terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Que pena o TGV ainda não estar construído...
Cerrar fileiras
Perante os ataques que têm sido desferidos contra si, bem ao estilo do velho animal feroz, José Sócrates, o Secretário-Geral do PS vai esta semana procurar cerrar as fileiras em torno da sua pessoa. Seria quase impensável que o sanguíneo Sócrates não tentasse reagir aos ataques, mas sobretudo ao início do surgimento de vozes dissonantes dentro do aparelho dos socialistas. Em vez de se render, de pensar em dar lugar a outro, Sócrates prefere o ataque, ou melhor o contra-ataque, a reacção, levando a uma união socialista, mais de vender para fora do que para consumo interno. Aliás isto servirá apenas para abafar ainda mais um PS que pouco ar tem fora do "socratismo", de que a falta de alternativas, perante a generalidade da opinião pública, a uma eventual saída de Sócrates, parece uma evidência gritante. Provavelmente os socialistas estão a preferir o lugar de refúgio, que parece seguro hoje mas pode-lhes sair muito caro no futuro.
Mas na minha opinião isto é só mais uma demonstração das prioridades de interesses a que os senhores da actual política tradicional portuguesa procuram acudir. O primeiro interesse a servir é o pessoal, depois é o do grupo de interesses no qual se movem, após isso vem o interesse do partido e só no fim vem o interesse do país. Esta é a forma como a generalidade dos partidos e dos políticos funciona, o que é um real empobrecimento da nossa democracia, que se desmanchou numa oligarquia de partidos, ou poderemos mesmo dizer de uma determinada classe que mina todos os partidos.
Perante este panorama não consigo perceber como ainda há pessoas que pensam em aderir a partidos como o PS, o PSD, o CDS, o PCP ou o BE, pois estes estão enquistados num serventilismo do seu grupo de interesses, dificilmente observando a realidade com olhos de ver. Para mim só faz sentido hoje a militância política fora dos partidos tradicionais e no âmbito de um movimento político novo, sem vícios, que podemos ajudar a formar e a construir para que estas situações sejam preventivamente debeladas. O efeito profilático é o melhor para alcançar a transformação política de que o país necessita, desconstruindo a nossa democracia partidocrática em favor de uma democracia inclusiva dos cidadãos e da sociedade civil. É crucial, para mim, entender a política como o espaço da primazia do interesse do colectivo, beneficiando a vida do indivíduo, sem colectivismos absurdos e utópicamente perigosos, mas percebendo o espaço de liberdade de cada indivíduo para construir o seu caminho, e, aí lutar por uma nova perspectiva, fazendo do primado do interesse do país, demonstrando-o pela prática e não pela dialéctica, nem pela verborreia, o primeiro dos interesses a ser atendido.
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Se fosse noutro tempo

Manuel Godinho terá pago 72 mil euros a Santana Lopes - Sociedade - PUBLICO.PT
A diferença existente é a de Presidente da República. Cada vez tenho mais relutância em votar Cavaco, como fiz da primeira vez, caso ele se recandidate.
Se fosse no tempo em que Santana Lopes foi Primeiro-Ministro e se soubesse das insinuações de que este artigo fala, ele tinha sido corrido na hora. Com muito menos Sampaio provocou a queda do Governo, com um apoio maioritário no parlamento. Com uma história destas de corrupção, de cheques e dinheiro de um sucateiro corrupto, o que faria Sampaio. Não se percebe então, a não ser por tacitismo político do mais baixo nível, colocando mais uma vez os interesses políticos pessoais aos interesses do país, que Cavaco não demite Sócrates. Nem a desculpa da negociação e apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento a Bruxelas servirá de desculpa, uma vez que o pacote está praticamente fechado e certamente que as opções dentro do PS que poderiam substituir o actual Primeiro-Ministro conseguiriam concluir esse trabalho, porque o mais difícil, o Orçamento de Estado já está aprovado.
Cavaco está a ser um mau Presidente e a prestar um péssimo serviço à democracia e ao país em geral.
Ninguém pode orar e ficar preocupado ao mesmo tempo
“Ninguém pode orar e ficar preocupado ao mesmo tempo. Quando nos preocupamos,
não estamos orando. Quando oramos, não estamos preocupados. Quando você ora,
você “fica” com sua mente em Cristo,...”
Incendiário é o PS não se decidir já pela substituição de José Sócrates

