quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Não consegui resistir


Perante este post do Correio Preto não consegui resistir a reproduzi-lo aqui. (A imagem também é do Correio Preto)

As farmácias ameaçam cortar medicamentos para a Madeira, e aqui no Correio Preto estamos preocupados. É que só de pensar que o nosso querido e sempre afável Presidente do governo regional fica sem as gotas ... os cubanos que se cuidem!

Já se começa a falar naquilo que ninguém queria admitir

Portugal terá de abandonar o euro se mantiver fraquezas

Pois é afinal parece que a coisa esta mesmo mal. Para um conhecido economista da área socialista admitir uma coisa destas é porque a nossa situação em termos macroeconómicos está realmente muito má.

Admiti-lo - como com toxicodependentes e alcoólicos - já é um principio para a cura, o problema é que Daniel Bessa já não está no governo, e, em breve virão um chorrilho de colegas seus, embutidos de teorias keynesianas a contrariar as afirmações deste economista.

Afinal o governo pelos economistas não é muito diferente do governo pelos políticos tradicionais - primeiro o meu umbigo.

Seria importante que se reconhecesse a urgência destes desafios e a necessidade urgente de reformas de fundo, algumas bastante dolorosas. Pois e o dinheiro afinal não dá para tudo, embora haja senhores na esquerda que acham sempre que sim.

Virgindades pouco próprias


Estratégia de Sucesso


O Governo montou uma estratégia na qual tem preso o PSD, que tem dado os seus frutos. Após uma dramatização violenta contra a oposição, com declarações terroristas do tipo "não podem haver dois orçamentos", ou que o "governo é quem governa e não a assembleia", os partidos da oposição, principalmente os do arco do poder (PSD e CDS), sentiram uma necessidade imperiosa de demonstrar a sua responsabilidade e o seu sentido de Estado.

Claro que só isto era insuficiente, e após demonstrações de unidade dos partidos da oposição, que estavam a tentar ser contrapeso ao governo, numa lógica de tentar impedir os desvarios de Sócrates, a estratégia da vitimização foi refinada com a introdução da divisão - dividir para reinar - ao chamar o CDS para negociar, negligenciando o PSD que se sentiu melindrado. Ao fazer isto o Governo fragilizou ainda mais um PSD já dividido, a cair aos bocados e desorientado, levando a que a alternativa ao PS pareça ainda mais distante.

O PSD já percebeu isso e anda desesperado à procura de um buraquinho onde possa entrar e ter algum protagonismo no palco para a responsabilidade e sentido de Estado que será a aprovação, mais do que conseguida, com esta estratégia de sucesso, do Orçamento de Estado. Assim o PS e o Governo garantiu a sua continuidade, com o aprisionamento do CDS num compromisso e o PSD pela necessidade de protagonismo, rebaixando a oposição e garantindo uma continuidade da legislatura que parecia comprometida no seu início, com as iniciativas da oposição.

Mas o cenário negro de cachorro com a língua de fora ainda não acaba por aqui para o PSD: é que para culminar, esta estratégia do Governo, está a fazer com que o PSD reprove nas comissões, antes das votações finais, muitos dos projectos anteriormente aprovados em conluio com a restante oposição parlamentar - o que trás consigo descrédito e contradição, e pior, a negação de propostas e compromissos eleitorais.

O PSD continua a ser driblado por Sócrates e ninguém parece ser capaz de contrariar tal gozação.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Cristianismo em Crise - crítica ao presente cristianismo evangélico

O meu Caro amigo Manuel Adriano Rodrigues, no seu blogue Sip of Glory publicou o texto que abaixo se reproduz, que chegou ao meu conhecimento via Facebook.
Achei muito interessante, sobretudo porque, durante os meus tempos de activa militância cristã, foi uma das minhas batalhas: a luta contra esta mentira, deste novo evangelho, que mistura misticismos orientais, entre outras influências, com o cristianismo, criando esta nova mensagem que agora é muito apregoada (nunca posso dizer pregada) nas igrejas evangélicas deste país. Esta foi aliás, juntamente com algumas outras, uma das razões que me levaram a afastar dos movimentos organizados cristãos existentes, porque, por exaustão da luta, a esta já não estava disposto, não me sentindo mais capaz de continuar a desmontar esta mentira em cada local onde chegava, o que aliás sempre me trazia dissabores. Daí agora estar afastado de todos, e, por isso oficialmente desviado.
Deixo para já estas considerações e o texto, mais logo acrescentarei, em edição posterior algumas mais considerações pessoais.

"Pink Gospel" - ou o "Cristianismo Cor de Rosa"

