sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa - a Passagem



Como é conhecido a Páscoa é a festa da Passagem. É uma festa antiga, celebrada pelos Judeus desde os tempos da sua saída da escravidão do Egipto.


A primeira Páscoa teve sangue e morte: cada família judaica deveria matar um cordeiro, com sangue do animal deveria "pintar" as ombreiras da porta; deveriam também assar o animal e comê-lo apressadamente, com ervas amargosas, vestidos e com os cajados na mão. O anjo destruidor passou, matando os primogénitos de todos os animais e pessoas das casas em que não estivesse o sangue do cordeiro sobre as portas. Houve morte, muitos gritos e choros de dor profunda, mas a morte passou, e, nas casas onde o cordeiro foi morto e o sangue estava na porta, a morte já havia sido cumprida, onde o animal sacrificial não foi morto houve lugar à morte do primogénito, não houve substituição, não houve morte vicária, houve morte, dura, crua e impiedosa morte.


A analogia é tão simples e óbvia que é quase escusado descrevê-la. Porém as lições são imensas.


Hoje comemoramos a Páscoa, não a judaica, mas a Páscoa Cristã. A nossa Páscoa é Jesus, porque ele é aquele Cordeiro morto. Jesus morreu, derramou o seu sangue para disponibilizar o livramento da morte. O sangue está disponível, a salvação da morte está disponível. Porém não bastou aos israelitas daquela primeira Páscoa matarem o cordeiro. Era necessário untar as portas com esse sangue, colocar na porta da sua casa, das suas vidas o sinal do sangue, para que a morte não entrasse. Ainda hoje, Jesus O Cordeiro morreu e deu o sangue, falta agora que cada um unte as portas da sua vida, os lugares de passagem da sua vida, o lugar de entrada e de saída da vida de cada um de nós com esse sangue do Cordeiro de Deus.


Mas ainda assim há mais um passo. Tal como os Judeus que precisavam comer o cordeiro assado, também hoje em dia é importante que após pintar as portas da vida com o sangue do Cordeiro, é importante depois alimentarmo-nos do Cordeiro, recebermos da sua vida, olharmos para o seu exemplo, entrarmos na comunhão íntima com o Cordeiro.


Mas ainda assim há sempre a obediência, o servir, o fazer, tal como o israelita pronto com o cajado enquanto comia, o estar sempre em cuidado da vida, colocando-se sempre em questão; lutar em cada dia para o aperfeiçoamento pessoal, comendo as ervas amargosas do mundo; sempre pronto para fugir, para passar, para ir onde Deus manda, sempre pronto para a partida para a Eternidade, quer seja por meio da morte física, quer seja pelo aguardado Arrebatamento.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

O dinheiro não cai do céu? Cai sim senhor.

Por vezes dizemos, principalmente quando vamos trabalhar sem vontade nenhuma, que tem mesmo de ser porque "o dinheiro não cai do céu". E assumimos isto como uma verdade. Mas não é: há pessoas para quem o dinheiro cai do céu.

Pois é, há pessoas que basta ficarem encostadas, sem se mexerem muito e pronto o dinheiro cai-lhes do céu: estou a falar, claro, dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção.

Um desempregado tem de trabalhar, fazer descontos, inscrever-se no Centro de Emprego, periodicamente apresentar-se e manter uma busca activa de emprego, para ganhar o seu dinheiro.

Um trabalhador, ganhe muito ou pouco, tem de se levantar cedinho e ralar o dia para ganhar o seu dinheiro.

Os beneficiários do RSI não tem ressponsabilidades nem obrigações, é só ficar quietinho que o dinheiro cai do céu.


ACABE-SE JÁ COM O RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO.


O RSI devia ser imediatamente proibido, só devia de haver apoio do Estado para quem não consegue trabalho em lado nenhum, e, mesmo para essas pessoas o dinheiro não deve ser dado. Há muito trabalho para fazer, desde limpezas, a auxiliares nas escolas, a apoios nas Câmaras ou hospitais, onde essas pessoas poderiam ser utilizadas. Ou seja dar dinheiro nunca, mas dar às pessoas um trabalho social enquanto não conseguem um emprego, emprego esse que o Estado deve ajudar a encontrar, isso sim. Mama e perguiça têm de acabar, toda a gente deve ganhar o seu dinheiro, este não deve cair do céu para ninguém.

Porque é que eu nunca fui socialista?

Ora aqui está um texto simples que demonstra de uma forma prática e concreta o falhanço do socialismo e a maldade social de um regime assim, e que, ao mesmo tempo, explica porque é que nunca fui socialista. É um texto que sendo humorado é também muito sério e demonstra bem o falhanço da actual sociedade portuguesa.

(Este texto foi-me enviado por email, por isso perdoem o mau português)


Uma Experiência


Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma turma inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e 'justo. '

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experiência socialista nesta turma. Ao invés de dinheiro, usaremos as suas notas nas provas." Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas. ' Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.
Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.

O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela foi baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado. "Quando a recompensa é grande", disse ele, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."


"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar a alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a. "

Adrian Rogers, 1931

sábado, 27 de março de 2010

1ª parte

Para já tudo bem:

BENFICA 1 - 0 Braga

Benfiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiica

Hoje estou de alma encarnada: viva o Benfica, todos esperamos uma grande vitória que embale definitivamente o Glorioso para o título.