Apelo a moção de censura é "incendiário" - Política - PUBLICO.PT
Sendo assim parece-me que existe hoje algo de impensável há pouco tempo atrás no PS: uma clara divisão, ainda mais notada através de outras declarações de dirigentes como Sérgio Sousa Pinto.
Parece-me a mim que ao PS, perante os estragos provocados pelas revelações relacionadas com o caso Face Oculta, só resta uma solução: substituir o Primeiro-Ministro. Aliás Marcelo Rebelo de Sousa fez ontem esse exercício lançando três nomes de possíveis futuros Primeiro-Ministros, caso a decapitação de Sócrates aconteça: António Costa, Teixeira dos Santos.
Do lado do PSD já se percebeu a armadilha, sendo que Rangel e Aguiar Branco, com posições mais moderadas, afirmaram ambos, com pequenas nuances, que esta dramatização e estas guerrilhas dentro do PS estão a ser usadas pelos socialistas como uma manobra de diversão em relação aos estragos do Face Oculta, saindo de Pedro Passos Coelho posição mais extremista e também mais desconexa - demonstrando quanto a mim a sua manifesta impreparação, pois estaria disposto a facilmente cair na armadilha socialista da moção de censura.
Na minha opinião a iniciativa aqui deve ser do Presidente da República, mais do que dos partidos, porque não se trata da legitimidade da continuidade do Governo - o que seria razão do moção - mas sim da falta de condições de José Sócrates, do Primeiro-Ministro, pelo que o PR devia, ele sim, demitir José Sócrates e chamar o PS a escolher um novo Primeiro-Ministro.
José Relvas, o homem da 'revolução' - Portugal - DN
José Relvas, o homem da 'revolução' - Portugal - DN
Por ainda ter raízes em Alpiarça, terra onde José Relvas morava, e também por ter vivido lá algum tempo da minha juventude, sinto-me sempre atraído pelas histórias que falam da mais eminente figura desta terra.
Para muitos José Relvas é um desconhecido, mas foi ele quem proclamou a instauração da República em Portugal da varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Deixou um enorme legado patrimonial, em terras e a sua própria casa ao município, pelo que ainda hoje, na Casa dos Patudos, se pode ver um maravilhoso espólio, do qual se pode destacar a enorme e líndissima colecção de tapetes de arraiolos.
Certamente um encontro com a nossa história a não perder.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Moção de censura

Como se isso já não fosse óbvio, perante as declarações de hoje de Silva Pereira, dúvidas nenhumas ficariam: o Governo e o PS estão a esgrimir uma violenta estratégia de vitimização, velha e gasta mas eficaz, em que, ou conseguem os seus intentos na Assembleia da República e ameaçam com demissão, ou desafiam então, ainda que sub-repticiamente, os partidos da oposição a fazer cair o Governo com uma Moção de Censura. A estratégia costumeira fica bem a certa desinformada opinião pública que gosta sempre de olhar para o coitadinho.
O que queria Silva Pereira dizer com isto:
"Em resposta às declarações de António Capucho, presidente da câmara de Cascais e conselheiro de Estado, o ministro disse: 'Que uma das figuras mais destacadas do PSD não queira que o país seja governado por este primeiro-ministro e por este Governo, esse é um problema que se resolve nas eleições.' "
Parece-me óbvio que, apesar de já haver conscientes vozes dentro do PS que se afirmam, ainda que com pouca visibilidade, incomodadas com a permanência deste Primeiro-Ministro, pela demonstração constante de falhas de carácter, a estratégia é mesmo a de desafiar a apresentação de uma Moção de Censura.
O coitadinho do Sócrates sairia à rua, a grande vítima de uma oposição ressabiada por não conseguir ganhar as eleições (já agora é preciso que alguém informe que o ganhar eleições não dá a ninguém o poder de cometer crimes impunemente, ou de tentar atacar fundamentos do estado de direito), procurando assim retomar uma maioria absoluta que afundaria de vez com o país. Evidentemente que este feio número, de tão repetido, pode sair caro, porque resta sempre a esperança de que um dias destes o povo acorde.
Pedro Silva Pereira e o controlo dos media

O Sr. Ministro da Presidência só não entende, ou não quer entender, que a liberdade actualmente demonstrada só acontece porque o tal plano que para hoje parece evidente ter existido, falhou, pelo que o Governo só está a levar com aquilo que preparou.
Perguntas:
Exercício interessante

Ora o mundo dá muitas voltas e todas as pedras que ele atirou na altura estão hoje a cair-lhe em cima do seu telhado de vidro. Pena é que o Presidente da República actual não faça o mesmo que Sampaio fez, mas talvez esteja também, tal como o seu antecessor, a aguardar que o PSD se reorganize. (Ou não!)
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Revoltante de todo

Isto está lindo está...

