segunda-feira, 28 de junho de 2010

Uma entrevista importante


Por achar deveras importante e impressionante, aqui deixo esta entrevista do jornal Público.


É favorável à legalização do testamento vital. Defende a importância da revisão dos “aspectos negativos” da lei do aborto. E considera que a distribuição de preservativos nas escolas só deve ser feita no âmbito de uma “educação sexual digna”. São afirmações do médico e professor universitário de ética, Miguel Oliveira da Silva, na sua primeira entrevista desde que assumiu, há nove meses, a presidência do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), o órgão que analisa os problemas éticos suscitados pelos progressos científicos.


Suponha que há alguém que tenta suicidar-se. E deixa escrito que, no caso de sobreviver, não quer que o reanimem. O que acaba por acontecer. O senhor está no serviço de urgência e recebe-o. Respeita o pedido?

Em primeiro lugar tentava reconstruir a vontade da pessoa com a família mais chegada. Se a família me confirmar esta vontade e não houver grandes dúvidas de interpretação e partindo do princípio que é uma primeira tentativa, acho que é boa prática clínica chamar um psiquiatra para quando ela voltar a si. Supondo que vai voltar a si. Baseio-me no conhecimento geral de cultura médica de que em 95 por cento das tentativas de suicídio, a pessoa agradece não morrer.


Então não respeitava o pedido...

Não foi isso que eu disse. Tinha é de ver a situação, se era uma situação aguda ou crónica, se era uma vontade manifestada recentemente ou há muito tempo... Centremo-nos na questão do testamento vital...( documento com indicações dadas por alguém que esteja lúcido sobre os procedimentos médicos a adoptar no caso de doença, quando ele já não puder expressar a sua vontade). Falávamos de uma ordem para não reanimar na sequência de uma tentativa de suicídio. Mas na sequência de uma doença grave, oncológica, cardio-respiratória ou degenerativa em que o doente de uma forma clara, consciente, sabendo as consequências, faz um pedido para não o reanimar, acho que se deve respeitar.


Apesar de ainda não estar legalizada, pode-se dizer que é uma prática que já existe nos hospitais portugueses?

Claro que acontece muito mais vezes do que aquelas em que é escrito na ficha clínica. Quer por iniciativa médica, quer a pedido do doente.


É a favor da legalização?

Claro que sou desde que estejamos todos a falar da mesma coisa. Pode ser um documento escrito que remeta para o reconhecimento legal. Pode ser a escolha de um chamado procurador dos cuidados de saúde ou as duas coisas. Mas quantas pessoas vão assinar o testamento vital sem perceber o que vão assinar? A esmagadora maioria das pessoas não percebe sequer a bula dos medicamentos que compra. E uma das grandes críticas feitas ao testamento vital é a linguagem que pode ser hermética, crítica, propositadamente crítica para que as pessoas não percebam. Assinam de cruz, é um documento jurídico, o médico e a instituição estão defendidos e a pessoa não percebeu as consequências do que assinou. O testamento vital assim não serve. É preciso a pessoa perceber o que está a assinar e o documento escrito por iniciativa própria ou adaptado de uma minuta funcionar como um instrumento de diálogo entre o médico e o doente. Se houver dúvidas relativamente ao testamento vital, o procurador dos cuidados de saúde pode esclarecê-las. O que acho é que nós, médicos, não podemos ter a pretensão de ter a última palavra sobre a vida dos doentes.


É contra o paternalismo dos médicos...

Contra o excessivo paternalismo. Um bocadinho acho que é bom, até pode ser saudável. Paternalismo absoluto, radical de quem acha que o médico é que vai decidir e que o testamento vital é uma afronta à capacidade de decisão médica, acho que não. Isto levanta o problema da objecção de consciência para o testamento vital. Se para o aborto há cerca de 80 por cento de médicos obstetras e ginecologistas objectores de consciência, o que vai acontecer com o testamento vital?


Prevê que haja uma larga percentagem de objectores de consciência?

Acho que não vai ser inferior a 80 por cento.


E atribui isso a quê?

Não sou profeta, estou a fazer especulação... atribuo esta grande percentagem ao facto dos próprios médicos terem dúvidas, em si próprios sobre a sua própria vida, dúvidas pessoais. Também porque qualquer mudança legal em Portugal não é acompanhada da mudança de uma prática. Contrariamente a outros países em que a mudança da prática antecedeu a uma mudança legal, aqui a situação não é bem assim. Também porque muitos médicos podem não estar de acordo mas cumprirão por questões de conveniência. Se o chefe decidir não, a maioria dos subordinados decidirá não.


O Conselho a que preside vai dar um parecer sobre esta questão do testamento vital?

O anterior deu um parecer há um ano. Este já falou várias vezes com a ministra. Está para breve o aparecimento de vários projectos lei de vários partidos. Não demos parecer ainda porque tendo havido um há menos de um ano, é bom que haja um certo tempo de digestão até que outro surja.


O Conselho anterior chumbou a lei do testamento vital. Esta tomada de posição inibe o actual Conselho de se pronunciar?

Não temos problema nenhum em que o actual conselho tenha outro parecer, eu pelo menos, não tenho. Quando surgir o pedido há duas hipóteses: ou reenviamos o parecer de há um ano ou reanalisamos e fazemos um segundo parecer. E parece-me que a segunda hipótese é mais correcta.


O doente deve ter sempre acesso livre ao seu processo clínico?

Livre, completamente. Haverá casos em que isso será desaconselhável, mas na esmagadora maioria de casos, com certeza que sim. Por rotina acho que sim. O acesso pelas seguradoras é que tenho a maior das dúvidas, a maior das inquietações éticas...


Porquê? Que dados tem para ter essas inquietações?

Não trabalho no privado, não tenho conhecimento sobre a forma como as seguradoras funcionam na privada mas muitos doentes , muitos colegas têm partilhado as suas inquietações. Achamos que as seguradoras sabem demais sobre o processo clínico do doentes e que devem saber menos. Ao saberem de mais, isso pode prestar-se a discriminações e arbitrariedades, o prémio sobe, etc.


Há conhecimento de casos desses?

Há, mas não há conhecimento de doentes que ponham as seguradoras em tribunal por causa disso, que eu saiba.


“A distribuição de preservativos nas escolas, só por si, não é educação sexual”


Tem-se pronunciado contra a distribuição de preservativos nas escolas, mas sempre foi a favor da educação sexual nas escolas...

Acho que a distribuição de preservativos nas escolas, só por si, não é educação sexual. Mas não sou a favor nem contra.


Porquê que não é a favor?

Acho que essa medida, só por si, é enganadora. Eu sei que não é por um jovem ter um preservativo no bolso que vai ter relações sexuais, sei que o acesso aos meios contraceptivos não antecipam as relações sexuais, sei que o acesso a contraceptivos eficazes não aumenta o numero de parceiros sexuais, não estou nessa fase. Não estou como aquelas pessoas que dizem: estão a dar pílulas e preservativos, estão a antecipar o início das relações sexuais, nada disso. Acho é que só deve haver preservativos dentro das escolas se isso for enquadrado numa educação sexual digna desse nome que não sei se existe. A questão que se põe é saber o que fazer para que a educação sexual avance. Para que haja um declínio de infecções por HIV, da venda da pílula do dia seguinte, do número de abortos em jovens, etc. E isso é que me parece importante. E sobretudo para que as pessoas sejam mais felizes por ter uma vida sexual activa.