Pedro Passos Coelho é o novo Presidente do PSD

Se eu fosse militante do PSD, PPC nunca seria aquele candidato em que votaria. A minha preferência claramente teria sido por Paulo Rangel. E isto apenas por uma razão muito simples: prefiro um candidato a Primeiro-Ministro inteligente, competente na sua vida profissional, esta é isenta da contaminação dos pior que os aparelhos partidários podem produzir, e, sobretudo é uma pessoa que, por ter recentemente chegado à política, ainda não está contaminado pelo veneno político deste país. Ao mesmo tempo Rangel teria a vantagem de esvaziar um CDS que sobe em popularidade ao mesmo tempo que sobe em demagogia e na falta de ideias concretas para o país.

Mas de facto não sou militante do PSD, o meu campeonato é outro, é o dos micropartidos. Claro que não fico contente por o meu partido ser um micro ou nano partido, é o por força das próprias circunstâncias de ser umas força nova, com uma mensagem nova e sobretudo com uma mensagem que vai contra a mentalidade instalada e ensinada aos portugueses desde o 25 de Abril de 74, de que o Estado é o paizinho com dinheiro que nunca acaba e cuidará sempre, aconteça o que acontecer, de todos.

A eleição de Pedro Passos Coelho é mesmo o pior que podia acontecer neste momento do MMS, até porque se posiciona um pouco com um discurso muito semelhante ao que o MMs sempre teve e terá, bem como entra nas linhas onde nos queremos afirmar: a área do liberalismo democrático.

O MMS está a preparar-se para deixar de ser MMS - Movimento Mérito e Sociedade, para se tornar no MMS-PLD - Partido Liberal Democrata, deixando o MMS na sigla, mas assumindo um novo nome. Passos Coelho é certamente um rival na conquista deste espaço. Porém, o discurso do meu partido afasta-se do de PPC porque este entra em toda a lógica habitual do sistema político, enquanto o MMS-PLD, definindo-se agora ideologicamente continua a não se querer certamente comprometer com a velha geometria política, assumindo o seu enquadramento efectivo como fora do sistema.

Bem sei que é um discurso na moda, o de ser político sem querer ser do sistema, acontece que o MMS não se afirma fora do sistema por rebeldia ou superioridade moral - tipo grilo falante, tipo BE -, afirma-se como fora do sistema por ter, desde sempre, propostas de desconstruçãod e um sistema fechado e viciado, que prolonga a vida dos sempre os mesmos, sugando o Orçamento se que daí venha algo de bom para o País.

sexta-feira, 26 de março de 2010

MMS - Novo Líder

Quem acompanha este blogue há algum tempo certamente que sabe que sou militante de um partido: o Movimento Mérito e Sociedade - MMS.

Fui inclusive candidato por este partido à Assembleia de Freguesia de Agualva.

E num momento em que se discute a liderança do PSD, deixem-me olhar um bocadinho para o meu umbigo, e, apesar de poderem muitos achar que isto não tem importância, tem para mim.

Desde as eleições que aconteceram no ano passado, e, perante os resultados obtidos, o MMS quase que fechou. Mas não fechou para sempre, fechou sim para obras. Para obras? - perguntará. Sim, para obras: para reflexão do que se fez mal, para reflexão do sentido de haver um partido assim, reflexão sobre a renovação necessária, reflexão do porque é que a mensagem falhou; fechou para reconstrução do que se destruiu, para busca de rumos e ideias, enfim, fechou para obras de remodelação, para abrir com nova gerência.

O primeiro passo deste novo MMS foi dado no passado dia 20 de Março com a eleição de um novo Presidente: o sucessor do fundador e primeiro Presidente do MMS - o Professor Eduardo Correia, é o Dr. Francisco Oliveira. O nome pode não dizer nada a muitos, mas deixo aqui a foto - sim é essa caratonha que aí está - e sobretudo o link para a Proposta de Estratégia que apresentou aos militantes.

Por aquilo que ali se lê poderá dizer-se que a revolução (inteligente) está agora a começar, com a metamorfose do MMS num partido de cariz liberal democrata, com preocupações sociais e com a sustentabilidade (longe de um liberalismo de estilo neo, adeptos ferrenhos do laiseez-faire) como preocupação central, ou seja, uma força política de um espaço político não existente no espectro partidário português, apesar dos liberais democratas serem a terceira força mais importante do Parlamento Europeu - o ELDR.

O MMS está de volta e melhor que nunca.
Aguarda-se agora com expectativa o próximo Congresso Nacional, que ocorrerá provavelmente durante o mês de Abril, bem como a composição das listas candidatas aos órgãos do partido, sobretudo da nova Comissão Política Nacional.

Acabe-se com o Parlamento


Se dúvidas ainda houvesse sobre a inutilidade de manter um parlamento com 230 deputados agrilhoados com uma mordaça chamada disciplina de voto, ontem, todas elas se dissipariam. Após a abstenção do PSD em relação à resolução de apoio ao PEC levada ao parlamento pelo Governo, 10 deputados desse partido fizeram uma declaração de voto afirmando que se fosse apenas por eles teriam votado contra, que a abstenção foi imposta pela direcção da bancada, por decisão da liderança do partido.