Se o sistema de justiça português não serve para garantir o exercício da justiça e do direito, pelo menos que sirva para proteger gente a quem o comum dos mortais não confiaria nem cinco Euros, mas que são Administradores de grandes empresas.
Agora o condicionamento e a pressão sobre a comunicação social começa a ser às claras.
Aliás esta frase do director do Sol, publicada ontem em declarações ao i, se não demonstram mais nada, evidenciam pelo menos uma arrogância e sentimento de impunidade imensas:
“No único almoço que o 'Sol' teve com Sócrates em São Bento, ele às tantas disse-me que 'isto de a gente tentar comprar jornalistas é um disparate, porque a melhor forma de controlar a imprensa é controlar os patrões'. Foi extraordinário o desplante de ter dito isto e depois ter posto esse plano em prática".
E ficamos de braços em baixo murmurando: "mas não há alternativas". Por favor, vamos limpar este país desta gente que, para além de pouco capaz, é arrogante e sobretudo pouco séria.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Ressabiamento evidente

Evidentemente que perante o não surgimento de alternativas internas a Pedro Passos Coelho o homem que sobrava com disposição para o enfrentar seria Aguiar Branco. Este já tinha sido candidato aquando da eleição de Manuela Ferreira Leite, tendo desistido a favor desta. Desta vez, ao que parece, também foi apanhado de surpresa pela candidatura de Paulo Rangel, mas aparentemente desta vez parece não estar disponível para recuar. Ao que parece, a visibilidade evidente entregue a Aguiar Branco deixava vislumbrar que ele seria a opção apoiada pela liderança actual. Porém agora com o surgimento de Rangel na equação fica a expectativa do sentido a assumir por Ferreira Leite.
Claro que assim o PSD vai cair de novo no canibalismo interno, o ressabiamento de Aguiar Branco parece evidente, pois teve a paciência de ver os potenciais líderes a declinar essa hipótese, apontando todos os dedos para ele como única alternativa viável a Passos Coelho, o que agora fica manifestamente em causa perante o avanço de Rangel.
Para bem do próprio PSD impunha-se um cerrar de fileiras em redor de Rangel, porque este é o melhor candidato, uma vez que não está comprometido com governações anteriores dos sociais-democratas, tal como Passos Coelho, mas com a vantagem de ter uma imagem de competência e uma experiência manifestamente positiva como líder parlamentar. Torna-se por isso claro que existem muitas vantagens de Rangel em relação a Coelho, mas também em relação ao cinzentismo de Aguiar Branco.
Perante a falta de credibilidade do Primeiro-Ministro a alternativa na alternância parece começar a surgir

Jaime Gama preocupado com a credibilidade do primeiro-ministro

Jaime Gama preocupado com a credibilidade do primeiro-ministro - Política - PUBLICO.PT
Aquilo que parece ser um clamor que se espalhou pelo país já há muito tempo, que para muitos parece evidente, que é a necessidade da saída imediata de Sócrates, só agora está a subir à mente das elites políticas. Na minha opinião isto só é mais uma demonstração da forma distante, em relação às realidades e aos sentimentos do país, em que os políticos vivem. Assim se comprova que a abstenção é em grande parte culpa da classe política que é surda e distante, vivendo numa estratosfera irreal, onde as realidades diárias dos cidadãos parecem uma ficção distante, de que apenas ouvem falar, ou que vêm nuns índices no monitor do computador, ou estampadas num jornal, tomado depois, quando não agrada, esse jornal como inimigo a abater. É o que temos: uma classe política inútil para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do país.
Histeria ou a urgência da mudança

4-1
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Do que estamos à espera: é tempo de agir

