivemos tem muitas particularidades. Uma delas é que actividades extremamente competitivas entram em fricção de uma forma ainda mais intensa, levando a uma descarga, a uma pressão, procurando essas empresas formas de se tornarem sempre e cada vez mais competitivas. Além dessa pressão, existem certas actividades onde o decair da compra do produto dessa actividade ainda faz agravar mais as circunstâncias.

Estou a pensar especificamente no mercado, ou melhor, na indústria automóvel. Competitiva ao extremo porque a capacidade instalada de produção das empresas é muito superior à procura, com a quebra forte que o mercado sofreu, tem uma dupla fonte de pressão competitiva: a concorrência e a quebra de encomendas.

Assim a ordem de sobrevivência para umas - como a GM, a Chrysler, a Opel - ou a de redução de custos operacionais para outras - como a Fiat, a Volkswagen, a Toyota, etc. - leva a que os responsáveis da gestão das empresas procurem onde podem poupar cada tostão, de uma forma ainda mais empenhada do que já era habitual.

Olhando para esta crise a verdade é que muitas empresas procuram ir mais além e vêm na crise uma oportunidade de alcançar compromissos sociais com os trabalhadores, reduzindo salários, aumentando períodos laborais, reduzindo regalias várias, tudo em nome da redução de custos e da sobrevivência face a uma feroz concorrência.

Isto é o que efectivamente está a acontecer na Autoeuropa. Os líderes dos partidos da esquerda mais populista (BE e PCP) e das centrais sindicais (UGT e CGTP), andaram hoje ao estalo para tentarem culpar um ao outro pela falha da aprovação do acordo laboral na fábrica. Acontece que nenhum deles tem efectivamente razão.

Da experiência de 10 anos que tive naquela fábrica, onde trabalhei na linha, no duro, na Montagem Final, o que aconteceu ali não foi mais do que um suspiro, um exclamar de basta!

Porquê?

Quem conhece a realidade da produção de uma fábrica de automóveis sabe que o trabalho ali é muito duro. São oito horas de verdadeira "correria" em que nada se compadece com dores ou indisposições. A linha tem de andar e pronto. Quando alguém tem vontade de ir à casa de banho, seja esta forte ou não, tem de acender uma luz amarela, que tem junto ao seu posto de trabalho e esperar que alguém venha substituir. Mas quando vem alguém apagar essa luz, normalmente a pessoa não vai logo à casa de banho, ouve sim algo do género "tens dois à tua frente" e tem de ainda esperar mais vinte minutos, meia hora para se poder aliviar. Mais ainda, a linha faz dois intervalos, para além da meia hora de refeição, um pela manhã, outro pela tarde. Esses intervalos são de sete minutos, leu bem sete minutos, onde uma pessoa tem de comer, ir à casa de banho e quem fuma de fumar. A linha pára e a linha arranca, tudo automaticamente e não se compadece com atrasos. É brutal. Além disso tudo a pressão sobre os trabalhadores devido à qualidade é enorme. Depois ainda há as equipas de engenharia a estudar constantemente os postos de trabalho para perceber como podem cortar movimentos, compactar trabalho e reduzir esses mesmos postos. É intenso e muito duro.

Ao longo dos anos a AE tem colocado sempre cenários muito negros aos trabalhadores, induzindo-os sempre a aceitarem condições mais difíceis e flexibilidades imensas, por forma a que fossem sempre garantidos os postos de trabalho e a fábrica pudesse garantir mais modelos. Acontece que ano após ano, todas as cedências têm sido insuficientes e a empresa quer sempre mais. Creio que o pessoal da AE esgotou, chegou ao seu limite, e, não está disposto a continuar a ceder mais da sua vida, do seu tempo, a troco de nada. E quando falo de nada não estou a falar de dinheiro, estou a falar simplesmente da estabilidade que a empresa garantia vir com a cedência anterior, mas nunca chega, há sempre mais uma cedência, mais uma perca de qualidade de vida, há sempre algo mais a tirar. Mas a estabilidade, a segurança laboral, uma pequena consideração da empresa, em considerar que agora, nesta época de crise, escudará os trabalhadores, em contrapartida de tantas cedências, nunca vem, nunca chega, absolutamente nada a não ser mais ameaças, mais pressão, exigência de mais cedências. E isto a Comissão de Trabalhadores até pode ver, mas tem de se manter na sua, embora por vezes seja colocada internamente em causa a sua lealdade: se esta é para com a Administração, para com o BE ou para com os trabalhadores. Pois, os sindicatos ali pouco ou nada dizem, a CT abrange tudo e negoceia à margem destes. A maioria dos seus membros são do BE e os restantes são do PCP. Existe sempre uma guerra interna entre estes, mas o PCP sai sempre a perder. E bem, porque o pragmatismo necessário, que por vezes é necessário, estes senhores não têm. Mas o BE também não sai bem, porque se a esquerda deles é a da CT, é mais neoliberal do que certos sectores do PSD. Mas enfim não quero continuar por aí.