Que vivemos numa civilização em constante mudança já todos sabemos. Que a Igreja tanto na sua manifestação universal como na sua componente local foi "apanhada" por esta mutação generalizada parece-nos óbvio. O "mundo" paulatinamente conquistou a Igreja e teve tempo demais para isso. Verdades outrora óbvias e fundamentais como novo nascimento, arrependimento, conversão, redenção, pecado, etc. deixaram de fazer parte das mensagens púlpitas domingueiras. O que está na ordem do dia são mensagens como "as avenidas da prosperidade", "os cinco passos para a felicidade", etc. A culpa será agora o problema e não o erro que a provoca. A antiga fé chama-se agora "pensamento positivo" ou "confissão positiva". As bênçãos divinas prometidas deixaram de ser dádivas da misericórdia de Deus obtidas pela fé no sacrifício expiatório de Cristo e tornaram-se alcançáveis pelo mérito próprio. "Aquilo que pensas no teu coração e confessas com a tua boca determina o que recebes de Deus". Sendo que "deus" é um mero conceito do tipo "deus ex machina". O importante agora não é ter intimidade com Deus através da oração mas saber como funciona para nos resolver as precupações e nos desenrascar das embrulhadas do dia-a-dia. E, (claro) se possível ainda ficar a ganhar alguma coisa com isso!
O "Pink Gospel" proclama Jesus esquecendo-se de Cristo. O velho altar foi substituído pelo palco. O grupo de louvor tomou definitivamente o lugar do cântico congregacional. Sentimos muitas vezes que não fazemos parte de nada. Já não temos irmãos na fé. As igrejas estão agora cheias de Doutores, Engenheiros, Arquitetos, Historiadores, etc. Se você não tiver estudos arrisca-se a ser rebaixado à categoria de irmão. A velha saudação "A Paz do Senhor" foi abolida e substituída por: "Oi, tudo bem?". Os super-crentes olham-nos de soslaio querendo expulsar-nos com o olhar para os bancos de trás da igreja (os lugares "mais baratos" como já ouvi diversas vezes dizer). Hoje é tudo uma questão psicológica. Freud e Wilhelm Reich devem finalmente estar felizes na tumba. Cada vez há mais padres-psicólogos ou pastores-psicólogos. Um dia destes teremos Augusto Cury (ou os seus sucedâneos) a pregar nas igrejas locais aos domingos de manhã. Mais um pouco e todos os líderes das igrejas evangélicas terão que ser formados não em Teologia mas em Psicologia Multifocal...
Nos dias de hoje vamos à Igreja como se fôssemos ao teatro, ao futebol, ao cinema, etc. Vamos por tribalismo e não por convicção. Vamos para ver e ser vistos e não para adorar ou aprender a Bíblia. O antigo "culto" foi substituido pela "celebração". O "entretenimento" tomou o lugar da velhinha e bafienta "religião". ("O mesmo vírus com novas mutações" como diria a minha querida amiga
Rute J.) Agora tudo é "light", tudo agora é "soft". "Mutatis mutandis" como já ouvi alguém dizer. "Se não podes com eles - junta-te a eles", foi o (sábio?) conselho que ouvi de um pastor responsável pela igreja local que frequentava no momento.
O "Pink Gospel" surgiu como uma tentativa de aligeirar a vida cristã. A moralidade é agora uma realidade dinâmica e mutável, portanto altamente volátil. O que é verdade hoje pode não o ser amanhã. Aceitar Jesus já não significa dar a vida pela sua Causa. Uma atitude militante tornou-se actualmente desnecessária. Já não somos chamados para trabalhar na Obra do Senhor mas para recolher os benefícios da mesma. Bênção, prazer, riqueza, felicidade, etc. conseguem-se agora através duma atitude mental correcta. (Tenho um vizinho que já leu "O Segredo" de Rhonda Byrne diversas vezes e por mais que tenha pensamentos positivos (disse-me) não consegue arranjar emprego. Ouvi à pouco tempo alguém responsável numa igreja dizer que afinal "O Segredo" diz o mesmo que a Bíblia diz. (Eu já li o tal livro e não vi nada disso). O hedonismo na sua melhor oferta. É por estas e por outras que temos actualmente igrejas frágeis e descaracterizadas. Já não somos a vanguarda da nossa civilização mas "comemos" o que o mundo nos dá. Já muitos perderam o espírito crítico e de análise textual cartesiana. Que é feito das antigas disciplinas de Homilética e Hermenêutica? Eu por mim não quero ser cristão "cor de rosa". E você?
Pink Gospel? Não Obrigado!
Antes de discorrer mais acerca deste assunto gostaria de deixar aqui um versículo bíblico: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus" (Efésios 2:8). Muitos pregadores têm, por vezes o hábito de perguntarem às congregações "Irmãos a salvação vem pelas obras ou pela Fé?", após a leitura deste versículo. Esta pergunta revela o erro e a ignorância básica que permite que a heresia do Pink Gospel, como lhe chama o Manuel Adriano Rodrigues neste texto, esteja se instalando. O erro está em que a salvação não é alcançada nem pelas obras nem pela Fé. Como o versículo deixa bem claro a salvação vem pela Graça, pela Graça, não há nada que possamos fazer para a obter, é graça, favor que não merecemos da parte de Deus. A Fé não nos concede a salvação, a fé é o meio pelo qual Deus nos faz o favor de nos salvar, a salvação vem porque Deus faz o favor, não é porque a Fé obrigue Deus a salvar. É dom de Deus, ou seja é dádiva, é oferta. Aliás um outro versículo diz mesmo que os demónios também crêm em Deus e estremecem (Tiago 2:19), logo a Fé é só um meio, não é o factor que concede a salvação. Se entendermos isto, que de Deus nada podemos fazer para merecer nada, nada mesmo, entendemos que somos dependentes, logo não há pensamento positivo, Fé na Fé, properidade, dádivas compradas, curas conseguidas, etc., fica só a misericórdia e a pessoa de Deus.
Amigos, quem quer seguir a Deus tem de entender que ele é que é Senhor, o homem é ele que serve, Deus não pode ser obrigado nem condicionado por nada nem por ninguém. Ele é soberano.
Mas esta mentira, esta heresia, tem muitos nomes - uns chamam-lhe Evangelho da Prosperidade, outros Movimento da Fé, outros ainda Neopentecostalismo, e, agora aprendi este novo termo de Pink Gospel. Muitos evangélicos arrepiam-se quando ouvem falar da Igreja Maná, ou da IURD, porque a ênfase aí é o dinheiro, e eles não são evangélicos. A verdade é que essas igrejas propalam as mentiras do Movimento da Fé, que nasceram em congregações das Assembleias de Deus nos EUA e numa célebre igreja a Rhema, e que em denominações bem tradicionais do nosso país têm sido também defendidas. Não vou agora aqui mencionar nomes nem denominações, mas quem estiver de olhos abertos identificará facilmente.
Grandes nomes estiveram na origem desta mentira - os nomes mais sonantes são Kenneth Hagin, Benny Hinn, Kenneth Copelan, Morris Cerrulo, e, também Paul Yonggi Cho (quem se esquecerá do seu livro A Quarta Dimensão onde este ensinava a confessar o que não é como se já fosse).
Não haja ilusões, a Igreja Católica não assumiu a idolatria, as rezas, a confissão auricular, assim de repente, a mentira foi-se introduzindo aos poucos, lentamente. Também esta heresia do Movimento da Fé se tem infiltrado aos poucos. Isto é fruto da fraca formação doutrinária que os líderes das Igrejas têm, e em consequência os seus membros, o que se reflete em aceitação rápida de heresias. Pequenas coisas têm entrado, mas a consciência do erro não está presente, pois valoriza-se muito um evangelho "experimentalista", sem bases doutrinárias e bíblicas. Aqui jaz um dos maiores defeitos de muitos movimentos evangélicos, em especial das Assembleias de Deus, onde a diversidade de ministérios não é valorizada, sendo no entanto aberta a porta para todo o tipo de ensinos, não havendo coragem dos líderes para assumirem com frontalidade o corte com a mentira quando a vêm.
Enfim este assunto daria para continuar a escrever sem fim, dadas as avultadas polémicas que encerra, mas espero que pelo menos sirva de alerta para alguns crentes.
Já agora mais um alerta. Quando alguém utilizar o versículo de Hebreus 11:1 para definir Fé, não aceite, diga e confirme que o que define Fé é o capítulo 11 todo, não permita entender o versículo fora do seu contexto, obrigue-se a olhar para todo o texto e vai ver que a perspectiva muda, que a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem, mas daquelas que Deus define, como define e indica claramente, tal como o resto do capítulo explica. Ou seja quem determina o que se espera sem se ver é Deus à partida, não é o homem que diz e confessa o que não é como se já fosse. Fé é receber uma promessa directa e pessoal e ficar firme que a seu tempo Deus cumprirá, o que não implica nunca confessar que já se recebeu o prometido - até porque a isso se chama mentir. Atenção.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sintoma da nossa permissividade Social - qual o rumo que estamos a tomar?


Falei já um pouco sobre isto quando da polémica acerca do casamento entre pessoas do mesmo sexo: afinal que sentido queremos dar para a evolução da nossa sociedade? Esta pergunta só faz sentido se se acreditar, tal como eu acredito, que a evolução ou o progresso de uma sociedade, não é uma inevitabilidade que acontece, e à qual temos de nos sujeitar, entrando num embalo que não podemos controlar. Acredito profundamente na nossa capacidade, mais ainda, no nosso dever de pensar a nossa sociedade hoje, recolhendo as lições da história e pensarmos o futuro. Não como donos deste, mas sim como planificadores do mesmo, sentindo que devemos manter uma flexibilidade essencial, atendendo à diversidade e à liberdade individual de cada um.

Assim foi com preocupação que encontrei este texto no i online, onde se afirma que na Universidade de Sevilha foi reconhecido o direito de se copiar num exame.

Um aluno apanhado a copiar não será repreendido, nem verá o seu teste anulado de imediato, o professor, apercebendo-se do copianço, no final adicionará uma notificação ao exame, sendo que posteriormente se constituirá uma comissão para avaliar se houve copianço ou não.

Claro que isto é uma coisa aparentemente pequena, mas se a isto somarmos outras pequenas coisinhas podemos legitimamente pensar: onde é que isto vai parar?

Algumas implicações desta medida são que, um professor pode acusar injustamente um aluno de copiar que este só se aperceberá quando tiver uma comissão em cima de si; outra implicação é que os alunos sentirão uma impunidade maior, pois até as coisas mais graves têm um direito de defesa e tudo, até o copianço, pode ser discutido.

Efectivamente estamos a viver numa época de relativismo, onde um antropocentrismo militante e obtuso tem tentado reduzir todas as coisas, não à medida do homem, mas à medida de cada homem, vendendo-nos o individualismo como fonte de felicidade, quando todos sabemos que essa é uma mentira que tem lançado muitos nas garras mortais da solidão.

Copiar num exame não é algo de socialmente muito grave, mas dizer que isso não é errado à partida, mas sim algo discutível, relativo, é que me parece perigoso, não pelo "volume" da situação, mas pelo princípio em si.

Todos precisamos de dogmas, verdades absolutas, certezas, portos seguros. Afinal a navegação da vida é uma actividade perigosa, pois a deriva ou o naufrágio estão sempre iminentes. Que amadurecimento, que noção de responsabilidade, que perspectiva da vida terá uma geração, como a dos meus filhos, a quem é ensinado que têm direito a tudo, reduzindo os deveres a meros incómodos ingratos, a quem os pais não podem dar uma palmada, a quem os professores não poderão anular um teste no qual copiaram?

Estamos a criar uma sociedade insustentável, onde a liberdade será um exercício impossível, pois a velha máxima de que a liberdade de um indivíduo termina onde começa a do próximo perderá todo o sentido, pois é ensinado que a liberdade própria tem um valor infinito e uma dimensão sem fim, não sendo assim passível de terminar para dar lugar à de outrem.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Eis os amigos de Sócrates



A frase abaixo é o título de um texto do Público, onde um caro amigo de Sócrates toma uma medida própria do Bloco de Esquerda ou do PCP. Mas afinal o velho ditado cumpre-se: diz-me com quem andas, dirte-ei quem és.

Hugo Chavez ordena expropriação da cadeia de supermercados por mudar preços

domingo, 17 de janeiro de 2010

Diálogo


- Dizes também que não sabes viver sem que os sons te invadam a sonolenta mente? Porque dizes isso? Onde podes encontrar um silêncio que te responde a todas as dúvidas que precisa de burburinho que te leve o pensamento. São sons, mas são também vento e cores e coisas que se dispersam na mente sem que nada faça sentido. Não consegues ir de fio a pavio. Não consegues assim. Não insistas. Esse não é o caminho.

- Qual é o caminho então?

- O caminho é aquele que te leva do silêncio ao céu, que te arranca da estrada larga e te leva por lugar estreito, onde espreitas água que parece parada e de repente salta, salta para a vida. Esse caminho desagua, tal corrente, numa estreita porta, pequenina e humilde, onde muitos passaram, um dia desejo eu passar e contigo passar também.

- Não quero ir por aí, escolho um outro momento e instante. Desejo um arranque diferente, uma experiência mais real. Quero ver e sentir, agora, hoje, no momento, não sou de aforrear, sou de esbanjar e quero esbanjar vida, muita vida, quero por isso dar-me, ser, enlouquecer e depois esquecer, para me lembrar do bom, assumir outra escada, outro degrau.

