quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Eleições Legislativas Precisam-se


Estou seriamente a ponderar publicar num qualquer diário de referência um anúncio dizendo: "Eleições Legislativas Precisam-se". Mas tenho uma dúvida: será que devo acrescentar "Urgente" ou o texto inicial já reflectirá a urgência só por si.

Sinto que este governo socialista é cada vez mais um peso morto que ainda faz mais pesada a já enorme crise que nos abate. Não me parece nada que alguma coisa possa piorar por este Governo cair agora, já, hoje de imediato. Afinal o país arde, mas o Governo joga com as estatísticas, recusando as de Bruxelas e comparando-se com outros anos; o desemprego sobe, mas a estatística europeia não diz a verdade; a economia estagna e diverge das restantes economias da Europa, mas o Governo vê engorda e crescimento. O país parece completamente sem rumo e sem um governo capaz de definir políticas capazes.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Política de combate ao desemprego do Governo Socialista


Afinal, ao contrário do que muitos pensavam, o actual Governo socialista, liderado pelo brilhante Eng. José Sócrates, tem uma política pensada de combate ao desemprego. Perante uma realidade galopante e socialmente preocupante, o aumento do desemprego, nos gabinetes do governo encontrou-se a solução para os números crescentes desse desemprego. A verdade é que já estão há algum tempo em vigor medidas de incentivo à criação e à manutenção do emprego, no entanto tem-se verificado o crescimento constante da extinção de postos de trabalho.

Porém, ontem o país ficou a conhecer que o Governo não está de braços cruzados, como já afirmei no início, afinal há uma política de combate aos números do desemprego. Ontem o Gabinete de Estatísticas da União Europeia veio rever em alta os números oficiais do desemprego em Portugal, para os meses de Maio e Junho, para os 11%. Aí revelou-se que afinal o Governo não dorme e a tal política de combate aos números do desemprego tornou-se conhecida: o Governo desmentiu as estatísticas europeias, afirmando que a realidade estava quatro décimas abaixo. O Governo luta contra os números do desemprego, pena é que seja apenas contra os números e não contra a realidade desta.

A verdade é que o Governo Português tem sido um parceiro inútil nesta luta, tal bombeiro pirómano que se deleita de braços cruzados a ver a floresta a arder. Mas ainda agarra numa pequena mangueirita, toma umas medidas, que se mostram ineficazes, mas não faz mal, basta dizer que afinal o incêndio é quatro décimas menos grave do que a Europa diz.

Muitos têm falado do prejuízo que seria para o país entrarmos neste momento numa crise política, provocada pela queda do governo, com nova ida às urnas, mas eu começo a pensar que a crise que verdadeiramente prejudica o país será a continuidade deste incompetente Governo.

Creio que crise já há, a urgência será dar ao país pessoas mais capazes, o que acho que neste Governo, e neste Partido Socialista, não me parece manifestamente que haja.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Descanso do casamento


No passado sábado tive um casamento de família, onde o trabalho e a exaustão foram as palavras de ordem, claro que combinadas com muita alegria, felicidade e beleza. O meu irmão casou-se, finalmente, e, a verdade é que apenas fica o desejo íntimo e sincero de que ambos sejam muito felizes juntos.
Como o meu lugar foi sobretudo na cozinha, é daí que tenho as fotos.
Agora estou a descansar e a repor as energias possíveis, físicas e mentais. Mas logo que tenha cabeça para isso publicarei aqui as minhas fotos do casamento, onde tenho de agradecer de coração a uma equipa de gente voluntária, que ajudou a que todo o casamento fosse um sucesso. Mas os agradecimentos virão na altura dessa outra publicação.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

0,2% - O número do nosso Orgulho


Sim senhor temos um grande motivo de orgulho, os 0,2% de crescimento do PIB no primeiro semestre do ano.
E temos todas as razões para estar orgulhosos, senão vejamos:
  • O governo previu um crescimento de 0,1%, e vamos com 0,2%;
  • Deixámos o crescimento nulo e já vamos com uma velocidade de crescimento impressionante;
  • Estamos a crescer mais do que três outros países da União Europeia.
Como podemos concluir, as razões de orgulho são imensas.

Claro que há sempre as vozes derrotistas e pessimistas que nos dizem que:
  • 0,2% não é crescimento mas sim a continuação da estagnação;
  • Que o país precisa de crescer mais de 2% do PIB por ano, para que isso signifique efectivo crescimento;
  • Estamos a crescer onze vezes menos do que a Alemanha;
  • Continuamos a divergir da União Europeia;
  • Temos o quarto pior crescimento da UE.
Mas agora que li assim estes argumentos fiquei confuso, afinal acho que não temos motivos de orgulho, temos sim razões para preocupações e VERGONHA.

Como sou...


Deus quer-me como sou, mas não para ser como sou...
Deus quer-me como sou para me transformar no que não sou...
Deus quer-me como sou para ser como ele quer.

Vou a ele como sou, como estou, com o que fiz, mas vou com coração aberto a que ele me transforme e mude...

...Pois caso contrário não me estou a aproximar de Deus, só me estou a enganar a mim mesmo, não caminhei nem um milímetro no sentido de uma proximidade íntima com a divindade.

Curiosidade


Estou com uma imensa curiosidade para saber, ou melhor, para ver o que vai sair das obras de requalificação da Avenida dos Bons Amigos, em Agualva-Cacém, cidade onde vivo. A razão da minha curiosidade é apenas uma: será que vai sair dali mais um remendo novo em pano velho, sem grandes benefícios para os cidadãos, apesar da despesa avultada que está a ser feita, ou será - como reclamei durante a última campanha autárquica, na qualidade de cabeça de lista da candidatura do Movimento Mérito e Sociedade à Assembleia de Freguesia de Agualva - parte de um plano alargado e integrado de requalificação da freguesia de Agualva e da cidade em si.