O que é que falta para que isso corra assim?

Que muitos dos professores envolvidos nessas sessões de formação, vivam em paz com eles próprios. Com os seus valores, os seus afectos, com a forma como vivem o amor, a vida. E se calhar muitos deles não vivem assim, reduzem as aulas de educação sexual ao ensino da fisiologia sexual, dos métodos contraceptivos. E já não é mau. Porque eu fico assustado quando vejo o número de alunos, génios iluminados que entraram para aqui [faculdade de medicina]com 19, a nata das natas dos alunos de Portugal e eles não conseguem identificar a altura certa de uma ovulação. E isto é educação sexual igual a zero. Dir-me-á educação sexual não é só isto. Mas sem isto não há educação sexual. Podemos falar sobre os afectos, sobre a ternura, sobre a fidelidade, sobre o crescimento a dois mas de que tipo de educação sexual estamos a falar se uma mulher não sabe identificar a ovulação?


O que acha que podia alterar esta situação? O documento sobre a introdução da educação sexual nas escolas em cuja redacção participou, não vai ajudar?

Esse documento tem muitas cedências da minha parte. Apesar de tudo revejo-me na parte dos chamados conteúdos mínimos da educação sexual e que fala da ovulação, da menstruação, etc. etc.


Que cedências fez?

Gostaria que isso ficasse dentro do grupo que integrei. Mas acho que a avaliação dos alunos e dos professores devia ser mais exigente e com mais consequências. E não devia incluir apenas a avaliação da aprendizagem, mas da metodologia. Ensino sem avaliação não existe. De forma que proporia que a avaliação fosse mais contundente.


Tem salientado a importância da “abstinência voluntária” dos jovens. Porquê?

Dois adolescentes de 15, 16 ou 17 anos, numa relação de namoro, podem sentir-se muito atraídos um pelo outro intelectualmente, espiritualmente, afectivamente, sexualmente mas acham que não querem ter já relações sexuais. Só daqui a uns meses, daqui a um ano ou um ano e meio.


E acha que esse aspecto não é referido?

Eu gostaria que fosse muito.


Porquê que é tão importante?

Porque estou profundamente convencido que ninguém é mais feliz por começar a ter relações sexuais cedo. Cedo é muito relativo, eu sei. Para um cigano não é o mesmo do que para um caucasiano. Mas na cultura dominante, penso que ninguém é feliz por começar a ter relações com 13 ou 15 anos.


Porquê que acontece? Há um apelo social para isso...

Um apelo nos media, um erotismo disseminado pela sociedade toda, um apelo difuso subconsciente de que o sexo é bom, que o prazer sexual é bom...E é, é magnífico, mas deve ser enquadrado numa relação de afectos e não consumido como quem come um bife com batatas fritas. E deve ser inserido num projecto, não necessariamente de vida, mas num projecto. Penso que adolescentes de 12, 13, 14 anos não têm qualquer vantagem em começar a ter relações sexuais. É o que penso como cidadão e como pai de ex adolescentes, mas não é a minha posição como ginecologista. Nunca direi isto a uma miúda de 13 anos que me aparece na consulta. “Não tenhas relações sexuais”. Era o que faltava. Mas tentarei saber se tem uma relação com alguma estabilidade com o namorado, se não há violência, se ele a respeita, se há satisfação e informa-la-ei para que não engravide nem tenha doenças de transmissão sexual.


Três anos depois da lei do aborto. Que balanço faz?

Um balanço muito contido. Em termos de saúde pública, acho que há ganhos. As mulheres deixaram de morrer por aborto (até às dez semanas) e as sequelas diminuíram imenso. São ganhos indiscutíveis que ninguém pode contestar. Do ponto de vista de cidadania, as mulheres deixaram de poder ser levadas a tribunal por fazerem um aborto. É um ganho imenso. Estes os ganhos. As preocupações, são muitas muitas.


Nomeadamente...

O estatuto de objector de consciência. A percentagem de mulheres que falta à consulta de planeamento familiar, obrigatória 15 dias depois. Cerca de 50 por cento falta. Inquietante.


É um sinal de que vão correr risco de novo aborto?

Não é um sinal, é a certeza e os próprios dados da Direcção Geral de Saúde indicam isso. Que há mulheres que fazem dois e três abortos num ano. O que nos levanta questões difíceis do ponto de vista ético. Alguns defensores da despenalização do aborto há três anos, médicos, enfermeiros, questionam-se sobre se o aborto deve ser gratuito nos segundos e terceiros casos. O espantoso é que os partidos que se opuseram à despenalização há três anos se tenham esquecido de falar nisso na última campanha eleitoral. Dão isto como assente, como um dado adquirido ou querem reflectir sobre isto? E mesmo os outros, que estão a favor. Eu que dei a cara pela despenalização, tenho dúvidas sobre o estatuto de objector de consciência. As maiores dúvidas de que seja o mais adequado e isto, aliás, pode vir a aplicar-se, daqui a uns meses, no caso do testamento vital. Porque em Portugal, o estatuto de objector de consciência diz que quem faz um aborto, tem de fazer todos e quem se recusa a fazer um, tem de se recusar a fazer todos. Acho que neste estatuto que tem algumas virtualidades, o que se pretende? Quer-se evitar que o médico recuse, de manhã, fazer um aborto num hospital do Estado e o faça, à tarde, numa clínica privada. Mas isto faz com que muitos médicos que poderiam aceitar, nalguns casos, interromper a gravidez, (uma mulher que engravida com um dispositivo intra-uterino, ou que tem o azar que um preservativo se rompa, que tomou um antibiótico e não sabia que os antibióticos interferem no metabolismo da pílula, etc) o recusem porque sabem se forem fazer um, têm de fazer todos. (Há entre 75 a 80 por cento de médicos obstetras objectores de consciência). Se eu aceitar interromper a gravidez a uma mulher que engravidou com um dispositivo intra-uterino, tenho de aceitar fazer um aborto a uma mulher que não toma a pílula porque não quer, e que tem um comportamento permissivo e irresponsável.


Então acha que esta lei devia ser alterada?

Acho que é importante ter coragem de rever aspectos negativos desta lei. E não vejo ninguém com vontade de lhe mexer, nem os que votaram a favor, nem os que votaram contra.


O Conselho vai ter alguma iniciativa nesse sentido?

Neste momento não está previsto. Pessoalmente teria muito gosto em que o Conselho pensasse sobre isso. Mas sou um em 19. Apesar de ser o presidente, não posso impor a minha vontade aos outros 18. Não faço ideia se os outros estão muito interessados em pensar nisso. Mas enfim ainda temos mais quatro anos e meio de mandato e é possível que tomemos posição sobre o assunto.


E esta é a sua principal preocupação, três anos depois da lei do aborto?

