quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Sócrates O Calimero


Já não é a primeira vez que comparo o nosso Primeiro-Ministro, Ex.mo Sr. Eng. José Sócrates, com o pintinho cheio de auto comiseração Calimero, por usar constantemente a estratégia da vitimização.

Desta vez volto à comparação porque o nosso Primeiro está de novo a fazer esse exercício, porém a raiar, desta vez, a irresponsabilidade grave. É que depois de ter esticado a corda da dramatização com o Orçamento de Estado, gritando "olhem vejam os maus partidos da oposição a quererem governar a partir da Assembleia", conseguindo a aprovação do Orçamento de Estado, sem a imposição de qualquer exigências da parte dos partidos PSD e PP, agora, perante uma iniciativa (deveras despropositada) da oposição, volta a esticar a corda.

O pior é que desta vez ameaça, não partir, mas a cortar de verdade a corda. A Oposição, percebendo a contradição que seria aprovar esta despropositada e despesista Lei das Finanças Regionais, numa segunda demonstração de sentido de responsabilidade e de Estado, cedeu, aprovando na especialidade profundas alterações, o que retirou as características mais esbanjadoras da Lei, procurando o acordo do PS e do Governo. Mas começa-se a perceber que a intenção é fazer birra, não havendo qualquer desejo de negociar nada, naquilo que parece ser a estratégia que o PS e o Governo vão seguir no restante da legislatura, apresentando propostas que a Oposição tem de seguir sob o pretexto de ser irresponsável e causar uma crise política com as ameaças constantes de demissão. O PS e o Governo estão a ser politicamente desonestos, pois declaram uma intenção de negociação que efectivamente não pretendem encetar, querendo sim arrastar os outros partidos nos seus desejos.

Estamos perante uma forma grave de encarar a democracia: esta é a política de governar pela chantagem, é uma governação terrorista, exigindo, apontando a arma da demissão, tentando lançar o ónus sobre a oposição.

Até o Presidente da Assembleia da República está a entrar na paranóia, sendo afirmado pelo jornal i que Gama poderá adiar ele a votação da Lei, mesmo depois das profundas alterações, para evitar esta crise política.

Ouvi agora na TSF que o Teixeira dos Santos convocou os jornalistas para falar ao país hoje às oito da noite, mas aparentemente o cenário de demissão está afastado, mas a corda será esticada um pouco mais.

A ver vamos.

Mas começo a achar que para andarmos a ser governados por terroristas políticos do PS mais vale haver novas eleições e que o PS, claro, não ganhe, ou ganhando (por azar supremo) que seja com maioria para acabar sozinho com o resto - do país entenda-se.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Risco da dívida portuguesa dispara para valor recorde




Este é um trecho de um artigo do Público que demonstra que o risco de incumprimento da dívida pública portuguesa está a subir, o que significa que o prémio a pagar pelo Estado está a subir.

É mais um sinal de preocupação para com as nossas finanças públicas e que devia abrir os olhos dos nossos políticos para a necessidade urgente de efectuar cortes efectivos e não cosméticos nas despesas públicas. É por isso de exigir, por exemplo, a privatização de empresas públicas que são sorvedouros de dinheiros do orçamento e que não nos acrescentam nada de útil: RTP, TAP, ANA, entre outros só dão prejuízo e necessitam de ser cortados do Estado que as alimenta às custas de todos nós.

O abismo que Sócrates andou a cavar nos últimos cinco anos está finalmente a começar a engolir-nos.

Eu ia escrever qualquer coisa sobre o assunto mas...



Será que com os impostos também vão deixar cair o seu aumento, ou o seu aumento acabará por cair sobre nós?

Finanças regionais, Calimero Sócrates, Dramatização e Conselho de Estado











Parece uma sopa, ou talvez uma salada, mas não é.
Depois de o responsável PSD ter, apesar de todas as reservas, concordado em viabilizar o Orçamento de Estado, eis que a ala irresponsável do PSD trouxe à luz a velha história da vingança pessoal que Sócrates tem exercido contra Alberto João Jardim, tentando ressuscitar as transferências do Estado Central, em algumas dezenas de milhões de Euros, para a Madeira. O clamor tem sido geral, com a exclamação de que seria um mau sinal dado aos mercados internacionais. Já para não falar que a palavra de ordem é poupar e apertar o cinto e de que a Madeira, como o resto do país, não pode ser aí excepção.
Na verdade o PSD está a fazer um favor ao Jardim, e na pior altura possível, mas não está nisto sozinho, pois os restantes partidos da oposição parecem acompanhar os sociais democratas nisso. Mas porquê? A razão parece ser simples: a birra de Sócrates com Jardim provocou uma situação de descriminação da Madeira em relação aos Açores.
Existem muitos argumentos contra e a favor desta Lei das Finanças Regionais que o PSD quer aprovar, mas para mim, tudo o que seja agravar os gastos do Estado neste momento é mau. Nunca pensei dizer isto mas o Governo tem aqui alguma razão.
Claro que isso não desculpa o nível de dramatização apresentado pelo PS e por Sócrates, com ameaças de demissão de Teixeira dos Santos, de José Sócrates ou mesmo do Governo em bloco. Creio que é tempo do Governo seguir o exemplo do responsável PSD, que sem grandes concessões, a bem da estabilidade governativa do país, acordou viabilizar o Orçamento do Estado. Deve o Governo vergar e aceitar que a Assembleia tenha liberdade para aprovar Leis, ainda que com impacto orçamental. É essencial manter a estabilidade, até porque esta birra faz lembrar uma fuga, ao estilo Durão Barroso, procurando uma desculpa para fugir de algo que sente não ser capaz de levar a bom porto. Sempre me pareceu que o actual PS é um partido de gente incompetente para com a situação actual do país, tendo mesmo optado pelas políticas mais erradas. O perigo - para o país - é que o Governo caia mesmo e o PS - em consequência desta lamechice autopiedosa - consiga um reforço parlamentar, aí sim seria o caos. O País precisa de uma injecção pujante de realismo que parece faltar a uma parte muito substancial dos actuais actores políticos.
A isto junta-se agora um Conselho de Estado, que sem agenda conhecida, parece estar condenado a discutir o óbvio, com Jardim, Sócrates e César frente a frente. Será que Cavaco terá força suficiente para ser catalisador de um acordo de estabilidade? Eu duvido, mas fico na expectativa.