- Não erres. Não prossigas. Esse caminho é bom, delicioso, mas é também falso, efémero, superfulo, leva à morte e quebra a vida. Não é dom essa vida, é privilégio dado, é apenas graça esse tempo, por isso é teu sem o ser, é para ti mas para dares, ao dares irás ganhar, receber mais, o que desejarás por fim dar, compartilhar e assim multiplicas vida, não a gastas.

- Pois essa é a tua visão do pequeno mundo em que mergulhas, sentes que estás perdido mas sabes sempre onde é o norte e o porto é seguro. Mas eu quero a tempestade, andar ao vento, sentir as rajadas, levar bofetadas. chorar hoje e rir amanhã, embriagar-me no ser de outrem, encontrar-me na vida de alguém que aos poucos a minha leva, estancando depois a ferida. Sim quero ser hoje alguém, e amanhã outro ser, quero encontrar caminhos, pois não suporto a ideia de um só ser.

- Nada mais te posso dizer a não ser alerta, estende-te ao comprido e deita-te na cama que fazes, mas acorda antes que o final suspiro exales, para que, nem que seja tangentemente, ao caminho voltes, o passo dês e a porta atravesses, pois a linda música de hoje, pode ser o horrível ruído amanhã. Não te deixes levar pelo turpor, nem oiças demais aquilo que te parece ser a tua razão, pois entre o céu e a terra tantas coisas há, que os olhos não vêm e a mente não alcança, mas há um, um só que esquadrinha, que conhece, que vê todas essas coisas. Alerta mente, não te deixes enganar, não sabes tudo.

O regresso do poeta Alegre


Ninguém ficou já surpreendido com o anúncio da disponibilidade de Manuel Alegre em ser candidato à Presidência da República. Ninguém se surpreende, até porque a não candidatura a deputado nas listas do PS cheirava mesmo a candidatura, ainda mais quando era conhecido o desejo deste de, sendo candidato o ser, não apenas com o apoio do PS, mas sim com um apoio mais alargado da esquerda - e aqui entenda-se do Bloco, porque o PCP nunca abdicará de apresentar um candidato próprio.

O poeta Alegre, como gosto de lhe chamar, tem de si mesmo uma visão de novo grande aglutinador e salvador da esquerda, até porque não reconhece em Sócrates um homem de esquerda, apenas o tolerou, na expectativa de assim ganhar a simpatia e o apoio do seu velho partido, ansiando que as hostes mais "esquerdistas" dentro do PS se sintam mais dinamizadas para lutas internas, até, quanto mais não seja num período pós Sócrates.

No entanto o poeta Alegre insiste em cair no ridículo. Sim a palavra é forte mas é certamente a mais correcta. Como se pode qualificar a expressão de Alegre ao acusar Cavaco de querer governar a partir de Belém e de as forças conservadoras e de direita se congregarem à volta do Presidente, tentando alcançar o controlo do país que não conseguiram via eleitoral?? Eu classifico estas palavras como ridículas sobretudo vindas de um indivíduo que é de um partido que tem como histórico um homem que fez isso mesmo - aglutinou as forças da esquerda numa oposição a partir de Belém enquanto o PS se organizava, liderando ele toda a contestação aberta ao governo e ao partido que o apoiava - e esse foi Mário Soares, o antigo concorrente com Alegre nas anteriores presidenciais. Se há memória no Portugal democrático de um exercício desses ele partiu da esquerda e do seu partido, como poderá criticar desta forma o PSD. Mais ridículo foi quando afirmou ser perigoso para o país que um governo e um Presidente sejam da mesma família política. Aqui também seria de recordar que essa seria sempre mais uma razão para não votar no poeta Alegre, afinal é o PS que está e se tudo correr normalmente, quando for a eleição presidencial ainda estará. E mais uma vez a única experiência que este país já viveu de Presidente e Governo da mesma cor foi na sua área política - Guterres e Sampaio - com os belos resultados que isso trouxe para o país.

O poeta Alegre entrou portanto com o pé esquerdo, mas até pode ser bom por ser o seu "lado" de eleição. Mas que é melhor poeta que político...

Sim porque este senhor, desde o 25 de Abril pelo menos, nunca fez mais nada na vida a não ser poesia e política, pelo que o seu contacto com a realidade deve ser assombroso.

Desça do mundo da fantasia poeta...

Mais 5 do Benfica

Marítimo 0 - Benfica 5

À meia dúzia era mais barato, mas ficou assim!!

Cristianismo e Política


Deparei-me hoje com o seguinte texto aqui no facebook: "Quando Pilatos perguntou se Jesus é rei, ele respondeu: 'A minha realeza não é deste mundo (kosmos) se a minha realeza fosse deste mundo, os meus guardas teriam lutado para que Eu não fosse entregue às autoridades judaicas; portanto, o meu reino não é de cá" (Jo 18:36). «Muitos gostariam de integrar o reino de Jesus neste mundo político.»....«É que Jesus não veio trazer ao mundo qualquer forma de política.»".Não pude comentar no local por essa pessoa não ser um dos meus amigos do face. Mas como não consigo ficar sem comentar esta manipulação descarada do texto bíblico, ou pelo menos a que está implícita decidi escrever este texto.

No texto em que Jesus afirma não ser deste mundo, ele reafirma não só a essência espiritual do seu reinado, como desmistifica mais uma vez a expectativa judaica de que o Messias seria um grande líder político/militar que iria enaltecer o povo judaico. Foi aliás essa uma das dificuldades essenciais que os judeus tiveram para reconhecer em Jesus o Messias vindouro e prometido pelos profetas das escrituras. Agora daqui concluir que Jesus está a excluir o seu reino deste mundo político é um profundo e grande abuso, é uma distorcer violentamente o sentido das palavras. Pior ainda, mais perigoso até, é dizer que Jesus não veio trazer ao mundo qualquer forma de política. Esta é uma frase assassina e até radicalmente perigosa, pois demonstra não só uma visão (e até equívoco e portanto ignorância) sobre o que é política, como exala essa ignorância radicalizada para outros. Qualquer pessoa entende que se Jesus não foi um ideólogo político, certamente que todos os valores por si defendidos e ensinados são valores de uma profundidade e impacto político imenso. Além disso não nos podemos esquecer que os próprios judeus sempre estiveram organizados num Estado, um país, com política, sendo esses políticos dos maiores personagens bíblicos. Olhemos mesmo para Moisés: alguém poderá dizer, ao ler o relato bíblico, que Moisés não foi um líder do povo, não só no sentido espiritual, e portanto um político, e, que este é um tipo de Cristo no Antigo Testamento?? É verdade que Jesus nunca foi nem teve intenções de ser um político, mas alguém que ensina a solidariedade, a compreensão, o valor da família mas também o valor da pessoa humana, que fala de justiça e de verdade, que desmascara a mentira, que se corrói contra a corrupção, não transmitiu profundos valores políticos?! Claro que sim.
Concordo e sou o primeiro defensor da laicidade do estado, até porque foi aí que se perdeu o cristianismo primitivo, quando da institucionalização pelo império romano da religião cristã, obrigando o povo a ter de participar da nova religião, a essência da vida cristã, a "conversão pelo arrependimento" deixou de existir. Sim Igreja e Estado devem estar separados, mas os valores que o verdadeiro cristianismo inculcam nos crentes são valores de profunda relevância política, que não podemos nem devemos ignorar, e creio mesmo, que fazem dos crentes os melhores políticos. Assim, os ensinos de Jesus têm lugar na política, aliás creio mesmo que têm um papel essencial, pois não sendo o homem a solução para o homem, mas Deus, quem mais pode ter a solução para o mundo senão aqueles que têm Deus vivente em si??

sábado, 16 de janeiro de 2010

Um bom fim de semana para todos



Sem mais palavras. Quem quiser saber ou conhecer mais deixe contacto nos comentários (estes não serão tornados públicos).

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

"Lisboa pode-se transformar por exemplo na praia de Madrid"



O ex-Ministro das Obras Públicas Mário Lino, sim o célebre por frases inteligentes e emblemáticas do anterior governo - tais como "Aeroporto na margem sul jamais, jamais..." ou "a margem sul é um deserto" - encontrou um substituto à altura.
Dúvidas houvesse, o novo ministro António Mendonça, aludindo às vantagens do TGV no sector do turismo, disse a seguinte e inteligente frase:


Lisboa pode-se transformar por exemplo na praia de Madrid


E mais palavras são escusadas, vamos gastar uns milhões avultdos de Euros para garantir "praia" aos madrilenos?!

Crise


O Subsídio de Desemprego vai acabar


Esta não é uma frase catastrofista, nem tão pouco uma notícia de hoje, é aquilo que acredito ser uma notícia do futuro, algo que, permanecendo no actual rumo da governação, será uma inevitabilidade. Não será por falta de vontade dos governos ou dos políticos em geral, esta realidade acontecerá pura e simplesmente porque, permanecendo neste rumo, o dinheiro vai acabar.