Perante isto, em que até gente de dentro do PS já defende a saída do Primeiro-Ministro, parece-me evidente que já não há condições políticas para a continuidade de José Sócrates. Nem sequer uma alegada estabilidade, tida como fundamental, serve já de sustentação, pois a contínua mácula de suspeitas graves, sejam de corrupção, ou de tentativas e planos de controlo da comunicação social, são hoje, promotores de profunda instabilidade social e política.
Aguenta-se ainda Sócrates por conta de ainda não ter essa instabilidade atingido a economia - o que também, sendo verdade, o é apenas em parte, porque a pressão feita sobre a oposição para que se prossigam os intentos do Governo só tem provocado instabilidade - e por o nosso Presidente da República estar hoje, mais interessado no seu futuro político, com a proximidade das eleições, do que com o interesse do país - o que é aliás apanágio dos políticos tradicionais portugueses.
Também para acção deixo aqui a proposta para a assinatura da petição online "Todos pela Liberdade".
Vamos exigir já uma mudança, pelo menos a demissão imediata e a bem do país deste senhor, deste Eng. Sócrates.
domingo, 7 de fevereiro de 2010
21 de Fevereiro - 1º Aniversário d' A textura do Texto
É motivo para comemorar, não sei é bem como. Aceitam-se sugestões, desde que cumpram os seguintes requisitos: tem de custar nada, ou custando que seja pouco e que cada participante pague o seu.
Bem leitores força aí nessas ideias.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Sócrates lamenta "jornalismo de buraco de fechadura"

Sócrates declarou:
"Eu acho absolutamente lamentável que esse jornalismo, que se pode classificar como jornalismo de buraco de fechadura, baseado em escutas telefónicas e em conversas privadas, que não tendo relevância criminal devem ser privadas, se faça e com o objectivo de atacar pessoas."
O nosso Primeiro-Ministro só se esqueceu de um pequeno pormenor: é que este tipo de despacho judicial, depois de transitado em julgado, como é o caso, torna-se um documento público. As suspeitas e o jornalismo não é feito com base nas escutas, mas sim naquilo que o Juiz deixa transparecer no despacho. Claro que outras notícias sobre insultos e outros assuntos, já são de facto irrelevantes, mas o que de facto deixa estranheza é que o Juiz de Aveiro, com as escutas que ouviu, e que deixa transparecer para o despacho, ficou com nítida impressão de que havia um plano que configurava um crime, mas, chegando as mesmas escutas ao Procurador Geral da República e ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, estes tenham pensado exactamente o contrário. A estranheza de que falo emana do facto de da leitura dos despachos qualquer pessoa ficar com sérias dúvidas de que não tenha havido um crime, ou pelo menos a manifestação do mesmo. O que estas notícias fazem é que, ainda que não existisse matéria criminal, há certamente conteúdo político relevante. Ou seja, embora inicialmente não fosse favorável a isso, perante o avolumar das situações e das suspeições, cada vez fica mais a suspeita de que houve um "favorzito" feito a Sócrates pelo Procurador e pelo Presidente do Supremo, pelo que se impões agora a divulgação dessas escutas. Ainda assim eu sou mais pela defesa da provacidade, mas há dois organismos que estão fragilizados: a Procuradoria e o Supremo, sendo que se impões claramente a substituição dos líderes desses órgãos.
Além disso a vergonha impunha que Sócrates se demitisse, mas isso já se viu que ele não tem Logo, a bem do país, impunha-se que fosse o Presidente da República a ter essa vergonha e a demitir este vergonhoso governo.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Lembram-se quando o Sampaio demitiu o Santana...

Este foi o email que deixei no site criado pela mãe da menina da reportagem Filha Roubada
Além disso é egoísta, quando não quer sequer perceber porque é que num orfanato cheio de crianças, a maior parte delas sem ninguém, não permite que a sua filha seja cheia de brinquedos - o que acha que as outras crianças iam sentir.
Neste site chama o Lar de odioso, mas a única pessoa que vejo odiosa nesta história é a senhora.
Tenha vergonha e ajude a sua filha a reconstruir a sua vida, consigo, mas também com o Pai, que foi isso que a senhora nunca quis. Basta ler a decisão que o juíz proferiu, para se perceber que toda esta história é uma vergonhosa manipulação, orquestrada por uma mulher doente e por um jornalista mentiroso.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Teixeira dos Santos junta-se à ninhada

Ferreira Leite chamada a São Bento para reunião com Sócrates
Tremenda citação acerca da teologia da prosperidade

Sócrates O Calimero
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Risco da dívida portuguesa dispara para valor recorde

Eu ia escrever qualquer coisa sobre o assunto mas...
Finanças regionais, Calimero Sócrates, Dramatização e Conselho de Estado



