sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Só santinhos

Director do "Sol" diz que Vara "comandava" o jornal no BCP - Media - PUBLICO.PT

Mais uma farpa em toda esta situação.
Não sei já o que pensar ou o que é preciso acontecer. A política e os políticos são das coisas mais sujas que há por causa deste tipo de comportamentos e de pessoas.
Estou na política, num pequeno partido é claro, onde não cheira nem a dinheiro, nem a poder, por isso quem por lá anda está na política por convicção. A luta por uma higienização da política é cada dia mais uma luta urgente, uma luta essencial para a sobrevivência de uma débil democracia, onde os partidos são agora parte do problema e não da solução. Não sei, por vezes parece impossível acontecer alguma coisa de positivo vinda dos meios políticos. Os partidos, mais do reformados, precisam de ser refundados, pelo que essa a minha luta, construindo um novo partido e uma nova força política, sendo que entre as lutas políticas normais, temos de lutar contra os ímpetos que nos possam assemelhar no comportamento e nas ideias a esta gente.
Há muito a mudar, mas não são as direcções dos jornais.
É verdade que os nossos jornalistas e os nossos meios de comunicação social têm alguns problemas com o pluralismo político, afunilando ideologicamente as ideias difundidas ao bloco central. Mas se isto é por pressão, política ou económica, ou se é apenas defeito de formação não sei, o que sei é que se aos abusos dos políticos, juntarmos os abusos dos próprios jornalistas e seus patrões, podemos ver a forma como a nossa liberdade, sobretudo a de pensar e a de informação, estão bastante condicionadas.
O abuso dos meios de comunicação social chega ao ponto de ignorarem impunemente a lei e a Constituição.
Porque digo isso? A lei e a Constituição obrigam a que os Partidos em campanha eleitoral sejam tratados da mesma forma pelos meios de comunicação social. Ora estes, a pretexto do interesse público e de divulgarem apenas aquilo que tem "interesse" ou aquilo que "vende", que dá audiências, praticamente ignoram os pequenos partidos, concentrando-se apenas naqueles que já estão no parlamento. Aqui reside um evidente viciar da nossa vida pública, ao condicionar a informação aos partidos já com assento parlamentar, transmitem a ideia de que só esses é que poderão voltar a ter esse assento. Ora uma eleição é um ponto de partida, é o início de uma corrida sem vencedores anunciados. Ou deveria ser, os jornalistas imediatamente, pelo condicionamento que fazem, apenas dão possibilidades a quem querem. Isto é ilegal e é inconstitucional.
Alguém poderá afirmar que os meios de comunicação estão condicionados à necessidade de vender, de garantirem audiência, pelo que não é possível dar a mesma atenção a todos os partidos. Se isto pode ser verdade fora do período eleitoral, em campanha não o será, porque é uma exigência legal. É o mesmo que dizer que numa altura de enchente um restaurante pode fugir das regras de higiene ou facturação que a lei lhe exige. Todos os negócios têm as suas exigências e condicionantes legais e todos temos de os cumprir. Uma das exigências que a lei faz a quem tem um negócio de comunicação social é, por exemplo, o direito de antena, mas também o dever de tratamento igual de todos os partidos e forças concorrentes. Mas a comunicação vive ilegalmente e o nosso sistema político e judicial deixa.
Poderá ainda alguém defender que o Bloco de Esquerda superou esse condicionamento, que ultrapassou esses problemas, ou, como já li do José Manuel Fernandes, os jornalistas "sentiram" qualquer coisa de diferente no Bloco e por isso deram-lhe atenção. Isto é tudo falso e é condicionador da liberdade. Em primeiro lugar porque o dever dos jornalistas não é sentirem se devem ou não fazer notícia, em segundo lugar o dever dos jornalistas e seus patrões é cumprirem a lei. Além disso o Bloco só conseguiu ultrapassar as barreiras impostas pela comunicação social a partir do momento em que pessoas como o Fernando Rosas e o Miguel Portas, entre outros, com muitas ligações e muitos conhecimentos nos meandros e nas redacções, conseguiram levar o Bloco para as notícias. Daí à eleição de um deputado foi um pulinho.
É grave o que se revela sobre as tentativas de controlo da comunicação social pelos políticos, mas os jornalistas não se armem em virgens, porque também querem, e muito, condicionar os políticos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Não há pressões, é tudo normal. Crime não é, mas indecente...