Ainda ontem foi interessante ver o líder parlamentar do PCP Bernardino Soares defender o alargamento dos critérios e do prazo de atribuição do Subsídio de Desemprego, afirmações que me suscitam sempre uma interrogação: "Mas esta gente pensa que o dinheiro nasce nas árvores".

Meus amigos leitores, é impossível que o dinheiro dê para tudo, sobretudo numa situação crítica como a actual. E quando falo de situação crítica não me refiro apenas à crise em si, falo também do rumo que este sistema económico/social, nos está a levar: à falência.

Não duvidemos que cenários como o ocorrido na Grécia estão muito próximos de acontecer em Portugal.

Senão vejamos: estamos com um brutal endividamento, que segundo um recente estudo do BPI atingirá em poucos meses os 120% do PIB - ou seja tudo o que produzimos num ano e mais vinte por cento, está comprometido para pagamento de dívida; ou seja por ano sobra 20% o que significa que ao quinto ano temos num ano dois de dívida para pagar, sem contar com os juros sempre a cair - a isto junta-se a iminência de uma quebra no rating da República, o que levará a que nos emprestem dinheiro mais caro, logo a um disparar da inflação e com ela maiores dificuldades na sobrevivência do dia a dia; a isto devemos somar uma quebra dos impostos, por via do brutal arrefecimento da actividade económica, o que levará também a uma redução da receita da segurança social, numa altura em que os encargos desta aumanetam cada vez mais; a tudo isto ainda somamos um défice das contas do Estado de mais de 8%, levando a que estas estejam descontroladas, sendo exigível por isso uma contração das despesas do Estado. Com tudo isto se pensarmos que estes 120% de dívida externa e estes 8% de défice ainda não estão contabilizados com a despesa vindoura da construção do TGV, do novo aeroporto, das novas auto-estradas e da nova ponte sobre o Tejo, facilmente podemos perceber os níveis para onde esses índices vão disparar, o que vai levar, muito rapidamente à falência, ou muito perto disso, e teremos de nos encarar com uma realidade onde não haverá dinheiro para muitas coisas, de entre elas a protecção social será certamente uma das vítimas.

Realismo é o que falta à nossa classe dirigente. Aparentemente o PSD parece querer ser um fiel da balança e colocar-se diante do governo para negociar um compromisso de médio prazo para o controlo das contas públicas, mas duvido que consiga. Até porque as obssessões de Sócrates por vezes são incontroláveis.

A realidade mais uma vez é que o PS nos mentiu, José Sócrates é um mentiroso, tal como afirmou, talvez não tão taxativamente, João Salgueiro, mas esconderam-nos a verdade das contas, anunciaram as grandes obras como o remédio para todos os males, mas realmente apenas mentiram - afinal Manuela Ferreira Leite tinha razão, mas o PS ganhou: os protugueses continuam infelizmente a preferir confiar em quem mente com um sorriso, do que quem é sério e carrancudo.

Mas calma, o PSD não é nenhum santo de altar - como aliás ninguém, de hoje e de ontem, é - até porque, tendo um gastador e esbanjador como Alberto João Jardim à solta no partido, não têm grande moral.

Para mim a solução passa por uma profunda mudança de mentalidades e de classe política: pelo menos que quando nos mentem o saibamos reconhecer e corramos com essa gente.

Que palavras se podem dizer


Só me espanto mais uma vez pelo espanto que ainda há pela destruição imensa de uma força da natureza, bruta e indomável.
Não sei que mais dizer, não sei que mais pensar, já que de fazer pouco posso, por ser só um. Claro que as correntes, uniões, contribuições, tal gotas, unidas são um oceano, que no lago seco, ressequido, que hoje é o Haiti, toda a falta fazem.
Mas e o ontem, onde a miséria já era a vida, apenas hoje destapada por destroços que levaram os restos de vida que por ali deambulavam.
"Abaixo do limiar da pobreza" é mais uma expressão técnica de economia que já só faz ricochete na nossa endurecida mente, não provoca arrepio nem reacção.
Só queremos milhões, para pontes, estradas e TGV, mas o limiar da pobreza continua uma expressão, seja de um povo longe ou de um mal cheiroso perto - é apenas uma expressão.
Que palavras se podem dizer.
As palavras não dizem aquilo que as imagens mostram, mas ainda aí limpamos os olhos, pelo reflexo do desvio, pelo afastamento mental, que leva à lonjura da mente, à falência do coração.
Deveras há gente a sofrer, longe no Haiti, perto na casa do lado, mas a distância é a mesma, é aquela que colocamos no centro de nós. Sim somos muito capazes desse feito tremendo de viajar pelo mundo sem sair do mesmo lugar, tão pouco haja egoístico refúgio da realidade feia que os olhos querem mostrar, os ouvidos sentir, mas a mente, o coração, o eu, afastar.
Não há perfeição em mim, não a há em ninguém, mas podia haver uma centelha, uma pequena fagulha ainda. Mas não, sou só eu, também aqui pela escrita, em divagações loucas a fazer a mesma longínqua viagem de quem nos outros vê argueiro, com trave no seu olhar.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Google assume defesa da liberdade





É impressionante como democracias ocidentais, como os Estados Unidos e a União Europeia se têm vergado ao poder do dinheiro, aceitando ditaduras como chinesa como parceiros naturais de negócios. Sim, os mesmos países que no Afeganistão e Iraque lançam bombas e guerras pela democracia e pela liberdade, apertam a mão aos chineses, fechando negócios, em nome do todo-poderoso dólar, o que envergonha todo o cidadão amante da liberdade.

Também em Portugal temos a nossa carga de vergonha a carregar: Angola, uma ditadura que explora um povo, espoliando-o dos recursos naturais, onde a família do Presidente e os que à sua volta circulam enriquecem cada vez mais à custa do país e o povo morre na ignorância e na miséria. Onde existem milhões para comprar a Zon, mas não existe dinheiro para construir um hospital digno desse nome. Mais uma vez nos calamos em nome do precioso dinheiro que dali escorre através dos negócios.

Vergonha atrás de vergonha, ainda temos aquela, que sendo conhecida de muitos, foi corajosamente denunciada por Manuel Monteiro na última campanha eleitoral para as legislativas: em nome do dinheiro recebemos milhares de emigrantes chineses, que fazem negócio com as suas lojinhas, pois escapam-se aos impstos, usando isenções, que findo o prazo das mesmas, renovam pela simples troca de nome do proprietário.

Aqui um aparte: fala-se muito de presidenciais - se posso recomendar um candidato, creio que o Dr. Manuel Monteiro daria um excelente Presidente da República.

Enfim o dinheiro tem vergado a democracia, sendo que esse valor tem-se sobreposto à liberdade, à igualdade, aos direitos humanos, etc., o que me leva a duvidar, também por isto, desta classe vergonhosa e interesseira de políticos sem vergonha.

Para maior vergonha ainda teve de ser uma empresa - esta sim que vive e existe para ter lucros - a dizer que o dinheiro não é tudo, que a sua integridade enquanto empresa e a defesa da privacidade dos utilizadores dos seus emails se sobrepunha aos 600 milhões de Euros de lucros que podem retirar deste mercado. Assumem que censuraram pesquisas por imposição do governo chinês, mas dizem que não o farão mais, pois este, sem o dizer deixou implícito, tentou assaltar a caixas de email de quem era activista anti-governamental. Do lado da China nada de novo, o que mudou foi que, de Tianamen, onde os chineses foram criticados e ostracizados, pelo poder do dinheiro agora são louvados, mudou foi a perspectiva com que o resto do mundo olha a China: passou de ditadura comunista, a economia comunista, de país fechado a mercado interessante. Que vergonha. Afinal a democracia e a liberdade estão à venda.

Quando alguém diz que tudo e todos temos um preço provavelmente não está a exagerar.

Sismo no Haiti


Cerca de três milhões de pessoas terão sido afectados pelo violento sismo que abalou ontem o pobre país que é o Haiti.