O ridículo, e causador desta curiosidade, que é mais uma suspeita, é que durante essa campanha, no site da Junta de Freguesia de Agualva, apareceu uma notícia nova de que tinha sido assinado o contrato programa de requalificação da Avenida dos Bons Amigos. Claro que qualquer pessoa que abrisse a notícia e observasse a imagem do dito contrato com atenção, veria que este tinha sido assinado há largos meses, no que demonstrou ser uma evidente e de baixo nível, manobra eleitoral.

Claro que a suspeita de que de tanta obra e dinheiro gasto saia apenas um mau remendo num pano velho, advém do facto de esta ser a especialidade da Câmara Municipal de Sintra, que gosta de fazer trabalhos em reacção e sobretudo sem qualidade e/ou integração num plano mais vasto e integrado de recuperação dos espaços urbanos, em especial de Agualva-Cacém.

A prova disto mesmo que estou a dizer foi feita nessa mesma altura da campanha, em que ficou demonstrado que as obras da Cacém Polis pouco tinham beneficiado Agualva e que em todo o tempo que durava esta intervenção, o Presidente da CMS nunca convocara, até então, nenhuma reunião da Comissão de Acompanhamento. Se há um princípio sagrado em democracia é o do escrutínio, aberto, transparente e claro, prestando contas à população e aos seus representantes democraticamente eleitos.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Artrites


Num autocarro, um padre senta-se ao lado de um bêbado que, com dificuldade, lê o jornal.
De repente, com a voz 'empastada', o bêbado pergunta ao padre:
- O senhor sabe o que é artrite?
O padre pensa logo em aproveitar a oportunidade para dar um sermão ao bêbado e responde:
- É uma doença provocada pela vida pecaminosa e sem regras: excesso de consumo de álcool, certamente mulheres perdidas, promiscuidade, sexo, farras e outras coisas que nem ouso dizer...
O bêbado arregalou os olhos e continuou lendo o jornal.
Pouco depois o padre, achando que tinha sido muito duro com o bêbado, tenta amenizar:
- Há quanto tempo é que o senhor está com artrite?
- Eu???... Eu não tenho artrite!... Diz aqui no jornal que quem tem... é o Papa !

domingo, 1 de agosto de 2010

Chumbo na Ministra

Claro que estou a falar de Isabel Alçada e da intenção de acabar com os chumbos no ensino, não estou a fazer nenhum apelo bélico a que despejem na senhora as "pressões de ar".

Mas que é certinho e direitinho que se houvesse notas para os Ministros a autora Isabel Alçada tinha uma nega brutal.

Mas vamos por partes.

Que toda a gente quer uma redução, ou mesmo uma eliminação radical das retenções, creio que isso é unânime, a dúvida que se coloca é se isso deve ser feito por via administrativa e/ou legal, ou deve ser feita pelo esforço e trabalho dos componentes do sistema. Parece que a solução da Ministra da Educação é acabar com os chumbos por decreto, no que parece ser uma cedência vergonhosa e gravosa à força das estatísticas. Claro que ter outras formas de apoio para os alunos que têm mais dificuldades é um caminho evidentemente correcto, porém deve ser rigoroso, nunca se devendo optar pelas derivas facilitistas, quer em termos de avaliação, como sugeriu a ministra, ou por via do facilitismo nos próprios programas. Se é certo que estes devem ser realistas, não é menos certo que não devem ser levianamente vazios de conteúdo só para garantir as passagens de ano.

É importante implementar nas escolas uma cultura de mérito e de reconhecimento do esforço, porém é importante que a escola seja inclusiva dos que têm menores capacidades e/ou maiores dificuldades em acompanhar as matérias. Daí que medidas como a divisão de turmas ou outras são evidentemente de estudar. Mas nunca se deve acabar com os chumbos. Se o aluno não atinge o mínimo de conhecimentos, apesar de todos os esforços, deve pura e simplesmente ser retido e após isso estudar meios de recuperação alternativos.

Eu proponho aqui dois de implementação relativamente fácil: o primeiro é que os alunos que no final do ano lectivo não consigam alcançar os objectivos lectivos e chumbem, devem ter aulas de recuperação durante o Verão, com um exame no final desse período, às disciplinas nas quais reprovou; o segundo é que um aluno com mais de 14 ou 15 anos que não atinja um determinado nível lectivo deve transitar automaticamente para o ensino profissional, sendo-lhe atribuído no final do curso uma equivalência ao ensino geral.

Creio que em vez de decretar o fim dos chumbos o Ministério da Educação deve preocupar-se em reestruturar profundamente o sistema para que estes não ocorram, e que, caso ocorram sejam ainda recuperáveis os alunos para a continuidade dos estudos.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Slogans Idiotas

Se há algo que me irrita são slogans que procuram transmitir ideias que não passam de grandes mentiras, mas mascaradas de verdades, e ainda por cima, de verdades de aparência bondosa, altruísta.

O último destes irritantes slogans é da autoria do PCP, que há algumas semanas atrás encheu o país com faixas onde dizia: "Público é de todos, privado é de alguns".

Todo este slogan é uma mão cheia de mentiras, pois a prática nos tem ensinado que, desde o 25 de Abril, onde os "bondosos" ideais colectivistas nos levaram, foi a um altruísmo que as coisas "públicas" que seriam de todos, na verdade não eram de ninguém, sendo por isso mal geridas e casas de "amiguismos" em grande escala. Serviam para empregar os amigos e sobretudo, goste-se ou não, os "camaradas" de partido.