José Sócrates pressionou o director do "Expresso" para não publicar notícia sobre licenciatura - Media - PUBLICO.PT

Não creio que seja nada de grave um político telefonar para um jornal ou televisão a expressar desagrado acerca de uma notícia. Perante uma notícia não publicada (o que me admira é como dois dias antes da publicação do jornal o Primeiro-Ministro já sabia do conteúdo do jornal, mas adiante) querer emitir um desmentido ou apresentar uma correcção dos factos da notícia, parece-me ainda plausível. Pedir, ou exigir - não estou a dizer que o PM exigiu - que uma determinada notícia não seja publicada é que já não me parece assim tão natural. Além de ficar a nítida sensação de que se quer esconder alguma coisa, é uma pressão incrível ter o titular de um órgão de soberania a querer condicionar uma notícia.
Creio que por muito que se queira tapar o sol com a peneira é verdadeiramente notória a degradação da condição política de José Sócrates para se manter no Governo. Não sei como isto é possível num país democrático, aliás, parece-me que este caso é mais um sintoma da impressionante debilidade que ataca os fundamentos do Estado de Direito Democrático: o sistema judicial, o sistema político/partidário e o Governo e a sua esfera de acção.
Tenho muito medo de devassas de vida privada, de revelação de escutas, de intromissões abusivas, mas a verdade é que perante as revelações feitas e desmentidas apenas em tom de cassete, sem apresentação de provas contrárias, quando a comprovar o dito pelos jornais há escutas e transcrições de escutas, a margem de manobra dos envolvidos é muito pouca.
Como um amigo meu insistentemente diz, se o Nixon fosse Presidente de Portugal, nunca se tinha demitido e Watergate não era crime, nem tão pouco ia além do razoável na luta partidária.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Recordação de outros tempos

Perante as recentes declarações do Primeiro-Ministro José Sócrates acerca do Segredo de Justiça, e, ao ouvir hoje o Fórum da TSF dedicado a esse tema, tive uma sensação de regresso ao passado, de teletransporte.
O Primeiro-Ministro indignado com as informações que têm vindo a público, defendeu ontem um reforço das penas e da forma como devem ser encaradas as violações ao segredo de justiça, cavalgando uma senda legalista.
É interessante lembrar que a última vez que o PS foi profundamente atacado devido a um processo judicial, o Caso Casa Pia, os seus líderes começaram publicamente a falar na necessidade de alterar a lei para que os "abusos" que tinham sido cometidos contra gradas figuras socialistas não voltassem a acontecer. Dessa necessidade imensa de vingança contra o sistema judicial surgiu o Novo Código do Processo Penal e o Novo Código Penal, com as consequências evidentes na deterioração da segurança e ordem públicas, que leva o agora Ministro da Justiça a falar na necessidade de, passados estes anos, voltar a mudar a Lei por se terem evidenciado vários problemas nesta.
O líder do PS, agora afectado por um Caso Face Oculta, que revela a podridão, mais do que do Primeiro-Ministro, das figuras próximas deste e a podridão na forma como se usam recursos de empresas em favor das campanhas eleitorais partidárias, já está a cavalgar contra o sistema, começando a defender já alterações à Lei do Segredo de Justiça. Como da primeira vez, esperemos que esta senda não resulte em mais opacidade do sistema judicial e político, trazendo ainda mais descrédito sobre todo o sistema democrático sobre o qual o país assenta.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

1º ANIVERSÁRIO D' A TEXTURA DO TEXTO

Este espaço de opinião, o blogue A textura do Texto completa hoje um ano de existência.
Conforme prometido, para quem ainda não tiver lido fica a seguir a reedição do primeiro post deste blogue. Obrigado a todos os leitores e amigos deste espaço.


Existe uma Palavra no léxico da blogosfera política nacional que tem tomado algum protagonismo. De tal forma que se colou quase que de forma adesiva ao blogger que habitualmente a usa. A insistência tem sido tal que quase já não se consegue falar em política portuguesa sem falar nessa palavra. Trata-se do situacionismo.

Mas afinal o que é o situacionismo: é a forma como a comunicação social, e a sociedade em geral até, proclama e aclama insistentemente as virtudes e as ideias de quem tem o poder, bem como de quem é amigo de quem tem o poder, e até de quem é amigo de quem é amigo de quem tem o poder, e por aí adiante.