Bruxelas aprova plano de recuperação da Grécia

O mais estranho disto tudo é que foi dito que Portugal - que a par da Grécia, e muito mais que Espanha ou Irlanda, tem fortes problemas estruturais a enfrentar para consolidar o controlo orçamental exigido - irá entregar em breve um plano semelhante. É estranho porque até hoje ainda não ouvi falar de nenhum plano plurianual de controlo do défice - aliás ouviu-se que o PSD iria exigir a construção desse plano para viabilizar o orçamento, coisa que não se concretizou, pois a estratégia de dramatização, aliada ao desprezo inicial dado ao PSD em detrimento do PP, garantiu por si só a abstenção social democrata.
Mas agora que ouço o Governador do Banco de Portugal a anunciar um inevitável, segundo ele, aumento de impostos, começo a perceber que esse plano já deve ter um esboço, que deve passar mesmo por um agravamento fiscal, pois Vítor Constâncio tem servido ultimamente de mensageiro das más notícias fiscais, ou como diz Bagão Félix, de Lebre Fiscal.
Fiquemos atentos a este desgoverno socialista, que parece nitidamente desnorteado.
Mário Crespo e os limites da liberdade

A liberdade é a coexistência de modelos e não a imposição de um em concreto.
Ao longo de mais de 30 anos de carreira jornalística - e nesse particular sou mais antigo do que o Mário - não me lembro de um cronista ser dispensado depois de a crónica estar pronta a ir para a oficina. E o que isto significa é que os limites da liberdade estão mais apertados do que nunca.
Tenho o director do JN, José Leite Pereira, na conta de um bom profissional e de um homem independente e sério. É jornalista há muitos mais anos do que eu, tem uma experiência considerável. Não creio que ele se impressione com uma crítica a Sócrates, como não creio que ele exigisse gratuitamente a Mário Crespo uma confirmação independente de fontes. Provavelmente, não o faz (nenhum de nós o faz) quando, em vez de Sócrates, está um outro cidadão qualquer em causa.
Porém, no caso do primeiro-ministro as palavras são relevantes, já que proferidas por quem tem a responsabilidade do poder executivo neste país. É certo que a conversa pode ser considerada privada, mas é igualmente certo que o bom-nome de Mário Crespo foi atacado de forma pública, ou jamais seria ouvida por circunstantes que nada tinham a ver com a conversa.
O que se passa, então?
Posso tentar avançar uma explicação: Mário Crespo tornou-se incómodo para Sócrates (e até para Cavaco, que denunciou em algumas crónicas), e a sua incomodidade estava a deixar o próprio José Leite Pereira numa situação difícil. Por isso o director do JN recorreu a um excessivo escrúpulo jornalístico para resolver a questão. E decidiu não publicar a crónica.
Não posso condenar José Leite Pereira, não é do meu timbre julgar os outros. Apenas posso dizer que este é o panorama da nossa Comunicação Social: Grupos que dependem do poder do Governo, patrões que pressionam directores e editores até à exaustão, cronistas afastados por serem incómodos e uma multidão de lambe-botas que, prudentemente se cala ou arranja eufemismos para tratar a questão.
Tenho em comum com Mário Crespo o facto de trabalharmos num grupo onde nada disto acontece (felizmente não será o único). Talvez não estejamos inteiramente preparados para o mundo 'lá fora', onde as palavras têm de ser medidas, onde não se pode escrever preto no branco, como aqui faço, que Sócrates é o pior primeiro-ministro no que respeita à Comunicação Social; o único que telefona e berra com jornalistas, directores, com quem pode. O único em que nestes mais de 30 anos que levo de vida jornalística, se preocupa doentiamente com o que dizem dele, em vez de mostrar grandeza e fair-play com o que de errado e certo propaga a Comunicação Social.
Lamento dizê-lo, tanto mais que é nosso primeiro-ministro e seguramente tem trabalhado muito e o melhor que sabe.
Mas é a verdade, e num momento destes a verdade não se pode esconder.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Afinal houve mesmo gente que ouviu

E se...

Vital Moreira - de vez em quando, muito raramente, lá diz alguma coisa de jeito

Na cerimonia inaugural de ontem no Porto, foi incluída entre os discursos oficiais uma oração por um capelão das Forças Armadas. Tendo em conta que uma das grandes conquistas da República foi separação entre o Estado e a religião, o mínimo que se pode dizer é que se tratou de uma iniciativa despropositada e de mau gosto.
Na mesma cerimónia inaugural as entidades oficiais que iam chegando eram publicamente anunciadas pelas suas qualificações académicas ("dr.", "prof. doutor", etc.). Revertendo ao espírito original da igualdade republicana, por que não aproveitar o Centenário para abolir de novo e definitivamente tais formas de tratamento do discurso e dos documentos oficiais?
Tenho por evidente que Manuel Alegre hipotecaria à partida a sua candidatura presidencial se aparecesse como candidato do Bloco de Esquerda ou com o seu discurso.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
O cheiro da política