A moda agora para empregar os amigos partidários, uma vez que se têm feito privatizações e alguns apertos em empresas do SEE, são as empresas municipais.

Conheci uma realidade estranha, por exemplo aqui no Concelho de Sintra, onde a oposição é a fingir, sendo talvez apenas, justiça lhe seja feita, garantida verdadeiramente pelo Bloco de Esquerda. No mandato autárquico anterior, sendo o executivo do PSD/CDS (Coligação Mais Sintra), foram atribuídos pelouros aos vereadores eleitos pelo PS (estes a um ano das eleições demitiram-se desses pelouros para poderem sacudir as responsabilidades e "fingirem" serem alternativa), o Presidente dos SMAS era do PCP (CDU), havendo vários elementos deste partido "encaixados" nas estruturas de empresas municipais de Sintra, como por exemplo na inútil "Educa". Neste mandato não sei bem como ficou o desenho, mas acredito que não esteja muito diferente.

Mas importa fazer aqui uma ressalva para esclarecer uma coisa: considero-me politicamente um liberal democrata, mas isso não significa que ache que todas as privatizações são boas. Acho que o SEE deve privatizar todas as empresas que concorram com outras no mercado (como por exemplo a TAP e a RTP), mas que não devem ser privatizadas empresas públicas que operam em regime de monopólio (como por exemplo a REN) porque isso distorce negativamente o mercado, empobrecendo-o, descredibilizando-o e sobretudo não se traduzindo em qualquer vantagem, nem para o país, nem para os consumidores.

Importa também ressalvar aqui que se fosse por mim, tudo, ou praticamente tudo o que são empresas municipais acabavam.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Falta de Tempo




O tempo é sempre um problema: quantas vezes já desejámos que o dia tivesse mais do que as suas poucas 24 horas. Uns pelos seus muitos afazeres, outros pelo seu gosto imenso por uma soneca profunda, a quem as oito horas normais são insuficientes.
Mas o tempo, até hoje, nunca pareceu ser um problema para a Justiça portuguesa, pelo menos a avaliar pela forma displicente com que trata o tempo, despendendo deste em abundância. Famosas tornaram-se as prescrições, os processos demorados, os adiamentos infinitos, os recursos sem fim.
Aparentemente no caso Freeport, ou pelo menos na investigação deste, o tempo foi comprado a peso de ouro, poupado com cuidado, reservado mesmo, ao ponto de não ter sido suficiente para ouvir um dos intervenientes chave do processo, que foi só o responsável máximo pelo licenciamento ambiental do projecto, mas que, por pura coincidência, é hoje apenas o Primeiro Ministro de Portugal.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Conferência Desafio Jovem 2010


Teve início ontem e prolongar-se-à até sexta-feira a Conferência do Desafio Jovem, com o tema "De Volta à Intimidade". Após vários anos de conferência na Aula Magna, este ano voltou-se à primeira casa: o Instituto Bíblico Monte Esperança, em Fanhões. Quem nunca participou nesta conferência não deve perder esta fantástica experiência, um ambiente e um lugar únicos.

Para encontrar o local da conferência é muito fácil, basta no google maps pedir orientações para Fanhões, Concelho de Loures.

As sessões da noite, que começam às 20:30, são abertas ao público e não implicam qualquer inscrição, por isso são todos bem idos.


segunda-feira, 26 de julho de 2010

Pessimismo crónico


De praticamente toda a proposta de revisão constitucional proposta pelo PSD (ou pelo menos daquilo quen desta é mais conhecido) a única pequena coisa com que eu concordo inteiramente é com a alteração da "justa causa" para "causa atendível" como razão para despedimento. Efectivamente e em concreto, ao contrário do que os histéricos desordeiros da esquerda têm dito, não jaz ali nenhuma oculta intenção de flexibilizar os despedimentos, porque a haver essa flexibilização ou não, esta terá de estar consignada na Lei, não tendo para isso a Constituição aplicação imediata.

Claro que podemos sempre admitir que esta "abertura" no vocábulo constitucional poderá permitir leis mais flexíveis. Por aí já me levam, mas a verdade é que o português continua a ser um povo desconfiado e sobretudo cronicamente pessimista.

O que quero dizer com isto é que podemos sempre olhar para meio copo de água como meio cheio ou meio vazio, mas na nossa herança cultural é-nos sempre incutida a visão do copo meio vazio, não conseguindo enxergar, por muito que alguém nos aponte, a meia quantidade de água ainda existente no copo. Ou seja, os políticos de esquerda (principalmente, mas não exclusivamente, porque Paulo Portas também disse algo sobre isto, sendo contra), continuam a querer assustar os meninos para a flexibilização dos despedimentos que certos monstros papões querem trazer para o país, recusando-se estes e com eles o povo (infelizmente cego) que esta é também, e sobretudo, uma flexibilização das contratações. Vêm o uma maior facilidade no despedimento mas não querem enxergar uma maior facilidade na contratação.

Compromisso

Depois de um período bastante activo, A textura do Texto tem passado por um período de maior estagnação. Porém é meu intento começar a contrariar essa mesma pasmaceira, mesmo estando nós a entrar em época de férias (o que não é o meu caso). Como tal pretendo assumir hoje um compromisso com os leitores e amigos da textura em que irei tentar publicar todos os dias pelo menos um post. Ainda que não seja um texto, nem que seja uma frase, um pensamento, um vídeo ou uma imagem, pelo menos uma publicação nova por dia farei.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Portas: o inveterado populista











O Presidente do CDS/PP, Paulo Portas, é daqueles políticos que ou se adoram ou se odeiam. A forma aguda como fala, cheia de sound bites e sempre revestido de uma superioridade moral, dão-lhe um ar de Louçã da direita absolutamente único.