Quem tem falado insistentemente em Situacionismo: o ilustre Dr. José Pacheco Pereira, no seu conhecido blog "Abrupto". De facto é uma leitura diária que não dispenso, sou um confesso admirador do dito Sr., porém gostaria de deixar algumas considerações diversas acerca do situacionismo.

O que tanto tem revoltado o Dr. Pacheco Pereira, é um situacionismo que parece insistentemente proteger a esfera do governo, quer por parte deste propriamente dito, quer por parte do partido que o sustenta. De facto, pela forma como o Dr. Pacheco Pereira apresenta as situações, podemos falar numa grave crise de respiração na política portuguesa.

Mas gostaria de sugerir um outro caminho, uma outra razão para a respiração assistida do situacionismo ser tão premente: porque há tão pouco ar respirável para outras ideias e outras pessoas na política portuguesa? Há excesso de mofo, esse é o problema. Existem muitas ideias iguais, muitas pessoas "iguais", muitos "modus operandus" iguais; o fazer, o propor, a ambição, é tão comum, tão igual, que não há ar novo, respirável, na nossa política, na nossa sociedade, daí a necessidade de assistência respiratória.

Tudo isto porque creio que o situacionismo vai mais além do que a esfera PS/Governo: tudo é mais abrangente. O situacionismo ataca tudo e todos e é, não um mal em si mesmo, mas mais um sintoma de um mal mais profundo da nossa sociedade, da nossa política. Creio que o problema é mais abrangente, é mesmo um problema de regime.

No pós 25 de Abril, com toda a liberdade conquistada, proclamou-se a democracia, porém ela foi substituída habilmente pelos políticos, que tantos há que nunca tiveram nenhuma outra actividade profissional sem ser políticos (exemplos disso são o nosso Primeiro-Ministro, o Dr. Almeida Santos, o Dr. Santana Lopes - neste caso exceptua-se o tempo em que foi presidente do Sporting -, o Dr. Manuel Alegre, entre muito outros), por um outro regime, não declarado, nunca legislado, nem tão pouco assumido: a partidocracia.

Portanto creio que as dificuldades respiratórias da nossa política e da nossa sociedade se devem não ao situacionismo mas sim à Partidocracia: a ditadura, ou melhor, o regime de governo dos, pelos e para os partidos.

Regime dos partidos: foram eles os autores do regime - os lugares eleitos são seus, não dos eleitos, e só eles são os legítimos representantes do povo!!!???

Regime pelos partidos: não é possível haver projectos governativos sem ser dentro do grupo de partidos que entre si partilham o poder, ou seja os dois maiores e os seus satélites, todos mais ou menos cúmplices, que abafam completamente qualquer ponto de luz que tente quebrar esse breu.

Regime para os partidos: estes governam e governam-se, quer através dos milhões que recebem do orçamento de estado para se sustentarem e financiarem, como pela forma como os cargos políticos e públicos são distribuídos pelos amigos políticos - quando estes últimos deveriam de ser lugares de carreira, de quem faz carreira, nunca de quem é amigo, estando o estado e os partidos de tal forma intrincados que se confundem.

A Partidocracia está de tal forma enraizada que não conseguimos quase conceber outra forma, outro regime.

Acho que é tempo de haver uma separação clara entre os partidos e o estado, tal como o laicismo proclama para o estado e a religião.

Como? Simples, muito simples: todos os cargos da Administração Pública deixam de ser de nomeação política, são desempenhados por indivíduos com qualificações e com carreira feita, independentemente dos ventos partidários do poder: as esferas de nomeação política limitar-se-iam aos ministros e seus secretários de estado (claro que com os seus muitos e diversos assessores e afins).

Como? Simples, muito simples: todos os cargos eleitos pertencem a quem é eleito e não ao partido, sendo os deputados eleitos em círculos uninominais, bem como o primeiro-ministro, ministros e secretários de estado são eleitos através de listas apresentadas para irem a votos, tal como acontece na mais vulgar das associações deste país.

Como? Simples, muito simples: os partidos deixariam de receber qualquer verba do orçamento de estado para se financiarem, teriam de ser os seus militantes a financiarem o partido.