Perante a nossa pequenez, a textura do Texto, mais do que comentar, apenas pode solidarizar-se com o pesar pela perca de vidas humanas e declarar que os nossos pensamentos e orações estão com as famílias das vítimas mortais, bem como com aqueles que ainda sofrem as consequências de mais esta catástrofe natural.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Governo vai corrigir erros e lacunas da reforma penal de há dois anos


Este é o título de uma notícia do Público, perante a qual dá vontade de dizer "o que é que eu tinha dito". Todos os agentes da justiça, partidos da oposição, advogados, etc., logo aquando da entrada em vigor destes códigos agora alterados avisaram dos perigos do mesmo, quer pelos seus erros, quer pela forma apressada e precipitada como entrou em vigor.
Mas bem à maneira do teimoso Sócrates, ainda por cima desta vez com o beneplácito do PSD, motivado por uma brutal sede de vingança contra a Justiça, que atacou, na sua egocêntrica óptica, o PS, ao indiciar vários dirigentes socialistas no Caso Casa Pia. Sim bem me lembro da raiva debitada por Ferro Rodrigues e da promessa de Sócrates, nessa altura, dizendo que quando o PS fosse governo isto ia acabar. Acabou de facto.
As dificuldades de investigação e a penalidade foram alteradas, não só a favor de suspeitos de pedofilia (que afinal era disso que os dirigentes do PS eram acusados, mas como para Sócrates e sua pandilha o PS e amigos são mais importantes dos que as nossas crianças...), mas de todo o tipo de criminosos, criando o tão falado sentimento de impunidade nos criminosos.
O facto, é que coincidentemente com o vigor destes códigos os crimes mais violentos aumentaram, tanto que o próprio governo, numa lógica do troço mas não quebro, que é perigosa e vergonhosa em governantes, sentiu necessidade de contrariar, mas em vez de o fazer pela alteração dos códigos o fez por via da lei das armas.
É espantoso como é que perante tantas demonstrações de incompetência, teimosia, pouco interesse pelo povo, os portugueses reelegeram o PS, dão importância ao PSD, levam ao colo CDS e BE e ainda suportam o moribundo PCP-PEV.
Será que não chega já? Não estará na hora de uma verdadeira mudança?

domingo, 10 de janeiro de 2010

O tacho


Frase domingueira II


"Um dos pilares da democracia e da governabilidade que é o poder executivo está decrépito, em declínio e em degenerescência acelerada"


O país "vive também uma grave crise do poder judicial, outro pilar da democracia".


Paulo Rangel durante um almoço de ano novo organizado pela Concelhia de Braga do PSD - 10-01-2010

Iniciativas


Iniciativa do dia: Governo (Omni)Presente - um achado.

Frase domingueira acertadíssima



"Ao comprometer-se com a política económica do Governo, o PSD compromete-se também com a comprovada falência dela. Um suicídio exemplar".


João Pereira Coutinho, "Correio da Manhã", 10-01-2010

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Assembleia da República encontra a solução para a corrupção em Portugal: mais uma Comissão Parlamentar







Tomou hoje posse uma nova Comissão Parlamentar: a Comissão Parlamentar Eventual Contra a Corrupção. Não sendo pessimista, até porque esta comissão tem na sua constituição dois dos melhores deputados dos maiores partidos do parlamento - Vera Jardim e Pacheco Pereira - a verdade é que em Portugal estes problemas resolvem-se sempre da mesma maneira: com comissões. Claro está que desta comissão vai surgir uma comissão para estudar a aplicabilidade das propostas desta comissão, que será seguida, essa outra comissão, por uma terceira comissão que irá avaliar o impacto da aplicação das novas medidas legislativas e assim por diante.
Claro que para se juntar a esta salada que não resolverá em si o problema urgente e escandaloso da corrupção, está a batalha entre o PS e a oposição quanto à questão do enriquecimento ilícito, tendo como pano de fundo uma discordância quanto a um falso problema de inversão de ónus da prova na criminalização do enriquecimento ilícito. Já o escrevi noutras ocasiões e torno a deixar aqui que me parece muito fácil contornar tal questão. O difícil de entender é de que raio tem o Partido Socialista medo para não querer a criminalização daquilo que por si só já é criminoso.
Mas enfim temos uma nova comissão para estudar a corrupção, que de estudos já está cansada pobresinha, sendo urgente sim é que lhe tratem da saúde.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Lei estúpida - Código Penal, artigo 152º-A, número 1


Este Código Penal, com esta alteração que vou mencionar, foi aprovada já em 2007, mas apenas há pouco tempo fiquei de facto alerta para esta realidade: a de poder ser preso por dar uma palmada a um filho meu.

Sim de facto eu sou um desses seres humanos cruéis e brutais que defende o direito de poder dar uma palmada num filho quando este se porta mal, e nenhuma outra forma de o acalmar ou corrigir resulta. É lindo ver nos centros comerciais e nas ruas as crianças a arrstarem-se no chão em birras intermináveis, apenas porque os intolerantes dos pais insistem em não satisfazer todos os desejos dos petizes, nem tão pouco podem usar um cruel e desproporcionado castigo corporal para acalmar e corrigir a sua criancinha.

Os legisladores, pensadores e estudiosos modernos estão a criar um mundo de gente mimada que não sabe ouvir um não, contribuindo para um mundo mais frio e distante, onde as relações humanas se tornarão cada vez mais difíceis, pois com este tipo de educação que nos querem fazer dar aos nossos filhos, eles tornar-se-ão egoístas, egocêntricos, totalmente incapazes de entender o outro e que os outros também são pessoas com desejos e vontades, pelo que não podemos, por não consegurimos, ter tudo o que desejamos - o que também contribui para o ecludir de uma geração frustrada e depressiva, enfim doente.

O inimaginável texto da lei diz o seguinte: "1-Quem, tendo ao seu cuidado, à sua guarda, sob a responsabilidade da sua direcção ou educação ou a trabalhar ao seu serviço, pessoa menor ou particularmente indefesa, em razão de idade, deficiência, doença ou gravidez, e: a) lhe infligir, de modo reiterado ou não, maus tratos físicos ou psíquicos, incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais, ou a tratar cruelmente; (...) é punido com pena de prisão de um a cinco anos, se pena mais grave lhe não couber por força de outra disposição legal."

Leia bem, se der uma palmada a um filho, ou se o colocar de castigo no quarto, privando-o de liberdade, pode ser punido com pena de prisão até cinco anos.

Nunca me tinha apercebido bem do alcance disto até há poucos dias. Numa certa tarde fui buscar o meu filho de quatro anos ao Colégio onde passa as horas diurnas. Quando me viu a mim e à mãe deu em desobedecer a tudo o que são as regras habituais do colégio. Começou a correr pela sala, e meter-se dentro dos armários onde se guardam as mochilas e os casacos, a bater com as portas, etc. Chamei-lhe a atenção, até levantei um pouco a voz, não muito dado o local. Agarrei-o e avisei-o para parar com aquilo se não iria sofrer um castigo. Ainda assim, conforme o larguei voltou ao mesmo comportamento, tendo mesmo ido contra a irmã, a minha filhota de dois anos, atirando-a violentamente contra os móveis e para o chão. Perante isto detive-o de novo mas desta vez dei-lhe uma palmada no rabo que o deteve de imediato. Perante isto ele parou, acalmou, apliquei-lhe o castigo, segundos depois estava agarrado a mim e pediu desculpa. Portou-se mal e só acalmou com uma palmada no rabo. Perante isto a auxiliar imediatamente alertou-me que não podia bater no menino, até porque no colégio havia CCTV e aquilo era uma violação à lei, eu não podia bater no meu filho mal comportado.

Que venha o psicólogo ou psiquiatra mais pintado dizer-me que errei, que lhe contraponho com factos como este: além disso os meus filhos distinguem bem quando a mão vai mimar de quando vai castigar - não façam das crianças animaizinhos estúpidos que elas não são.

Soube de uma história, não em Portugal, onde um homem esteve dois anos preso por dar uma palmada a um filho. Anos mais tarde, quando o filho era adolescente, este envolveu-se num assalto a um banco. A polícia foi pedir responsabilidades aos pais. O Pai, perante o sucedido declarou apenas que quando corrigiu o filho o penalizaram, não deixaram, agora não tinham o direito de lhe exigir responsabilidades. Tinha toda a razão.

Não sou nenhuma besta, mas em certas alturas uma palmada, ou até um castigo de algum tempo no quarto, podem fazer muito pela boa educação dos nossos filhos.

Esta lei ridícula chega a comparar as palmadas a ofensas sexuais e tratamentos cruéis, naquilo que me parece mais do que exagero, parece sim pura e profunda estupidez. Perdoem-me a crueza das palavras.

Ramalho Eanes: eis o exemplo de um homem decente

A crónica que abaixo publico, da autoria de Fernando Dacosta, já tem mais de um ano (é de Outubro de 2008), mas apenas agora chegou ao meu conhecimento, por email enviado pelo meu amigo e colega de partido, e portanto de ideias, Victor Magro, de Castelo Branco.
A crónica fala por si, mas a este exemplo de honestidade e verticalidade, podemos sem dúvida, contrapor a imoralidade e corrupção que graçam por aí. Sem querer insinuar mais do que as minhas palavras deixam transparecer, esta crónica, com a atitude de Ramalho Eanes nela revelada, demonstra bem porque razão homens políticos como Mário Soares, entre outros, não se deram bem com este Homem durante o exercício comum de funções políticas.