Perante isto afirmo: acabe-se com o Parlamento. Para que serve? Para absolutamente nada. Em vez de mantermos 230 deputados (sustentarmos), basta haver um representante de cada partido, representando cada um deles, um determinado valor de "votos parlamentares" ou de "unidades parlamentares", votando de acordo com a decisão do partido. Assim o representante do PS valeria os 90 ou mais votos que o PS tem no parlamento, o do PSD valeria 81 "unidades parlamentares", correspondentes aos actuais 81 deputados e assim por diante até perfazermos as tais 230 unidades. Para os debates e discursos também seria suficiente, porque falam sempre basicamente os mesmos em cada debate quinzenal. Não existe razão, a não ser sustentar tachos, perante o actual sistema para mantermos um parlamento desta dimensão. A Assembleia da República podia funcionar numa pequena sala, tudo seria mais modesto, mas sobretudo mais barato, e ao fim e ao cabo não mudávamos nada.

A disciplina de voto é um cancro profundo que corrói o nosso sistema político. Tome-se o exemplo da democracia americana, onde nem os senadores, nem os congressistas estão presos a qualquer disciplina partidária. Funciona? Certamente que melhor do que a nossa, pelo menos há uma razão para eles lá estarem, representam os interesses do círculo pelo qual foram eleitos. Claro que não é prefeito esse sistema, porque as pressões, as negociações pouco claras existem. Mas ainda assim é para isso que estão lá: representam os seus eleitores, se não o fizerem bem pagarão no final do mandato. Não são reeleitos, porque os círculos são uninominais e os eleitores sabem quem foi o malandro que não protegeu os seus interesses.

Assim sim. Mas por cá preferimos listas intermináveis de gente invisível que depois se senta no parlamento a bater palmas e onde até o direito de pensar e opinar pela própria cabeça lhes é retirado.

Acabe-se com o parlamento, ou pelo menos com este sistema parlamentar viciado e diminuto e que não serve os interesses de ninguém, a não ser de um pobre e limitado grupinho de gente.

sábado, 6 de março de 2010

Devolvam-me o Evangelho!

Fica aqui mais um excelente texto do Blogue Sip of Glory.