Mário Crespo - Censurado ou apenas demente


quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Lavar os pés

CREL os deslizes foram mais do que de terra apenas - a Câmara Municipal da Amadora deslizou também

Todos os utentes dos concelhos servidos pela CREL, mas em especial os que, como eu, são do Concelho de Sintra, têm sentido os nefastos efeitos do corte dessa estrada, devido a uma derrocada de terras.
A Câmara Municipal da Amadora é a proprietária de um aterro, cheio de lixo e terras, devido a uma obra de uma outra estrada, despejados naquele local, sem grande cuidado, apesar dos avisos da Estradas de Portugal, alertada esta pela concessionária da Auto-estrada, de que as terras para ali transportadas estavam a debilitar as infraestruturas de drenagem de águas da CREL.
Claro que como é hábito em Portugal e sobretudo nas autarquias, as orelhas moucas voltaram a não ouvir o que não convinha, mas o pior é que um perdido ofício foi encontrado por um jornal, colocando muito em causa a posição da CM da Amadora.
No meio de tudo isto está uma empresa do grupo Espírito Santo, a ESAF, que é citada por ser a gestora da parcela de terreno que desabou sobre a CREL. Mas esta empresa não quer, obviamente, pagar a factura da limpeza e reparação da estrada que a Brisa se prepara para lhe enviar, até porque diz não ser essa a sua parcela, mas sim uma contígua, e que, ainda não há culpas a assumir porque ainda não está definitivamente demonstrada a culpa do deslize.
Óbvio para mim é que a culpa não é concerteza dos mais prejudicados - os condutores que até pagam - e que estas entidades já se preparam para o habitual jogo de ping pong, sempre de uns para os outros, para que no fim a culpa morra, como de costume também, solteira. O prejuízo esse vai ficar, não nas mãos da privada Brisa, mas do Estado, que certamente pagará uma indemnização que o Estado vai dar até que se encontre um sempre esquivo culpado que leve com a factura - pesadita - em cima.
Mas isto deve de levar-nos mais fundo - à forma como o nosso território é administrado e ordenado - principalmente ao péssimo trabalho que por aí se faz, sobretudo ao nível autárquico. É que as nossas autarquias são organismos reconhecidamente improdutivos de benefícios concretos para os munícipes, e, as freguesias para os fregueses, sendo no entanto mais uma sobrecarga orçamental para todos.
Será, pergunto eu, que temos mesmo necessidade deste tipo de estrutura incompetente, desfuncional e sobretudo fonte de corrupção - é esta a sensação da generalidade dos cidadãos - como o são as Câmaras Municipais e as Juntas de Freguesia, ou poderíamos promover uma vantajosa remodelação, profunda e verdadeira e também por isso que nos traga vantagens do dinheiro que gastamos?
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
O nosso Presidente da República está hoje na berra

Chico Esperto

Querer queria, mas não consigo
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Seis em cada dez famílias portuguesas sentiram dificuldade em pagar despesas de saúde - Sociedade - PUBLICO.PT