Mas a verdade é que, se adorando inicialmente, por julgamento das suas palavras e daquilo que defende, pensando um pouco tudo soa a oco e resta apenas um soar populista, mesmo perigosamente populista.

O último exemplo, que me leva a escrever este texto, foi dado hoje mesmo, quando o PP, através do seu Presidente, anunciou uma iniciativa legislativa para que todos aqueles que sendo beneficiários do Rendimento Social de Inserção, vulgo Rendimento Mínimo, que sejam apanhados a cometer crimes graves, devem perder imediatamente esse mesmo apoio.

Da esquerda, sempre tão preocupada com os criminosos, certamente se ouvirão críticas de que ao retirar o RSI a essas pessoas, em vez de se contribuir para que esses criminosos se reinsiram na sociedade, ainda se está a empurrar mais essas pessoas para o crime. Isto não é efectivamente argumento, pois não está em causa o rendimento antes de se cometer crime, mas sim após, o que, a ser preventivo do cometer do crime e fonte de profilaxia, o teria sido já, pois ao cometer o crime, se mostra que afinal o RSI de nada serviu como reinserção nessas pessoas.

Mas o que eu critico e acho que é populismo perigoso é que, se o PP afinal diz ser contra o RSI, deve lutar para acabar com o RSI e exigir um outro tipo de medidas. Paulo Portas e o seu partido vão pelo que parece bem ao povinho, sem manter a firmeza das suas convicções e daquilo que defendeu antes.

Eu sou contra o RSI, acho que devia acabar, como escrevi noutras ocasiões, e, como não sou um invertebrado político, como o parece ser Paulo Portas e o seu CDS, nunca vou lutar pelo fim do RSI apenas para quem comete crimes, mas pelo fim total dessa aberração social.

O Regresso de Pinócrates


Pinócrates regressou, mas desta vez em Inglês. Creio que só mesmo ele acredita no que diz.










quarta-feira, 7 de julho de 2010

A hipocrisia de Sócrates




Tornou-se célebre a obra de Descartes em que este fazia a apologia do antigo filósofo grego Sócrates, mas em Portugal começa a tornar-se igualmente célebre a hipocrisia do nosso Sócrates caseiro.


De facto o nosso Sócrates não é filósofo, é sim Primeiro-Ministro, aliás tem como título académico Engenheiro e primeiro nome José - isto é só para os mais distraídos.


Ora o nosso Sócrates, José, Engenheiro e Primeiro-Ministro, não sendo mestre em filosofia, é-o concerteza em hipocrisia, pois vejamos: Que nome se dá a uma pessoa que perante uma crise decide de imediato baixar a protecção social aos desempregados, atacar as prestações sociais - e atenção que não estou a fazer juízos de valor sobre essas medidas, estou só a constatar factos - e depois, perante os seus socialistas pares, vocifera contra um neoliberalismo qualquer, que alguém quererá, segundo ele, inscrever na constituição? Resposta: um hipócrita. Que nome se dá a alguém que sabe perfeitamente que o tal neoliberalismo, ou melhor, que o liberalismo democrático não defende o fim do Estado de Previdência, nem o fim do Estado Social e ainda assim usa esse fantasma para atacar os outros e assustar as criancinhas (pois, os liberais são agora os novos comunas)? Resposta: um hipócrita e desonesto intelectualmente. Que nome se dá a um sujeito que anda a beijar há anos o chão onde o Zapatero pisa e depois manda um camarada seu dizer que o Paços Coelho foi ajoelhar-se ao PP? Resposta: um hipóóóóócrita.

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Uma entrevista importante


Por achar deveras importante e impressionante, aqui deixo esta entrevista do jornal Público.


É favorável à legalização do testamento vital. Defende a importância da revisão dos “aspectos negativos” da lei do aborto. E considera que a distribuição de preservativos nas escolas só deve ser feita no âmbito de uma “educação sexual digna”. São afirmações do médico e professor universitário de ética, Miguel Oliveira da Silva, na sua primeira entrevista desde que assumiu, há nove meses, a presidência do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV), o órgão que analisa os problemas éticos suscitados pelos progressos científicos.


Suponha que há alguém que tenta suicidar-se. E deixa escrito que, no caso de sobreviver, não quer que o reanimem. O que acaba por acontecer. O senhor está no serviço de urgência e recebe-o. Respeita o pedido?

Em primeiro lugar tentava reconstruir a vontade da pessoa com a família mais chegada. Se a família me confirmar esta vontade e não houver grandes dúvidas de interpretação e partindo do princípio que é uma primeira tentativa, acho que é boa prática clínica chamar um psiquiatra para quando ela voltar a si. Supondo que vai voltar a si. Baseio-me no conhecimento geral de cultura médica de que em 95 por cento das tentativas de suicídio, a pessoa agradece não morrer.


Então não respeitava o pedido...

Não foi isso que eu disse. Tinha é de ver a situação, se era uma situação aguda ou crónica, se era uma vontade manifestada recentemente ou há muito tempo... Centremo-nos na questão do testamento vital...( documento com indicações dadas por alguém que esteja lúcido sobre os procedimentos médicos a adoptar no caso de doença, quando ele já não puder expressar a sua vontade). Falávamos de uma ordem para não reanimar na sequência de uma tentativa de suicídio. Mas na sequência de uma doença grave, oncológica, cardio-respiratória ou degenerativa em que o doente de uma forma clara, consciente, sabendo as consequências, faz um pedido para não o reanimar, acho que se deve respeitar.


