sábado, 2 de outubro de 2010

Ainda acerca das medidas de austeridade

No Público de ontem, sexta-feira, 1 de Outubro, três artigos de opinião retiveram a minha atenção, pelo acerto e até por demosntrarem alguns promenores acerca deste PEC III e da governação de Sócrates, que me parecem relevantes.


O Primeiro que quero aqui destacar é o artigo de José Manuel Fernandes, antigo director do Público e uma figura bastante próxima do PSD, em especial no tempo de Manuela Ferreira Leite. Quem leu todo o artigo certamente reparou na cedência de JMF à linha oficial do discurso do PSD: Pedro Passos Coelho ainda esta semana vociferava que nunca ajudaria a viabilizar um orçamento que incluísse um aumento de impostos. Perante as medidas de austeridade, o chamdo PEC III, entretanto apresentadas pelo Governo, e, perante a pressão que tem vindo de todos os lados, até do candidato natural do PSD à Presidência da República, Prof. Cavaco Silva, o discurso agora feito pelo PSD - mas não directamente por Passos Coelho - é de que o PSD não estaria disponível para aprovar um orçamento que apenas procurasse o equilíbrio das contas pelo lado da receita - aumento de impostos - sem um corte nas despesas. Assim cede e abre a porta a um entendimento que permita pelo menos a abstenção na votação do orçamento, porém a operação de lançamento de uma cortina de fumo por figuras do PSD, para que Passos Coelho não perca a face, já começou e JMF neste artigo participa nisso. Porém muitos outros motivos de interesse há neste artigo, principalmente as citações de um reputado economista acerca da facilidade que poderia haver, se houvesse vontade política para isso, em com pequenos cortes no Estado conseguirmos uma poupança maior do que a que o Estado obterá com o aumento do IVA.
Sem mais conversas aqui ficam trechos desse artigo de JMF.


(...) "Ao longo dos últimos cinco anos Sócrates pôde aprovar como quis os seus orçamentos do Estado, primeiro com maioria absoluta, depois graças à abstenção de um PSD com a direcção (de Ferreira Leite) de saída. Ninguém lhe impôs condições, fez o que quis. Por isso é sua, é do seu ministro das Finanças e é do PS a responsabilidade por estarmos no estado em que estamos. Primeiro, pelo que não fizeram de reestruturação e redução da máquina do Estado, pois deixaram o PRACE a meio e regressaram mesmo ao alegre festim da multiplicação de institutos e empresas públicas. Depois, pela insistente recusa em enfrentarem as debilidades nacionais, pela estartégia errada de promoção do desenvolvimento económico com base no compadrio e nas redes de 'amigos', pela criação de ilusões estatísticas e por uma estratégia política autoritárioa que começou sempre por hostilizar, de forma por vezes irracional, os grupos de interesse, e acabou por regra em recuos em toda a linha. Por fim por uma gestão criminosa do calendário eleitoral que se traduziu em medidas populistas que afundar o país, desde o aumento de 2,9% dos funcionários públicos à multiplicação de prestações sociais insustentáveis e impossíveis de fiscalizar, passando por programas sumptuários e pelo total laxismo no controlo orçamental.
De facto, como ontem notou o economista Álvaro Marvão Pereira, o conjunto de medidas anunciado quarta-feira 'deve-se exclusiva e totalmente à inacreditável irresponsabilidade e à incompetência atroz deste primeiro-ministro e deste ministro das Finanças' que, por razões eleitorais, fizeram exactamente o contrário do que se fez nos restantes países europeus: adiaram os cortes na despesa e fizeram 'tudo para encobrir a verdadeira situação das contas públicas portuguesas'. Este economista fez, de resto, questão de não isentar Teixeira dos Santos de responsabilidades. Afinal foi ele que reviu três vezes o défice de 2009, como é ele que já vai no terceiro pacote de medidas para 2010. É ele que tem desorçamentado, é ele que tem inventado contabilidade criativa, é ele que agora recorre ao fundo de pensões da PT (para pagar os submarinos, disse, como se quando fez o Orçamento não tivesse a obrigação de saber que ia ter de pagar os submarinos!) e é ele que ainda esta semana foi desautorizado pelas empresas públicas que não cumprem o tecto do endividamento. Como é ele que anuncia a suspensão dos investimentos até ao fim do ano, mas não a suspensão do TGV também em 2011.
(...) é uma falácia afirmar que não há alternativa à subida do IVA, por exemplo, Marvão Pereira, no texto que já citámos, mostra que existe: cortando apenas 10 por cento na aquisição de bens e serviços do Estado e nas despesas de 50 institutos não relacionados coma saúde e com a educação obter-se-iam mais do que os 900 milhões de receita extra que tará o aumento do IVA."(...)