O que quero desmascarar é que esta confrontação que a Administração tem produzido com os trabalhadores é mero oportunismo. A empresa nunca poderia ser colocada em causa apenas pelo custo da mão de obra. Na Autoeuropa a mão de obra representa cerca de 5%, veja bem, leia bem, 5% dos custos operacionais da empresa, logo esta questão dos sábados será 0,0000xxx%, muito, muito pouco para tanta discussão. Claro que para os trabalhadores é significativo, porque traz para si a obrigatoriedade de fazerem anualmente seis sábados. Não é trabalho extra porque não é pago, não é por vontade própria, é obrigatório, ou seja é acrescentar mais um dia à jornada semanal de trabalho, algo que a maioria das pessoas não aceitaria nos seus empregos. Isto retira qualidade de vida, tempo de descanso, tempo de estar com a família. Mas esta demagogia é irritante e a cegueira dos governantes que não denunciam isto é incomodativa.

A mentira alarmista do PS acerca do TGV


No seu ímpeto desmesurado de querer deixar marca na história do país, através de grandes obras do regime, o PS tem vendido uma mentira descarada, quer ao longo da campanha para as europeias, quer na ressaca pós eleitoral. O PS tem vendido a ideia de que, entre muitas outras razões, o projecto do TGV não pode ser adiado, sob a pena de perdermos uma série de fundos comunitários essenciais para a realização do projecto.
Ora após o manifesto dos 28 economistas solicitando ao governo a reavaliação dos grandes projectos em obras públicas, vem, quem de direito, afirmar que Portugal só perderá esses fundos se quiser. O jornal i traz hoje uma notícia que refere isso mesmo: Durão Barroso, Presidente da Comissão Europeia garantiu que Portugal não perderá os fundos, nem será penalizado, se decidir adiar o projecto do TGV. Já se decidir cancelar de vez o projecto o cenário é outro, aí a única hipótese de não perder esses fundos será apresentar de imediato outros projectos onde estes dinheiros possam ser aplicados.
E há muito onde estas verbas podem ser aplicadas, há muito e em ferrovias mesmo, revitalizando e modernizando as linhas mais importantes do país, fazendo ligações a Espanha com maior qualidade e maior acuidade também, indo muito mais ao encontro das necessidades das pessoas, das populações.
Claro que o PS está manifestamente mais interessado em vender o seu programa eleitoral, do que em encontrar soluções efectivas para o país. É pena que muitos queiram, apesar de todas as evidências, continuar a acreditar na palavra, na competência e na capacidade deste partido que nos últimos quatro anos só demonstrou não ser credível, competente nem capaz.

4.300.000.000

Lê-se quatro mil e trezentos milhões, é o valor em Euros que o nosso défice já leva. Longe vão os tempos de aperto orçamental, agora é o esbanjamento orçamental, mas claro que a culpa é da crise: eleições a quanto obrigam.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Nuno Cardoso: a divina justiça


Onde pára a justiça portuguesa, de perdidos caminhos feita, que longe de ser justa, como de cega não é. Bem escolhido o golpe foi, bem à medida, de alargar o regime das penas suspensas de três para cinco anos, aquando da entrada do corrente governo PS, pois senão o caro Nuno teria de passar uns dias, condenado pela humana justiça, desprezado pela divina, na bem mundana prisão, onde a vileza dos homens leva, pela cegueira injustiça da humana justiça, um santo homem, inocente aos olhos da divindade, a ser condenado.