Bruxelas aprova plano de recuperação da Grécia



Siga o link e descobrirá uma notícia fantástica: a Comissão Europeia aprovou o plano da Grécia para a redução do défice, que em 2009 foi de mais de 12%, para menos de 3% até final de 2012. A Grécia vai ser vigiada de perto, tendo o Governo Helénico de prestas contas a Bruxelas de três em três meses. O plano grego foi qualificado pela Comissão como difícil, ambicioso mas possível.
O mais estranho disto tudo é que foi dito que Portugal - que a par da Grécia, e muito mais que Espanha ou Irlanda, tem fortes problemas estruturais a enfrentar para consolidar o controlo orçamental exigido - irá entregar em breve um plano semelhante. É estranho porque até hoje ainda não ouvi falar de nenhum plano plurianual de controlo do défice - aliás ouviu-se que o PSD iria exigir a construção desse plano para viabilizar o orçamento, coisa que não se concretizou, pois a estratégia de dramatização, aliada ao desprezo inicial dado ao PSD em detrimento do PP, garantiu por si só a abstenção social democrata.
Mas agora que ouço o Governador do Banco de Portugal a anunciar um inevitável, segundo ele, aumento de impostos, começo a perceber que esse plano já deve ter um esboço, que deve passar mesmo por um agravamento fiscal, pois Vítor Constâncio tem servido ultimamente de mensageiro das más notícias fiscais, ou como diz Bagão Félix, de Lebre Fiscal.
Fiquemos atentos a este desgoverno socialista, que parece nitidamente desnorteado.

Mário Crespo e os limites da liberdade


Este é o título de um texto do Henrique Monteiro no site do expresso. Por ser tão certo, acutilante e ao mesmo tempo equilibrado, apesar de já toda a gente o ter lido, creio ser essencial, pelo menos para mim, publicá-lo aqui.


Sou amigo do Mário Crespo há muitos anos e tenho-o na conta de um homem independente e sério, o que não significa que partilhe muitas opiniões com ele, ou que entenda que ele é um modelo de jornalismo. Também não acho isso de mim próprio, ou de ninguém em particular.
A liberdade é a coexistência de modelos e não a imposição de um em concreto.
Ao longo de mais de 30 anos de carreira jornalística - e nesse particular sou mais antigo do que o Mário - não me lembro de um cronista ser dispensado depois de a crónica estar pronta a ir para a oficina. E o que isto significa é que os limites da liberdade estão mais apertados do que nunca.
Tenho o director do JN, José Leite Pereira, na conta de um bom profissional e de um homem independente e sério. É jornalista há muitos mais anos do que eu, tem uma experiência considerável. Não creio que ele se impressione com uma crítica a Sócrates, como não creio que ele exigisse gratuitamente a Mário Crespo uma confirmação independente de fontes. Provavelmente, não o faz (nenhum de nós o faz) quando, em vez de Sócrates, está um outro cidadão qualquer em causa.
Porém, no caso do primeiro-ministro as palavras são relevantes, já que proferidas por quem tem a responsabilidade do poder executivo neste país. É certo que a conversa pode ser considerada privada, mas é igualmente certo que o bom-nome de Mário Crespo foi atacado de forma pública, ou jamais seria ouvida por circunstantes que nada tinham a ver com a conversa.
O que se passa, então?
Posso tentar avançar uma explicação: Mário Crespo tornou-se incómodo para Sócrates (e até para Cavaco, que denunciou em algumas crónicas), e a sua incomodidade estava a deixar o próprio José Leite Pereira numa situação difícil. Por isso o director do JN recorreu a um excessivo escrúpulo jornalístico para resolver a questão. E decidiu não publicar a crónica.
Não posso condenar José Leite Pereira, não é do meu timbre julgar os outros. Apenas posso dizer que este é o panorama da nossa Comunicação Social: Grupos que dependem do poder do Governo, patrões que pressionam directores e editores até à exaustão, cronistas afastados por serem incómodos e uma multidão de lambe-botas que, prudentemente se cala ou arranja eufemismos para tratar a questão.
Tenho em comum com Mário Crespo o facto de trabalharmos num grupo onde nada disto acontece (felizmente não será o único). Talvez não estejamos inteiramente preparados para o mundo 'lá fora', onde as palavras têm de ser medidas, onde não se pode escrever preto no branco, como aqui faço, que Sócrates é o pior primeiro-ministro no que respeita à Comunicação Social; o único que telefona e berra com jornalistas, directores, com quem pode. O único em que nestes mais de 30 anos que levo de vida jornalística, se preocupa doentiamente com o que dizem dele, em vez de mostrar grandeza e fair-play com o que de errado e certo propaga a Comunicação Social.
Lamento dizê-lo, tanto mais que é nosso primeiro-ministro e seguramente tem trabalhado muito e o melhor que sabe.
Mas é a verdade, e num momento destes a verdade não se pode esconder.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Afinal houve mesmo gente que ouviu