Uma nota ainda, acerca do texto anterior, a forma como o ministro das Finaças não sai impune de críticas graves.

O segundo texto é de Luís Campos e Cunha, que foi o primeiro ministro das Finaças de Sócrates, mas que poucos meses durou, saíndo e tendo-se tornado bastante crítico das opções, em termos de finanças, dos Governos do PS. De realçar um trecho extenso em que, sem o dizer explicitamente, expõe exactamente o mesmo tipo de pensamento que Manuela Ferreira Leite trouxe para a campanha eleitoral de 2009

(...) "Chegou ontem e brutalmente, como todos sabemos, o chamado PEC-3. Haveria alternativas? Alternativas havia há dois anos, há um ano, há seia meses, mas cadea vez mais duras. O tempo passava e a gangrena alastrava. Espanha, de facto España es diferente, fez o trabalho atempadamente e os mercados deixaram de a apoquentar: subiu muito menos os impostos, os cortes na despesa foram menos dolorosos e os resultados são já visíveis este ano.(...) O Governo não liderou, apenas seguiu as pressões externas, não agiu, apenas reagiu à situação dos mercados, tanto em Maio como agora em Setembro. (...)
(...) Do pacote anunciado há ainda muitas zonas de penumbra. Desde logo, o corte no investimento público inclui os grandes projectos? Avançar com auto-estradas, TGV. ponte sobre o Tejo, aeroporto, implica não haver recursos para tapar um buraco numa estrada secundária, reparar uma ponte, manter um monumento ou fazer um jardim. E estas pequenas obras têm grande impacto no nosso bem-estar e são criadoras de muito emprego. Se fosse líder de um partido, propunha exactamente isso como objectivo nacional: fazer de Portugal um país mais bonito e agradável para se viver. Fazer o jardim, requalificar os centros das grandes cidades, manter o património, construir o património cultural do futuro, arranjar as pequenas vias de comunicação, reparar as pontes, medidas que fariam de Portugal um país mais agradável para se viver e visitar. E, acima de tudo, criariam muito emprego, viabilizariam muitas pequenas empresas (com concursos transparentes) e não implicariam a paralisia do país."

O útlimo texto que queria aqui realçar é da autoria de António Vilarigues, uma figura ligada à esquerda, que faz uma série de perguntas interessantes. Levanta a lebre e aguça o pensamento. Algumas perguntas são pertinentes e precisam de correspondência urgente, porque de facto existem fontes de rendimento fiscal que são estranhamente ignoradas.

(...) "Podem-nos esclarecer por que não se tributam a benca e os grandes grupos económicos com a taxa efectiva de IRC de 25% (o que renderia 500 milhões de euros, mínimo)? Ou as transacções em Bolsa (mínimo de 135 milhões de euros)? Ou as transferências financeiras para os offshores (cerca de 2200 milhões de euros, base 2009)? E por que não se tributam os que apostam na economia paralela e clandestina, que significará hoje cerca de 20% a 25% do PIB real? O que se traduziriam na recolha de impostos de valores da ordem dos 16 mil milhões de euros/ano. Valor que, sublinhe-se, é várias vezes superior aos fundos comunitários." (...)

O que dizer deste PS e dos seus líderes

Quase de certeza, que de tão vergonhosa que foi, já muita gente ouviu ou leu esta frase de Almeida Santos, Presidente do PS, que no mínimo só pode ser tomada como um insulto:


"O povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre".


Perante isto, o que pensar das pessoas que ainda votam num partido com gente desta???!!!

