segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Individualismo vs colectivismo - uma perspectiva do Cristianismo


O Cristianismo é e será uma doutrina individual, individualista, nunca colectivista. Parte de uma decisão individual, do reconhecimento pessoal de uma necessidade, para a construção de uma relação pessoal - neste caso com a divindade. Esta relação individual é pautada por momentos de colectivismo, que servem apenas par...a reforçar a relação individual pela força da comunhão, para que assim, pelo ensino e pela troca de experiências, essa mesma relação pessoal se aprofunde, amadureça. Assim crescendo até que, mais uma vez fruto do aprofundar da relação individual, surja o desejo, ou melhor a necessidade de comunicar a outros essa mesma verdade, procurando induzir noutros esse sentimento de necessidade que levará à constituição, quer em espaços individualizados, quer colectivos, de novas relações pessoais. Daqui se conclui que, havendo um colectivo constituído de pessoas com uma relação individual com a divindade profunda, madura e forte - logo pessoas saudáveis e felizes - esse colectivo será mais forte, mais maduro, mais saudável, mais feliz. Conclui-se então que é do benefício do indivíduo, para o qual o colectivo pode pontualmente contribuir, que se constróem colectividades, sociedades melhores, mais fortes e saudáveis, o que, sendo o cristianismo eminentemente apolítico, coincide no defendido pelos primitivos decanos do Liberalismo.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A textura do Texto deseja a todos os seus amigos e leitores um Santo e Feliz Natal

E como não podia ficar apenas pelas palavras, aqui fica também uma música do tipo que foi houvida na gruta de Belém, há cerca de dois mil e tal anos, cantada pelos anjos, aquando do nascimento que no Natal celebramos.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Pura provocação


Se dúvidas houvesse da falta de sentido democrático do primeiro-ministro, Eng. José Sócrates, hoje, no parlamento, durante o debate quinzenal, essas dúvidas desvaneciam-se de imediato.


Ora vejamos


Depois de ontem termos ouvido, no jantar de natal do grupo parlamentar do PS, José Sócrates elogiar os membros da direcção da bancada parlamentar que têm entrado em conflito com o Presidente da República, hoje, no debate, afirmou que ninguém, em democracia, está acima da crítica, em resposta a Francisco Louçã. Este último respondeu-lhe que havia uma grande diferença entre estar acima da crítica e afirmar, como o fez Sérgio Sousa Pinto, que o Presidente da República ao emitir a sua opinião está a interferir na acção do Governo. Aqui está a essência do desajuste de Sócrates e do seu PS com a democrática diversidade de opinião: quando esta coincide com a sua é legítima, quando é contrária é interferência. Para variar, Louçã teve razão, mas o triste Sócrates não quis entender a argumentação.

Pelo que sobra o que tudo isto é: provocação - com a intenção dupla de tentar condicionar a intervenção do Presidente, afim de que este não se sinta livre em promulgar diplomas contrários à vontade do Governo, ou mesmo, caso a situação se agrave, tenha pejo em dissolver a Assembleia, por um lado; por outro lado pretende também abrir caminho para o aparecimento de um candidato à presidência, agora que as eleições de Janeiro 2011, se aproximam a passos largos, da área socialista com hipóteses de vencer Cavaco, não por mérito próprio, o demérito efectivo do Presidente, mas sim por artificialidades provocadas por Sócrates e sua pandilha. Enfim uma acção política vergonhosa e que merecia uma resposta efectiva e frontal dos portugueses.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