Pobreza de alma, pobreza de espírito, como pode um inocente ser condenado. Mas ainda que seja, apelando para a divina justiça, não vá o diabo tecê-las, também segue o apelo para a humana, para a falha, ridiculamente pequena e insignificante justiça humana.

Olhai homens do seu partido, vós que continuais cada dia a convidar o digníssimo Nuno para a causa pública, olhai e vede o mártir, que apesar do seu sofrimento se dispõe a voltar, a tornar ao flagelo público da gestão (ou ingestão) da coisa pública. Vide, vide e contemplai, como uma pobre vítima de um cruel problema administrativo pode ser arrastada na lama, como o pode ser o mais puro e santo dos homens. Olhai D. Nuno Cardoso e contemplai, um homem em luta contra a justiça humana, apelando à divina, porque, sim, porque pobre homem foi vilipendiado em sua honra pela desonra imerecida da culpa de uma assinatura esquecida, nunca lembrada. Como podeis vós, homens de pouca fé, desonrar desta forma D. Nuno, culpado pelos homens, inocentado pelos céus.

O pecado dos exames nacionais e das provas de aferição


Há dois assuntos, ligados com exames escolares, que têm sido efectivamente confundidos: um são os exames nacionais - que influenciam na nota, influenciam as médias e a carreira escolar dos alunos - outro são as provas de aferição - que não contam para nota, servem apenas para o Ministério da Educação aferir da qualidade do ensino e da forma como os currículos escolares estão ou não a ser apreendidos pelos alunos.
Não tenho absolutamente nada contra o facto dos exames nacionais serem acessíveis, embora dependa um pouco do significado efectivo de tal termo. Se acessível significa fácil, que qualquer um resolve, temos aqui um problema de credibilidade dos mesmos. Se acessível significa que está acessível ao aluno médio, ou seja, se o exame é realista, estando estudado para que o aluno bom tenha um bom resultado, o aluno médio tenha uma nota média e o aluno mau uma má nota - claro que a aplicação de última hora pode ajudar, tal como o desleixo de última hora também pode prejudicar - então temos exames credíveis, bem feitos e que ainda por cima aferem também da qualidade do sistema educativo. Não posso esquecer-me do tempo dos exames dificílimos ou das provas específicas, feitas por professores universitários para alunos de secundário, dificílimos, humilhantes e frustrantes para os alunos. Pelos que um realismo nessas provas é muito bem vindo.
Nas prova de aferição o realismo destas é que demonstra da utilidade das mesmas. Ou seja se o ministério quer dados fiáveis para aferir da qualidade do sistema de ensino não pode permitir facilitismo nessas provas, nem pode ser demasiado exigente, tem de ser realista, para que realidades diferentes sejam reflectidas nos resultados das provas.
Infelizmente o grande pecado dos exames nacionais e das provas de aferição é que não se podem comparar dados. Primeiro não se pode comparar dados de exames manifestamente mais difíceis com os dados dos exames mais recentes e daí retirar a conclusão de que o ensino está melhor. Não se pode pegar em provas de aferição extremamente fáceis e daí tirar o mesmo tipo de conclusões. Isso em bom português tem um nome: mentira. Tem também uma série de adjectivos, tais como demagogia - da mais forte e descarada que se tem visto nos tempos da democracia portuguesa -, hipocrisia - é preciso ter muita cara de pau para dizer que estes exames estão ao nível de outros e daí vamos retirar conclusões de que se os resultados estão melhores é porque as medidas do governo resultaram -, falta de honestidade, etc.,etc.
Ponham estes miúdos a fazer exames de alguns anos atrás e vão ver o trambolhão. Eu não defendo isso, repito, não gosto de exames difíceis, prefiro-os realistas, mas daí também não podemos concluir que uma melhoria das notas é devida à política educativa do governo. Até porque isso é tapar o sol com a peneira e que sai prejudicado é o país, são os alunos futuros, que vão entrar num sistema mau que não tem capacidade auto-crítica. O nosso sistema educativo está a ficar anoréctico, cada vez mais magro, cada vez pior, mas olha-se ao espelho e vê uma pessoa gorda a precisar de dieta. Impõe-se uma mudança.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

As grandes obras públicas

A notícia de que cerca de 30 economistas de renome e de vários quadrantes políticos, subscreveram um manifesto solicitando ao governo que trave os grandes projectos de obras públicas, e, aguardasse para efectuar uma reavaliação após as eleições, aperta o PS para uma situação em que nas eleições o seu projecto político, assente sobretudo nessas obras, seja devotado desde já ao descrédito público. O bom senso assim o dita, mas só o governo parece não querer entender.