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Palavra de Sócrates


O nosso amado Primeiro-Ministro Eng. José Sócrates, em entrevista hoje à RTP, acalmou o povo, afirmando que com as medidas anunciadas em 2011 não será preciso voltar a tomar novas medidas de austeridade.

Perante tão magnanimes palavras de tão grandiosa e excelsa personalidade, podemos descansar e lançar fora a memória de que ainda em Maio deste ano, quando anunciou o PEC II, Sua Excelência também afirmara que aquelas medidas eram suficientes para garantir o défice deste ano, quando agora sabemos que afinal não foram (que o diga todas as famílias que ainda este ano perdem o direito ao abono dos filhos).

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Cortes nos salários vão abranger 450 mil trabalhadores


Veja-se só a dimensão do monstro que é o Estado, quando existem cerca de 450 mil pessoas que recebem mais de 1500€. A monstruosidade é tal que basta pensar que um licenciado à entrada na função pública vai ganhar cerca de 1200€, calcule-se a quantidade de gente que existe abaixo desse patamar.


Hoje uma amiga minha disse-me qualquer coisa como sito: "Se estas medidas resolvessem alguma coisa valeria a pena o sacrifício, agora assim..."


Pois é cá estamos mais uma vez a alimentar o monstro, o monstro que nunca está satisfeito e que vai empurrando o PS e mais alguma esquerda, a toque de votos, porque sabe bem qual é a mão que o alimenta.

A Paixão de Sócrates


Foi com grande paixão que o nosso digníssimo Primeiro-Ministro, durante esta semana afirmava veementemente que não aceitava cortes na despesa que afectassem o sistema de saúde e a educação. Vociferando ferozmente contra a alegada insinuação de Pedro Passos Coelho que só aceitaria viabilizar um Orçamento de Estado que privilegiasse o corte da despesa, Sócrates, de espada e escudo em punho batalhou, ainda que desde Nova Iorque, contra esses malandros que queriam tirar o dinheiro aos hospitais e às escolinhas.

Mas foi com a MAIOR CARA DE PAU DESTE MUNDO que ontem apresentou as medidas de austeridade, que constarão do Orçamento de Estado para 2011, conforme se pode confirmar na página do Governo na Net, onde se incluem, citando, "Reduzir as despesas no âmbito do Serviço Nacional de Saúde..." e "Reduzir as transferências do Estado para o Ensino..."

Já nos habituámos todos às muitas mentiras de Sócrates. Completamente manchado de tanta mentira é incompreensível a disposição de tanta gente para depositar o voto neste incompetente.

Mas continuando nas paixões de Sócrates...

Lembro-me como ainda há pouco tempo Sócrates e mais alguns amiguinhos do PS se arreganhavam contra uma hipótese, apenas aberta a possibilidade na Proposta de Revisão Constitucional da inexistência de um sector estatal de comunicação social (ou seja abria a porta à privatização da RTP), e agora, percebendo ali estarem sorvedouros inúteis de dinheiro - como muitos outros - inscreve nas medidas ontem apresentadas o seguinte: "Reduzir as despesas com indemnizações compensatórias e subsídios às empresas".

CGTP prepara Greve Geral para 24 de Novembro


Já começa a tomar contornos mais concretos a prometida contestação social. Já seria de esperar que a esquerda mais irresponsável, e sobretudo mais radical, que só mesmo em Portugal é que ainda tem tanta votação, continuasse convencida e a vender a ilusão de que há sempre dinheiro, mas que os malandros dos capitalistas é que não querem pagar a crise. Acho que sim, devíamos nacionalizar tudo, retirar todas as fortunas dos Belmiros e Amorins deste país, fazê-los viver com 500€ que tudo isto vai ao sítio. A estupidez é de tal maneira grande que, qualquer pessoa que faça contas, vê que essas fortunas todas juntas não pagam o défice. Já para não falar que a nacionalização dessas empresas iria destruir o que elas são, porque seriam mais uma fonte de "jobs for de boys", chupando tudo o que faz dessas empresas competitivas e lucrativas como são.

Mas isso não interessa nada porque as pessoas têm empregos e, embora todos tivessem gozado com a Carmelinda Pereira do POUS, quando esta disse que o Estado deveria de proibir os despedimentos e as falências, ao fim e ao cabo é o que todos dessa esquerda rídicula pensam.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

E agora???