O fim de uma era


Após a revolução de Abril de 74 duas forças políticas emergiram do caos, durante a fúria que se seguiu em busca de uma democracia imaginada e desejada. O PS e o PSD emergiram como as grandes forças bipolares do espectro político, em redor das quais alguns satélites têm orbitado, ora mais próximos, ora mais distantes. Neste cosmos político nacional alguns cometas têm aparecido: recorde-me claramente do cometa PRD e presentemente do cometa BE, este último no entanto a sofrer uma intensa desaceleração, assumindo também uma trajectória orbital comum com os restantes.
No entanto nos últimos anos, mas sobretudo nos últimos meses, uma dessas estrelas da política tem-se extinguido, consumindo-se em implosões e confrontos estéreis, que têm trazido apenas desnorte, ausência ideológica, falta de rumo e propósitos de futuro, deixando sozinho uma perigoso partido, que enublado em negras nuvens de corrupção e incompetência, insistem em se comportar como um iceberg inamovível no rumo do país, qual Titanic em afundamento anunciado. Mas estão firmes, arreigados numa dialéctica exemplar que parece queimar o terreno aos adversários, tornando-nos ainda mais vulneráveis. O triste é que não há alternativas: o outro pólo deste universo está desgastado.
Creio ser o fim de uma era, creio que estamos a assistir ao fim efectivo e concreto do PSD, pelo que se abre diante de nós uma janela de oportunidade para o aparecimento de uma nova força, de um novo partido, definido, com rumo, sentido e propósitos para o futuro do país, claramente demarcado dos partidos existentes, sobretudo do PS, apresentando uma nova, concreta e viável alternativa aos portugueses.

Homossexualidade, Casamento e Adopção



É com perplexidade que perante os gigantescos problemas que o país enfrenta os nossos políticos insistam em manter as suas mentes, agendas e espaços noticiosos ocupados com questões como o casamento entre pessoas do mesmo sexo, entre outros assuntos menores. Certamente que quem luta por este assunto, não achará de menor importância, até porque se sentem aviltados por uma sociedade que lhes recusa aquilo que acreditam ser um seu direito natural.

No entanto gostaria de trazer esta discussão a um nível mais básico, ao princípio. Antes de falarmos do casamento entre homossexuais, deveríamos para princípio olhar para a homossexualidade. Afinal, sejamos sinceros, esta luta dos movimentos gay, não é pelo casamento em si, nem tão pouco pela adopção de crianças, mas sim pela igualdade, ou seja, para que a sociedade olhe para este comportamento sexual como natural, normal e comum. Acredito que esta luta não é pelo casamento e pela adopção em si pois, numa altura em que os casais heterossexuais cada vez casam menos, optando pela união de facto, bem como, hoje em dia, nada impede um homossexual de adoptar uma criança, desde que tenha todas as condições para isso, só resta uma razão para esta luta: a igualdade, ou melhor, o reconhecimento social do seu comportamento sexual. Também vejo algum mérito na discussão da questão das heranças num relacionamento prolongado, mas isso leva-nos para outra discussão, certamente mais jurídica, mas igualmente polémica, que é a questão da legítima nas heranças, que é um atentado à propriedade privada e ao direito de decidir o destino das suas propriedades da parte de qualquer cidadão.

Quando falo de um nível mais básico na discussão sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, falo de que, antes de reconhecermos um comportamento como natural e socialmente aceitável, deveríamos estudar um pouco mais esse mesmo comportamento. Afinal a sociedade evolui e evoluiu já muito, mas reflectimos sempre muito pouco sobre o sentido dessas evoluções. O que acontece efectivamente é que há alguns anos atrás esta discussão era impensável, os homossexuais eram descriminados ou até perseguidos. Não defendo perseguição ou segregação de pessoas, porque sei separar as pessoas dos seus comportamentos, o que defendo sim é que, tendo evoluído a sociedade ao ponto de aceitarmos hoje coisas há anos impensáveis, questiono-me, e com preocupação, qual o sentido desta evolução.