Quando cumpria o seu segundo mandato, Ramalho Eanes viu ser-lhe apresentada pelo Governo uma lei especialmente congeminada contra si.
O texto impedia que o vencimento do Chefe do Estado fosse «acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência» públicas que viesse a receber.
Sem hesitar, o visado promulgou-o, impedindo-se de auferir a aposentação de militar para a qual descontara durante toda a carreira.
O desconforto de tamanha injustiça levou-o, mais tarde, a entregar o caso aos tribunais que, há pouco, se pronunciaram a seu favor.
Como consequência, foram-lhe disponibilizadas as importâncias não pagas durante catorze anos, com retroactivos, num total de um milhão e trezentos mil euros.
Sem de novo hesitar, o beneficiado decidiu, porém, prescindir do benefício, que o não era pois tratava-se do cumprimento de direitos escamoteados - e não aceitou o dinheiro.
Num país dobrado à pedincha, ao suborno, à corrupção, ao embuste, à traficância, à ganância, Ramalho Eanes ergueu-se e, altivo, desferiu uma esplendorosa bofetada de luva branca no videirismo, no arranjismo que o imergem, nos imergem por todos os lados.
As pessoas de bem logo o olharam empolgadas: o seu gesto era-lhes uma luz de conforto, de ânimo em altura de extrema pungência cívica, de dolorosíssimo abandono social.
Antes dele só Natália Correia havia tido comportamento afim, quando se negou a subscrever um pedido de pensão por mérito intelectual que a secretaria da Cultura (sob a responsabilidade de Pedro Santana Lopes) acordara, ante a difícil situação económica da escritora, atribuir-lhe. «Não, não peço. Se o Estado português entender que a mereço», justificar-se-ia, «agradeço-a e aceito-a. Mas pedi-la, não. Nunca!»
O silêncio caído sobre o gesto de Eanes (deveria, pelo seu simbolismo, ter aberto telejornais e primeiras páginas de periódicos) explica-se pela nossa recalcada má consciência que não suporta,
de tão hipócrita, o espelho de semelhantes comportamentos.
“A política tem de ser feita respeitando uma moral, a moral da responsabilidade e, se possível, a moral da convicção”, dirá. Torna-se indispensável “preservar alguns dos valores de outrora, das
utopias de outrora”.
Quem o conhece não se surpreende com a sua decisão, pois as questões da honra, da integridade, foram-lhe sempre inamovíveis. Por elas, solitário e inteiro, se empenha, se joga, se acrescenta - acrescentando os outros.
“Senti a marginalização e tentei viver”, confidenciará, “fora dela. Reagi como tímido, liderando”.
O acto do antigo Presidente («cujo carácter e probidade sobrelevam a calamidade moral que por aí se tornou comum», como escreveu numa das suas notáveis crónicas Baptista-Bastos) ganha repercussões salvíficas da nossa corrompida, pervertida ética.
Com a sua atitude, Eanes (que recusara já o bastão de Marechal) preservou um nível de dignidade decisivo para continuarmos a respeitar-nos, a acreditar-nos - condição imprescindível ao futuro dos que persistem em ser decentes.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Economia portuguesa 2009-2010

Após todas as keynesianas políticas do PS, da vitória eleitoral dos mesmos, apesar de perderem a maioria absoluta, após os ajustes directos a favor dos amigos, após os "apoios" à economia, os subsídios ao descanso, após as escutas a Belém, os casos de corrupção e as birras do Sócrates, após o discurso de Natal do Primeiro-Ministro e do de Ano Novo do Presidente da República, ninguém, mas ninguém mesmo captou tão bem a essência do estado da nossa economia como o cartoonista Rodrigo do Expresso.
Parabéns.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Individualismo vs colectivismo - uma perspectiva do Cristianismo


O Cristianismo é e será uma doutrina individual, individualista, nunca colectivista. Parte de uma decisão individual, do reconhecimento pessoal de uma necessidade, para a construção de uma relação pessoal - neste caso com a divindade. Esta relação individual é pautada por momentos de colectivismo, que servem apenas par...a reforçar a relação individual pela força da comunhão, para que assim, pelo ensino e pela troca de experiências, essa mesma relação pessoal se aprofunde, amadureça. Assim crescendo até que, mais uma vez fruto do aprofundar da relação individual, surja o desejo, ou melhor a necessidade de comunicar a outros essa mesma verdade, procurando induzir noutros esse sentimento de necessidade que levará à constituição, quer em espaços individualizados, quer colectivos, de novas relações pessoais. Daqui se conclui que, havendo um colectivo constituído de pessoas com uma relação individual com a divindade profunda, madura e forte - logo pessoas saudáveis e felizes - esse colectivo será mais forte, mais maduro, mais saudável, mais feliz. Conclui-se então que é do benefício do indivíduo, para o qual o colectivo pode pontualmente contribuir, que se constróem colectividades, sociedades melhores, mais fortes e saudáveis, o que, sendo o cristianismo eminentemente apolítico, coincide no defendido pelos primitivos decanos do Liberalismo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A textura do Texto deseja a todos os seus amigos e leitores um Santo e Feliz Natal

E como não podia ficar apenas pelas palavras, aqui fica também uma música do tipo que foi houvida na gruta de Belém, há cerca de dois mil e tal anos, cantada pelos anjos, aquando do nascimento que no Natal celebramos.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pura provocação


Se dúvidas houvesse da falta de sentido democrático do primeiro-ministro, Eng. José Sócrates, hoje, no parlamento, durante o debate quinzenal, essas dúvidas desvaneciam-se de imediato.


Ora vejamos


Depois de ontem termos ouvido, no jantar de natal do grupo parlamentar do PS, José Sócrates elogiar os membros da direcção da bancada parlamentar que têm entrado em conflito com o Presidente da República, hoje, no debate, afirmou que ninguém, em democracia, está acima da crítica, em resposta a Francisco Louçã. Este último respondeu-lhe que havia uma grande diferença entre estar acima da crítica e afirmar, como o fez Sérgio Sousa Pinto, que o Presidente da República ao emitir a sua opinião está a interferir na acção do Governo. Aqui está a essência do desajuste de Sócrates e do seu PS com a democrática diversidade de opinião: quando esta coincide com a sua é legítima, quando é contrária é interferência. Para variar, Louçã teve razão, mas o triste Sócrates não quis entender a argumentação.

Pelo que sobra o que tudo isto é: provocação - com a intenção dupla de tentar condicionar a intervenção do Presidente, afim de que este não se sinta livre em promulgar diplomas contrários à vontade do Governo, ou mesmo, caso a situação se agrave, tenha pejo em dissolver a Assembleia, por um lado; por outro lado pretende também abrir caminho para o aparecimento de um candidato à presidência, agora que as eleições de Janeiro 2011, se aproximam a passos largos, da área socialista com hipóteses de vencer Cavaco, não por mérito próprio, o demérito efectivo do Presidente, mas sim por artificialidades provocadas por Sócrates e sua pandilha. Enfim uma acção política vergonhosa e que merecia uma resposta efectiva e frontal dos portugueses.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O fim de uma era


Após a revolução de Abril de 74 duas forças políticas emergiram do caos, durante a fúria que se seguiu em busca de uma democracia imaginada e desejada. O PS e o PSD emergiram como as grandes forças bipolares do espectro político, em redor das quais alguns satélites têm orbitado, ora mais próximos, ora mais distantes. Neste cosmos político nacional alguns cometas têm aparecido: recorde-me claramente do cometa PRD e presentemente do cometa BE, este último no entanto a sofrer uma intensa desaceleração, assumindo também uma trajectória orbital comum com os restantes.
No entanto nos últimos anos, mas sobretudo nos últimos meses, uma dessas estrelas da política tem-se extinguido, consumindo-se em implosões e confrontos estéreis, que têm trazido apenas desnorte, ausência ideológica, falta de rumo e propósitos de futuro, deixando sozinho uma perigoso partido, que enublado em negras nuvens de corrupção e incompetência, insistem em se comportar como um iceberg inamovível no rumo do país, qual Titanic em afundamento anunciado. Mas estão firmes, arreigados numa dialéctica exemplar que parece queimar o terreno aos adversários, tornando-nos ainda mais vulneráveis. O triste é que não há alternativas: o outro pólo deste universo está desgastado.
Creio ser o fim de uma era, creio que estamos a assistir ao fim efectivo e concreto do PSD, pelo que se abre diante de nós uma janela de oportunidade para o aparecimento de uma nova força, de um novo partido, definido, com rumo, sentido e propósitos para o futuro do país, claramente demarcado dos partidos existentes, sobretudo do PS, apresentando uma nova, concreta e viável alternativa aos portugueses.

Homossexualidade, Casamento e Adopção



É com perplexidade que perante os gigantescos problemas que o país enfrenta os nossos políticos insistam em manter as suas mentes, agendas e espaços noticiosos ocupados com questões como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, entre outros assuntos menores. Certamente que quem luta por este assunto, não achará de menor importância, até porque se sentem aviltados por uma sociedade que lhes recusa aquilo que acreditam ser um seu direito natural.