Apesar de ainda não estar legalizada, pode-se dizer que é uma prática que já existe nos hospitais portugueses?

Claro que acontece muito mais vezes do que aquelas em que é escrito na ficha clínica. Quer por iniciativa médica, quer a pedido do doente.


É a favor da legalização?

Claro que sou desde que estejamos todos a falar da mesma coisa. Pode ser um documento escrito que remeta para o reconhecimento legal. Pode ser a escolha de um chamado procurador dos cuidados de saúde ou as duas coisas. Mas quantas pessoas vão assinar o testamento vital sem perceber o que vão assinar? A esmagadora maioria das pessoas não percebe sequer a bula dos medicamentos que compra. E uma das grandes críticas feitas ao testamento vital é a linguagem que pode ser hermética, crítica, propositadamente crítica para que as pessoas não percebam. Assinam de cruz, é um documento jurídico, o médico e a instituição estão defendidos e a pessoa não percebeu as consequências do que assinou. O testamento vital assim não serve. É preciso a pessoa perceber o que está a assinar e o documento escrito por iniciativa própria ou adaptado de uma minuta funcionar como um instrumento de diálogo entre o médico e o doente. Se houver dúvidas relativamente ao testamento vital, o procurador dos cuidados de saúde pode esclarecê-las. O que acho é que nós, médicos, não podemos ter a pretensão de ter a última palavra sobre a vida dos doentes.


É contra o paternalismo dos médicos...

Contra o excessivo paternalismo. Um bocadinho acho que é bom, até pode ser saudável. Paternalismo absoluto, radical de quem acha que o médico é que vai decidir e que o testamento vital é uma afronta à capacidade de decisão médica, acho que não. Isto levanta o problema da objecção de consciência para o testamento vital. Se para o aborto há cerca de 80 por cento de médicos obstetras e ginecologistas objectores de consciência, o que vai acontecer com o testamento vital?


Prevê que haja uma larga percentagem de objectores de consciência?

Acho que não vai ser inferior a 80 por cento.


E atribui isso a quê?

Não sou profeta, estou a fazer especulação... atribuo esta grande percentagem ao facto dos próprios médicos terem dúvidas, em si próprios sobre a sua própria vida, dúvidas pessoais. Também porque qualquer mudança legal em Portugal não é acompanhada da mudança de uma prática. Contrariamente a outros países em que a mudança da prática antecedeu a uma mudança legal, aqui a situação não é bem assim. Também porque muitos médicos podem não estar de acordo mas cumprirão por questões de conveniência. Se o chefe decidir não, a maioria dos subordinados decidirá não.


O Conselho a que preside vai dar um parecer sobre esta questão do testamento vital?

O anterior deu um parecer há um ano. Este já falou várias vezes com a ministra. Está para breve o aparecimento de vários projectos lei de vários partidos. Não demos parecer ainda porque tendo havido um há menos de um ano, é bom que haja um certo tempo de digestão até que outro surja.


O Conselho anterior chumbou a lei do testamento vital. Esta tomada de posição inibe o actual Conselho de se pronunciar?

Não temos problema nenhum em que o actual conselho tenha outro parecer, eu pelo menos, não tenho. Quando surgir o pedido há duas hipóteses: ou reenviamos o parecer de há um ano ou reanalisamos e fazemos um segundo parecer. E parece-me que a segunda hipótese é mais correcta.


O doente deve ter sempre acesso livre ao seu processo clínico?

Livre, completamente. Haverá casos em que isso será desaconselhável, mas na esmagadora maioria de casos, com certeza que sim. Por rotina acho que sim. O acesso pelas seguradoras é que tenho a maior das dúvidas, a maior das inquietações éticas...


Porquê? Que dados tem para ter essas inquietações?

Não trabalho no privado, não tenho conhecimento sobre a forma como as seguradoras funcionam na privada mas muitos doentes , muitos colegas têm partilhado as suas inquietações. Achamos que as seguradoras sabem demais sobre o processo clínico do doentes e que devem saber menos. Ao saberem de mais, isso pode prestar-se a discriminações e arbitrariedades, o prémio sobe, etc.


Há conhecimento de casos desses?

Há, mas não há conhecimento de doentes que ponham as seguradoras em tribunal por causa disso, que eu saiba.


“A distribuição de preservativos nas escolas, só por si, não é educação sexual”


Tem-se pronunciado contra a distribuição de preservativos nas escolas, mas sempre foi a favor da educação sexual nas escolas...

Acho que a distribuição de preservativos nas escolas, só por si, não é educação sexual. Mas não sou a favor nem contra.


Porquê que não é a favor?

Acho que essa medida, só por si, é enganadora. Eu sei que não é por um jovem ter um preservativo no bolso que vai ter relações sexuais, sei que o acesso aos meios contraceptivos não antecipam as relações sexuais, sei que o acesso a contraceptivos eficazes não aumenta o numero de parceiros sexuais, não estou nessa fase. Não estou como aquelas pessoas que dizem: estão a dar pílulas e preservativos, estão a antecipar o início das relações sexuais, nada disso. Acho é que só deve haver preservativos dentro das escolas se isso for enquadrado numa educação sexual digna desse nome que não sei se existe. A questão que se põe é saber o que fazer para que a educação sexual avance. Para que haja um declínio de infecções por HIV, da venda da pílula do dia seguinte, do número de abortos em jovens, etc. E isso é que me parece importante. E sobretudo para que as pessoas sejam mais felizes por ter uma vida sexual activa.


O que é que falta para que isso corra assim?