Voltando ao mais básico dos raciocínios, sem entrar em radicalismos, gostaria de voltar ao básico dos básicos, que é olhar para a sexualidade do ponto de vista biológico, do corpo. Afinal a sexualidade é uma função orgânica comum a todos os animais, com vista à manutenção da espécie. Para tal é necessária a manutenção de uma relação sexual entre um macho e uma fêmea. No entanto o ser humano, fruto de uma criação especial, ao sexo, à reprodução, viu adicionado um intenso prazer e sobretudo o romance, o maravilhoso amor entre um homem e uma mulher. Daí, a função sexual foi-se separando da função reprodutiva, ou seja a busca do prazer sexual, passou a ser mais uma busca do prazer e do amor, sem que se busque necessariamente a reprodução - o que de si só já é uma enorme evolução.
Por isso é normal que um homem seja atraído por uma mulher para amar e manter uma relação sexual: isto é o normal, mas mais, é mesmo o natural. Por favor não recusem já o argumento com base em preconceitos do tipo "lá está este a dizer que a homossexualidade é contra natura". Calma. A realidade é que é contra a biologia do ser humano. Pelo que é normal que todo o desenvolvimento biológico do homem e da mulher seja para que, entre si se atraiam, e entre si mantenham relacionamentos sexuais e amorosos. Isto leva-nos então ao degrau seguinte da discussão: se biologicamente e no desenvolvimento biológico e emocional natural, biologicamente definido do ser humano, o homem deve sentir-se atraído pela mulher, e vice-versa, porque acontece a atracção homossexual - existe então aqui um desvio do natural.

É aqui que quero chegar: afinal o que sabemos da homossexualidade - é um desvio, é uma opção, há alguma interferência no desenvolvimento normal dessas pessoas que produza esse desvio sexual, o que acontece? Estamos a assumir como socialmente aceitável um comportamento que não conhecemos. Existem tantos comportamentos sexuais que rejeitamos, simplesmente achamos horríveis, mas que em tempos já foram aceites.

Será que as lições da história não nos servem para nada? Será que já nos esquecemos que em tempos a sociedade já reconheceu os relacionamentos homossexuais? Esta alegada evolução não é nova, já houve sociedades antigas que já aceitaram, ou melhor que já evoluíram no sentido em que nós estamos a evoluir, o que efectivamente faz com que esta não seja evolução nenhuma, é apenas um retorno a um estado social, que já aconteceu outras vezes na história.

Agora vou dizer algo mais polémico, e tenho consciência disso, mas essa mesma consciência me obriga a dizê-lo: a verdade é que essa evolução acontecida noutros tempos da história, onde a homossexualidade era socialmente aceite, evoluiu mesmo para comportamentos pedófilos, que passaram a ser também socialmente aceites. A verdade é que esta evolução acrítica do sociedade a que hoje assistimos já aconteceu, e não no melhor sentido. Hoje a pedofilia parece-nos horrível, mas já foi aceite noutros tempos e, nada nos garante, que de hoje para amanhã não estejam também os pedófilos na rua a exigir a aceitação do seu comportamento. Não comparo homossexuais com pedófilos, critico sim a aceitação de comportamentos sem estudá-los e sem conhecimentos acerca dos mesmos, sob o argumento da evolução da sociedade. Afinal creio que devemos assumir essa evolução, bem como o sentido que pretendemos para a mesma, e, estando numa sociedade dita do conhecimento, que tantas vezes rejeita interferências com base na falta de sustentação científica e de estudos fundamentados, se disponha, ignorantemente a aceitar este comportamento como natural, mesmo desconhecendo o que provoca esse comportamento, manifestamente fora do desenvolvimento natural do ser humano.