Este artigo do Público, motivado por um estudo da Deco, demonstra a forma como as famílias estão a lidar com grandes dificuldades com o prolongamento da crise financeira, que foi antecipada de uma crise orçamental, que para Portugal, este ano, a essa prolongada crise financeira regressa por acumulação essa passada e nunca debelada crise orçamental, que promete vir para ficar, ainda que a crise financeira se esfumasse hoje do dia para a noite.
Pergunta: Se a crise financeira internacional não é culpa dos governos nacionais, e estes não podem, por si só, acabar com ela, qual é a desculpa em relação a esta insuportavelmente prolongada e reincidente crise orçamental?
A verdade é que sempre o Estado viveu muito acima das suas possibilidades, iludidos que andámos numa nuvem de promessas igualitárias e colectivistas de uma esquerda enganosa, que nos conduziu por um caminho de direitos, sem que os deveres, sobretudo o de sermos produtivos e de os nossos empresários e gestores serem competitivos e competentes, acompanhassem os mesmos, tornando insuportável o peso que o Estado tem para economia. Mais ainda, aprendemos a bela arte de receber dinheiro de papo-para-o-ar e não queremos agora abandonar tal situação. Sim afinal até da UE vieram subsídios para abater frotas e arrancar culturas.
Acontece porém que para agravar tudo isto, o sector privado estrangulado pelo estado, numa tentativa de não ficar preso no imobilismo e tentar algum desenvolvimento, recorreu ao crédito, a níveis que agora, perante a crise financeira, sentem muitas dificuldades em pagar.
Pois, isto porque o nosso país gosta é de enterrar dinheiro em empresas moribundas, para que estas ainda sobrevivam mais uns minutos, mais umas horas, mais uns dias, acabando por morrer e levar consigo o dinheiro investido por todos nós. Claro que exigir aos empresários que se modernizem, tornem competitivos, pedir-lhes contas pelo dinheiro dos contribuintes que receberam, exigir resultados e uma rigorosa gestão, isso não passa pela cabeça de ninguém. Perdão só passa pela cabeça dos nossos governantes.
Ninguém tenha dúvidas que há empresas que tem de falir, mas é certo também que há funcionários públicos que tem de ser despedidos, outros que tem de ser mais produtivos e outros que tem de ser redistribuidos por outros serviços.
Mas e coragem para dizer, e sobretudo fazer, coisas tão impopulares? Não há. Népias. Logo todos temos de pagar. Mas o problema também não está em todos termos de pagar - quer dizer está, mas ainda assim -, o problema maior está em que a fonte está a secar, o dinheiro está a acabar, não há para tudo. E quando tivermos de começar a escolher onde queremos, ou melhor, onde teremos de cortar, espero que os keynesianos de bolso e os esquerdistas de papo-cheio - que sempre encheram a boca para falar do "povo" - não venham falar com o dito cujo da seringa e não venham culpar os neoliberais - pois os tais que nunca tiveram qualquer hipótese de governar em Portugal.
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
A RTP é uma vergonha que todos temos de pagar
A PROPÓSITO DO PROGRAMA "FILHA ROUBADA" DA RTP
Introdução:
Tomada de posição:
A “Aliança Evangélica Portuguesa” respeita e valoriza o trabalho insubstituível dos profissionais da comunicação social e está, como sempre esteve, disponível para contribuir com os esclarecimentos que forem julgados necessários e adequados para que em cada caso a informação veiculada pelos órgãos de comunicação social seja completa, rigorosa e imparcial.
Infelizmente, e salvo o devido respeito, não foi uma informação completa, rigorosa e isenta a que foi prestada a quem viu o programa do Canal 1 da RTP “Linha da Frente” emitido na passada quinta-feira, dia 20 do corrente mês de Janeiro.
No programa é feita referência, por duas vezes, à “Aliança Evangélica Portuguesa” porém, em nenhum momento, foi a AEP contactada para prestar esclarecimentos, diria mesmo, para se defender das imputações que lhe são feitas, já que o programa “Filha roubada” aponta um dedo acusador ao Tribunal Judicial de Fronteira, que decretou a institucionalização de uma menina de 8 anos e ao “Lar Betânia”, que acolheu a menor. A “Aliança Evangélica Portuguesa” é metida nesta lamentável história, sem justificação, como acontece, aliás, com a “Aliança Pró-Evangelização de Crianças de Portugal”.
Em causa está o internamento de uma menina que à data contava 7 anos de idade, decidido por um juiz do Tribunal Judicial de Fronteira, numa instituição reconhecida e apoiada pela Segurança Social à qual foi entregue a menor retirada da casa de sua mãe.
Não é difícil concluir, a quem viu o programa, que a decisão judicial é fortemente contestada, assim como é fortemente criticado o “Lar Betânia” em vários aspectos da sua actuação. O que se pode dizer é que nem o senhor Juiz nem o Lar ficam bem na fotografia que o programa “Na Linha da Frente” lhes tirou e depois de uma acusação bem montada ser apresentada ao longo de vários minutos é o espectador informado de que «uma rápida consulta na internet do “Lar Betânia” conduz à “Aliança Evangélica Portuguesa”» sem se informar o telespectador a que título e com que fundamento se faz esta ligação entre o Lar e a Aliança. Mais adiante é dito que a “Maria passou o Natal com o pai e o Ano Novo com a mãe e foi depois obrigada a regressar ao “Lar Betânia”, um dos trinta e sete lares que a “Aliança Evangélica Portuguesa” tem espalhados por todo o país, com suporte financeiro do Estado português. O internamento de Maria custa aos contribuintes portugueses €517 mensais.”
É este um exemplo do tom da acusação em que a “Aliança Evangélica Portuguesa” é implicada.
Ao longo da peça foram inquiridos 2 psicólogos, 2 pedo-psiquiatras, 3 advogados, 3 parentes da Maria, 1 representante da Convenção das Assembleias de Deus, mas em momento algum foram ouvidos os representantes de duas instituições que nada têm a ver com esta triste história, mas que por serem referidas a despropósito acabam por ver o seu bom nome prejudicado: a “Aliança Pró-Evangeliação de Crianças de Portugal” e a “Aliança Evangélica Portuguesa”.
Não basta justificar a omissão e a falta de rigor com a ignorância do jornalista. Um bom profissional, seja ele de que ramo de actividade for, quando não sabe, pergunta. Já dissemos: a Aliança Evangélica está e sempre esteve pronta a prestar esclarecimentos.
Para que conste: a Aliança Evangélica Portuguesa não tem rigorosamente nada a ver com a propriedade ou a gestão do “Lar Betânia”, como não é possuidora ou gestora de um único lar em Portugal, muito menos de 37 espalhados pelo país.
A RTP está, por força da lei, obrigada a “proporcionar uma informação isenta, rigorosa, plural e contextualizada”. No caso concreto falhou no cumprimento do seu dever.
Oportunamente a Aliança Evangélica Portuguesa exercerá o seu direito de resposta para reposição da verdade e reparação do seu bom nome.
A,
Aliança Evangélica Portuguesa
A América e a Europa - Crónica de Pedro Lomba, hoje no Público