Que muitos dos professores envolvidos nessas sessões de formação, vivam em paz com eles próprios. Com os seus valores, os seus afectos, com a forma como vivem o amor, a vida. E se calhar muitos deles não vivem assim, reduzem as aulas de educação sexual ao ensino da fisiologia sexual, dos métodos contraceptivos. E já não é mau. Porque eu fico assustado quando vejo o número de alunos, génios iluminados que entraram para aqui [faculdade de medicina]com 19, a nata das natas dos alunos de Portugal e eles não conseguem identificar a altura certa de uma ovulação. E isto é educação sexual igual a zero. Dir-me-á educação sexual não é só isto. Mas sem isto não há educação sexual. Podemos falar sobre os afectos, sobre a ternura, sobre a fidelidade, sobre o crescimento a dois mas de que tipo de educação sexual estamos a falar se uma mulher não sabe identificar a ovulação?


O que acha que podia alterar esta situação? O documento sobre a introdução da educação sexual nas escolas em cuja redacção participou, não vai ajudar?

Esse documento tem muitas cedências da minha parte. Apesar de tudo revejo-me na parte dos chamados conteúdos mínimos da educação sexual e que fala da ovulação, da menstruação, etc. etc.


Que cedências fez?

Gostaria que isso ficasse dentro do grupo que integrei. Mas acho que a avaliação dos alunos e dos professores devia ser mais exigente e com mais consequências. E não devia incluir apenas a avaliação da aprendizagem, mas da metodologia. Ensino sem avaliação não existe. De forma que proporia que a avaliação fosse mais contundente.


Tem salientado a importância da “abstinência voluntária” dos jovens. Porquê?

Dois adolescentes de 15, 16 ou 17 anos, numa relação de namoro, podem sentir-se muito atraídos um pelo outro intelectualmente, espiritualmente, afectivamente, sexualmente mas acham que não querem ter já relações sexuais. Só daqui a uns meses, daqui a um ano ou um ano e meio.


E acha que esse aspecto não é referido?

Eu gostaria que fosse muito.


Porquê que é tão importante?

Porque estou profundamente convencido que ninguém é mais feliz por começar a ter relações sexuais cedo. Cedo é muito relativo, eu sei. Para um cigano não é o mesmo do que para um caucasiano. Mas na cultura dominante, penso que ninguém é feliz por começar a ter relações com 13 ou 15 anos.


Porquê que acontece? Há um apelo social para isso...

Um apelo nos media, um erotismo disseminado pela sociedade toda, um apelo difuso subconsciente de que o sexo é bom, que o prazer sexual é bom...E é, é magnífico, mas deve ser enquadrado numa relação de afectos e não consumido como quem come um bife com batatas fritas. E deve ser inserido num projecto, não necessariamente de vida, mas num projecto. Penso que adolescentes de 12, 13, 14 anos não têm qualquer vantagem em começar a ter relações sexuais. É o que penso como cidadão e como pai de ex adolescentes, mas não é a minha posição como ginecologista. Nunca direi isto a uma miúda de 13 anos que me aparece na consulta. “Não tenhas relações sexuais”. Era o que faltava. Mas tentarei saber se tem uma relação com alguma estabilidade com o namorado, se não há violência, se ele a respeita, se há satisfação e informa-la-ei para que não engravide nem tenha doenças de transmissão sexual.


Três anos depois da lei do aborto. Que balanço faz?

Um balanço muito contido. Em termos de saúde pública, acho que há ganhos. As mulheres deixaram de morrer por aborto (até às dez semanas) e as sequelas diminuíram imenso. São ganhos indiscutíveis que ninguém pode contestar. Do ponto de vista de cidadania, as mulheres deixaram de poder ser levadas a tribunal por fazerem um aborto. É um ganho imenso. Estes os ganhos. As preocupações, são muitas muitas.


Nomeadamente...

O estatuto de objector de consciência. A percentagem de mulheres que falta à consulta de planeamento familiar, obrigatória 15 dias depois. Cerca de 50 por cento falta. Inquietante.


É um sinal de que vão correr risco de novo aborto?

Não é um sinal, é a certeza e os próprios dados da Direcção Geral de Saúde indicam isso. Que há mulheres que fazem dois e três abortos num ano. O que nos levanta questões difíceis do ponto de vista ético. Alguns defensores da despenalização do aborto há três anos, médicos, enfermeiros, questionam-se sobre se o aborto deve ser gratuito nos segundos e terceiros casos. O espantoso é que os partidos que se opuseram à despenalização há três anos se tenham esquecido de falar nisso na última campanha eleitoral. Dão isto como assente, como um dado adquirido ou querem reflectir sobre isto? E mesmo os outros, que estão a favor. Eu que dei a cara pela despenalização, tenho dúvidas sobre o estatuto de objector de consciência. As maiores dúvidas de que seja o mais adequado e isto, aliás, pode vir a aplicar-se, daqui a uns meses, no caso do testamento vital. Porque em Portugal, o estatuto de objector de consciência diz que quem faz um aborto, tem de fazer todos e quem se recusa a fazer um, tem de se recusar a fazer todos. Acho que neste estatuto que tem algumas virtualidades, o que se pretende? Quer-se evitar que o médico recuse, de manhã, fazer um aborto num hospital do Estado e o faça, à tarde, numa clínica privada. Mas isto faz com que muitos médicos que poderiam aceitar, nalguns casos, interromper a gravidez, (uma mulher que engravida com um dispositivo intra-uterino, ou que tem o azar que um preservativo se rompa, que tomou um antibiótico e não sabia que os antibióticos interferem no metabolismo da pílula, etc) o recusem porque sabem se forem fazer um, têm de fazer todos. (Há entre 75 a 80 por cento de médicos obstetras objectores de consciência). Se eu aceitar interromper a gravidez a uma mulher que engravidou com um dispositivo intra-uterino, tenho de aceitar fazer um aborto a uma mulher que não toma a pílula porque não quer, e que tem um comportamento permissivo e irresponsável.