Roubaram-me o Evangelho da Graça!!! Existe uma nova religião que está a tomar de assalto as actuais Igrejas evangélicas. Esta moderna religião não se baseia apenas nos escritos bíblicos, mas em revelações complementares (e muitas vezes antagónicas) de "pastores", "bispos", "profetas", "doutores", etc. Nunca como hoje ouve tanta revelação espiritual. Estou contudo muito confuso. Não sei mais em quem acreditar. Serei Arminiano ou Calvinista? Assembleiano ou Universalista? Onde estão as velhinhas Igrejas Baptistas com a sua explicação sempre razoável dos escritos bíblicos? Que saudades do prezado irmão Tage Stahlberg com o seu "pentecostalismo discreto". "Não precisas de gritar e pular porque Deus não é surdo , adora o Senhor" - disse-me certo dia. Mas esta praga de "ungidos" já não tem vergonha de nada. Alguns imitam galinhas, patos, touros, bezerros, apitos, eu sei lá que mais! Já perderam o sentido do ético, da moral e dos bons costumes. Vale tudo para estabelecer esta nova religião de eventos fantásticos onde "Deus" sempre tem algo a fazer. Nem que seja tirar os "paradigmas" das cabeças dos crentes "racionalistas". "Ti" Alfredo Machado disse certa vez que uma das formas de Deus se revelar é (também) através do bom senso - o senso comum. Já não há bom senso ou razoabilidade nas modernas Igrejas evangélicas assaltadas por esta nova religião? "Prodígios" e "maravilhas" fazem parte constante das mensagens púlpitas destes novos "profetas" da actualidade. Se você quiser um milagre só tem que pagar o justo valor - de preferência em dinheiro, claro. Sete dólares por cada dez minutos de oração. Sim, leu bem o texto! Ora se por hora o "profeta" orar por seis pessoas (o que é tecnicamente possível), terá 144 pessoas para orar por dia o que equivale a 1008 dólares por um simples dia de oração. Uau! Ficará rico em pouco tempo. Daqui a pouco poderá (também ele) comprar um avião, e ir "profetizar" aos fins de semana para as Bahamas com transmissão directa das suas "profecias" pela internet. Ou então em pouco tempo comprará um canal de televisão privado para poder mesmo de férias disseminar as suas idéias. Sempre poderá dizer aos mais chegados que está numa conferência em Tulsa, Oklahoma. Ou então dirá que tal como Jesus tinha necessidade de se isolar nos montes a fim de orar, ele fez o mesmo; só trocou os montes pelas Bahamas... Conheci à tempos um crente em Lisboa que me disse ser "sósia" de determinado "mestre" da actualidade. Disse-me que quando o determinado "mestre" não podia estar presente na Igreja era ele que transmitia do púlpito o "estudo bíblico". (Previamente escrito pelo mestre claro). Estes pseudo-cristãos "modernos" e "poderosos" usam e abusam da ignorância e do desejo do divino inerentes ao coração e mente humanas para daí retirarem boas vidas, opulência e poder social. O crente ignorante depressa se deixa enganar e fica agrilhoado ao seu líder religioso na sua vida familiar, social e espiritual. Fica a depender do seu "guru" (desculpe: Pastor) espiritual para se aproximar de Deus. Tal qual como quando no "velho" catolicismo romano, também dependia dos seus santos e santinhos! Não tarda muito e teremos fotos de alguns líderes neo-católicos "ungidos" e "carismáticos" a adornar as mesinhas de cabeceira nos quartos de dormir das famílias cristãs evangélicas... Ou então como nas lojas de mobiliário indianas serão certamente idolatrados em fotografias convenientemente colocadas nas paredes dos escritórios dos empresários cristãos... Tal como na alegoria da caverna de Platão esta nova religião permite ver as sombras nas paredes mas não "desamarra" os seres humanos das grilhetas nem deixa sair da caverna da ignorância para que assim os prisioneiros possam observar a realidade - o verdadeiro e simples Evangelho! Esta nova religião tende sempre a apresentar "verdades inquestionáveis" desde logo castradoras das liberdades fundamentais do ser Humano. A religião é o ópio do Povo, como diria Karl Marx noutro contexto. Estava certo pelo menos em relação a esta! Tal como uma droga alucinogénica que produz sensações ocasionais e luminosas que não sendo realidades, leva o drogado (crente) a pensar que o são e acabará por ter o mesmo resultado - a alienação da realidade! Ou pior: Uma rejeição (por exaustão demagógica) da sua própria espiritualidade. Esta nova religião tem este efeito maléfico: Amputar o ser humano da sua liberdade de pensar e questionar! A voz do líder é a voz de Deus! Mas desde logo defendo que o meu maior direito que considero inalienável é o Direito à Dúvida! Tenho o direito de ter dúvidas! Eles (os "ungidos") estão a ensinar que devemos depender de Deus em tudo na vida. Sendo que "deus" é o que eles dizem que é e pronto! Apresentam Deus como uma espécie de génio da lâmpada de Aladino. A lâmpada será a sua religião mortífera e o génio é o próprio Deus que satisfaz sempre os desejos do crente através da oração. Fala (pede um desejo) e Deus dará sempre resposta afirmativa à tua Fé (confissão positiva). (Desde é claro que o crente seja fiel, especialmente no que respeita aos dízimos e às ofertas). Esta "doutrina" nada tem a ver com os ensinos deixados pelos autores dos escritos para a Igreja primitiva. Leva os crentes incautos e ignorantes a acrediar em fantasias que nada têm a ver com a verdade do Evangelho. Uma fantasia muito piedosa não deixa de ser uma fantasia. Desde logo estamos a dizer às pessoas que independentemente do seu esforço intelectual ou físico - independentemente do seu trabalho -"tudo vai correr bem". Estes crentes não vêm (conhecem) Deus pelos olhos da sua própria inteligência mas através dos filtros religiosos e inquestionáveis inculcados na sua mente por estes novos "ungidos". Por serem espiritualmente ignorantes ainda não aprenderam a questionar! (Comparar as coisas espirituais com as espirituais!) "Eles" (os "ungidos") estão a ensinar uma nova religião e não o verdadeiro Evangelho! Os escritos bíblicos e neo-testamentários dizem claramente para ensinar aos crentes o caminho que conduz à vida, dizendo também que esse caminho é difícil, estreito e cheio de perigos. Prometer vida boa e sucesso e sempre respostas positivas às orações dos cristãos de hoje não passa de uma mentira que só pode ter origem no maligno. Esta não é seguramente a verdadeira mensagem de Cristo. Acredito que o maior milagre que Deus pode operar hoje na terra não é o milagre de transportar montanhas de um lado para outro mas pôr em ordem esta autêntica confusão. Para isso precisa talvez de encontrar gente que em liberdade o queira amar e questionar e assim ser esclarecida por Ele. Alguém que queira apenas ser um mero cooperador sem o contributo desta total ignorância religiosa. Alguém que não almeje ser pastor, ou apóstolo, mestre ou profeta, ou outra coisa qualquer no Reino de Deus. Alguém que com alegria queira ser apenas mais um entre muitos irmãos! Alguém que não queira poder e sucesso financeiro ou social. Alguém isento desta nova religião nefasta e ignorante. Por outras palavras acredito que Deus não procura gente que possa confiar cegamente n`Ele mas sim homens e mulheres intelectualmente livres, disponíveis e responsáveis. Gente que tal como Moisés questionava Deus mas cumpriu o trabalho que lhe foi proposto (mesmo não vendo no fim concretizada a promessa divina). Gente como Jonas que não queria ir à cidade de Nínive avisar da justiça divina e fugiu da tarefa ordenada por Deus mas acabou (contra a sua própria vontade) por cumprir a ordem que lhe foi dirigida. Esperou em vão debaixo da aboboreira o cumprimento da promessa de castigo sobre a cidade - não teve o consequente resultado que esperava. Questionou o Senhor e teve a sua resposta. Homens como Oséias que teve que conviver (contra a sua vontade) com uma prostituta, e que acabou mesmo por ser abandonado por ela. Quando o desgraçado Jó na sua miséria questionou o Senhor obteve primeiro resposta às suas dúvidas, sendo posteriormente abençoado. Deus ainda é o mesmo ou não? E que dizer do apóstolo Paulo que três vezes orou ao Senhor e não lhe foi retirado o "espinho na carne"? Acredito que na actualidade Deus não procura religiosos mas homens e mulheres livres e intelectualmente responsáveis que queiram ser seus cooperadores no crescimento do reino de Deus. Alguém disponível não para ser um "entretainer" mas que apenas ame as ovelhas e que queira seguir o princípio fundamental ético, moral e espiritual - para que que Ele cresça e eu diminua. Haverá alguém entre nós que queira dar "um murro na mesa" e ser um cooperador de Deus sem o contributo desta horrorosa, violenta e nefasta nova religião? Haverá alguém isento dos vícios religiosos e livre para questionar a revelação do Senhor? Teremos entre nós alguém que queira aprender e ensinar o verdadeiro e simples Evangelho? Alguém que queira devolver à Igreja o que lhe está a ser roubado? Eu, por mim estou farto de ser enganado por estes "super-espirituais". Já me cansei desta miserável panaceia. Devolvam-me o Evangelho da Graça! Devolvam-me o Evangelho já!