No entanto estas ideias são inconvenientes para a Partidocracia vigente, daí a forma como são abafadas. Sim porque existe quem as defenda: o partido Movimento Mérito e Sociedade (MMS), defende estas e muitas outras ideias, e aí, aí sim, o situacionismo não permite que este ar novo entre na nossa política e traga uma nova respiração à nossa sociedade tão necessitada.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Amanhã, 1º Aniversário d' A textura do Texto

Amanhã A textura do Texto celebra o seu primeiro aniversário. Fica prometida a reedição do primeiro post e um outro texto de reflexão sobre este ano.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Novo Livro? ou só imitação?

Sócrates: a verdade da mentira.

Procurador-geral da República: tentar controlar a imprensa e a TVI não é crime


Leiam-se estes dois artigos, um do i, outro do Jornal de Notícias e conclua-se o que há a concluir.

Pinto Monteiro fez o favor político a Sócrates com base num argumento grave: a tentativa de desviar a linha editorial de um jornal não é crime, aliás poderá até estar dentro do razoável para a luta político-partidária. Dizer isto é o mesmo que dizer que tudo vale, que a democracia não tem regras, pode-se mesmo afirmar que não é preciso ir votar que os senhores da política metem os boletins de voto na urna por nós.

Para mim foi a gota de água, a credibilidade de Pinto Monteiro ficou definitivamente arruinada, substitua-se rapidamente.

“Nossa salvação é uma dádiva inteiramente gratuita de Deus”.

“Nossa salvação é uma dádiva inteiramente gratuita de Deus”.
Benjamin B. Warfield

“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.”
Lucas 19:10

“a saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo.”
Romanos 10:9

“Mas Deus dá prova do seu amor para connosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.”
Romanos 5:8

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Efésios 2:8-9

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Grave, grave, gravíssimo



Ex-director do “Público” acusa governo de ter pedido a sua saída para "favorecer" OPA da Sonae à PT





A primeira das personalidades ouvidas pela Comissão Parlamentar de Ética lança uma enorme bomba. Grave, tudo muito grave. Certamente que este homem não ia dizer coisas destas para o parlamento de forma inconsciente. Não vou fazer julgamentos de valor sobre a veracidade ou não das afirmações, mas a sua produção no parlamento, perante deputados, deixa-me preocupado, muito preocupado mesmo.

Fernando Nobre candidata-se a Belém

Segundo a edição online do jornal Expresso o Presidente da AMI Fernando Nobre apresentará amanhã a sua candidatura a Belém. Apesar de ser um homem ligado a assuntos humanitários, é clara a sua ligação à esquerda. Aparentemente é o homem descoberto pelos socialistas que não desejam apoiar Alegre para combater este no seu próprio terreno: o campo de uma esquerda alargada que abranja PS, PCP e BE, o que vai até além do que Alegre consegue.
No entanto Manuel Alegre tem-se portado muito bem.

Como deixou expresso o Prof. Carlos Santos neste post do Regra do Jogo, onde observa o ensurdecedor silêncio de Alegre acerca das denúncias de tentativas de condicionamento da comunicação social, o que, para um homem com o currículo político de Alegre, deveria ter originado já uma reacção.

Este comportamento amestrado de Alegre é concerteza na expectativa de um apoio à sua candidatura presidencial por parte do PS, o que poderá até ser mais do que uma expectativa e ter sido já previamente negociado com Sócrates. Claro que houve sempre uma facção do PS insatisfeita com esse apoio, pelo que dessa insatisfação, aparentemente, surgiu a candidatura de Fernando Nobre. Sem peso político público, tem no entanto uma imagem pública bastante positiva, podendo ser, muito mais do que Alegre, uma real ameaça a Cavaco. O actual Presidente deve pôr-se até em sentido perante esta candidatura, que deve até servir para impor algum respeitinho a Belém, que se já andava a tratar com paninhos quentes a situação política actual (em que na minha opinião devia tomar a iniciativa de demitir Sócrates), ainda mais cuidadinho vai ter perante esta candidatura que, na minha opinião, poderá ser muito mais problemática do que qualquer outra da esquerda,

Antes do o ser já o era

Tal como a pescada também a discussão sobre a Liberdade de Expressão e de Imprensa, levada a cabo pela Comissão de Ética, Sociedade e Cultura do Parlamento, antes de morrer já estava morta. Isto não espanta porque como sempre as discussões das comissões parlamentares, sejam de inquérito, sejam as comissões permanentes, nunca são consequentes. Claro que não quero ser acusado de defender que estas são inconsequentes sempre que não concluem o que penso que devem concluir, mas a verdade é que os relatórios finais são sempre inconclusivos por falta de evidências.