Se houve dúvidas nestas horas acerca da sanidade mental do jornalista Mário Crespo, que num artigo de opinião, aludia a factos reais - graves ainda por cima - sem que aparentemente estes fossem possíveis de confirmar, agora parece que não é tanto assim.

As coisas começam a compor-se e a saber-se: já se sabe onde foi o tal almoço - no Hotel Tivoli - e quem foram as pessoas com quem Mário Crespo confirmou a informação de que tinha sido mesmo referido como um problema a resolver - Nuno Santos, director da SIC e Bárbara Guimarães, apresentadora da mesma estação e esposa do socialista Manuel Maria Carrilho.

Afinal onde há fumo continua ainda a haver fogo.

Parece que o nosso Primeiro-Ministro é melhor a resolver problemas na comunicação social do que a governar. Ora vejamos: RTP - tudo controladinho e a voz dissonante, o Prof. Marcelo, já está em fase de silenciamento; TVI - Jornal Nacional de Sexta, já acabou, a MM Guedes, já não trabalha, o José Eduardo Moniz já foi exportado para a Ongoing; Público - o José Manuel Fernandes já se demitiu, cansado de ser saco de pancada do Sócrates e amigo (de tanto ser malhado...); agora chegou a vez da SIC e do Medina Carreira.

Isto não é censura, é a democracia (?) no seu melhor (?), a democracia do PS e de Sócrates.

E se...


E se por cada 100 dias de Governo vamos ter festa grossa como desta vez, atendendo a que cada ano tem cerca de 365 dias, teremos pelo menos três festas destas por ano.

E se cada legislatura tem a duração de quatro anos, aceitando-se que esta irá até ao fim, continuando ao ritmo de uma festança por cada 100 dias de Governo, teremos ao todo, nesta legislatura 14 festas de arromba.

Dá que pensar não dá?...

Vital Moreira - de vez em quando, muito raramente, lá diz alguma coisa de jeito



Aqui ficam três citações de Vital Moreira no Causa Nossa com as quais, incrivelmente, concordo:

Na cerimonia inaugural de ontem no Porto, foi incluída entre os discursos oficiais uma oração por um capelão das Forças Armadas. Tendo em conta que uma das grandes conquistas da República foi separação entre o Estado e a religião, o mínimo que se pode dizer é que se tratou de uma iniciativa despropositada e de mau gosto.

Na mesma cerimónia inaugural as entidades oficiais que iam chegando eram publicamente anunciadas pelas suas qualificações académicas ("dr.", "prof. doutor", etc.). Revertendo ao espírito original da igualdade republicana, por que não aproveitar o Centenário para abolir de novo e definitivamente tais formas de tratamento do discurso e dos documentos oficiais?

Tenho por evidente que Manuel Alegre hipotecaria à partida a sua candidatura presidencial se aparecesse como candidato do Bloco de Esquerda ou com o seu discurso.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O cheiro da política


Há pouco tempo tive uma conversa com um Pastor Evangélico em que este me dizia, muito em tom de crítica para com a minha pessoa, que em jovem já se tinha envolvido em política, que pertencera a uma juventude partidária, mas que deixou tudo isso porque a política cheira mal.

Esta conversa foi-me feita por um homem que é director de uma ipps ligada a uma Igreja. Uma IPSS, que eu saiba é uma instituição particular de solidariedade social, logo é uma instituição política, de intervenção em política social, ou estarei errado? Nessa conversa esse homem disse-me estar presente na Rede Social, no CLAS - Comissão Local de Acção Social - e na Comissão de Protecção de Menores: mas será que estou enganado ou tudo isso são estruturas políticas, profundamente políticas? Não são partidárias, mas são políticas.

Dizer que a política partidária fede, que cheira mal, isso eu aceito, mas dizer que a política, apenas assim, que a política cheira mal, isso não consigo aceitar, até porque a política é muito mais do que aquilo que por vezes percepcionamos como tal.