Tenho outra inquietação. O número de abortos está a subir. De 12 mil passou para 18 mil em 2008 e para 19 mil em 2009.


Aumentaram os abortos ou a visibilidade sobre eles?

Está a subir o registo legal do número de abortos até às dez semanas.


Era expectável...

É expectável durante dois a três anos que isso aconteça porque são muitas mulheres que vêm do aborto clandestino e que o deixam de fazer às escondidas. Mas vamos ver até quando vão continuar a subir. Se os números continuarem a subir, a subir, é o total falhanço do planeamento familiar.


E não acha que é preciso mais tempo para perceber isso?

Pouco mais tempo. O máximo, um ano. Quando tivermos os dados de 2010 em 2011, se a tendência ascendente continuar, acho que alguém terá de ter coragem de dizer que é tempo de pensar sobre isto e que há algo não está a funcionar em termos de contracepção.


Por ignorância?

Ainda por alguma ignorância, também. Se as pessoas não sabem quando têm a ovulação, se há mulheres que tomam três pilulas do dia seguinte no mesmo mês, três vezes contracepção de emergência num mês...ninguém tem três ovulações num mês! É ignorância total, abuso, mau uso. A questão é que, além de muita ignorância que ainda existe, temos de saber se o recurso ao aborto vem, nalguns casos, na sequência de uma política irresponsável de contracepção. Acho que quando tivermos quatro anos de lei do aborto é tempo mais do que suficiente de parar para pensar. Não é para mudar a lei. É para avaliar. E não vejo ninguém a querer fazer isso. É surpreendente.


Contra a Maternidade de Substituição


Concorda que a lei da procriação medicamente assistida exclua as mulheres solteiras e homossexuais?

Concordo. Porque sou contra a maternidade de substituição. E se sou em casais de heterossexuais, também sou contra em casais de homossexuais.


Que razões são essas que o levam a ser contra?

Razões filosóficas, éticas, genéticas. Cada vez mais a ciência, a filosofia, a bioética falam de uma coisa chamada epigenética, quer dizer a genética depois da concepção. E imagine duas mulheres, a A e a B, e uma placa de petri (prato de vidro) com um embrião com oito células, mais ou menos com três dias de vida. Que surgiu por fertilização in vitro. E há duas mulheres candidatas a este embrião, em cuja útero o embrião vai poassar até 38 semanas. Elas não lhe vão dar apenas o útero, mas o ambiente hormonal, um ambiente bioquímico. Os genes vão ser alterados, activados, reactivados. Aquelas mulheres vão-lhe dar ainda diferentes ambientes emocionais e psicológicos, há toda uma alteração genética que faz a diferença.


E quanto à adopção?

Acho que adopção deve estar aberta apenas aos casais heterossexuais. E a lei devia ser repensada porque a prática mostra que há muitos cidadãos solteiros homossexuais que adoptam crianças, escondendo à Segurança Social que têm uma relação estável com um parceiro do mesmo sexo. Estou farto de conhecer uniões de facto de homossexuais com crianças adoptadas. Acho que se deve ter a coragem de alterar a lei da adopção. Como cidadão, a minha sensibilidade não é favorável a essas situações.


Porquê?

Acho que em termos de antropologia sexual, temos uma dualidade masculina e feminina. E precisamos de ter no nosso desenvolvimento uma referência feminina e uma referência masculina. E com os casais homossexuais isso não existe. Ser homossexual não é uma escolha e muito menos uma doença. Ninguém opta por se sentir atraído por outro homem ou por outra mulher. Assim com na heterossexualidade ninguém opta por nada. Ou opta por muito pouco. Ninguém pode ser criticado por ser homossexual. Mas é uma situação que traz limitações. E estas têm de ser levadas em conta em algumas opções que tomam e que não tomam. E portanto, para mim, não há qualquer razão de fundo, à partida, para que um casal homossexual deva adoptar uma criança.


São referidas estudos que mostram que crianças educadas por casais homossexuais não têm mais problemas do que as que vivem com heterossexuais...

Não sei...Para já, acho que não há tempo suficiente para isso. Quanto tempo é que tem de durar esse estudo? Dois anos, 20 anos? Não conheço nenhum estudo, por exemplo de há 18 anos... aliás, quais eram os casais homossexuais que há 18 anos assumiam a educação de uma criança? Mas se houver estudos em contextos sócio-culturais diversos, em geografias diversas, que demonstrem que a evolução e a maturação do desenvolvimento dos adolescentes, educados ao longo de 15 e de 20 anos por casais homossexuais, são semelhantes ao dos heterossexuais, estou disponível a rever a minha posição.


Que reflexão faz sobre os mais recentes escândalos de pedofilia na Igreja?

Acho que a Igreja tem de pensar muito na vivência da sexualidade no seu interior e fora dela e que para aconselhar a vivência da sexualidade fora dela, tem de fazer um grande exame de consciência sobre o que se passa no seu interior. Os padres têm de poder casar e ter filhos, as mulheres têm de ter acesso ao sacerdócio, as pessoas divorciadas têm de ter acesso à comunhão e poder voltar a casar, etc. O que diz o Papa é que convém ter mais atenção aos jovens seminaristas. Penso que isso é manifestamente insuficiente e penso que a pedofilia na Igreja não é mais frequente do que na sociedade em geral. Até pode ser mais rara em termos estatísticos, só que a Igreja é uma instituição com grandes obrigações morais, tem de fazer escola, dar o exemplo moral e portanto as pessoas não podem de maneira nenhuma pactuar com isso.


O anterior Conselho de Ética tinha muito mais visibilidade. Este tem sido bastante mais discreto. Por opção?

Acho importantíssimo o Conselho ter visibilidade e protagonismo. Falando por mim, foi inteiramente voluntário um estilo “low profile”. A transição do outro mandato para este foi muito polémica, muito controversa e portanto interessa-me muito mais apresentar resultados do trabalho do Conselho. Já aprovámos o nosso primeiro parecer sobre realização de autópsias a pedido de particulares, sobretudo de familiares.


E qual foi?

É razoavelmente favorável. Mas esta semana será público.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Eu também não quero pagar


É muito interessante que por este rico país fora tanta gente goste de usar serviços sem ter de os pagar. É ainda mais interessante a forma como essas pessoas ficam indignadas quando alguém diz que esses serviços devem ser pagos. Mas roçamos o ridículo quando os que não pagam acham que estão a ser descriminados por esses que acham que devem pagar tais serviços.

Estou a falar do quê? Das Scut, claro.

Por pressão do PSD o nosso querido líder e Primeiro Ministro Engenheiro José Sócrates aceitou a introdução de portagens em todas as Scut do país, porém, deixando aí umas borlas para os residentes dessas regiões e para aqueles que tenham actividades económicas nas zonas servidas por essas estradas. Interessante pensar neste princípio do utilizador pagador: eu sou da Região de Lisboa se for visitar alguém a uma zona servida por uma Scut devo pagar portagem, mas quem a usa todos os dias ficará isento. Deixo aqui uma pergunta: quando foram usar os impostos que eu pago, igual aos outros, alguém fez distinção e disse que o dinheiro usado para construir essas estradas era apenas dos residentes, logo merecedores de borlas, ou o dinheiro estava todo no mesmo monte, ou seja, se eu paguei a construção da Scut como todos os outros porque é que na sua manutenção eu tenho que a pagar e quem mais a usa não?