terça-feira, 2 de março de 2010

Creio que é desta

Já tive um período de quebra nos escritos aqui na textura, de tal forma que ponderei em acabar o blogue. Depois lá decidi retomar a coisa.
Esta é uma actividade muito interessante, porém, bastante desgastante, principalmente para uma pessoa como eu que, ou faz ou não faz, é tudo à bruta e que segue o ímpeto instantâneo de ter de comentar aquilo que leu ou que viu, como quem tem a necessidade imperiosa de despejar uma vontade.
Mas o desgaste tem sido muito, o tempo tem sido pouco e o meu computador não tem ajudado, pois está às portas da morte e a disponibilidade de "tempo" para outro não é muita. Por vezes a raiva que sinto contra o pobre aparelho por este demorar uma verdadeira eternidade a mudar de separador, por exemplo, raia a loucura e o ímpeto de lhe dar uma carícias é muito forte.
Aliado a tudo isto está a desinteressante vida política portuguesa. Melhor, a vida política e a política em si são muito interessantes, mas ando a ficar um pouco enjoado de ver cenas indignas de políticos como o nosso Primeiro-Ministro, que é uma das maiores vergonhas deste país, um dos piores produtos políticos mais podres que este país já produziu, sem que hajam consequências, tudo mansamente é assobiado para o ar. Isto tem-me sido motivo de profunda insatisfação e frustração. Não é razão para desistir da vida política, ou se preferirem, da vidinha política, até porque continuo a querer participar numa urgente mudança, a primeiro das mentalidades, desaguando numa mudança real de política e de sistema político. Continuo a querer lutar por ela, o frustrante para mim tem sido falar muito sobre isso, escrever aqui muito sobre isso, mas fazer pouco, muito pouco por isso.
E isso irrita-me, faz-me mal, frustra-me, irrequieta-me, incomoda-me, chateia-me, aborrece-me, enfim torna-se mais um, fardo do que um prazer escrever e falar sobre as coisas sem porém fazer nada por isso, para isso.
Daí estar de novo desmotivado com a escrita na textura, daí os poucos posts que por aqui têm aparecido, daí de novo ter surgido a vontade de acabar com isto.
Vamos ver.
Vou-lhe dar uns dias de descanso e logo se vê.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Não consegui deixar de publicar isto

Li o artigo que se segue, de que deixo aqui o link, no Genizah, e não consegui deixar de o publicar aqui. Tal como o autor do post no Genizah, também eu chorei ao ler o artigo. Só me resta dizer mais uma coisa, e peço desculpa aos meus amigos que aqui vêm por outras razões, mas tenho de dizer: Glória a DEUS.
Dois pastores evangélicos e um motociclista morreram num acidente envolvendo sete veículos, na manhã de ontem, na Rodovia do Contorno, trecho da BR 101 que liga Serra a Cariacica.
Os religiosos pertenciam à Igreja Assembleia de Deus e haviam saído de Alegre, município da Região Sul do Estado, rumo a uma convenção estadual da igreja em Nova Carapina II, na Serra.
Os veículos - cinco caminhões, uma moto e um automóvel Del Rey - bateram um atrás do outro. O engavetamento aconteceu às 8h15, no quilômetro 277, na Serra. Os pastores estavam no carro.
Tudo começou quando um caminhão freou por causa do intenso fluxo de carros no sentido Cariacica - Serra. Os veículos que vinham atrás dele frearam também, mas o último caminhão - de uma empresa de cerveja - não conseguiu parar a tempo. Com isso, os veículos que estavam à frente foram imprensados uns contra os outros.
Os pastores José Valadão de Souza e Nelson Palmeira dos Santos e o motociclista Jonas Pereira da Silva, 52 anos, morreram no local. Dois outros pastores, que também estavam no Del Rey, sobreviveram, e o motorista de um dos caminhões sofreu arranhões nas pernas. Nenhum dos outros caminhoneiros ficou ferido.
O proprietário e condutor do Del Rey é o pastor Dimas Cypriano, 61 anos, do município de Alegre. Ele saiu ileso do acidente e teve ajuda do motorista José Carlos Roberto, carona de um dos caminhões, para sair do veículo.
Seu amigo de infância, o pastor Benedito Bispo, 72, ficou preso às ferragens. Socorristas do Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu) e bombeiros fizeram o resgate dele. O pastor teve politraumatismo e foi levado para o Hospital Dório Silva, na Serra.
A mulher de Benedito chegou a ver o marido sendo socorrido e teve que ser amparada por um familiar. Ela também seguia para a convenção num outro veículo. A rodovia ficou interditada durante vários momentos da manhã de ontem nos dois sentidos. O trecho só foi totalmente liberado no início da tarde.
O pastor Dimas Cypriano, que sobreviveu ileso ao acidente na manhã de ontem, no Contorno, contou que usava cinto de segurança e que ficou preso ao tentar sair. Ele dirigia o Del Rey e disse que precisou de ajuda para sair do carro. Mas depois continuou no local, acompanhando os trabalhos de resgate do colega, Benedito Bispo. Nas mãos, levava uma Bíblia que ficou suja de sangue. Mas isso não impediu que o pastor orasse durante o socorro.
O mais comovente do triste episódio, foi o relato dado por 2 pastores sobrevivente, e pelos bombeiros que tentavam tirar os pastores ainda com vida, que estavam presos nas ferragens.
As testemunhas citadas acima, contam que os pastores Nelson Palmeiras e João Valadão, ainda com vida e presos nas ferragens, em meio a um mar de sangue que os envolvia, começaram a cantar o Hino 187 da harpa cristã:
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Ainda que seja a dor
Que me una a ti,
Sempre hei de suplicar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Andando triste
Aqui na solidão
Paz e descanso
A mim teus braços dão
Nas trevas vou sonhar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Minh'alma cantará a ti Senhor!
E em Betel alçará padrão deAmor,
Eu sempre hei de rogar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
E quando Cristo,
Enfim, me vier chamar,
Nos céus, com serafins irei
Morar
Então me alegrarei
Perto de ti, meu Rei, meu Rei,
Meu Deus de ti!
Aos poucos suas vozes foram silenciando-se para sempre.
As lagrimas tomaram conta dos bombeiros, acostumados a resgatar pessoas em acidentes graves, porem jamais viram alguem morrer cantando um hino; como foi o caso dos pastores Nelson Palmeiras e João Valadão .
Notícia disponível no O Galileo
Postou Zé Luís no Genizah, confessando que os olhos marejaram ao ler o artigo.