Além disso se a coisa fede só nos resta duas coisas a fazer: a primeira é promover uma limpeza da porcaria; a segunda é haver quem leve o bom cheiro, se é que me entendem.

Pois é, por essas e por outras é que estou na política, e se não sou o exemplo melhor de pessoa e de crente, pelo menos tenho a coragem de dar a cara pelas minhas convicções e tenho a certeza de que posso fazer melhor, mais transparente e mais justo do que aqueles que até hoje têm comido do nosso orçamento, e, disso que têm comido só nos resta, para nós que os alimentamos, os restos mal cheirosos e escatológicos dessa abundante alimentação.

Por isso achei engraçada uma iniciativa no facebook que procura incentivar pessoal jovem e mais preparado a aderir em massa aos partidos nos quais habitualmente vota, como forma única de promoção da mudança. Sinceramente acho pouco provável que alguém consiga mudar a utopia irrealista, para não dizer pior, do PCP, ou mudar a hipocrisia do BE, ou até o conservadorismo serôdio do CDS, pelo que, embora engraçada, acho esta iniciativa ineficaz. Eficaz sim seria a adesão maciça a um novo movimento político, a um novo partido político, onde sem vícios, de origem, se podem discutir as ideias e encontrar as melhores soluções, bem como, num espírito voluntarioso e sedento de mudança, fazermos alastrar essa esperança, essa ideia de mudança, promovendo assim a mudança de que Portugal urge: uma profunda mudança de mentalidades.

Mário Crespo - Censurado ou apenas demente




Como tenho lido na blogosfera gente a defender a atitude do Jornal de Notícias em não publicar o texto do Mário Crespo, por este não ser de opinião, mas uma notícia, para que não ficassem dúvidas pesquisei e encontrei o dito texto. Deixo-o aqui porque após ler o mesmo eu não fiquei com dúvidas nenhumas de que este era um artigo de opinião, logo ocorreu um perigoso exercício de censura. Triste, num país como o nosso, um mau Primeiro-Ministro, líder de um partido medíocre, que dirige um segundo péssimo governo, só seja bom a gerir a sua imagem e em "limpar" todas as manchas que sobre esta ameacem cair.
Provavelmente em breve vamos ter a Google a ameaçar sair de Portugal por o governo de Sócrates pretender limitar as pesquisas, dar uma olhadela nos mails dos inimigos do PS e cortar os blogues que não alinham com o pensamento único autorizado.
Não nos esqueçamos que um dos grandes amigos políticos de José Sócrates é, nada mais nada menos, do que esse grande vulto da democracia e da liberdade que é Hugo Chávez.
Aqui fica o texto:

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”.
Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Lavar os pés


Peço já desculpa aos que perante o título possam pensar que este é um artigo de higiene pessoal, ou até de humor: a realidade é outra. Peço também desculpa aos leitores que visitam este blogue em busca dos habituais textos sobre sociedade e política. Este é um pouco habitual texto de índole pessoal, reflexivo e de conteúdo espiritual.


Tenho pensado muito, entre ontem e hoje, naquela passagem bíblica onde Jesus se cingiu de uma toalha e se dobrou diante de cada discípulo lavando os seus pés, limpando deles a sujidade terrena, que do andar do dia a dia, se acumula nos pés, não descalços mas calçados de umas débeis alparcas, que facilmente permitem a entrada do fino pó, que aliado a um suor natural, deve deixar uma marca profunda de sujidade nos pés de cada um dos discípulos.

Este pensamento tem-me assaltado consecutivamente desde que ontem tive uma zanga com uma pessoa que é voluntária na IPSS evangélica onde os meus filhos estão na cresce e pré. Esta zanga, com a respectiva altercação sonora motivou a intervenção do director do colégio, que muito zangado comigo, especialmente por ser um "crente" a levantar problemas ali. Claro que ele estava zangado comigo por outras razões em acumulado com esta: é que numa reunião do início do ano lectivo eu questionei a opção da instituição em continuar a encerrar durante todo o mês de Agosto, em frente aos outros pais e descrentes. Pior, nessa reunião afirmei que a instituição estava parada no tempo, pois não entendia que 23 anos depois da sua abertura as realidades sociais e laborais haviam mudado e não havia mais ninguém que conseguisse ter férias todo o mês de Agosto. O director levou isto a mal, ficou ofendido e magoado, mas nunca me disse nada, embora eu tivesse percebido o seu distanciamento em relação à minha pessoa. Sim reconheci que fui injusto, até porque a instituição é excelente e funciona perfeitamente à parte desse senão, e, sempre tive um fácil acesso ao director, que sempre me recebeu, e pior, pior para o meu lado, os favores que lhe pedi, só não os satisfez mesmo quando não pode (bem acho que ele satisfez todos, pelo menos não me lembro de nenhum favor pedido que ele não tenha dado a volta). Pedi perdão, sim pedi um sincero perdão, ao director por nessa ocasião ter sido injusto e sobretudo por não ter dito, se queria dizer, esse comentário em privado, onde não teria o mesmo impacto.