Eu não sou rico, nem vivo à larga, mas se quiser usar a CREL ou a A16 para fugir ao IC 19 tenho de pagar portagens. E o IC 19 é a única alternativa e é só a estrada mais congestionada do país. E peço desculpa mas eu não conheço assim tanta gente abastada nesta zona para deverem pagar portagens e outros não.

Eu também não quero pagar.

Quero gritar bem alto para o Sócrates ouvir: eu também não quero pagar.

Imagino que se as empresas na região de Lisboa não tivessem de pagar portagem na A1, A2, CREL, A16, A10, Ponte Vasco da Gama e 25 de Abril, entre outras estradas, talvez tivessem melhores resultados, talvez conseguissem criar mais empregos. Mas em Lisboa somos todos ricos, no resto do país é que estão os pobres coitados que não podem pagar portagens.

Eu não quero pagar, mas tenho de pagar, a estrada alternativa é um inferno, mas eu tenho que pagar. Afinal quem está a ser descriminado?!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Presidenciais - para quê?


O Estado português é especialista em desperdiçar dinheiro dos contribuintes, de colocar-se assim em crises orçamentais que depois os mesmos contribuintes têm de vir alegremente pagar.

Sempre que me falam em eleições esse mesmo gosto em gastar o dinheiro alheio vem-me à mente. Porque em Portugal, este rico e abastado país, sustentamos todo o tipo de estravagâncias que os partidos queiram fazer em campanhas. Ele é dinheiro em subvenções para o funcionamento dos partidos e, como este não chega, aqui vai mais dinheirinho para as campanhas eleitorais.

No entanto os defensores desta prática afirmam ser o custo da democracia, e que, sem partidos não há democracia. Sendo verdade esta última parte do argumentário, não o é efectivamente a primeira, porque, a meu ver, não entendo as razões do porquê de uma estrutura da sociedade civil, como o devem ser os partidos, ter de ser sustentada pelo Estado.


Mas adiante.


Esta conversa toda para chegar a mais um desperdício brutal. As eleições Presidenciais para reeleição do inquilino de Belém. Para mim estas eleições não têm sentido nenhum. Um mandato de 10 anos que tem de ser escrutinado a meio, com todas as despesas que isso acarreta, já para não falar no estéril folclore político que acarreta, faz algum sentido? A meu ver não.


Claro que existem outras ideias e pensamentos, mas já que estamos numa onda de ideias para a revisão da constituição, em vez de "palermices" do tipo retirar da constituição a natureza republicana do Estado, porque não propor que um Presidente da República se pode candidatar apenas a um mandato, tendo este a duração de sete anos? Não será mais razoável, mais sensato e sobretudo não dará mais sentido e valor à função presidencial? A mim parece-me obviamente que sim.

domingo, 6 de junho de 2010

Liberalismo

Pela primeira vez no Portugal democrático do pós 25 de Abril surge um partido liberal. Nasceu ontem o PLD - Partido Liberal Democrata.
Das cinzas daquele que foi o projecto político lançado pelo Professor Eduardo Correia, o MMS - Movimento Mérito e Sociedade, surge então o PLD.
Mais do que apenas uma mudança de nome é sobretudo uma necessidade de clarificação sobretudo interior. Porque afinal aquilo que o MMS sempre defendeu encaixa-se na perfeição no espírito daquilo que é hoje o moderno liberalismo democrata.
Efectivamente existem movimentos liberais democratas por toda a Europa, sendo Portugal uma das escassas excepções. Porém com o aparecimento do PLD essa lacuna fica colmatada.
A necessidade sentida nesta mudança de nome deveu-se a duas razões principais: a primeira ao facto de através do contacto efectuado com as populações verificou-se que a denominação movimento provocava dúvidas e parecia deixar desconfortáveis os potenciais eleitores. Assim, apesar da palavra partido estar conotada como negativa junto da população, dado o comportamento vergonhoso da generalidade da militância político-partidária, é porém mais esclarecedor, sendo nossa obrigação lutar contra esse estigma pela promoção de uma política directa e sincera; a segunda razão para a mudança do nome prende-se com a necessidade de o nome reflectir o ideário do partido, coisa que com a denominação Mérito e Sociedade não acontecia.
Permanecemos adeptos da meritocracia, permanecemos descrentes nas nomenclaturas esquerda-direita, apenas nos definimos com liberais, defensores da liberdade.

De volta

Após algum tempo de ausência estou de volta a estas lides blogueiras e portanto também ao facebook. Peço desculpa aos leitores por esta ausência, mas passei uma crise de motivação que se começa a resolver.

Não prometo periodicidade ou assiduidade nos escritos, mas serei tão frequente quanto possível.

Muito obrigado a todos.

sábado, 3 de abril de 2010

Páscoa - a Passagem



Como é conhecido a Páscoa é a festa da Passagem. É uma festa antiga, celebrada pelos Judeus desde os tempos da sua saída da escravidão do Egipto.


A primeira Páscoa teve sangue e morte: cada família judaica deveria matar um cordeiro, com sangue do animal deveria "pintar" as ombreiras da porta; deveriam também assar o animal e comê-lo apressadamente, com ervas amargosas, vestidos e com os cajados na mão. O anjo destruidor passou, matando os primogénitos de todos os animais e pessoas das casas em que não estivesse o sangue do cordeiro sobre as portas. Houve morte, muitos gritos e choros de dor profunda, mas a morte passou, e, nas casas onde o cordeiro foi morto e o sangue estava na porta, a morte já havia sido cumprida, onde o animal sacrificial não foi morto houve lugar à morte do primogénito, não houve substituição, não houve morte vicária, houve morte, dura, crua e impiedosa morte.


A analogia é tão simples e óbvia que é quase escusado descrevê-la. Porém as lições são imensas.


Hoje comemoramos a Páscoa, não a judaica, mas a Páscoa Cristã. A nossa Páscoa é Jesus, porque ele é aquele Cordeiro morto. Jesus morreu, derramou o seu sangue para disponibilizar o livramento da morte. O sangue está disponível, a salvação da morte está disponível. Porém não bastou aos israelitas daquela primeira Páscoa matarem o cordeiro. Era necessário untar as portas com esse sangue, colocar na porta da sua casa, das suas vidas o sinal do sangue, para que a morte não entrasse. Ainda hoje, Jesus O Cordeiro morreu e deu o sangue, falta agora que cada um unte as portas da sua vida, os lugares de passagem da sua vida, o lugar de entrada e de saída da vida de cada um de nós com esse sangue do Cordeiro de Deus.


Mas ainda assim há mais um passo. Tal como os Judeus que precisavam comer o cordeiro assado, também hoje em dia é importante que após pintar as portas da vida com o sangue do Cordeiro, é importante depois alimentarmo-nos do Cordeiro, recebermos da sua vida, olharmos para o seu exemplo, entrarmos na comunhão íntima com o Cordeiro.