Também aqui vai acontecer o mesmo, mas aqui há um culpado de estar a impedir a discussão elementar do assunto, por tentativa clara e assumida de recentrar a discussão: ou seja o PS assume, ainda hoje se ouviu a deputada Inês de Medeiros a afirmar que a ideia é fazer desta discussão sobre a liberdade de expressão e de imprensa numa discussão sobre a comunicação social em geral, e, o exercício do jornalismo, as suas condições de trabalho, etc.

Aliás assisti hoje a um exercício muito interessante da parte de um Vice-Presidente da bancada parlamentar socialista em que este recusava uma inquirição baseada em diz que disse, condenando as insinuações e afirmações pouco claras, deixando logo a seguir um desafio aos ouvintes para que tentassem saber quem são os donos do semanário Sol e entender por aí se não haverá outras motivações por detrás das denúncias apresentadas. O deputado socialista quis fazer o exercício que condenava aos outros: recusando a matéria de facto que o Sol apresentou, bem como outros órgãos de informação, pretende que se deduza então um processo de intenções e suspeições e até de conclusões a partir do conhecimento de quem são os proprietários de um jornal.

A coisa atingiu o risível quando ao ouvir estas declarações um cidadão se recorda das afirmações de Sócrates de que não valia a pena controlar, ou comprar, jornalistas, o melhor era mesmo controlar ou influenciar os patrões. Sócrates abriu a caixa de pandora, querendo usá-la em seu favor, mas como o feitiço se virou contra o feiticeiro quer virá-la contra os outros. Ridículo.

Aqui está a evidência da podridão


PS envolve Cavaco e leva caso da alegada vigilância a Belém para o Parlamento - Política - PUBLICO.PT

Para o comum dos cidadãos deste país que procure manter-se informado e se interesse por estes assuntos, que procure não estar condicionado no seu pensar, nem tão pouco se deixe levar em manobras de auto-comiseração e dramatização artificial, o que fica desta reacção do PS, tentando envolver, ou melhor, procurando sujar o nome do Presidente da República fazendo agora ressurgir o velho caso das escutas, é a certeza de que o tal condicionamento a Belém denunciado agora como paralelo ao plano de controlo da comunicação social, afinal prossegue mesmo. Porque numa altura em que vozes se levantam a falar de uma moção de censura, afirmando os que contrariam esse dramatismo que a questão não é o Governo mas sim o Primeiro-Ministro, sendo que assim o que faria sentido é uma demissão deste pelo Presidente da República, este ataque a Belém soa realmente como uma tentativa de condicionamento político para que Cavaco se encolha e mantenha este seu ensurdecedor silêncio. Afinal aquilo que pretendem negar fica sim mais evidente.
Tal como o tal plano para controlo da comunicação social, porque a bem dizer, ainda que nem tudo tenha corrido como planeado, sobretudo a parte de ser secreto, a verdade é que gente incómoda como Moniz e Moura Guedes estão fora do ar.
Por muito que se queira negar os eleitos práticos do tal plano afinal estão aí para quem quiser ver, é preciso é querer.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Que pena o TGV ainda não estar construído...

Assim o Constâncio chegava mais depressa a Bruxelas. Ah é verdade, para isso acontecer era preciso a ligação de TGV de Madrid para o resto da Europa já estar concluída, coisa que os espanhóis dizem não ser para os próximos anos. Espera lá!!, então porque raio é que o Sócrates está com tanta pressa em construir o TGV até Madrid, dizendo que é para ligar Portugal ao resto da Europa??!! Bem, só se Madrid for "resto da Europa" que chegue.