Aminatu Haidar já está de volta a casa para “primeiro, beijar a mãe e os filhos”


Este é o título do artigo do Público onde se relata o regresso da activista, mas que protestou apensas como mãe de família, contra o facto de o governo marroquino a ter expulsado da sua própria casa.
Mas o que me motiva a escrever este artigo é o facto de ontem o Parlamento Europeu ter, por maioria, recusado aprovar uma declaração onde se criticava a atitude repressiva do governo marroquino. Os líderes dos maiores partidos - quer dos Socialistas, quer dos Populares - recusaram essa declaração por terem indicação de que este regresso, que agora se confirma, estaria por um fio, podendo tal declaração comprometer, ou pelo menos dificultar a diplomacia.
Efectivamente o PE agiu de forma responsável, contra a indignação dos eurodeputados, pasme-se, comunistas e bloquistas, de entre os quais se destaca o eurodeputado do BE Rui Tavares, que em declarações à TSF afirmou ser uma vergonha o facto da dita declaração ter sido recusada, afirmando que era a própria credibilidade do PE que estava em causa. É de facto uma vergonha é que estes senhores do Bloco de Esquerda continuem, na Europa como em Portugal, na senda da irresponsabilidade política e da demagogia ligeira, dando lugar a uma política de baixa qualidade, mais decidida a desmontar uma sociedade, vil em todas as suas formas, que pretendem, secretamente, destruir, nem que seja de forma violente. Ou será que estamos esquecidos que o BE é um aglomerado de forças de extrema-esquerda, que, tal como as forças diametralmente opostas, são de cariz violento - como se pode ver em Copenhaga.
É impressionante como em Portugal se dá ouvidos a esta gente irresponsável e falsa, falsa pela demagogia barata com que debitam sound bites que ainda iludem tantos pelo facilitismo que apresentam. É necessário assumir que não há caminhos fáceis, que é preciso trabalho, o que não se coaduna com os facilitismos de uma esquerda igualitária e defensora de subsídios constantes, numa ideia de que há sempre dinheiro e riqueza, como se não se tivesse de trabalhar, o que leva, claramente a uma onda de elogio e compensação do demérito e da improdutividade.

Mas enfim, além de tudo, há que felicitar Aidar, pela sua convicção e luta, sendo claro que o direito à auto-determinação do povo do Sara Ocidental está a tardar a ser reconhecida, muito a exemplo do que aconteceu com o povo de Timor Leste.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Mensagem de Natal III - Awesome God



Ainda hoje fico embasbacado quando olho para certas coisas: paisagens magníficas, fotos lindíssimas ou o rosto lindo dos meus filhos - espantam-me, admiram-me, comovem-me, fazem-me pequenino, insignificante e humilde.

Existem outras coisas que, quando penso nelas, me provocam o mesmo efeito, uma delas é o Natal. Não este Natal secular, mas o verdadeiro, o primeiro Natal: a dádiva divina de Deus, a entrega do filho, o descer da divindade à forma humana, a disponibilidade de Deus, para numa ânsia de amor dar o seu filho aos homens, para que por estes fosse morto, e no seu lugar sofresse, para que agora encontremos a redenção. Isto é Natal, verdadeiro Natal, por isso direi sempre:

O MEU DEUS É UM DEUS ESPANTOSO, E REINA NA TERRA E CEÚS.

Mensagem de Natal II - Above All



Esta é também uma importante mensagem de Natal:

Perguntamos-nos porque compramos tanto, porque corremos a comprar tantas prendas. Desejamos agradar, desejamos dar algo que, principalmente aqueles que nos são mais queridos, demonstre o nosso amor e o nosso carinho pelo outro. Afinal o carinho, o amor, o interesse pelo outro ainda existe dentro de nós.

Isto é só um reflexo distante e pequenino do que está por detrás da maravilhosa história do Natal: um grande amor, entre Deus que dá o maior presente, o seu filho, para redenção.

Por isso Deus está sobre tudo, sobre todos.

Natal é nascimento, um novo sentido para a vida que nasce dentro de nós.

Espero que gostem.

Ainda publicarei hoje outra mensagem de Natal.

Mensagem de Natal - My God Is Mighty to Save



Natal é e sempre será tempo de reflexão e de nascimento. Tempo de paz, solidariedade e família, mas sempre, sempre tempo de nascimento: o nascimento de uma salvação que o homem não pode dar, a salvação do homem de si mesmo, daquilo que em si mesmo o prende.