Mas ainda assim há sempre a obediência, o servir, o fazer, tal como o israelita pronto com o cajado enquanto comia, o estar sempre em cuidado da vida, colocando-se sempre em questão; lutar em cada dia para o aperfeiçoamento pessoal, comendo as ervas amargosas do mundo; sempre pronto para fugir, para passar, para ir onde Deus manda, sempre pronto para a partida para a Eternidade, quer seja por meio da morte física, quer seja pelo aguardado Arrebatamento.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

quarta-feira, 31 de março de 2010

O dinheiro não cai do céu? Cai sim senhor.

Por vezes dizemos, principalmente quando vamos trabalhar sem vontade nenhuma, que tem mesmo de ser porque "o dinheiro não cai do céu". E assumimos isto como uma verdade. Mas não é: há pessoas para quem o dinheiro cai do céu.

Pois é, há pessoas que basta ficarem encostadas, sem se mexerem muito e pronto o dinheiro cai-lhes do céu: estou a falar, claro, dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção.

Um desempregado tem de trabalhar, fazer descontos, inscrever-se no Centro de Emprego, periodicamente apresentar-se e manter uma busca activa de emprego, para ganhar o seu dinheiro.

Um trabalhador, ganhe muito ou pouco, tem de se levantar cedinho e ralar o dia para ganhar o seu dinheiro.

Os beneficiários do RSI não tem ressponsabilidades nem obrigações, é só ficar quietinho que o dinheiro cai do céu.


ACABE-SE JÁ COM O RENDIMENTO SOCIAL DE INSERÇÃO.


O RSI devia ser imediatamente proibido, só devia de haver apoio do Estado para quem não consegue trabalho em lado nenhum, e, mesmo para essas pessoas o dinheiro não deve ser dado. Há muito trabalho para fazer, desde limpezas, a auxiliares nas escolas, a apoios nas Câmaras ou hospitais, onde essas pessoas poderiam ser utilizadas. Ou seja dar dinheiro nunca, mas dar às pessoas um trabalho social enquanto não conseguem um emprego, emprego esse que o Estado deve ajudar a encontrar, isso sim. Mama e perguiça têm de acabar, toda a gente deve ganhar o seu dinheiro, este não deve cair do céu para ninguém.

Porque é que eu nunca fui socialista?

Ora aqui está um texto simples que demonstra de uma forma prática e concreta o falhanço do socialismo e a maldade social de um regime assim, e que, ao mesmo tempo, explica porque é que nunca fui socialista. É um texto que sendo humorado é também muito sério e demonstra bem o falhanço da actual sociedade portuguesa.

(Este texto foi-me enviado por email, por isso perdoem o mau português)


Uma Experiência


Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que nunca reprovou um só aluno antes, mas tinha, uma vez, reprovado uma turma inteira.

Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e 'justo. '

O professor então disse, "Ok, vamos fazer um experiência socialista nesta turma. Ao invés de dinheiro, usaremos as suas notas nas provas." Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam 'justas. ' Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém seria reprovado. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um "A"...

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam "B". Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando a segunda prova foi aplicada, os preguiçosos estudaram ainda menos - eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média das provas foi "D". Ninguém gostou.
Depois da terceira prova, a média geral foi um "F".

As notas não voltaram a patamares mais altos mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela turma. A busca por 'justiça' dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram o ano... Para sua total surpresa.

O professor explicou que a experiência socialista tinha falhado porque ela foi baseada no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foi o seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual a experiência tinha começado. "Quando a recompensa é grande", disse ele, "o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros sem o seu consentimento para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável."


"É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar a alguém aquilo que não tira de outro alguém. Quando metade da população entende a idéia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a. "

Adrian Rogers, 1931

sábado, 27 de março de 2010

1ª parte

Para já tudo bem:

BENFICA 1 - 0 Braga

Benfiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiica

Hoje estou de alma encarnada: viva o Benfica, todos esperamos uma grande vitória que embale definitivamente o Glorioso para o título.

Pedro Passos Coelho é o novo Presidente do PSD

Se eu fosse militante do PSD, PPC nunca seria aquele candidato em que votaria. A minha preferência claramente teria sido por Paulo Rangel. E isto apenas por uma razão muito simples: prefiro um candidato a Primeiro-Ministro inteligente, competente na sua vida profissional, esta é isenta da contaminação dos pior que os aparelhos partidários podem produzir, e, sobretudo é uma pessoa que, por ter recentemente chegado à política, ainda não está contaminado pelo veneno político deste país. Ao mesmo tempo Rangel teria a vantagem de esvaziar um CDS que sobe em popularidade ao mesmo tempo que sobe em demagogia e na falta de ideias concretas para o país.

Mas de facto não sou militante do PSD, o meu campeonato é outro, é o dos micropartidos. Claro que não fico contente por o meu partido ser um micro ou nano partido, é o por força das próprias circunstâncias de ser umas força nova, com uma mensagem nova e sobretudo com uma mensagem que vai contra a mentalidade instalada e ensinada aos portugueses desde o 25 de Abril de 74, de que o Estado é o paizinho com dinheiro que nunca acaba e cuidará sempre, aconteça o que acontecer, de todos.

A eleição de Pedro Passos Coelho é mesmo o pior que podia acontecer neste momento do MMS, até porque se posiciona um pouco com um discurso muito semelhante ao que o MMs sempre teve e terá, bem como entra nas linhas onde nos queremos afirmar: a área do liberalismo democrático.

O MMS está a preparar-se para deixar de ser MMS - Movimento Mérito e Sociedade, para se tornar no MMS-PLD - Partido Liberal Democrata, deixando o MMS na sigla, mas assumindo um novo nome. Passos Coelho é certamente um rival na conquista deste espaço. Porém, o discurso do meu partido afasta-se do de PPC porque este entra em toda a lógica habitual do sistema político, enquanto o MMS-PLD, definindo-se agora ideologicamente continua a não se querer certamente comprometer com a velha geometria política, assumindo o seu enquadramento efectivo como fora do sistema.

Bem sei que é um discurso na moda, o de ser político sem querer ser do sistema, acontece que o MMS não se afirma fora do sistema por rebeldia ou superioridade moral - tipo grilo falante, tipo BE -, afirma-se como fora do sistema por ter, desde sempre, propostas de desconstruçãod e um sistema fechado e viciado, que prolonga a vida dos sempre os mesmos, sugando o Orçamento se que daí venha algo de bom para o País.

sexta-feira, 26 de março de 2010

MMS - Novo Líder

Quem acompanha este blogue há algum tempo certamente que sabe que sou militante de um partido: o Movimento Mérito e Sociedade - MMS.

Fui inclusive candidato por este partido à Assembleia de Freguesia de Agualva.

E num momento em que se discute a liderança do PSD, deixem-me olhar um bocadinho para o meu umbigo, e, apesar de poderem muitos achar que isto não tem importância, tem para mim.

Desde as eleições que aconteceram no ano passado, e, perante os resultados obtidos, o MMS quase que fechou. Mas não fechou para sempre, fechou sim para obras. Para obras? - perguntará. Sim, para obras: para reflexão do que se fez mal, para reflexão do sentido de haver um partido assim, reflexão sobre a renovação necessária, reflexão do porque é que a mensagem falhou; fechou para reconstrução do que se destruiu, para busca de rumos e ideias, enfim, fechou para obras de remodelação, para abrir com nova gerência.