Agora ou emigramos ou enviamos o Sócrates e sua pandilha numa encomenda de correio verde dos CTT para Abu-Dabi.

Aceitam-se contribuições para a compra dos pacotes de envio.
Já houve quem os quisesse mandar para a Conchichina, mas o Tuga gosta de ser pisado...

Então e o Manuel Alegre apoia estas medidas do Governo?


Gostava de saber se o pateta Alegre, perdão pela gralha, poeta Alegre, concorda com estas medidas apresentadas hoje pelo Governo.

Concordando é um invertebrado político, sem verticalidade nenhuma, pois afirmou que estas medidas de penalização social eram inaceitáveis.~

Discordando o que fará? Será que renegará o apoio do PS e abraçará apaixonadamente apenas o abraço do BE?

Agora já percebi porque é que o Estado não cobrou impostos sobre as mais valias do negócio da PT na venda da Vivo


Fiquei profundamente revoltado quando soube que o negócio milionário da PT com a Telefónica para a venda da Vivo iria ficar isento de impostos. Achei espantoso e uma falta de vergonha que o Estado, na conjuntura actual, permitisse à PT, e portanto aos seus accionistas, que arrecadassem uns milhões sem cobrar impostos.


Mas hoje quando ouvi as palavras do Teixeira dos Santos percebi logo qual a razão para não ter havido cobrança de impostos sobre esse negócio.


Explicando...


A PT tem um fundo de pensões próprio, tal como acontecia com os bancários e com os funcionários da Caixa Geral de Depósitos. Esse fundo de pensões estava desequilibrado, em défice, fruto de uma série de saídas na altura da privatização, de funcionários para o regime de reforma antecipada. Com o negócio da PT com a Vivo, uma das hipóteses em que se utilizaria esse dinheiro seria para estabilizar o fundo de pensões, enquanto a maioria dos accionistas privados preferia o pagamento de dividendos.

O que aconteceu então foi que, não houve cobrança de impostos, mas o fundo de pensões, equilibrado e com o buraquinho todo preenchido com o dinheiro da venda da Vivo, vai ser integrado na segurança social, encaixando o Estado uns 2600 milhões de Euros, o que permite quase por si só equilibrar o défice do país. E pronto... Não pagaram impostos mas tiveram que financiar o estado nesses milhões todos. E ainda se livra a PT de uma série de pensionistas de hoje e do futuro, que se vêm lançados no Regime Geral.


Curioso no meio disto tudo é fazer ainda um exercício de memória. Ainda no ano passado, quando dos debates eleitorais, o Eng. Sócrates acusava Manuela Ferreira Leite de ter feito um exercício de manipulação do défice, ao arranjar receita artificial ao integrar o fundo de pensões da Caixa Geral de Depósitos. Disse mal, criticou destrutivamente, várias vezes apontou o dedo ao PSD por ter tomado essa medida e afinal fez o mesmo, com a agravante de ter sido feito como contrapartida para uma isenção de impostos.


Uma vergonha.

Lembram-se...


Há quatro meses atrás, quando da apresentação do PEC, que o Primeiro-Ministro, o Ministro das Finanças e o Presidente do PSD afirmavam a pés juntos que as medidas então tomadas eram suficientes para garantir o défice previsto?

Eu lembro-me e pergunto-me afinal o que raio aconteceu para serem precisas mais estas medidas...

Se dúvidas houvesse a demonstração da incompetência do Govero PS está na rua.

Começou o Circo

Este país parece um circo, com o Sócrates e o Teixeira dos Santos a serem os Mestres de Cerimónia.

Aí está mais um novo pacote para rebentar com o resto


O Governo socialista apresentou hoje mais um conjunto de medidas que serão supostamente de combate à fraude e evasão fiscal. Claro que encapotado com tudo isto vem mais um aumento de impostos, no que toca ao cidadão comum, no IRS, com cortes nas deduções e actualizações de escalões, logo no início de 2011.