Cerrar fileiras


Sócrates empenha-se a alimentar a unidade do PS - Política - PUBLICO.PT

Perante os ataques que têm sido desferidos contra si, bem ao estilo do velho animal feroz, José Sócrates, o Secretário-Geral do PS vai esta semana procurar cerrar as fileiras em torno da sua pessoa. Seria quase impensável que o sanguíneo Sócrates não tentasse reagir aos ataques, mas sobretudo ao início do surgimento de vozes dissonantes dentro do aparelho dos socialistas. Em vez de se render, de pensar em dar lugar a outro, Sócrates prefere o ataque, ou melhor o contra-ataque, a reacção, levando a uma união socialista, mais de vender para fora do que para consumo interno. Aliás isto servirá apenas para abafar ainda mais um PS que pouco ar tem fora do "socratismo", de que a falta de alternativas, perante a generalidade da opinião pública, a uma eventual saída de Sócrates, parece uma evidência gritante. Provavelmente os socialistas estão a preferir o lugar de refúgio, que parece seguro hoje mas pode-lhes sair muito caro no futuro.
Mas na minha opinião isto é só mais uma demonstração das prioridades de interesses a que os senhores da actual política tradicional portuguesa procuram acudir. O primeiro interesse a servir é o pessoal, depois é o do grupo de interesses no qual se movem, após isso vem o interesse do partido e só no fim vem o interesse do país. Esta é a forma como a generalidade dos partidos e dos políticos funciona, o que é um real empobrecimento da nossa democracia, que se desmanchou numa oligarquia de partidos, ou poderemos mesmo dizer de uma determinada classe que mina todos os partidos.
Perante este panorama não consigo perceber como ainda há pessoas que pensam em aderir a partidos como o PS, o PSD, o CDS, o PCP ou o BE, pois estes estão enquistados num serventilismo do seu grupo de interesses, dificilmente observando a realidade com olhos de ver. Para mim só faz sentido hoje a militância política fora dos partidos tradicionais e no âmbito de um movimento político novo, sem vícios, que podemos ajudar a formar e a construir para que estas situações sejam preventivamente debeladas. O efeito profilático é o melhor para alcançar a transformação política de que o país necessita, desconstruindo a nossa democracia partidocrática em favor de uma democracia inclusiva dos cidadãos e da sociedade civil. É crucial, para mim, entender a política como o espaço da primazia do interesse do colectivo, beneficiando a vida do indivíduo, sem colectivismos absurdos e utópicamente perigosos, mas percebendo o espaço de liberdade de cada indivíduo para construir o seu caminho, e, aí lutar por uma nova perspectiva, fazendo do primado do interesse do país, demonstrando-o pela prática e não pela dialéctica, nem pela verborreia, o primeiro dos interesses a ser atendido.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Se fosse noutro tempo


Manuel Godinho terá pago 72 mil euros a Santana Lopes - Sociedade - PUBLICO.PT

O caso Face Oculta está a dar pano para mangas. E como não seria de espantar, a porcaria espalha-se cada vez mais, atingindo já gente do PSD. Não espanta porque as semelhanças entre os dois partidos são tantas, tantas, que até no lixo que os sujam se assemelham.
A diferença existente é a de Presidente da República. Cada vez tenho mais relutância em votar Cavaco, como fiz da primeira vez, caso ele se recandidate.
Se fosse no tempo em que Santana Lopes foi Primeiro-Ministro e se soubesse das insinuações de que este artigo fala, ele tinha sido corrido na hora. Com muito menos Sampaio provocou a queda do Governo, com um apoio maioritário no parlamento. Com uma história destas de corrupção, de cheques e dinheiro de um sucateiro corrupto, o que faria Sampaio. Não se percebe então, a não ser por tacitismo político do mais baixo nível, colocando mais uma vez os interesses políticos pessoais aos interesses do país, que Cavaco não demite Sócrates. Nem a desculpa da negociação e apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento a Bruxelas servirá de desculpa, uma vez que o pacote está praticamente fechado e certamente que as opções dentro do PS que poderiam substituir o actual Primeiro-Ministro conseguiriam concluir esse trabalho, porque o mais difícil, o Orçamento de Estado já está aprovado.
Cavaco está a ser um mau Presidente e a prestar um péssimo serviço à democracia e ao país em geral.

Ninguém pode orar e ficar preocupado ao mesmo tempo

“Ninguém pode orar e ficar preocupado ao mesmo tempo. Quando nos preocupamos,

não estamos orando. Quando oramos, não estamos preocupados. Quando você ora,

você “fica” com sua mente em Cristo,...”