Um caso sério de clarividência


Já não é a primeira vez que as opiniões de José Miguel Júdice, habitual cronista do jornal Público das sextas-feiras, vêm de encontro ao meu pensamento pessoal e muito concordantes com aquilo que é também a ideia que o MMS tem defendido e apresentado sobre o sistema político português. Hoje aconteceu de novo: o ex-bastonário da Ordem dos Advogados publicou hoje no referido jornal um texto sobre a renovação do sistema político, com tiros certeiros e críticas correctas ao mesmo, sob o título de "O renovamómetro".
O meu primeiro impulso foi de publicar aqui por integra a crónica, uma vez que o Público não disponibiliza um link, mas decidi por fim publicar aqui apenas trechos.

O renovamómetro
(...)
O sistema partidário português nunca precisou tanto de renovação porque nunca esteve a um nível tão baixo. O episódio recente da lei de financiamento dos partidos (...) surgiu como apenas mais um exemplo do estado de desagregação do sistema que há muito entrou em processo de entropia negativa.
As causas são conhecidas, como já por várias vezes referi. Hoje em dia, os militantes activos dos partidos correspondem aos eleitos por esses partidos para vários escalões políticos, desde as freguesias ao Parlamento. Vivem disso e para isso e, como é evidente, organizam-se para evitar que surjam quaisquer valores novos que venham tentar competir pelos lugares escassos que ocupam.
A única forma de penetrar no sistema - para além de alguns nomes excepcionais que são exibidos nas campanhas eleitorais e para os quais é forçoso abrir algumas vagas - é entrar quase adolescente para as organizações de juventude. Aí podem insinuar-se pelo esforço e pelo trabalho junto de uma figura grada, fazer campanhas, integrar um gabinete autárquico ou nacional, tornar-se políticos profissionalizados antes de terem qualquer profissão. Depois, com alguma sorte e muita intriga, podem ir subindo gradualmente; até porque se abrem sempre algumas vagas, pois a partir de certa idade alguns políticos afastam-se para actividades mais rentáveis para que são contratados devido à notoriedade, aos contactos e à experiência de sobrevivência num mercado muito competitivo.
Estes cursus honorum sem diversidade é muito negativo para o sistema. Por um lado, porque formata um tipo de político que não tem experiência de vida, que vive em circuito fechado, que depende dos chefes e da carreira e, por isso, não tem ou não usa o espírito crítico, não se orienta por valores ou ideologia, mas tão somente pela sua carreira pessoal. Por outro lado, porque não se abre a candidatos à vida política que tenham tido essa atracção mais tarde, quando ou depois de já terem exercido uma actividade profissional. Este outro tipo de candidatos traria diferenciação e novidade ao sistema, no que seria uma espécie de reforço da ecologia política baseada na diversidade e na complementaridade.
(...)
Veja-se o exemplo - que tantas vezes referi sem que até hoje nem um único partido nem um único político alguma vez tenha ousado discordar de mim - do excesso de freguesias e de câmaras municipais, que contribuem para a tragédia do ordenamento do território, para o aumento dos custos do Estado e até para uma cultura de ociosidade política. Não é possível reduzir o número de autarquias porque isso tornaria a luta pelos lugares, mais escassos, ainda mais dura e agressiva; e, evidentemente, os políticos profissionais preferem ter mais lugares para distribuir do que ter de lutar ainda mais por eles.
(...)
A dimensão dos desafios tem de aumentar o sentido de responsabilidade das elites, dos que muito ganharam com 30 anos de democracia e crescimento económico e que pouco ou nada deram ao Colectivo e ao Bem Comum. Existe, por isso, uma janela de oportunidade para a renovação do pessoal político nas próximas eleições legislativas e autárquicas. Espero que os partidos sejam capazes de candidatar (...) mais pessoas com experiência da vida real e que estejam com uma idade em que voltam a ter mais tempo para dedicar a causas sociais e colectivas (...) numa palavra, portugueses que vão para a política para servir e não para se servirem.
(...) Espero até que a Critical Software ou a Y Dreams inventem um renovamómetro que permita medir instantaneamente a renovação, para assim nos ajudarem a escolher em quem votar. E, mais do que isso, nos ajudarem a decidir ir votar.