No entanto gostaria de trazer esta discussão a um nível mais básico, ao princípio. Antes de falarmos do casamento entre homossexuais, deveríamos para princípio olhar para a homossexualidade. Afinal, sejamos sinceros, esta luta dos movimentos gay, não é pelo casamento em si, nem tão pouco pela adopção de crianças, mas sim pela igualdade, ou seja, para que a sociedade olhe para este comportamento sexual como natural, normal e comum. Acredito que esta luta não é pelo casamento e pela adopção em si pois, numa altura em que os casais heterossexuais cada vez casam menos, optando pela união de facto, bem como, hoje em dia, nada impede um homossexual de adoptar uma criança, desde que tenha todas as condições para isso, só resta uma razão para esta luta: a igualdade, ou melhor, o reconhecimento social do seu comportamento sexual. Também vejo algum mérito na discussão da questão das heranças num relacionamento prolongado, mas isso leva-nos para outra discussão, certamente mais jurídica, mas igualmente polémica, que é a questão da legítima nas heranças, que é um atentado à propriedade privada e ao direito de decidir o destino das suas propriedades da parte de qualquer cidadão.

Quando falo de um nível mais básico na discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, falo de que, antes de reconhecermos um comportamento como natural e socialmente aceitável, deveríamos estudar um pouco mais esse mesmo comportamento. Afinal a sociedade evolui e evoluiu já muito, mas reflectimos sempre muito pouco sobre o sentido dessas evoluções. O que acontece efectivamente é que há alguns anos atrás esta discussão era impensável, os homossexuais eram descriminados ou até perseguidos. Não defendo perseguição ou segregação de pessoas, porque sei separar as pessoas dos seus comportamentos, o que defendo sim é que, tendo evoluído a sociedade ao ponto de aceitarmos hoje coisas há anos impensáveis, questiono-me, e com preocupação, qual o sentido desta evolução.

Voltando ao mais básico dos raciocínios, sem entrar em radicalismos, gostaria de voltar ao básico dos básicos, que é olhar para a sexualidade do ponto de vista biológico, do corpo. Afinal a sexualidade é uma função orgânica comum a todos os animais, com vista à manutenção da espécie. Para tal é necessária a manutenção de uma relação sexual entre um macho e uma fêmea. No entanto o ser humano, fruto de uma criação especial, ao sexo, à reprodução, viu adicionado um intenso prazer e sobretudo o romance, o maravilhoso amor entre um homem e uma mulher. Daí, a função sexual foi-se separando da função reprodutiva, ou seja a busca do prazer sexual, passou a ser mais uma busca do prazer e do amor, sem que se busque necessariamente a reprodução - o que de si só já é uma enorme evolução.
Por isso é normal que um homem seja atraído por uma mulher para amar e manter uma relação sexual: isto é o normal, mas mais, é mesmo o natural. Por favor não recusem já o argumento com base em preconceitos do tipo "lá está este a dizer que a homossexualidade é contra natura". Calma. A realidade é que é contra a biologia do ser humano. Pelo que é normal que todo o desenvolvimento biológico do homem e da mulher seja para que, entre si se atraiam, e entre si mantenham relacionamentos sexuais e amorosos. Isto leva-nos então ao degrau seguinte da discussão: se biologicamente e no desenvolvimento biológico e emocional natural, biologicamente definido do ser humano, o homem deve sentir-se atraído pela mulher, e vice-versa, porque acontece a atracção homossexual - existe então aqui um desvio do natural.

É aqui que quero chegar: afinal o que sabemos da homossexualidade - é um desvio, é uma opção, há alguma interferência no desenvolvimento normal dessas pessoas que produza esse desvio sexual, o que acontece? Estamos a assumir como socialmente aceitável um comportamento que não conhecemos. Existem tantos comportamentos sexuais que rejeitamos, simplesmente achamos horríveis, mas que em tempos já foram aceites.

Será que as lições da história não nos servem para nada? Será que já nos esquecemos que em tempos a sociedade já reconheceu os relacionamentos homossexuais? Esta alegada evolução não é nova, já houve sociedades antigas que já aceitaram, ou melhor que já evoluíram no sentido em que nós estamos a evoluir, o que efectivamente faz com que esta não seja evolução nenhuma, é apenas um retorno a um estado social, que já aconteceu outras vezes na história.

Agora vou dizer algo mais polémico, e tenho consciência disso, mas essa mesma consciência me obriga a dizê-lo: a verdade é que essa evolução acontecida noutros tempos da história, onde a homossexualidade era socialmente aceite, evoluiu mesmo para comportamentos pedófilos, que passaram a ser também socialmente aceites. A verdade é que esta evolução acrítica do sociedade a que hoje assistimos já aconteceu, e não no melhor sentido. Hoje a pedofilia parece-nos horrível, mas já foi aceite noutros tempos e, nada nos garante, que de hoje para amanhã não estejam também os pedófilos na rua a exigir a aceitação do seu comportamento. Não comparo homossexuais com pedófilos, critico sim a aceitação de comportamentos sem estudá-los e sem conhecimentos acerca dos mesmos, sob o argumento da evolução da sociedade. Afinal creio que devemos assumir essa evolução, bem como o sentido que pretendemos para a mesma, e, estando numa sociedade dita do conhecimento, que tantas vezes rejeita interferências com base na falta de sustentação científica e de estudos fundamentados, se disponha, ignorantemente a aceitar este comportamento como natural, mesmo desconhecendo o que provoca esse comportamento, manifestamente fora do desenvolvimento natural do ser humano.

Aminatu Haidar já está de volta a casa para “primeiro, beijar a mãe e os filhos”


Este é o título do artigo do Público onde se relata o regresso da activista, mas que protestou apensas como mãe de família, contra o facto de o governo marroquino a ter expulsado da sua própria casa.
Mas o que me motiva a escrever este artigo é o facto de ontem o Parlamento Europeu ter, por maioria, recusado aprovar uma declaração onde se criticava a atitude repressiva do governo marroquino. Os líderes dos maiores partidos - quer dos Socialistas, quer dos Populares - recusaram essa declaração por terem indicação de que este regresso, que agora se confirma, estaria por um fio, podendo tal declaração comprometer, ou pelo menos dificultar a diplomacia.
Efectivamente o PE agiu de forma responsável, contra a indignação dos eurodeputados, pasme-se, comunistas e bloquistas, de entre os quais se destaca o eurodeputado do BE Rui Tavares, que em declarações à TSF afirmou ser uma vergonha o facto da dita declaração ter sido recusada, afirmando que era a própria credibilidade do PE que estava em causa. É de facto uma vergonha é que estes senhores do Bloco de Esquerda continuem, na Europa como em Portugal, na senda da irresponsabilidade política e da demagogia ligeira, dando lugar a uma política de baixa qualidade, mais decidida a desmontar uma sociedade, vil em todas as suas formas, que pretendem, secretamente, destruir, nem que seja de forma violente. Ou será que estamos esquecidos que o BE é um aglomerado de forças de extrema-esquerda, que, tal como as forças diametralmente opostas, são de cariz violento - como se pode ver em Copenhaga.
É impressionante como em Portugal se dá ouvidos a esta gente irresponsável e falsa, falsa pela demagogia barata com que debitam sound bites que ainda iludem tantos pelo facilitismo que apresentam. É necessário assumir que não há caminhos fáceis, que é preciso trabalho, o que não se coaduna com os facilitismos de uma esquerda igualitária e defensora de subsídios constantes, numa ideia de que há sempre dinheiro e riqueza, como se não se tivesse de trabalhar, o que leva, claramente a uma onda de elogio e compensação do demérito e da improdutividade.

Mas enfim, além de tudo, há que felicitar Aidar, pela sua convicção e luta, sendo claro que o direito à auto-determinação do povo do Sara Ocidental está a tardar a ser reconhecida, muito a exemplo do que aconteceu com o povo de Timor Leste.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal III - Awesome God



Ainda hoje fico embasbacado quando olho para certas coisas: paisagens magníficas, fotos lindíssimas ou o rosto lindo dos meus filhos - espantam-me, admiram-me, comovem-me, fazem-me pequenino, insignificante e humilde.

Existem outras coisas que, quando penso nelas, me provocam o mesmo efeito, uma delas é o Natal. Não este Natal secular, mas o verdadeiro, o primeiro Natal: a dádiva divina de Deus, a entrega do filho, o descer da divindade à forma humana, a disponibilidade de Deus, para numa ânsia de amor dar o seu filho aos homens, para que por estes fosse morto, e no seu lugar sofresse, para que agora encontremos a redenção. Isto é Natal, verdadeiro Natal, por isso direi sempre:

O MEU DEUS É UM DEUS ESPANTOSO, E REINA NA TERRA E CEÚS.

Mensagem de Natal II - Above All



Esta é também uma importante mensagem de Natal:

Perguntamos-nos porque compramos tanto, porque corremos a comprar tantas prendas. Desejamos agradar, desejamos dar algo que, principalmente aqueles que nos são mais queridos, demonstre o nosso amor e o nosso carinho pelo outro. Afinal o carinho, o amor, o interesse pelo outro ainda existe dentro de nós.

Isto é só um reflexo distante e pequenino do que está por detrás da maravilhosa história do Natal: um grande amor, entre Deus que dá o maior presente, o seu filho, para redenção.

Por isso Deus está sobre tudo, sobre todos.

Natal é nascimento, um novo sentido para a vida que nasce dentro de nós.

Espero que gostem.

Ainda publicarei hoje outra mensagem de Natal.