A América e a Europa
Esta narrativa excepcionalista, que começou primeiro como observação sociológica, ajudou a solidificar um certo credo ideológico. No século XX, quando escreveu também sobre o excepcionalismo dos americanos, o cientista político Seymour Martin Lipset disse que era uma ideologia em cinco palavras: liberdade, igualitarismo, individualismo, populismo e laissez-faire.
A ideologia ficou. Mitificada, claro, como são todas as ideologias. Mas na imaginação do mundo a América passou a ser associada à liberdade, à terra das oportunidades, da mobilidade social e da criação de riqueza. Toda essa ideologia optimista, convém notar, gerou depois uma contra-ideologia que, em vez da declaração de independência, preferia enfatizar o verso da realidade: as desigualdades raciais, a taxa de população nas cadeias, a pobreza, a saúde privada e incomportável para milhões de americanos, o capitalismo desregulado. A contra-ideologia americana nunca hesitou no modelo alternativo a seguir: a Europa "social". A Europa que tem menos pobres, menos presos, mais integração social mas também menos capitalismo.
O ponto que quero destacar é no entanto outro. Por causa do tal excepcionalismo, a sociedade americana sempre dependeu de um ethos normativo forte. O país da liberdade é também um país de regras, porque a boa liberdade é sempre a liberdade regrada. A cultura do trabalho, a responsabilidade individual, a ética da realização pessoal, são algumas regras desse código. Os americanos acreditam genuinamente na superioridade das suas regras e esperam que todos as aceitem e cumpram.
Essa é aliás a primeira regra de todas: a adesão. Dentro desse princípio de adesão, toda a gente é livre para fazer o que quer. Mas o respeito pelo básico tem sempre de lá estar. Os americanos são um povo eminentemente centrista por esse motivo, o que explica porque é que os extremos políticos nunca germinaram nos Estados Unidos. Não estão interessados em que se ponha em causa regras que eles sabem que funcionam. São um povo de liberdade, não de anarquia.
E é exactamente esse ethos, devo dizer, que me parece a diferença mais gritante em relação ao que sabemos da Europa (e penso aqui sobretudo na Europa Ocidental, a única que conheço). Não existe um ethos propriamente europeu que seja equiparável. A solidariedade? Duvido. Somos assim tão solidários na Europa? Ou, se existe um ethos, não é de adesão, como sucede nos Estados Unidos, mas de reivindicação. Enquanto os americanos percebem que têm de se adaptar o mais possível às regras porque as alternativas são piores, os europeus reivindicam, subvertem e desconfiam. Nuns casos, pretendem substituir regras por outras, as suas. Noutros, como é frequeente na Europa do Sul, até pensam que não vale a pena cumprir regras, uma vez que quase ninguém as cumpre.
Há muitos aspectos disfuncionais na sociedade americana e não pretendo ignorá-los. Mas este ethos existe mesmo e basta andar pelas ruas de uma cidade americana para perceber que, mesmo na pior crise desde 1929, eles vão sair daqui depressa.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
Eis os amigos de Sócrates (II)

Chávez acusa EUA de provocar sismo no Haiti
Isto deixou-me com a pulga atrás da orelha, se o caso das escutas não terá sido uma ideia do Chávez ao amigo!!