Então acha que esta lei devia ser alterada?

Acho que é importante ter coragem de rever aspectos negativos desta lei. E não vejo ninguém com vontade de lhe mexer, nem os que votaram a favor, nem os que votaram contra.


O Conselho vai ter alguma iniciativa nesse sentido?

Neste momento não está previsto. Pessoalmente teria muito gosto em que o Conselho pensasse sobre isso. Mas sou um em 19. Apesar de ser o presidente, não posso impor a minha vontade aos outros 18. Não faço ideia se os outros estão muito interessados em pensar nisso. Mas enfim ainda temos mais quatro anos e meio de mandato e é possível que tomemos posição sobre o assunto.


E esta é a sua principal preocupação, três anos depois da lei do aborto?

Tenho outra inquietação. O número de abortos está a subir. De 12 mil passou para 18 mil em 2008 e para 19 mil em 2009.


Aumentaram os abortos ou a visibilidade sobre eles?

Está a subir o registo legal do número de abortos até às dez semanas.


Era expectável...

É expectável durante dois a três anos que isso aconteça porque são muitas mulheres que vêm do aborto clandestino e que o deixam de fazer às escondidas. Mas vamos ver até quando vão continuar a subir. Se os números continuarem a subir, a subir, é o total falhanço do planeamento familiar.


E não acha que é preciso mais tempo para perceber isso?

Pouco mais tempo. O máximo, um ano. Quando tivermos os dados de 2010 em 2011, se a tendência ascendente continuar, acho que alguém terá de ter coragem de dizer que é tempo de pensar sobre isto e que há algo não está a funcionar em termos de contracepção.


Por ignorância?

Ainda por alguma ignorância, também. Se as pessoas não sabem quando têm a ovulação, se há mulheres que tomam três pilulas do dia seguinte no mesmo mês, três vezes contracepção de emergência num mês...ninguém tem três ovulações num mês! É ignorância total, abuso, mau uso. A questão é que, além de muita ignorância que ainda existe, temos de saber se o recurso ao aborto vem, nalguns casos, na sequência de uma política irresponsável de contracepção. Acho que quando tivermos quatro anos de lei do aborto é tempo mais do que suficiente de parar para pensar. Não é para mudar a lei. É para avaliar. E não vejo ninguém a querer fazer isso. É surpreendente.


Contra a Maternidade de Substituição


Concorda que a lei da procriação medicamente assistida exclua as mulheres solteiras e homossexuais?

Concordo. Porque sou contra a maternidade de substituição. E se sou em casais de heterossexuais, também sou contra em casais de homossexuais.


Que razões são essas que o levam a ser contra?

Razões filosóficas, éticas, genéticas. Cada vez mais a ciência, a filosofia, a bioética falam de uma coisa chamada epigenética, quer dizer a genética depois da concepção. E imagine duas mulheres, a A e a B, e uma placa de petri (prato de vidro) com um embrião com oito células, mais ou menos com três dias de vida. Que surgiu por fertilização in vitro. E há duas mulheres candidatas a este embrião, em cuja útero o embrião vai poassar até 38 semanas. Elas não lhe vão dar apenas o útero, mas o ambiente hormonal, um ambiente bioquímico. Os genes vão ser alterados, activados, reactivados. Aquelas mulheres vão-lhe dar ainda diferentes ambientes emocionais e psicológicos, há toda uma alteração genética que faz a diferença.


E quanto à adopção?

Acho que adopção deve estar aberta apenas aos casais heterossexuais. E a lei devia ser repensada porque a prática mostra que há muitos cidadãos solteiros homossexuais que adoptam crianças, escondendo à Segurança Social que têm uma relação estável com um parceiro do mesmo sexo. Estou farto de conhecer uniões de facto de homossexuais com crianças adoptadas. Acho que se deve ter a coragem de alterar a lei da adopção. Como cidadão, a minha sensibilidade não é favorável a essas situações.


Porquê?

Acho que em termos de antropologia sexual, temos uma dualidade masculina e feminina. E precisamos de ter no nosso desenvolvimento uma referência feminina e uma referência masculina. E com os casais homossexuais isso não existe. Ser homossexual não é uma escolha e muito menos uma doença. Ninguém opta por se sentir atraído por outro homem ou por outra mulher. Assim com na heterossexualidade ninguém opta por nada. Ou opta por muito pouco. Ninguém pode ser criticado por ser homossexual. Mas é uma situação que traz limitações. E estas têm de ser levadas em conta em algumas opções que tomam e que não tomam. E portanto, para mim, não há qualquer razão de fundo, à partida, para que um casal homossexual deva adoptar uma criança.


São referidas estudos que mostram que crianças educadas por casais homossexuais não têm mais problemas do que as que vivem com heterossexuais...

Não sei...Para já, acho que não há tempo suficiente para isso. Quanto tempo é que tem de durar esse estudo? Dois anos, 20 anos? Não conheço nenhum estudo, por exemplo de há 18 anos... aliás, quais eram os casais homossexuais que há 18 anos assumiam a educação de uma criança? Mas se houver estudos em contextos sócio-culturais diversos, em geografias diversas, que demonstrem que a evolução e a maturação do desenvolvimento dos adolescentes, educados ao longo de 15 e de 20 anos por casais homossexuais, são semelhantes ao dos heterossexuais, estou disponível a rever a minha posição.