Incendiário é o PS não se decidir já pela substituição de José Sócrates


Apelo a moção de censura é "incendiário" - Política - PUBLICO.PT

Interessante artigo este do Público, no qual se percebe a confusão que reina nos dois principais partidos do espectro parlamentar português. Por um lado no PS há quem estique mais uma vez a velha corda da dramatização, afirmando que se a oposição acha que o Governo não tem condições de governar deve apresentar uma moção de censura - como Capoulas Santos e António Costa. Há outras personalidades socialistas, como Francisco Assis, que acham que esse desafio é incendiário. Aqui também não há novidade, porque Assis tem-se mostrado ultimamente dos elementos mais moderados das cúpulas do PS, o que assenta bem ao líder parlamentar de uma maioria relativa.
Sendo assim parece-me que existe hoje algo de impensável há pouco tempo atrás no PS: uma clara divisão, ainda mais notada através de outras declarações de dirigentes como Sérgio Sousa Pinto.
Parece-me a mim que ao PS, perante os estragos provocados pelas revelações relacionadas com o caso Face Oculta, só resta uma solução: substituir o Primeiro-Ministro. Aliás Marcelo Rebelo de Sousa fez ontem esse exercício lançando três nomes de possíveis futuros Primeiro-Ministros, caso a decapitação de Sócrates aconteça: António Costa, Teixeira dos Santos.
Do lado do PSD já se percebeu a armadilha, sendo que Rangel e Aguiar Branco, com posições mais moderadas, afirmaram ambos, com pequenas nuances, que esta dramatização e estas guerrilhas dentro do PS estão a ser usadas pelos socialistas como uma manobra de diversão em relação aos estragos do Face Oculta, saindo de Pedro Passos Coelho posição mais extremista e também mais desconexa - demonstrando quanto a mim a sua manifesta impreparação, pois estaria disposto a facilmente cair na armadilha socialista da moção de censura.
Na minha opinião a iniciativa aqui deve ser do Presidente da República, mais do que dos partidos, porque não se trata da legitimidade da continuidade do Governo - o que seria razão do moção - mas sim da falta de condições de José Sócrates, do Primeiro-Ministro, pelo que o PR devia, ele sim, demitir José Sócrates e chamar o PS a escolher um novo Primeiro-Ministro.

José Relvas, o homem da 'revolução' - Portugal - DN


José Relvas, o homem da 'revolução' - Portugal - DN

Por ainda ter raízes em Alpiarça, terra onde José Relvas morava, e também por ter vivido lá algum tempo da minha juventude, sinto-me sempre atraído pelas histórias que falam da mais eminente figura desta terra.
Para muitos José Relvas é um desconhecido, mas foi ele quem proclamou a instauração da República em Portugal da varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Deixou um enorme legado patrimonial, em terras e a sua própria casa ao município, pelo que ainda hoje, na Casa dos Patudos, se pode ver um maravilhoso espólio, do qual se pode destacar a enorme e líndissima colecção de tapetes de arraiolos.
Certamente um encontro com a nossa história a não perder.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Moção de censura



Silva Pereira: substituição de Sócrates resolve-se nas eleições - Política - PUBLICO.PT

Como se isso já não fosse óbvio, perante as declarações de hoje de Silva Pereira, dúvidas nenhumas ficariam: o Governo e o PS estão a esgrimir uma violenta estratégia de vitimização, velha e gasta mas eficaz, em que, ou conseguem os seus intentos na Assembleia da República e ameaçam com demissão, ou desafiam então, ainda que sub-repticiamente, os partidos da oposição a fazer cair o Governo com uma Moção de Censura. A estratégia costumeira fica bem a certa desinformada opinião pública que gosta sempre de olhar para o coitadinho.
O que queria Silva Pereira dizer com isto:
"Em resposta às declarações de António Capucho, presidente da câmara de Cascais e conselheiro de Estado, o ministro disse: 'Que uma das figuras mais destacadas do PSD não queira que o país seja governado por este primeiro-ministro e por este Governo, esse é um problema que se resolve nas eleições.' "
Parece-me óbvio que, apesar de já haver conscientes vozes dentro do PS que se afirmam, ainda que com pouca visibilidade, incomodadas com a permanência deste Primeiro-Ministro, pela demonstração constante de falhas de carácter, a estratégia é mesmo a de desafiar a apresentação de uma Moção de Censura.
O coitadinho do Sócrates sairia à rua, a grande vítima de uma oposição ressabiada por não conseguir ganhar as eleições (já agora é preciso que alguém informe que o ganhar eleições não dá a ninguém o poder de cometer crimes impunemente, ou de tentar atacar fundamentos do estado de direito), procurando assim retomar uma maioria absoluta que afundaria de vez com o país. Evidentemente que este feio número, de tão repetido, pode sair caro, porque resta sempre a esperança de que um dias destes o povo acorde.