O primeiro passo deste novo MMS foi dado no passado dia 20 de Março com a eleição de um novo Presidente: o sucessor do fundador e primeiro Presidente do MMS - o Professor Eduardo Correia, é o Dr. Francisco Oliveira. O nome pode não dizer nada a muitos, mas deixo aqui a foto - sim é essa caratonha que aí está - e sobretudo o link para a Proposta de Estratégia que apresentou aos militantes.

Por aquilo que ali se lê poderá dizer-se que a revolução (inteligente) está agora a começar, com a metamorfose do MMS num partido de cariz liberal democrata, com preocupações sociais e com a sustentabilidade (longe de um liberalismo de estilo neo, adeptos ferrenhos do laiseez-faire) como preocupação central, ou seja, uma força política de um espaço político não existente no espectro partidário português, apesar dos liberais democratas serem a terceira força mais importante do Parlamento Europeu - o ELDR.

O MMS está de volta e melhor que nunca.
Aguarda-se agora com expectativa o próximo Congresso Nacional, que ocorrerá provavelmente durante o mês de Abril, bem como a composição das listas candidatas aos órgãos do partido, sobretudo da nova Comissão Política Nacional.

Acabe-se com o Parlamento


Se dúvidas ainda houvesse sobre a inutilidade de manter um parlamento com 230 deputados agrilhoados com uma mordaça chamada disciplina de voto, ontem, todas elas se dissipariam. Após a abstenção do PSD em relação à resolução de apoio ao PEC levada ao parlamento pelo Governo, 10 deputados desse partido fizeram uma declaração de voto afirmando que se fosse apenas por eles teriam votado contra, que a abstenção foi imposta pela direcção da bancada, por decisão da liderança do partido.

Perante isto afirmo: acabe-se com o Parlamento. Para que serve? Para absolutamente nada. Em vez de mantermos 230 deputados (sustentarmos), basta haver um representante de cada partido, representando cada um deles, um determinado valor de "votos parlamentares" ou de "unidades parlamentares", votando de acordo com a decisão do partido. Assim o representante do PS valeria os 90 ou mais votos que o PS tem no parlamento, o do PSD valeria 81 "unidades parlamentares", correspondentes aos actuais 81 deputados e assim por diante até perfazermos as tais 230 unidades. Para os debates e discursos também seria suficiente, porque falam sempre basicamente os mesmos em cada debate quinzenal. Não existe razão, a não ser sustentar tachos, perante o actual sistema para mantermos um parlamento desta dimensão. A Assembleia da República podia funcionar numa pequena sala, tudo seria mais modesto, mas sobretudo mais barato, e ao fim e ao cabo não mudávamos nada.

A disciplina de voto é um cancro profundo que corrói o nosso sistema político. Tome-se o exemplo da democracia americana, onde nem os senadores, nem os congressistas estão presos a qualquer disciplina partidária. Funciona? Certamente que melhor do que a nossa, pelo menos há uma razão para eles lá estarem, representam os interesses do círculo pelo qual foram eleitos. Claro que não é prefeito esse sistema, porque as pressões, as negociações pouco claras existem. Mas ainda assim é para isso que estão lá: representam os seus eleitores, se não o fizerem bem pagarão no final do mandato. Não são reeleitos, porque os círculos são uninominais e os eleitores sabem quem foi o malandro que não protegeu os seus interesses.

Assim sim. Mas por cá preferimos listas intermináveis de gente invisível que depois se senta no parlamento a bater palmas e onde até o direito de pensar e opinar pela própria cabeça lhes é retirado.

Acabe-se com o parlamento, ou pelo menos com este sistema parlamentar viciado e diminuto e que não serve os interesses de ninguém, a não ser de um pobre e limitado grupinho de gente.

sábado, 6 de março de 2010

Devolvam-me o Evangelho!

Fica aqui mais um excelente texto do Blogue Sip of Glory.