Que reflexão faz sobre os mais recentes escândalos de pedofilia na Igreja?

Acho que a Igreja tem de pensar muito na vivência da sexualidade no seu interior e fora dela e que para aconselhar a vivência da sexualidade fora dela, tem de fazer um grande exame de consciência sobre o que se passa no seu interior. Os padres têm de poder casar e ter filhos, as mulheres têm de ter acesso ao sacerdócio, as pessoas divorciadas têm de ter acesso à comunhão e poder voltar a casar, etc. O que diz o Papa é que convém ter mais atenção aos jovens seminaristas. Penso que isso é manifestamente insuficiente e penso que a pedofilia na Igreja não é mais frequente do que na sociedade em geral. Até pode ser mais rara em termos estatísticos, só que a Igreja é uma instituição com grandes obrigações morais, tem de fazer escola, dar o exemplo moral e portanto as pessoas não podem de maneira nenhuma pactuar com isso.


O anterior Conselho de Ética tinha muito mais visibilidade. Este tem sido bastante mais discreto. Por opção?

Acho importantíssimo o Conselho ter visibilidade e protagonismo. Falando por mim, foi inteiramente voluntário um estilo “low profile”. A transição do outro mandato para este foi muito polémica, muito controversa e portanto interessa-me muito mais apresentar resultados do trabalho do Conselho. Já aprovámos o nosso primeiro parecer sobre realização de autópsias a pedido de particulares, sobretudo de familiares.


E qual foi?

É razoavelmente favorável. Mas esta semana será público.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Eu também não quero pagar


É muito interessante que por este rico país fora tanta gente goste de usar serviços sem ter de os pagar. É ainda mais interessante a forma como essas pessoas ficam indignadas quando alguém diz que esses serviços devem ser pagos. Mas roçamos o ridículo quando os que não pagam acham que estão a ser descriminados por esses que acham que devem pagar tais serviços.

Estou a falar do quê? Das Scut, claro.

Por pressão do PSD o nosso querido líder e Primeiro Ministro Engenheiro José Sócrates aceitou a introdução de portagens em todas as Scut do país, porém, deixando aí umas borlas para os residentes dessas regiões e para aqueles que tenham actividades económicas nas zonas servidas por essas estradas. Interessante pensar neste princípio do utilizador pagador: eu sou da Região de Lisboa se for visitar alguém a uma zona servida por uma Scut devo pagar portagem, mas quem a usa todos os dias ficará isento. Deixo aqui uma pergunta: quando foram usar os impostos que eu pago, igual aos outros, alguém fez distinção e disse que o dinheiro usado para construir essas estradas era apenas dos residentes, logo merecedores de borlas, ou o dinheiro estava todo no mesmo monte, ou seja, se eu paguei a construção da Scut como todos os outros porque é que na sua manutenção eu tenho que a pagar e quem mais a usa não?

Eu não sou rico, nem vivo à larga, mas se quiser usar a CREL ou a A16 para fugir ao IC 19 tenho de pagar portagens. E o IC 19 é a única alternativa e é só a estrada mais congestionada do país. E peço desculpa mas eu não conheço assim tanta gente abastada nesta zona para deverem pagar portagens e outros não.

Eu também não quero pagar.

Quero gritar bem alto para o Sócrates ouvir: eu também não quero pagar.

Imagino que se as empresas na região de Lisboa não tivessem de pagar portagem na A1, A2, CREL, A16, A10, Ponte Vasco da Gama e 25 de Abril, entre outras estradas, talvez tivessem melhores resultados, talvez conseguissem criar mais empregos. Mas em Lisboa somos todos ricos, no resto do país é que estão os pobres coitados que não podem pagar portagens.

Eu não quero pagar, mas tenho de pagar, a estrada alternativa é um inferno, mas eu tenho que pagar. Afinal quem está a ser descriminado?!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Presidenciais - para quê?


O Estado português é especialista em desperdiçar dinheiro dos contribuintes, de colocar-se assim em crises orçamentais que depois os mesmos contribuintes têm de vir alegremente pagar.

Sempre que me falam em eleições esse mesmo gosto em gastar o dinheiro alheio vem-me à mente. Porque em Portugal, este rico e abastado país, sustentamos todo o tipo de estravagâncias que os partidos queiram fazer em campanhas. Ele é dinheiro em subvenções para o funcionamento dos partidos e, como este não chega, aqui vai mais dinheirinho para as campanhas eleitorais.

No entanto os defensores desta prática afirmam ser o custo da democracia, e que, sem partidos não há democracia. Sendo verdade esta última parte do argumentário, não o é efectivamente a primeira, porque, a meu ver, não entendo as razões do porquê de uma estrutura da sociedade civil, como o devem ser os partidos, ter de ser sustentada pelo Estado.


Mas adiante.


Esta conversa toda para chegar a mais um desperdício brutal. As eleições Presidenciais para reeleição do inquilino de Belém. Para mim estas eleições não têm sentido nenhum. Um mandato de 10 anos que tem de ser escrutinado a meio, com todas as despesas que isso acarreta, já para não falar no estéril folclore político que acarreta, faz algum sentido? A meu ver não.


Claro que existem outras ideias e pensamentos, mas já que estamos numa onda de ideias para a revisão da constituição, em vez de "palermices" do tipo retirar da constituição a natureza republicana do Estado, porque não propor que um Presidente da República se pode candidatar apenas a um mandato, tendo este a duração de sete anos? Não será mais razoável, mais sensato e sobretudo não dará mais sentido e valor à função presidencial? A mim parece-me obviamente que sim.