Mensagem de Natal - My God Is Mighty to Save



Natal é e sempre será tempo de reflexão e de nascimento. Tempo de paz, solidariedade e família, mas sempre, sempre tempo de nascimento: o nascimento de uma salvação que o homem não pode dar, a salvação do homem de si mesmo, daquilo que em si mesmo o prende.

Como diria S. Paulo:

Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.

(Romanos 7:14-25)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Convulsões no PS

Será certamente notícia em breve: convulsões no PS, facção Coelhista revoltada contra o facto de a Mota-Engil não ter ganho o concurso para a construção do primeiro troço do TGV.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O significado do NATAL

Será que ainda nos lembramos o que se celebra, o que se comemora no Natal? Perante isto ainda conseguimos entender qual o significado do Natal? Indo mais fundo ainda, saberemos ainda reconhecer o porquê de ainda hoje continuarmos ou não com esta celebração?

Vamos então procurar responder a estas perguntas.

Será que ainda nos lembramos o que se celebra, o que se comemora no Natal?

O Natal está transformado numa festa consumista, a fúria das contas toma conta de todos, dos que compram, como daqueles para quem compramos - as crianças - que sentindo esta emotividade, aceleram os pedidos, num ritmo muito superior àquele que os pais podem suportar, quer em termos financeiros como até de memória. O ritmo estonteante das compras só é suprimido na noite de 24 de Dezembro, onde de repente tudo acalma para um belo jantar, cheio de tradição, mas também ele espelho desse consumismo. Claro que olhando para o brilho das luzes e a beleza dos embrulhos, todos nos enchemos de alegria com o reflexo da alegria nos olhos dos petizes, daqueles lindos olhinhos, sempre felizes com uma festa bonita. Não sou um cínico crítico desse consumismo, sou um dos envolvidos, confesso mesmo que gosto dessas compras, gosto desse ritmo, gosto dessas refeições abundantes que em família nestes dias se fazem. Porém procuro não perder, e esse é o desafio deste texto, o sentido dessa comemoração que todo este movimento provoca.
Alguns que procuram mais profundidade no meio de tanta confusão explicariam que o Natal é a festa da Família, é uma festa de Família - por ser aquela onde a família se junta - mas também da Família - em que a maravilha dessa criação de Deus, a Família, é celebrada. Esta é talvez a mais secular, talvez até mesmo mais do que o puro consumismo, das explicações assumidas.
Fala-se na figura do Pai Natal, dos espírito do Natal, de tudo o que o Natal representa, como vemos em tantos filmes da época natalícia, obscurecendo, ocultando, esquecendo-se do verdadeiro facto e sua dimensão, que está por detrás da celebração do Natal.
Muito simplesmente o Natal é a celebração do nascimento de Jesus Cristo. É aquilo que se celebra, celebra-se um nascimento, o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus, porém não se celebra um aniversário, não se celebra uma data no sentido histórico - porque é certo que não foi em Dezembro que se deu o nascimento de Cristo, esta data foi escolhida devido à ocorrência por esta altura de uma festa pagã, à qual os Cristãos responderam com esta celebração - celebra-se sim um milagre, uma maravilha, um marco importante do Plano divino para a redenção da humanidade.

Qual o significado do Natal?
Anteriormente já dissemos que para muita gente o Natal é a festa da Família, pelo que o seu significado é a reunião das famílias em torno do que as une - o amor familiar - e com isso, é uma tradicional festa dos valores da família.
Porém, como foi anteriormente dito, na verdade o Natal é a celebração do Nascimento de Jesus Cristo. Celebra-se este acontecimento, não no seu sentido histórico, mas sim no seu sentido teológico, digamos assim: o verdadeiro significado do Natal é que nos alegramos na comemoração e na gratidão para com a divindade pelo nascimento de Jesus Cristo, pelo facto de o Deus eterno, em Cristo se ter tornado homem, para como Homem, padecer das mesmas situações e vivências da humanidade, passando por esta em pureza, sem pecado, sem mácula, erguendo-se de entre os seus iguais como o único sem defeito, podendo assim em brancura assumir o lugar de cordeiro vicário, sacrificando-se. Na prática o significado do Natal é a celebração da encarnação de Deus em forma humana, para assumir o nosso lugar no altar do sacrifício da Justiça divina, sendo que Deus feito homem é Deus Filho, entregue por Deus Pai para o sacrifício, cumprido o qual seria dado ao homem o Deus Espírito Santo, para conduzir, os que o desejem, no caminho que, sendo imperfeito, o levará a Deus.
Complicado? Nem tanto.
É apenas uma história de Amor.
Deus ama o ser humano, o homem porém afasta-se de Deus, pelo seu comportamento, pelo seu pecado. Porém Deus deseja resgatar o seu relacionamento amoroso para com o homem, porém esses actos pecaminosos afastam o homem de Deus. Este Deus não se deixando vencer assume que necessita de cumprir a sua justiça, para que esse pecado seja vencido. Esse Deus amoroso, em busca do seu amor pelo homem, entrega o seu Filho, o seu próprio e único Filho, Jesus Cristo, para que este morrendo, cumprisse toda a justiça, assumindo sobre si o castigo que cada ser humano, pelos seus pecados, merecia sofrer. Mas este sacrifício de um único homem é universalmente abrangente na medida em que foi um inocente, foi o único homem sempre perfeito, quem morreu, injustamente acusado, perante o sofrimento, morreu, levando consigo todo o castigo. Deus apenas pede agora, apenas pede hoje confiança. Deus apenas diz: há perdão para ti em Cristo, ou seja o perdão obtido por Jesus na cruz será válido para ti se em mim confiares. E esta é a grande dificuldade hoje - confiar em Deus - quando os sinais do cinismo, do egoísmo, dos feitos humanos, etc., parecem dificultar o depósito dessa fé. Mas somente isso, uma entrega pequena perante aquela que Deus já fez: a entrega da Fé a Deus. Nesse momento tudo se transforma e aqui está a resposta para a última pergunta.

Saberemos ainda reconhecer o porquê de ainda hoje continuarmos ou não com esta celebração?
A necessidade de se continuar com a celebração do Natal é só esta: é que o verdadeiro presente do Natal - que não são os embrulhos do Pai Natal - continua disponível. A necessidade de se continuar com a celebração do Natal é só esta: Jesus Cristo nasceu em Belém, mais ainda não nasceu em todos os corações. A necessidade de se continuar com a celebração do Natal é só esta: a família de Deus ainda continua aberta para receber mais filhos.
Ainda há um presente para receber: Jesus.
Ainda há um nascimento para acontecer: de Jesus nos corações.
Ainda há uma festa de família por celebrar: a da adopção de mais filhinhos na família de Deus.
Por isso enquanto houver quem queira receber este presente, quem queira deixar este nascimento acontecer em si e quem queira a esta família pertencer, vai continuar a fazer sentido celebrar o Natal.
Todos estes seculares desvios do sentido original do Natal servem apenas para ocultar esta oferta, impedir este nascimento e impedir o crescimento desta família. Por isso atenção e vejam bem se ainda vos falta isto. Hoje já é Natal.

Palhaçadas


Durante anos habituei-me a ouvir as pessoas comuns, o vulgar cidadão, a tratar os políticos, principalmente os deputados, por PALHAÇOS. Qual não foi a minha surpresa quando ontem, assim que sentei em frente ao computador, ver em todos os jornais online a troca de palavras entre deputados, numa comissão, em que esse substantivo, transformado em adjectivo qualificativo, é lançado de uns para outros.

No entanto existem uma série de outros epítetos que os cidadãos lançam contra os políticos que será interessante, caso se continue nesta linha, ver os deputados a trocarem entre si.

Ora vejamos:

  1. Corruptos
  2. Preguiçosos
  3. Não fazem nenhum
  4. Inúteis
  5. Só querem é tacho
  6. Não servem para nada
  7. São todos iguais
  8. Mentirosos
  9. Aldrabões
  10. Charlatões
Bem faltou-me a inspiração, ou melhor, a memória, porque bocas (não regimentais) tenho ouvido muitas.

Será legítimo?


Será legítimo manter-se um governo que escondeu as contas para que estas não parecessem tão negras antes das eleições, indo depois ao parlamento, cerca de um mês e meio depois das eleições, pedir para ser aprovado um novo orçamento rectificativo, trazendo agora, depois das eleições a verdade à luz?

Não deveria o Presidente da República intervir de imediato e demitir o governo, nomeando um de iniciativa presidencial?

Será legítimo pensarmos que estamos à beira da falência, como aconteceu na Grécia, onde o défice das contas públicas é de 12% e a dívida é de 130% do PIB, sendo o nosso défice cerca de 8,5% e o endividamento já ultrapassa os 100% do PIB?

Será ou não que temos coragem de colocar esta gente no sítio, demitir este governo e assumir a verdade das contas, assumir que não temos condições para continuarmos com estas protecções sociais que temos, para as quais não produzimos o suficiente para pagarmos, entre muitas outras despesas incomportáveis para o Estado?