Durante a conversa que tivemos o director do colégio, um pastor baptista, contou-me uma história: Certo rapaz muito iracundo, que perdia muitas vezes e com facilidade o controle, foi certa vez desafiado pelo pai a pregar um prego numa tábua de cada vez que se descontrolasse; Assim o rapaz fez e facilmente conseguiu preencher a dita tábua de pregos; Ele foi ter com o Pai e mostrou a tábua já cheia de pregos, recebendo do Pai então outro desafio; Foi desafiado para que, de cada vez que conseguisse controlar-se e não perder a calma fosse à tábua e arrancasse um prego; Desta vez já demorou um pouco mais, mas com algum esforço lá conseguiu arrancar todos os pregos; Foi depois mostrar ao seu Pai a tábua já sem pregos; O Pai disse-lhe "Vê a tábua, conseguiste retirar todos os pregos, mas as marcas essas nunca conseguirás apagar".

É verdade a mágoa produzida por uma palavra mal dita, por uma acção menos pensada, por muito perdão que se lance pode nunca mais ser apagada.

Mas isto transporta-me de novo para Jesus a lavar os pés aos seus discípulos: o único puro limpava os impuros, para isso dobrou-se, humilhou-se e sujeitou-se às sujidades corporais dos outros.

Daqui viajo para um culto, no centro Desafio Jovem em Salvaterra de Magos, onde o director da altura, o Toni Barbosa, desafio os cooperadores do Café Convívio a que pertenci - estávamos lá num pequeno retiro de um dia - para lavarmos os pés uns dos outros, não dialéticamente, ou simbolicamente, mas sim fisicamente, com água e sabão. Nunca esquecerei esse dia. O meu amado e saudoso irmão Manuel, que já não está entre nós, foi - e esta é uma expressão que me agrada particularmente - promovido à glória; Sim ele passou dificuldades depois que saiu do centro, tanto que a doença que tinha o venceu, pela debilidade das defesas que lhe causou, mas acredito que partiu salvo; como dizia, o Manuel veio com a bacia e descalçou os meus sapatos e lavou os meus pés. Foi um acto de amor, com humildade recebi esse gesto, mas nunca mais vou esquecer o que sentimos. Sim irmão eu amei cada minuto desse dia, ao ver cada um lavando os pés aos outros. Que saudades. É fantástico ver como fazer algo tão simples como dobrar os joelhos e lavar a sujidade dos pés de outro pode fazer de toda a diferença em nós. E descobri nesse dia, uma coisa que me esqueci durante muito tempo e que aquele incidente de ontem me fez relembrar: descobri nesse dia a olhar para os outros como superiores a mim mesmo, como gente de valor e que por isso, ao lavar os pés, qualquer mágoa e ofensa é certamente lavada.

CREL os deslizes foram mais do que de terra apenas - a Câmara Municipal da Amadora deslizou também


Público - Empresa que fez despejos junto à CREL trabalhava para a câmara

Todos os utentes dos concelhos servidos pela CREL, mas em especial os que, como eu, são do Concelho de Sintra, têm sentido os nefastos efeitos do corte dessa estrada, devido a uma derrocada de terras.

Foi com alguma surpresa para mim que me deparei com este artigo do Público sobre a origem do problema que agora todos estamos a sofrer.
A Câmara Municipal da Amadora é a proprietária de um aterro, cheio de lixo e terras, devido a uma obra de uma outra estrada, despejados naquele local, sem grande cuidado, apesar dos avisos da Estradas de Portugal, alertada esta pela concessionária da Auto-estrada, de que as terras para ali transportadas estavam a debilitar as infraestruturas de drenagem de águas da CREL.
Claro que como é hábito em Portugal e sobretudo nas autarquias, as orelhas moucas voltaram a não ouvir o que não convinha, mas o pior é que um perdido ofício foi encontrado por um jornal, colocando muito em causa a posição da CM da Amadora.
No meio de tudo isto está uma empresa do grupo Espírito Santo, a ESAF, que é citada por ser a gestora da parcela de terreno que desabou sobre a CREL. Mas esta empresa não quer, obviamente, pagar a factura da limpeza e reparação da estrada que a Brisa se prepara para lhe enviar, até porque diz não ser essa a sua parcela, mas sim uma contígua, e que, ainda não há culpas a assumir porque ainda não está definitivamente demonstrada a culpa do deslize.
Óbvio para mim é que a culpa não é concerteza dos mais prejudicados - os condutores que até pagam - e que estas entidades já se preparam para o habitual jogo de ping pong, sempre de uns para os outros, para que no fim a culpa morra, como de costume também, solteira. O prejuízo esse vai ficar, não nas mãos da privada Brisa, mas do Estado, que certamente pagará uma indemnização que o Estado vai dar até que se encontre um sempre esquivo culpado que leve com a factura - pesadita - em cima.