Agradecimento

Desejo agradecer aqui aos leitores d' A textura do Texto, que ontem bateu o recorde de visitas num só dia, deixando o convite para uma maior participação nos comentários aos textos.
Mais uma vez obrigado.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Afinal tudo fica na mesma: preocupação na SIC



A SIC que se cuide.

Unidade, Visão e Trabalho

Já passou algum tempo desde as eleições europeias, tempo este em que o blogue esteve parado, até porque todos nos dedicámos um pouco a relaxar e a descansar do tempo intenso da campanha. O resultado foi o que foi, a Comissão Política tirou as suas ilações, que publicou no site do partido, e é tempo de seguir em frente. Até porque agora temos um capital político que é o nosso, de cerca de 21 mil votos, que temos a responsabilidade de multiplicar para que a mudança efectiva de Portugal se comece a concretizar.

Por isso desejo deixar três palavras de ordem, nas quais os eleitores, os cidadãos, podem ver a forma como encaramos a seriedade das nossas propostas e a vontade férrea de mudar Portugal: estas são Unidade, Visão e Trabalho.

Unidade: após estas eleições o partido tem uma necessidade imensa de se unir, enquistar-se enquanto força política, para que divergências marginais não permitam uma distracção, de um milímetro que seja do alvo principal - a Visão que temos para Portugal.

Visão: unidos não nos distrairemos do essencial, que é manifestar, apresentar, levar, anunciar, desenvolver o projecto político do MMS; ter a visão de um Portugal moderno, com uma demoicradia participada e mais próxima dos cidadãos, com uma melhor qualidade de vida, onde o civismo é um princípio ensinado aos jovens, onde a segurança e a justiça, de mãos dadas, permitem o exercício de uma liberdade responsável, é o fundamento para a continuidade da luta, para as batalhas eleitorais que rapidamente se aproximam; desta visão criarmos uma outra visão, a visão que queremos proporcionar aos nosso concidadãos, por forma a que conheçam e reconheçam o projecto político do MMS é uma missão importante para a qual todos somos chamados. Daqui resta-nos trabalhar, trabalhar, trabalhar.

Trabalho: nada se faz, nada se alcança, nada se consegue sem trabalho. Esta é a última palavra chave que desejo deixar aqui e talvez a mais importante. É que trabalhar implica darmos de nós, suarmos, percorrermos, dar a cara, apresentarmos o nosso corpo ao msnifesto; não é apenas estar atrás de um teclado a escrever, é sair daí, apesar dos pouco tempo e dos muitos afazeres e ainda assim, por um bem maior, por uma causa comum, encontrar tempo, vontade e forças para vir para a rua, para as colectividades, para as igrejas, para as IPSS's mostrar, ouvir e explicar o nosso projecto. Dar de nós, trabalhar este é um desafio para todos os militantes do MMS, mas também para todos aqueles que, não o sendo, reconhecem neste projecto o valor intrinseco necessário para levarmos adiante a "revolução inteligente".

José Eduardo Moniz na Presidência do Benfica


É a oportunidade de que a SIC estava à espera para reconquistar audiências!!


E parece que o Bagão Félix, se Moniz avançar, vai para a Assembleia Geral!!

Sócrates O Anjinho


Depois da personagem de Sócrates O Calimero, com os seus números de vitimização, não ter colado, tanto que perdeu as europeias, agora, sob o argumento de uma suposta leitura dos resultados eleitorais, o nosso primeiro-ministro apresenta-nos o seu novo personagem - atenção que é apenas um personagem - Sócrates O Anjinho: humilde, modesto, atencioso, calmo e auto-crítico. Será que cola?