Roubaram-me o Evangelho da Graça!!! Existe uma nova religião que está a tomar de assalto as actuais Igrejas evangélicas. Esta moderna religião não se baseia apenas nos escritos bíblicos, mas em revelações complementares (e muitas vezes antagónicas) de "pastores", "bispos", "profetas", "doutores", etc. Nunca como hoje ouve tanta revelação espiritual. Estou contudo muito confuso. Não sei mais em quem acreditar. Serei Arminiano ou Calvinista? Assembleiano ou Universalista? Onde estão as velhinhas Igrejas Baptistas com a sua explicação sempre razoável dos escritos bíblicos? Que saudades do prezado irmão Tage Stahlberg com o seu "pentecostalismo discreto". "Não precisas de gritar e pular porque Deus não é surdo , adora o Senhor" - disse-me certo dia. Mas esta praga de "ungidos" já não tem vergonha de nada. Alguns imitam galinhas, patos, touros, bezerros, apitos, eu sei lá que mais! Já perderam o sentido do ético, da moral e dos bons costumes. Vale tudo para estabelecer esta nova religião de eventos fantásticos onde "Deus" sempre tem algo a fazer. Nem que seja tirar os "paradigmas" das cabeças dos crentes "racionalistas". "Ti" Alfredo Machado disse certa vez que uma das formas de Deus se revelar é (também) através do bom senso - o senso comum. Já não há bom senso ou razoabilidade nas modernas Igrejas evangélicas assaltadas por esta nova religião? "Prodígios" e "maravilhas" fazem parte constante das mensagens púlpitas destes novos "profetas" da actualidade. Se você quiser um milagre só tem que pagar o justo valor - de preferência em dinheiro, claro. Sete dólares por cada dez minutos de oração. Sim, leu bem o texto! Ora se por hora o "profeta" orar por seis pessoas (o que é tecnicamente possível), terá 144 pessoas para orar por dia o que equivale a 1008 dólares por um simples dia de oração. Uau! Ficará rico em pouco tempo. Daqui a pouco poderá (também ele) comprar um avião, e ir "profetizar" aos fins de semana para as Bahamas com transmissão directa das suas "profecias" pela internet. Ou então em pouco tempo comprará um canal de televisão privado para poder mesmo de férias disseminar as suas idéias. Sempre poderá dizer aos mais chegados que está numa conferência em Tulsa, Oklahoma. Ou então dirá que tal como Jesus tinha necessidade de se isolar nos montes a fim de orar, ele fez o mesmo; só trocou os montes pelas Bahamas... Conheci à tempos um crente em Lisboa que me disse ser "sósia" de determinado "mestre" da actualidade. Disse-me que quando o determinado "mestre" não podia estar presente na Igreja era ele que transmitia do púlpito o "estudo bíblico". (Previamente escrito pelo mestre claro). Estes pseudo-cristãos "modernos" e "poderosos" usam e abusam da ignorância e do desejo do divino inerentes ao coração e mente humanas para daí retirarem boas vidas, opulência e poder social. O crente ignorante depressa se deixa enganar e fica agrilhoado ao seu líder religioso na sua vida familiar, social e espiritual. Fica a depender do seu "guru" (desculpe: Pastor) espiritual para se aproximar de Deus. Tal qual como quando no "velho" catolicismo romano, também dependia dos seus santos e santinhos! Não tarda muito e teremos fotos de alguns líderes neo-católicos "ungidos" e "carismáticos" a adornar as mesinhas de cabeceira nos quartos de dormir das famílias cristãs evangélicas... Ou então como nas lojas de mobiliário indianas serão certamente idolatrados em fotografias convenientemente colocadas nas paredes dos escritórios dos empresários cristãos... Tal como na alegoria da caverna de Platão esta nova religião permite ver as sombras nas paredes mas não "desamarra" os seres humanos das grilhetas nem deixa sair da caverna da ignorância para que assim os prisioneiros possam observar a realidade - o verdadeiro e simples Evangelho! Esta nova religião tende sempre a apresentar "verdades inquestionáveis" desde logo castradoras das liberdades fundamentais do ser Humano. A religião é o ópio do Povo, como diria Karl Marx noutro contexto. Estava certo pelo menos em relação a esta! Tal como uma droga alucinogénica que produz sensações ocasionais e luminosas que não sendo realidades, leva o drogado (crente) a pensar que o são e acabará por ter o mesmo resultado - a alienação da realidade! Ou pior: Uma rejeição (por exaustão demagógica) da sua própria espiritualidade. Esta nova religião tem este efeito maléfico: Amputar o ser humano da sua liberdade de pensar e questionar! A voz do líder é a voz de Deus! Mas desde logo defendo que o meu maior direito que considero inalienável é o Direito à Dúvida! Tenho o direito de ter dúvidas! Eles (os "ungidos") estão a ensinar que devemos depender de Deus em tudo na vida. Sendo que "deus" é o que eles dizem que é e pronto! Apresentam Deus como uma espécie de génio da lâmpada de Aladino. A lâmpada será a sua religião mortífera e o génio é o próprio Deus que satisfaz sempre os desejos do crente através da oração. Fala (pede um desejo) e Deus dará sempre resposta afirmativa à tua Fé (confissão positiva). (Desde é claro que o crente seja fiel, especialmente no que respeita aos dízimos e às ofertas). Esta "doutrina" nada tem a ver com os ensinos deixados pelos autores dos escritos para a Igreja primitiva. Leva os crentes incautos e ignorantes a acrediar em fantasias que nada têm a ver com a verdade do Evangelho. Uma fantasia muito piedosa não deixa de ser uma fantasia. Desde logo estamos a dizer às pessoas que independentemente do seu esforço intelectual ou físico - independentemente do seu trabalho -"tudo vai correr bem". Estes crentes não vêm (conhecem) Deus pelos olhos da sua própria inteligência mas através dos filtros religiosos e inquestionáveis inculcados na sua mente por estes novos "ungidos". Por serem espiritualmente ignorantes ainda não aprenderam a questionar! (Comparar as coisas espirituais com as espirituais!) "Eles" (os "ungidos") estão a ensinar uma nova religião e não o verdadeiro Evangelho! Os escritos bíblicos e neo-testamentários dizem claramente para ensinar aos crentes o caminho que conduz à vida, dizendo também que esse caminho é difícil, estreito e cheio de perigos. Prometer vida boa e sucesso e sempre respostas positivas às orações dos cristãos de hoje não passa de uma mentira que só pode ter origem no maligno. Esta não é seguramente a verdadeira mensagem de Cristo. Acredito que o maior milagre que Deus pode operar hoje na terra não é o milagre de transportar montanhas de um lado para outro mas pôr em ordem esta autêntica confusão. Para isso precisa talvez de encontrar gente que em liberdade o queira amar e questionar e assim ser esclarecida por Ele. Alguém que queira apenas ser um mero cooperador sem o contributo desta total ignorância religiosa. Alguém que não almeje ser pastor, ou apóstolo, mestre ou profeta, ou outra coisa qualquer no Reino de Deus. Alguém que com alegria queira ser apenas mais um entre muitos irmãos! Alguém que não queira poder e sucesso financeiro ou social. Alguém isento desta nova religião nefasta e ignorante. Por outras palavras acredito que Deus não procura gente que possa confiar cegamente n`Ele mas sim homens e mulheres intelectualmente livres, disponíveis e responsáveis. Gente que tal como Moisés questionava Deus mas cumpriu o trabalho que lhe foi proposto (mesmo não vendo no fim concretizada a promessa divina). Gente como Jonas que não queria ir à cidade de Nínive avisar da justiça divina e fugiu da tarefa ordenada por Deus mas acabou (contra a sua própria vontade) por cumprir a ordem que lhe foi dirigida. Esperou em vão debaixo da aboboreira o cumprimento da promessa de castigo sobre a cidade - não teve o consequente resultado que esperava. Questionou o Senhor e teve a sua resposta. Homens como Oséias que teve que conviver (contra a sua vontade) com uma prostituta, e que acabou mesmo por ser abandonado por ela. Quando o desgraçado Jó na sua miséria questionou o Senhor obteve primeiro resposta às suas dúvidas, sendo posteriormente abençoado. Deus ainda é o mesmo ou não? E que dizer do apóstolo Paulo que três vezes orou ao Senhor e não lhe foi retirado o "espinho na carne"? Acredito que na actualidade Deus não procura religiosos mas homens e mulheres livres e intelectualmente responsáveis que queiram ser seus cooperadores no crescimento do reino de Deus. Alguém disponível não para ser um "entretainer" mas que apenas ame as ovelhas e que queira seguir o princípio fundamental ético, moral e espiritual - para que que Ele cresça e eu diminua. Haverá alguém entre nós que queira dar "um murro na mesa" e ser um cooperador de Deus sem o contributo desta horrorosa, violenta e nefasta nova religião? Haverá alguém isento dos vícios religiosos e livre para questionar a revelação do Senhor? Teremos entre nós alguém que queira aprender e ensinar o verdadeiro e simples Evangelho? Alguém que queira devolver à Igreja o que lhe está a ser roubado? Eu, por mim estou farto de ser enganado por estes "super-espirituais". Já me cansei desta miserável panaceia. Devolvam-me o Evangelho da Graça! Devolvam-me o Evangelho já!