Mas isto deve de levar-nos mais fundo - à forma como o nosso território é administrado e ordenado - principalmente ao péssimo trabalho que por aí se faz, sobretudo ao nível autárquico. É que as nossas autarquias são organismos reconhecidamente improdutivos de benefícios concretos para os munícipes, e, as freguesias para os fregueses, sendo no entanto mais uma sobrecarga orçamental para todos.
Será, pergunto eu, que temos mesmo necessidade deste tipo de estrutura incompetente, desfuncional e sobretudo fonte de corrupção - é esta a sensação da generalidade dos cidadãos - como o são as Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia, ou poderíamos promover uma vantajosa remodelação, profunda e verdadeira e também por isso que nos traga vantagens do dinheiro que gastamos?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O nosso Presidente da República está hoje na berra


Depois de um discurso algo violento e frontal na cerimónia de abertura do ano judicial, o nosso Presidente também esteve na berra por outro motivo: uma linda entrevista de Belmiro de Azevedo à Visão, veja-se este artigo do i - "Cavaco é um ditador", diz Belmiro de Azevedo.

Chico Esperto


O nosso Ministro da Economia quis ser chico-esperto mas a coisa não correu bem: o défice de cerca de 5% antes das eleições foi esquecido e para o final do ano passado já se falava que seria de 8%, podendo ir até aos 8,3%; mas agora, para fintar as casas de rating internacionais, o nosso chico-esperto Ministro das Finanças lançou para o ar um défice 2009 de 9,3%, e, assim, sem mexer em mais nada, fazer um brilharete orçamental anunciando um esforço de descida em 2010 de 1% do défice, para 8,3%.

O pior é que a coisa não funcionou e a descida do rating está eminente, coisa que aliás já aconteceu com a dívida pública. O Estado já terá que pagar mais um por cento de prémio aos títulos emitidos de dívida pública: lindo não é.

Grécia aqui vamos nós.

Querer queria, mas não consigo


Eu gostaria muito de dizer algo acerca do orçamento de Estado mas não sou capaz.

Vejamos isto:

Finanças Regionais: “Oferta” de diálogo foi feita por Lacão, após entrega do Orçamento - a aprovação do OE conseguida, veio o ataque às Finanças Regionais;

Finanças regionais. Sócrates ameaçou demitir-se - o Calimero Sócrates volta a atacar;

Mas depois de apresentado o Orçamento a confusão instala-se;

Ameaça de corte de rating aumenta juros da dívida pública - o excelente Orçamento Sócrates/Teixeira dos Santos, não convenceu as agências internacionais, isto está mesmo a dar para o torto;

mas então veio a birrinha do Teixeira dos Santos - Teixeira dos Santos: “Merecemos o benefício da dúvida”.

O desnorte é preocupante, mas há sempre um optimista de serviço - Nogueira Leite vê "margem" para acabar o ano com défice inferior a oito por cento

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Seis em cada dez famílias portuguesas sentiram dificuldade em pagar despesas de saúde - Sociedade - PUBLICO.PT


Seis em cada dez famílias portuguesas sentiram dificuldade em pagar despesas de saúde - Sociedade - PUBLICO.PT

Este artigo do Público, motivado por um estudo da Deco, demonstra a forma como as famílias estão a lidar com grandes dificuldades com o prolongamento da crise financeira, que foi antecipada de uma crise orçamental, que para Portugal, este ano, a essa prolongada crise financeira regressa por acumulação essa passada e nunca debelada crise orçamental, que promete vir para ficar, ainda que a crise financeira se esfumasse hoje do dia para a noite.
Pergunta: Se a crise financeira internacional não é culpa dos governos nacionais, e estes não podem, por si só, acabar com ela, qual é a desculpa em relação a esta insuportavelmente prolongada e reincidente crise orçamental?
A verdade é que sempre o Estado viveu muito acima das suas possibilidades, iludidos que andámos numa nuvem de promessas igualitárias e colectivistas de uma esquerda enganosa, que nos conduziu por um caminho de direitos, sem que os deveres, sobretudo o de sermos produtivos e de os nossos empresários e gestores serem competitivos e competentes, acompanhassem os mesmos, tornando insuportável o peso que o Estado tem para economia. Mais ainda, aprendemos a bela arte de receber dinheiro de papo-para-o-ar e não queremos agora abandonar tal situação. Sim afinal até da UE vieram subsídios para abater frotas e arrancar culturas.
Acontece porém que para agravar tudo isto, o sector privado estrangulado pelo estado, numa tentativa de não ficar preso no imobilismo e tentar algum desenvolvimento, recorreu ao crédito, a níveis que agora, perante a crise financeira, sentem muitas dificuldades em pagar.
Pois, isto porque o nosso país gosta é de enterrar dinheiro em empresas moribundas, para que estas ainda sobrevivam mais uns minutos, mais umas horas, mais uns dias, acabando por morrer e levar consigo o dinheiro investido por todos nós. Claro que exigir aos empresários que se modernizem, tornem competitivos, pedir-lhes contas pelo dinheiro dos contribuintes que receberam, exigir resultados e uma rigorosa gestão, isso não passa pela cabeça de ninguém. Perdão só passa pela cabeça dos nossos governantes.
Ninguém tenha dúvidas que há empresas que tem de falir, mas é certo também que há funcionários públicos que tem de ser despedidos, outros que tem de ser mais produtivos e outros que tem de ser redistribuidos por outros serviços.
Mas e coragem para dizer, e sobretudo fazer, coisas tão impopulares? Não há. Népias. Logo todos temos de pagar. Mas o problema também não está em todos termos de pagar - quer dizer está, mas ainda assim -, o problema maior está em que a fonte está a secar, o dinheiro está a acabar, não há para tudo. E quando tivermos de começar a escolher onde queremos, ou melhor, onde teremos de cortar, espero que os keynesianos de bolso e os esquerdistas de papo-cheio - que sempre encheram a boca para falar do "povo" - não venham falar com o dito cujo da seringa e não venham culpar os neoliberais - pois os tais que nunca tiveram qualquer hipótese de governar em Portugal.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