Professores no Governo


Fenprof convoca greve dos professores para dia 4 de Março - Educação - PUBLICO.PT

Entreguem o Governo do país aos Professores.

Sinceramente acho que os professores são uma das forças que mais pode contribuir positivamente para o desenvolvimento do país. Mas acredito também que isso só será possível quando os seus sindicatos deixarem de ter o comportamento terrorista que actualmente têm. Num ano como este, em que no sector privado praticamente ninguém terá aumentos, em que as despesas do Estado estão descontroladas, em que existe uma luta, pela correcção do desvio orçamental, a ser travada, os professores assumem, ou pelo menos os seus sindicatos, assumem uma posição terrorista de valorizar a sua corporação em detrimento do interesse nacional.
Tantas vezes tenho criticado os partidos por deixarem o interesse do país para último, de darem primeiro lugar aos devaneios e exigências dos seus grupos de interesse. Afinal, e como se pode ver, os sindicatos sofrem do mesmo mal, até porque a maioria deles, sendo a Fenprof disso um excelente exemplo, estão vendidos ao interesse dos partidos aos quais estão ligados, desprestigiando efectivamente a sua classe profissional, comportando-se como uma força corporativista, ao nível de uma Máfia.
Cada dia me convenço mais que para este país progredir uma das coisas mais importantes e decisivas será a desconstrução das Corporações, não numa lógica do dividir para reinar, mas sim de incluir numa força mais abrangente e que zele pelo interesse comum do país e dos seus representados.

Só santinhos

Director do "Sol" diz que Vara "comandava" o jornal no BCP - Media - PUBLICO.PT

Mais uma farpa em toda esta situação.
Não sei já o que pensar ou o que é preciso acontecer. A política e os políticos são das coisas mais sujas que há por causa deste tipo de comportamentos e de pessoas.
Estou na política, num pequeno partido é claro, onde não cheira nem a dinheiro, nem a poder, por isso quem por lá anda está na política por convicção. A luta por uma higienização da política é cada dia mais uma luta urgente, uma luta essencial para a sobrevivência de uma débil democracia, onde os partidos são agora parte do problema e não da solução. Não sei, por vezes parece impossível acontecer alguma coisa de positivo vinda dos meios políticos. Os partidos, mais do reformados, precisam de ser refundados, pelo que essa a minha luta, construindo um novo partido e uma nova força política, sendo que entre as lutas políticas normais, temos de lutar contra os ímpetos que nos possam assemelhar no comportamento e nas ideias a esta gente.
Há muito a mudar, mas não são as direcções dos jornais.
É verdade que os nossos jornalistas e os nossos meios de comunicação social têm alguns problemas com o pluralismo político, afunilando ideologicamente as ideias difundidas ao bloco central. Mas se isto é por pressão, política ou económica, ou se é apenas defeito de formação não sei, o que sei é que se aos abusos dos políticos, juntarmos os abusos dos próprios jornalistas e seus patrões, podemos ver a forma como a nossa liberdade, sobretudo a de pensar e a de informação, estão bastante condicionadas.
O abuso dos meios de comunicação social chega ao ponto de ignorarem impunemente a lei e a Constituição.
Porque digo isso? A lei e a Constituição obrigam a que os Partidos em campanha eleitoral sejam tratados da mesma forma pelos meios de comunicação social. Ora estes, a pretexto do interesse público e de divulgarem apenas aquilo que tem "interesse" ou aquilo que "vende", que dá audiências, praticamente ignoram os pequenos partidos, concentrando-se apenas naqueles que já estão no parlamento. Aqui reside um evidente viciar da nossa vida pública, ao condicionar a informação aos partidos já com assento parlamentar, transmitem a ideia de que só esses é que poderão voltar a ter esse assento. Ora uma eleição é um ponto de partida, é o início de uma corrida sem vencedores anunciados. Ou deveria ser, os jornalistas imediatamente, pelo condicionamento que fazem, apenas dão possibilidades a quem querem. Isto é ilegal e é inconstitucional.
Alguém poderá afirmar que os meios de comunicação estão condicionados à necessidade de vender, de garantirem audiência, pelo que não é possível dar a mesma atenção a todos os partidos. Se isto pode ser verdade fora do período eleitoral, em campanha não o será, porque é uma exigência legal. É o mesmo que dizer que numa altura de enchente um restaurante pode fugir das regras de higiene ou facturação que a lei lhe exige. Todos os negócios têm as suas exigências e condicionantes legais e todos temos de os cumprir. Uma das exigências que a lei faz a quem tem um negócio de comunicação social é, por exemplo, o direito de antena, mas também o dever de tratamento igual de todos os partidos e forças concorrentes. Mas a comunicação vive ilegalmente e o nosso sistema político e judicial deixa.
Poderá ainda alguém defender que o Bloco de Esquerda superou esse condicionamento, que ultrapassou esses problemas, ou, como já li do José Manuel Fernandes, os jornalistas "sentiram" qualquer coisa de diferente no Bloco e por isso deram-lhe atenção. Isto é tudo falso e é condicionador da liberdade. Em primeiro lugar porque o dever dos jornalistas não é sentirem se devem ou não fazer notícia, em segundo lugar o dever dos jornalistas e seus patrões é cumprirem a lei. Além disso o Bloco só conseguiu ultrapassar as barreiras impostas pela comunicação social a partir do momento em que pessoas como o Fernando Rosas e o Miguel Portas, entre outros, com muitas ligações e muitos conhecimentos nos meandros e nas redacções, conseguiram levar o Bloco para as notícias. Daí à eleição de um deputado foi um pulinho.
É grave o que se revela sobre as tentativas de controlo da comunicação social pelos políticos, mas os jornalistas não se armem em virgens, porque também querem, e muito, condicionar os políticos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Não há pressões, é tudo normal. Crime não é, mas indecente...