Como se esperava já deste Governo, o tango dançado com mais um ou dois apaixonados, lá acabará por nos carregar com mais impostos, o que nos deixa sempre felizes e contentes. A incompetência e a falta de vontade política em efectuar os cortes necessários está a levar a este ponto de ruptura. Entrámos na espiral da escalpelização fiscal, com as necessidades financeiras do Estado sempre a aumentar, enquanto o abrandamento consequente da actividade económica dimunui a efectiva receita fiscal, levando a que se volte a subir impostos para arrecadar mais receita, o que por sua vez voltará a tolher a economia e assim por diante até ao colapso total.

Basta. PS, PSD, CDS, PCP, BE e PEV já deram o que tinham a dar. Alternativas precisam-se.

PS ou PSD eis a questão

Numa actividade já de si sempre mal cheirosa - a política - o deteriorar do ambiente político apenas piora o odor que quem percorre esses meandros tem de suportar. Os portugueses em geral, o povinho, desliga-se muito da política sob um confortável carimbo de "são todos iguais". Sentem a crise no bolso e a corda na garganta, ao mesmo tempo que o cinto lhes estrangula o estômago, mas ainda assim procuram sobreviver sem querer tocar nas nojentas nuances de uma política cheias de partidarites e interesses mesquinhos a essa associados. Mas a verdade, por muito que se queira enfrentar a realidade ou não, são os políticos quem decide uma boa parte da nossa vida, são eles quem decide se um imposto sobe ou não e se por isso vamos ter mais ou menos dinheiro na carteira. A verdade verdadinha é que a política tem muito mais importância e influência nas nossas vidas do que aquela que nós estamos dispostos a atribuir-lhe, sendo portanto merecedora de muito mais atenção do que aquela que lhe prestamos.
E aqui estamos mais uma vez numa encruzilhada, criada pelos partidos, mas que nos vai cair em cima, como uma casinha mal construída em dia de terramoto, com todo o peso e dor que daí advém. O PS e o PSD em aparente ruptura parecem querer criar uma crise que leve o país a eleições. Sem falta. porque o PS está a demonstrar não ter unhas para tocar esta viola que é Portugal, com todas as suas dificuldade e problemas orçamentais. Na verdade o PS é apenas uma máquina de fazer política, no sentido mais propagandístico ou maquiavélico do termo, porque entende a política como o jogo da conquista do poder, do desdizer e derrotar os argumentos dos adversários, porém sem qualquer capacidade de gerir e governar o país, ou seja de passar da teorização da guerra política para o exercício da governação.


Claro que, pela maneira como as nossas mentes foram ao longo dos anos formatadas, em alternativa ao PS apenas pensamos haver o PSD (antes de mais quero deixar claro que não vejo nos restantes partidos do arco parlamentar alternativas de governo, mas esclarecerei melhor mais adiante). Mas será o PSD capaz de preconizar as mudanças urgentes para o país? Não creio, porém perante os problemas imediatos com nos defrontamos creio que o PSD faria uma governação que poderia responder melhor às ansiedades e nervosismos do mercado, bem como tomar as medidas de austeridade que o PS não quer tomar, por estas afectarem uma boa parte da sua base fixa de apoio eleitoral.


Mas qual será então a solução? Bem, para mim a solução não está nem no PS, nem no PSD, nem na muleta deste, o CDS, nem nos contra tudo e contra todos PCP, BE e PEV. Se tomarmos consciência da situação do país, se tivermos conscientemente coragem para perceber que a responsabilidade pela situação actual do país, também é nossa, devido ao desprezo com que tratamos a política e pela displicência com que doamos o nosso voto, talvez possamos então arrepiar caminho e decidirmos de uma vez por todas tomarmos os destinos da nação nas nossas mãos de cidadãos. Urge assim, como fonte de resolução dos nossos problemas mais estruturais e profundos, uma onda da sociedade civil, que se revolte contra os partidos do costume e possa preconizar, como dizia o Prof. Eduardo Correia, a revolução inteligente.


Em consciência sei que estou num esforço de cumprir a minha parte nessa mudança urgente, ao participar activamente na construção de uma nova força política que se apresente como alternativa a este estado de coisas da política portuguesa.