terça-feira, 2 de março de 2010

Creio que é desta

Já tive um período de quebra nos escritos aqui na textura, de tal forma que ponderei em acabar o blogue. Depois lá decidi retomar a coisa.
Esta é uma actividade muito interessante, porém, bastante desgastante, principalmente para uma pessoa como eu que, ou faz ou não faz, é tudo à bruta e que segue o ímpeto instantâneo de ter de comentar aquilo que leu ou que viu, como quem tem a necessidade imperiosa de despejar uma vontade.
Mas o desgaste tem sido muito, o tempo tem sido pouco e o meu computador não tem ajudado, pois está às portas da morte e a disponibilidade de "tempo" para outro não é muita. Por vezes a raiva que sinto contra o pobre aparelho por este demorar uma verdadeira eternidade a mudar de separador, por exemplo, raia a loucura e o ímpeto de lhe dar uma carícias é muito forte.
Aliado a tudo isto está a desinteressante vida política portuguesa. Melhor, a vida política e a política em si são muito interessantes, mas ando a ficar um pouco enjoado de ver cenas indignas de políticos como o nosso Primeiro-Ministro, que é uma das maiores vergonhas deste país, um dos piores produtos políticos mais podres que este país já produziu, sem que hajam consequências, tudo mansamente é assobiado para o ar. Isto tem-me sido motivo de profunda insatisfação e frustração. Não é razão para desistir da vida política, ou se preferirem, da vidinha política, até porque continuo a querer participar numa urgente mudança, a primeiro das mentalidades, desaguando numa mudança real de política e de sistema político. Continuo a querer lutar por ela, o frustrante para mim tem sido falar muito sobre isso, escrever aqui muito sobre isso, mas fazer pouco, muito pouco por isso.
E isso irrita-me, faz-me mal, frustra-me, irrequieta-me, incomoda-me, chateia-me, aborrece-me, enfim torna-se mais um, fardo do que um prazer escrever e falar sobre as coisas sem porém fazer nada por isso, para isso.
Daí estar de novo desmotivado com a escrita na textura, daí os poucos posts que por aqui têm aparecido, daí de novo ter surgido a vontade de acabar com isto.
Vamos ver.
Vou-lhe dar uns dias de descanso e logo se vê.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Não consegui deixar de publicar isto

Li o artigo que se segue, de que deixo aqui o link, no Genizah, e não consegui deixar de o publicar aqui. Tal como o autor do post no Genizah, também eu chorei ao ler o artigo. Só me resta dizer mais uma coisa, e peço desculpa aos meus amigos que aqui vêm por outras razões, mas tenho de dizer: Glória a DEUS.
Dois pastores evangélicos e um motociclista morreram num acidente envolvendo sete veículos, na manhã de ontem, na Rodovia do Contorno, trecho da BR 101 que liga Serra a Cariacica.
Os religiosos pertenciam à Igreja Assembleia de Deus e haviam saído de Alegre, município da Região Sul do Estado, rumo a uma convenção estadual da igreja em Nova Carapina II, na Serra.
Os veículos - cinco caminhões, uma moto e um automóvel Del Rey - bateram um atrás do outro. O engavetamento aconteceu às 8h15, no quilômetro 277, na Serra. Os pastores estavam no carro.
Tudo começou quando um caminhão freou por causa do intenso fluxo de carros no sentido Cariacica - Serra. Os veículos que vinham atrás dele frearam também, mas o último caminhão - de uma empresa de cerveja - não conseguiu parar a tempo. Com isso, os veículos que estavam à frente foram imprensados uns contra os outros.
Os pastores José Valadão de Souza e Nelson Palmeira dos Santos e o motociclista Jonas Pereira da Silva, 52 anos, morreram no local. Dois outros pastores, que também estavam no Del Rey, sobreviveram, e o motorista de um dos caminhões sofreu arranhões nas pernas. Nenhum dos outros caminhoneiros ficou ferido.
O proprietário e condutor do Del Rey é o pastor Dimas Cypriano, 61 anos, do município de Alegre. Ele saiu ileso do acidente e teve ajuda do motorista José Carlos Roberto, carona de um dos caminhões, para sair do veículo.
Seu amigo de infância, o pastor Benedito Bispo, 72, ficou preso às ferragens. Socorristas do Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu) e bombeiros fizeram o resgate dele. O pastor teve politraumatismo e foi levado para o Hospital Dório Silva, na Serra.
A mulher de Benedito chegou a ver o marido sendo socorrido e teve que ser amparada por um familiar. Ela também seguia para a convenção num outro veículo. A rodovia ficou interditada durante vários momentos da manhã de ontem nos dois sentidos. O trecho só foi totalmente liberado no início da tarde.
O pastor Dimas Cypriano, que sobreviveu ileso ao acidente na manhã de ontem, no Contorno, contou que usava cinto de segurança e que ficou preso ao tentar sair. Ele dirigia o Del Rey e disse que precisou de ajuda para sair do carro. Mas depois continuou no local, acompanhando os trabalhos de resgate do colega, Benedito Bispo. Nas mãos, levava uma Bíblia que ficou suja de sangue. Mas isso não impediu que o pastor orasse durante o socorro.
O mais comovente do triste episódio, foi o relato dado por 2 pastores sobrevivente, e pelos bombeiros que tentavam tirar os pastores ainda com vida, que estavam presos nas ferragens.
As testemunhas citadas acima, contam que os pastores Nelson Palmeiras e João Valadão, ainda com vida e presos nas ferragens, em meio a um mar de sangue que os envolvia, começaram a cantar o Hino 187 da harpa cristã:
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Ainda que seja a dor
Que me una a ti,
Sempre hei de suplicar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Andando triste
Aqui na solidão
Paz e descanso
A mim teus braços dão
Nas trevas vou sonhar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Minh'alma cantará a ti Senhor!
E em Betel alçará padrão deAmor,
Eu sempre hei de rogar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
E quando Cristo,
Enfim, me vier chamar,
Nos céus, com serafins irei
Morar
Então me alegrarei
Perto de ti, meu Rei, meu Rei,
Meu Deus de ti!
Aos poucos suas vozes foram silenciando-se para sempre.
As lagrimas tomaram conta dos bombeiros, acostumados a resgatar pessoas em acidentes graves, porem jamais viram alguem morrer cantando um hino; como foi o caso dos pastores Nelson Palmeiras e João Valadão .
Notícia disponível no O Galileo
Postou Zé Luís no Genizah, confessando que os olhos marejaram ao ler o artigo.

Professores no Governo


Fenprof convoca greve dos professores para dia 4 de Março - Educação - PUBLICO.PT

Entreguem o Governo do país aos Professores.

Sinceramente acho que os professores são uma das forças que mais pode contribuir positivamente para o desenvolvimento do país. Mas acredito também que isso só será possível quando os seus sindicatos deixarem de ter o comportamento terrorista que actualmente têm. Num ano como este, em que no sector privado praticamente ninguém terá aumentos, em que as despesas do Estado estão descontroladas, em que existe uma luta, pela correcção do desvio orçamental, a ser travada, os professores assumem, ou pelo menos os seus sindicatos, assumem uma posição terrorista de valorizar a sua corporação em detrimento do interesse nacional.
Tantas vezes tenho criticado os partidos por deixarem o interesse do país para último, de darem primeiro lugar aos devaneios e exigências dos seus grupos de interesse. Afinal, e como se pode ver, os sindicatos sofrem do mesmo mal, até porque a maioria deles, sendo a Fenprof disso um excelente exemplo, estão vendidos ao interesse dos partidos aos quais estão ligados, desprestigiando efectivamente a sua classe profissional, comportando-se como uma força corporativista, ao nível de uma Máfia.
Cada dia me convenço mais que para este país progredir uma das coisas mais importantes e decisivas será a desconstrução das Corporações, não numa lógica do dividir para reinar, mas sim de incluir numa força mais abrangente e que zele pelo interesse comum do país e dos seus representados.