José Sócrates pressionou o director do "Expresso" para não publicar notícia sobre licenciatura - Media - PUBLICO.PT

Não creio que seja nada de grave um político telefonar para um jornal ou televisão a expressar desagrado acerca de uma notícia. Perante uma notícia não publicada (o que me admira é como dois dias antes da publicação do jornal o Primeiro-Ministro já sabia do conteúdo do jornal, mas adiante) querer emitir um desmentido ou apresentar uma correcção dos factos da notícia, parece-me ainda plausível. Pedir, ou exigir - não estou a dizer que o PM exigiu - que uma determinada notícia não seja publicada é que já não me parece assim tão natural. Além de ficar a nítida sensação de que se quer esconder alguma coisa, é uma pressão incrível ter o titular de um órgão de soberania a querer condicionar uma notícia.
Creio que por muito que se queira tapar o sol com a peneira é verdadeiramente notória a degradação da condição política de José Sócrates para se manter no Governo. Não sei como isto é possível num país democrático, aliás, parece-me que este caso é mais um sintoma da impressionante debilidade que ataca os fundamentos do Estado de Direito Democrático: o sistema judicial, o sistema político/partidário e o Governo e a sua esfera de acção.
Tenho muito medo de devassas de vida privada, de revelação de escutas, de intromissões abusivas, mas a verdade é que perante as revelações feitas e desmentidas apenas em tom de cassete, sem apresentação de provas contrárias, quando a comprovar o dito pelos jornais há escutas e transcrições de escutas, a margem de manobra dos envolvidos é muito pouca.
Como um amigo meu insistentemente diz, se o Nixon fosse Presidente de Portugal, nunca se tinha demitido e Watergate não era crime, nem tão pouco ia além do razoável na luta partidária.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Recordação de outros tempos

Perante as recentes declarações do Primeiro-Ministro José Sócrates acerca do Segredo de Justiça, e, ao ouvir hoje o Fórum da TSF dedicado a esse tema, tive uma sensação de regresso ao passado, de teletransporte.
O Primeiro-Ministro indignado com as informações que têm vindo a público, defendeu ontem um reforço das penas e da forma como devem ser encaradas as violações ao segredo de justiça, cavalgando uma senda legalista.
É interessante lembrar que a última vez que o PS foi profundamente atacado devido a um processo judicial, o Caso Casa Pia, os seus líderes começaram publicamente a falar na necessidade de alterar a lei para que os "abusos" que tinham sido cometidos contra gradas figuras socialistas não voltassem a acontecer. Dessa necessidade imensa de vingança contra o sistema judicial surgiu o Novo Código do Processo Penal e o Novo Código Penal, com as consequências evidentes na deterioração da segurança e ordem públicas, que leva o agora Ministro da Justiça a falar na necessidade de, passados estes anos, voltar a mudar a Lei por se terem evidenciado vários problemas nesta.
O líder do PS, agora afectado por um Caso Face Oculta, que revela a podridão, mais do que do Primeiro-Ministro, das figuras próximas deste e a podridão na forma como se usam recursos de empresas em favor das campanhas eleitorais partidárias, já está a cavalgar contra o sistema, começando a defender já alterações à Lei do Segredo de Justiça. Como da primeira vez, esperemos que esta senda não resulte em mais opacidade do sistema judicial e político, trazendo ainda mais descrédito sobre todo o sistema democrático sobre o qual o país assenta.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

1º ANIVERSÁRIO D' A TEXTURA DO TEXTO

Este espaço de opinião, o blogue A textura do Texto completa hoje um ano de existência.
Conforme prometido, para quem ainda não tiver lido fica a seguir a reedição do primeiro post deste blogue. Obrigado a todos os leitores e amigos deste espaço.