A Alegre imbecilidade

Estamos a aproximar-nos do momento de definição definitiva dos candidatos à Presidência da República. Claro que por isso os disparos já começaram, com Manuel Alegre a bater todos os recordes em termos de declarações imbecis.
Afinal quem pode votar numa incompetente personagem que não tem nada produzido a não ser no campo da poesia, que o torne apto a ocupar um cargo tão pragmático como o de Presidente da Repúblico? No meu entender é quase impossível alguém, a não ser que sofra de uma partidarite crónica, ou repentinamente aguda.
As últimas declarações acerca da actuação do actual Presidente demonstram o desespero que Alegre sente perante as sondagens que mostram que irá ser trucidado nas urnas por Cavaco, que ainda não assumindo a candidatura, é quase certo que o fará. O calendário aperta e de Outubro certamente não passará.
Voltemos então às Alegres imbecilidades. Manuel Alegre declarou primeiro que o Presidente da República deveria tomar a dianteira na resolução do impasse político que o Orçamento estava a gerar. Posteriormente, quando o Presidente chamou os partidos disse que já era tarde (o que é uma leitura política legítima, porque se pode certamente criticar os timings do Presidente que se verá no futuro se estavam certos ou errados), mas depois declarou uma das grandes imbecilidades, disse que o "Presidente já estava claramente em campanha eleitoral e que estava a confundir as funções de Presidente com as de candidato". Onde está a imbecilidade? A imbecilidade está no facto de este senhor achar que devendo o Presidente intervir, ao intervir está afinal a fazer campanha. Se não interviesse seria criticado porque deixou andar o país ao sabor dos humores partidários, ao chamar os partidos a Belém está a fazer campanha eleitoral. Ora era só o que faltava se o Presidente, apenas porque se aproximam as eleições Presidenciais, se inibisse de cumprir aquela que é a sua obrigação, sobretudo num momento crítico como o, actual.


Mas a minha grande preocupação reside no facto de esta imbecilidade ser repetida por quase todos os outros candidatos. Excepção ao Fernando Nobre que apenas criticou o tempo, afirmando que deveria ter sido antes, como forma de evitar a degradação nauseabunda do ambiente político entre PS e PSD.


Mais uma postura daquele que me parece ser o melhor candidato. Alguém realmente independente e oriundo da sociedade civil e com as mãos marcadas do trabalho no terreno, entre aqueles que realmente precisavam de ajuda. O meu partido, que como sabem é o MMS, Movimento Mérito e Sociedade, que está num processo evolutivo para se transformar no PLD, Partido Liberal Democrata, creio que não apoiará nenhum candidato, por isso mesmo terei por aí total liberdade de escolha, e, pelo que tenho ouvido e visto será Fernando Nobre a levar o meu voto.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Ao que isto está a chegar


Sócrates deve de achar que somos todos estúpidos

Aqui fica este artigo do Jornal de Negócios Online, onde é bem notória a forma como o nosso Primeiro-Ministro nos toma a todos por estúpidos e de compreensão lenta. Para nós os estúpidos percebermos melhor, sublinhei as partes interessantes.
Sócrates recusa reduzir défice só com cortes na despesa
A posição de José Sócrates, que se encontra nas Nações Unidas, em Nova Iorque, foi assumida depois de confrontado com a ideia de que o PSD recusou uma negociação prévia do Orçamento do Estado para 2011, porque a proposta do executivo prevê um aumento de impostos.

"Isso não é verdade. Isso pura e simplesmente não aconteceu", reagiu o primeiro-ministro, antes de apresentar a sua versão dos factos em relação ao teor dos dois encontros que teve com o líder social-democrata.

"O que disse ao dr. Passos Coelho é que nós devíamos fazer uma negociação prévia e perguntei-lhe se estava disponível para essa negociação prévia. Disse-lhe que, do meu ponto de vista, nessa negociação, a orientação deveria ser a de um Orçamento centrado na redução da despesa, mas sem excluir outras necessidades", referiu o líder do executivo.

Interrogado se essas outras necessidades significam, no fundo, um novo aumento de impostos, Sócrates falou na "redução das deduções fiscais, que alguns consideram aumento de impostos, mas o Governo não".

"Caso se vier a revelar a necessidade de aumentar impostos, se isso for mais justo do que reduzir despesa...", declarou o primeiro ministro, não concluindo contudo esta ideia na sua resposta.