A RTP é uma vergonha que todos temos de pagar


Aqui fica o link para o vídeo da reportagem em questão

A PROPÓSITO DO PROGRAMA "FILHA ROUBADA" DA RTP

Introdução:



Na sequência da transmissão da reportagem "Filha Roubada" transmitida pelo programa "Linha da Frente", do Canal 1 da RTP, no passado dia 20 de Janeiro, no qual foi incorrectamente mencionada a Aliança Evangélica Portuguesa como proprietária do "Lar de Betânia" e sem termos sido consultados pelo respectivo jornalista, vimos por este meio partilhar convosco uma primeira reacção de desagrado por toda a situação. Em anexo segue a nossa tomada de posição face a este assunto, que também já se encontra em www.portalevangelico.pt.


Tomada de posição:



Os evangélicos, nomeadamente, aqueles que compõem a “Aliança Evangélica Portuguesa” contam-se entre os portugueses que durante dezenas de anos foram privados de Direitos Fundamentais como a liberdade de expressão e de informação. Por isso, sabem dar valor ao importante papel que em democracia tem o jornalismo quando feito com rigor e isenção.
A “Aliança Evangélica Portuguesa” respeita e valoriza o trabalho insubstituível dos profissionais da comunicação social e está, como sempre esteve, disponível para contribuir com os esclarecimentos que forem julgados necessários e adequados para que em cada caso a informação veiculada pelos órgãos de comunicação social seja completa, rigorosa e imparcial.
Infelizmente, e salvo o devido respeito, não foi uma informação completa, rigorosa e isenta a que foi prestada a quem viu o programa do Canal 1 da RTP “Linha da Frente” emitido na passada quinta-feira, dia 20 do corrente mês de Janeiro.
No programa é feita referência, por duas vezes, à “Aliança Evangélica Portuguesa” porém, em nenhum momento, foi a AEP contactada para prestar esclarecimentos, diria mesmo, para se defender das imputações que lhe são feitas, já que o programa “Filha roubada” aponta um dedo acusador ao Tribunal Judicial de Fronteira, que decretou a institucionalização de uma menina de 8 anos e ao “Lar Betânia”, que acolheu a menor. A “Aliança Evangélica Portuguesa” é metida nesta lamentável história, sem justificação, como acontece, aliás, com a “Aliança Pró-Evangelização de Crianças de Portugal”.
Em causa está o internamento de uma menina que à data contava 7 anos de idade, decidido por um juiz do Tribunal Judicial de Fronteira, numa instituição reconhecida e apoiada pela Segurança Social à qual foi entregue a menor retirada da casa de sua mãe.
Não é difícil concluir, a quem viu o programa, que a decisão judicial é fortemente contestada, assim como é fortemente criticado o “Lar Betânia” em vários aspectos da sua actuação. O que se pode dizer é que nem o senhor Juiz nem o Lar ficam bem na fotografia que o programa “Na Linha da Frente” lhes tirou e depois de uma acusação bem montada ser apresentada ao longo de vários minutos é o espectador informado de que «uma rápida consulta na internet do “Lar Betânia” conduz à “Aliança Evangélica Portuguesa”» sem se informar o telespectador a que título e com que fundamento se faz esta ligação entre o Lar e a Aliança. Mais adiante é dito que a “Maria passou o Natal com o pai e o Ano Novo com a mãe e foi depois obrigada a regressar ao “Lar Betânia”, um dos trinta e sete lares que a “Aliança Evangélica Portuguesa” tem espalhados por todo o país, com suporte financeiro do Estado português. O internamento de Maria custa aos contribuintes portugueses €517 mensais.”
É este um exemplo do tom da acusação em que a “Aliança Evangélica Portuguesa” é implicada.
Ao longo da peça foram inquiridos 2 psicólogos, 2 pedo-psiquiatras, 3 advogados, 3 parentes da Maria, 1 representante da Convenção das Assembleias de Deus, mas em momento algum foram ouvidos os representantes de duas instituições que nada têm a ver com esta triste história, mas que por serem referidas a despropósito acabam por ver o seu bom nome prejudicado: a “Aliança Pró-Evangeliação de Crianças de Portugal” e a “Aliança Evangélica Portuguesa”.
Não basta justificar a omissão e a falta de rigor com a ignorância do jornalista. Um bom profissional, seja ele de que ramo de actividade for, quando não sabe, pergunta. Já dissemos: a Aliança Evangélica está e sempre esteve pronta a prestar esclarecimentos.
Para que conste: a Aliança Evangélica Portuguesa não tem rigorosamente nada a ver com a propriedade ou a gestão do “Lar Betânia”, como não é possuidora ou gestora de um único lar em Portugal, muito menos de 37 espalhados pelo país.
A RTP está, por força da lei, obrigada a “proporcionar uma informação isenta, rigorosa, plural e contextualizada”. No caso concreto falhou no cumprimento do seu dever.
Oportunamente a Aliança Evangélica Portuguesa exercerá o seu direito de resposta para reposição da verdade e reparação do seu bom nome.