Existe uma Palavra no léxico da blogosfera política nacional que tem tomado algum protagonismo. De tal forma que se colou quase que de forma adesiva ao blogger que habitualmente a usa. A insistência tem sido tal que quase já não se consegue falar em política portuguesa sem falar nessa palavra. Trata-se do situacionismo.

Mas afinal o que é o situacionismo: é a forma como a comunicação social, e a sociedade em geral até, proclama e aclama insistentemente as virtudes e as ideias de quem tem o poder, bem como de quem é amigo de quem tem o poder, e até de quem é amigo de quem é amigo de quem tem o poder, e por aí adiante.

Quem tem falado insistentemente em Situacionismo: o ilustre Dr. José Pacheco Pereira, no seu conhecido blog "Abrupto". De facto é uma leitura diária que não dispenso, sou um confesso admirador do dito Sr., porém gostaria de deixar algumas considerações diversas acerca do situacionismo.

O que tanto tem revoltado o Dr. Pacheco Pereira, é um situacionismo que parece insistentemente proteger a esfera do governo, quer por parte deste propriamente dito, quer por parte do partido que o sustenta. De facto, pela forma como o Dr. Pacheco Pereira apresenta as situações, podemos falar numa grave crise de respiração na política portuguesa.

Mas gostaria de sugerir um outro caminho, uma outra razão para a respiração assistida do situacionismo ser tão premente: porque há tão pouco ar respirável para outras ideias e outras pessoas na política portuguesa? Há excesso de mofo, esse é o problema. Existem muitas ideias iguais, muitas pessoas "iguais", muitos "modus operandus" iguais; o fazer, o propor, a ambição, é tão comum, tão igual, que não há ar novo, respirável, na nossa política, na nossa sociedade, daí a necessidade de assistência respiratória.

Tudo isto porque creio que o situacionismo vai mais além do que a esfera PS/Governo: tudo é mais abrangente. O situacionismo ataca tudo e todos e é, não um mal em si mesmo, mas mais um sintoma de um mal mais profundo da nossa sociedade, da nossa política. Creio que o problema é mais abrangente, é mesmo um problema de regime.

No pós 25 de Abril, com toda a liberdade conquistada, proclamou-se a democracia, porém ela foi substituída habilmente pelos políticos, que tantos há que nunca tiveram nenhuma outra actividade profissional sem ser políticos (exemplos disso são o nosso Primeiro-Ministro, o Dr. Almeida Santos, o Dr. Santana Lopes - neste caso exceptua-se o tempo em que foi presidente do Sporting -, o Dr. Manuel Alegre, entre muito outros), por um outro regime, não declarado, nunca legislado, nem tão pouco assumido: a partidocracia.

Portanto creio que as dificuldades respiratórias da nossa política e da nossa sociedade se devem não ao situacionismo mas sim à Partidocracia: a ditadura, ou melhor, o regime de governo dos, pelos e para os partidos.

Regime dos partidos: foram eles os autores do regime - os lugares eleitos são seus, não dos eleitos, e só eles são os legítimos representantes do povo!!!???

Regime pelos partidos: não é possível haver projectos governativos sem ser dentro do grupo de partidos que entre si partilham o poder, ou seja os dois maiores e os seus satélites, todos mais ou menos cúmplices, que abafam completamente qualquer ponto de luz que tente quebrar esse breu.

Regime para os partidos: estes governam e governam-se, quer através dos milhões que recebem do orçamento de estado para se sustentarem e financiarem, como pela forma como os cargos políticos e públicos são distribuídos pelos amigos políticos - quando estes últimos deveriam de ser lugares de carreira, de quem faz carreira, nunca de quem é amigo, estando o estado e os partidos de tal forma intrincados que se confundem.

A Partidocracia está de tal forma enraizada que não conseguimos quase conceber outra forma, outro regime.

Acho que é tempo de haver uma separação clara entre os partidos e o estado, tal como o laicismo proclama para o estado e a religião.

Como? Simples, muito simples: todos os cargos da Administração Pública deixam de ser de nomeação política, são desempenhados por indivíduos com qualificações e com carreira feita, independentemente dos ventos partidários do poder: as esferas de nomeação política limitar-se-iam aos ministros e seus secretários de estado (claro que com os seus muitos e diversos assessores e afins).

Como? Simples, muito simples: todos os cargos eleitos pertencem a quem é eleito e não ao partido, sendo os deputados eleitos em círculos uninominais, bem como o primeiro-ministro, ministros e secretários de estado são eleitos através de listas apresentadas para irem a votos, tal como acontece na mais vulgar das associações deste país.

Como? Simples, muito simples: os partidos deixariam de receber qualquer verba do orçamento de estado para se financiarem, teriam de ser os seus militantes a financiarem o partido.

No entanto estas ideias são inconvenientes para a Partidocracia vigente, daí a forma como são abafadas. Sim porque existe quem as defenda: o partido Movimento Mérito e Sociedade (MMS), defende estas e muitas outras ideias, e aí, aí sim, o situacionismo não permite que este ar novo entre na nossa política e traga uma nova respiração à nossa sociedade tão necessitada.