Porém, logo a seguir, José Sócrates voltou a este ponto, deixando um aviso ao PSD: "eu não aceito reduzir a despesa se isso atingir a saúde, se isso atingir a educação, porque o país precisa de bons serviços públicos".

"Nós vamos reduzir a despesa em áreas muito significativas, mas não aceito a ideia de que tudo deve ser feito apenas à custa da redução da despesa, excluindo outras opções políticas", frisou.

Nas respostas que deu aos jornalistas, José Sócrates salientou ainda que, nas reuniões com Pedro Passos Coelho, não colocou "qualquer condição".

"Apenas pedi uma negociação prévia [do Orçamento] e a resposta foi negativa", acrescentou.

Depois, José Sócrates fez uma crítica velada ao comportamento político de alguns líderes da oposição, dizendo que "há quem queira parecer responsável sem assumir nenhuma responsabilidade".

"Percebo que as condições da governação são muito exigentes e partilhá-las foi algo que nunca esteve na mente dos outros partidos. Lamento que, em particular o PSD, não tenha compreendido a importância para o país de fazer uma negociação prévia", disse.

Para as próximas semanas, Sócrates afirmou esperar que haja "responsabilidade e bom senso na política, porque o país precisa de compromisso e não de radicalismo", declarou.

Por água abaixo

Assim se foi a intenção dos Srs. Administradores e Gestores do grupo Águas de Portugal em terem todos popós topo de gama para brincarem. O mausão do Teixeira dos Santos e da Dulce Pássaro cortaram as asas aos gastadores marotos das AdP que apenas queriam um brinquedito novo. Porque razão?, Porquê?


Pelos vistos o caríssimo Teixeira dos Santos, que ainda ontem perguntava no parlamento aos deputados do PSD se eles sabiam onde haviam de cortar para conseguir baixar o défice do próximo ano sem um aumento da receita (leia-se impostos), hoje já descobriu onde cortar. E como ali há muito instituto e fundação supérflua, muita mordomia exagerada e injustificada que poderia levar a uma poupança de milhões. Talvez não os quatro mil milhões de redução que precisamos para o ano, mas com um valente corte na estrutura pesadíssima do Estado, talvez isso se conseguisse. Sei que isto arrepia os cabelinhos da nuca de qualquer socialista ou de qualquer esquerdista convicto, porque reduzir a máquina do Estado é comprometer uma série de tachos e de compadrios em que esses senhores, mesmo sendo de outros partidos, estão sentados.


Cortes efectivos nas Câmaras Municipais, nomeadamente nas empresas inúteis municipais, cortes concretos em fundações e institutos de direito público que não servem para nada a não ser gastar dinheiro, entre muitos outros cortes, poderiam reduzir em muito´os gastos do Estado. Sei que o que estou a dizer é duro, muito duro, porque isto iria custar o emprego a muita gente, mas efectivamente este problema que a conjuntura pôs a nu é um antigo e fundamental problema estrutural do nosso país que com urgência precisa ser resolvido. Seria certamente uma catástrofe social, mas seria o princípio da cura que permitirá ao nosso país recuperar rapidamente as finanças e com estas a economia. Sei que é difícil e que não é novo, falta é coragem, até porque o actual Partido Socialista tem nestas pessoas com empregos artificiais no Estado, bem como nos beneficiários de uma série de subsídios, uma boa parte do seu fiel eleitorado. De outra forma não compreendo como é que este Primeiro Ministro, este Governo e este PS ainda conseguem ter 35% das intenções de voto, segundo uma sondagem publicada hoje.




O Sócrates anda a passear por Nova Iorque e o país a afundar-se nos juros e no spread da dívida, desnorteado, com o Ministro das Finanças a cortar apenas onde o circo mediático aperta, e, é notório o desnorte. Para apimentar tudo isto está o Sócrates II a dizer que o Governo foge cobardemente se não o deixarem governar com o quer e muito bem lhe apetece, de rédea solta e completamente orientado para a subida de impostos, único remédio que vêm para resolver o défice, por falta de ... para cortar onde é preciso.

terça-feira, 21 de setembro de 2010