A,
Aliança Evangélica Portuguesa

A América e a Europa - Crónica de Pedro Lomba, hoje no Público


A América e a Europa

Em 1831 o autor francês Alexis de Tocqueville escreveu um famosíssimo livro sobre a América: Da Democracia na América. De visita ao novo mundo, foi ele o primeiro a registar as pulsões particulares que comandavam os americanos. Os americanos, dizia Tocqueville, estavam impregnados de uma mentalidade que não existia na Europa. Era a cultura puritana, os hábitos comerciais, o gosto pelas liberdades concretas e não pela Liberdade com maiúscula, o apego pelas coisas práticas.

Esta narrativa excepcionalista, que começou primeiro como observação sociológica, ajudou a solidificar um certo credo ideológico. No século XX, quando escreveu também sobre o excepcionalismo dos americanos, o cientista político Seymour Martin Lipset disse que era uma ideologia em cinco palavras: liberdade, igualitarismo, individualismo, populismo e laissez-faire.

A ideologia ficou. Mitificada, claro, como são todas as ideologias. Mas na imaginação do mundo a América passou a ser associada à liberdade, à terra das oportunidades, da mobilidade social e da criação de riqueza. Toda essa ideologia optimista, convém notar, gerou depois uma contra-ideologia que, em vez da declaração de independência, preferia enfatizar o verso da realidade: as desigualdades raciais, a taxa de população nas cadeias, a pobreza, a saúde privada e incomportável para milhões de americanos, o capitalismo desregulado. A contra-ideologia americana nunca hesitou no modelo alternativo a seguir: a Europa "social". A Europa que tem menos pobres, menos presos, mais integração social mas também menos capitalismo.

O ponto que quero destacar é no entanto outro. Por causa do tal excepcionalismo, a sociedade americana sempre dependeu de um ethos normativo forte. O país da liberdade é também um país de regras, porque a boa liberdade é sempre a liberdade regrada. A cultura do trabalho, a responsabilidade individual, a ética da realização pessoal, são algumas regras desse código. Os americanos acreditam genuinamente na superioridade das suas regras e esperam que todos as aceitem e cumpram.

Essa é aliás a primeira regra de todas: a adesão. Dentro desse princípio de adesão, toda a gente é livre para fazer o que quer. Mas o respeito pelo básico tem sempre de lá estar. Os americanos são um povo eminentemente centrista por esse motivo, o que explica porque é que os extremos políticos nunca germinaram nos Estados Unidos. Não estão interessados em que se ponha em causa regras que eles sabem que funcionam. São um povo de liberdade, não de anarquia.

E é exactamente esse ethos, devo dizer, que me parece a diferença mais gritante em relação ao que sabemos da Europa (e penso aqui sobretudo na Europa Ocidental, a única que conheço). Não existe um ethos propriamente europeu que seja equiparável. A solidariedade? Duvido. Somos assim tão solidários na Europa? Ou, se existe um ethos, não é de adesão, como sucede nos Estados Unidos, mas de reivindicação. Enquanto os americanos percebem que têm de se adaptar o mais possível às regras porque as alternativas são piores, os europeus reivindicam, subvertem e desconfiam. Nuns casos, pretendem substituir regras por outras, as suas. Noutros, como é frequeente na Europa do Sul, até pensam que não vale a pena cumprir regras, uma vez que quase ninguém as cumpre.

Há muitos aspectos disfuncionais na sociedade americana e não pretendo ignorá-los. Mas este ethos existe mesmo e basta andar pelas ruas de uma cidade americana para perceber que, mesmo na pior crise desde 1929, eles vão sair daqui depressa.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Eis os amigos de Sócrates (II)


O Indescritível Presidente Venezuelano Hugo Chávez, que afirma ser um grande amigo do nosso Primeiro-Ministro, nunca tendo sido desmentido nisso, depois de uma nacionalização, não podia acabar a semana sem mais um disparate. Contribuindo para as paranóias e teorias de conspiração que alguns gostam de alimentar, o Amigo de Sócrates, num rasgo de genialidade, emite um comunicado, acerca do qual o jornal i fez um artigo com o seguinte título:

Chávez acusa EUA de provocar sismo no Haiti


Isto deixou-me com a pulga atrás da orelha, se o caso das escutas não terá sido uma ideia do Chávez ao amigo!!