Como diria S. Paulo:

Porque bem sabemos que a lei é espiritual; mas eu sou carnal, vendido sob o pecado. Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado.

(Romanos 7:14-25)

sábado, 12 de dezembro de 2009

Convulsões no PS

Será certamente notícia em breve: convulsões no PS, facção Coelhista revoltada contra o facto de a Mota-Engil não ter ganho o concurso para a construção do primeiro troço do TGV.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

O significado do NATAL

Será que ainda nos lembramos o que se celebra, o que se comemora no Natal? Perante isto ainda conseguimos entender qual o significado do Natal? Indo mais fundo ainda, saberemos ainda reconhecer o porquê de ainda hoje continuarmos ou não com esta celebração?

Vamos então procurar responder a estas perguntas.

Será que ainda nos lembramos o que se celebra, o que se comemora no Natal?

O Natal está transformado numa festa consumista, a fúria das contas toma conta de todos, dos que compram, como daqueles para quem compramos - as crianças - que sentindo esta emotividade, aceleram os pedidos, num ritmo muito superior àquele que os pais podem suportar, quer em termos financeiros como até de memória. O ritmo estonteante das compras só é suprimido na noite de 24 de Dezembro, onde de repente tudo acalma para um belo jantar, cheio de tradição, mas também ele espelho desse consumismo. Claro que olhando para o brilho das luzes e a beleza dos embrulhos, todos nos enchemos de alegria com o reflexo da alegria nos olhos dos petizes, daqueles lindos olhinhos, sempre felizes com uma festa bonita. Não sou um cínico crítico desse consumismo, sou um dos envolvidos, confesso mesmo que gosto dessas compras, gosto desse ritmo, gosto dessas refeições abundantes que em família nestes dias se fazem. Porém procuro não perder, e esse é o desafio deste texto, o sentido dessa comemoração que todo este movimento provoca.
Alguns que procuram mais profundidade no meio de tanta confusão explicariam que o Natal é a festa da Família, é uma festa de Família - por ser aquela onde a família se junta - mas também da Família - em que a maravilha dessa criação de Deus, a Família, é celebrada. Esta é talvez a mais secular, talvez até mesmo mais do que o puro consumismo, das explicações assumidas.
Fala-se na figura do Pai Natal, dos espírito do Natal, de tudo o que o Natal representa, como vemos em tantos filmes da época natalícia, obscurecendo, ocultando, esquecendo-se do verdadeiro facto e sua dimensão, que está por detrás da celebração do Natal.
Muito simplesmente o Natal é a celebração do nascimento de Jesus Cristo. É aquilo que se celebra, celebra-se um nascimento, o nascimento de Jesus Cristo, o Filho de Deus, porém não se celebra um aniversário, não se celebra uma data no sentido histórico - porque é certo que não foi em Dezembro que se deu o nascimento de Cristo, esta data foi escolhida devido à ocorrência por esta altura de uma festa pagã, à qual os Cristãos responderam com esta celebração - celebra-se sim um milagre, uma maravilha, um marco importante do Plano divino para a redenção da humanidade.

Qual o significado do Natal?
Anteriormente já dissemos que para muita gente o Natal é a festa da Família, pelo que o seu significado é a reunião das famílias em torno do que as une - o amor familiar - e com isso, é uma tradicional festa dos valores da família.
Porém, como foi anteriormente dito, na verdade o Natal é a celebração do Nascimento de Jesus Cristo. Celebra-se este acontecimento, não no seu sentido histórico, mas sim no seu sentido teológico, digamos assim: o verdadeiro significado do Natal é que nos alegramos na comemoração e na gratidão para com a divindade pelo nascimento de Jesus Cristo, pelo facto de o Deus eterno, em Cristo se ter tornado homem, para como Homem, padecer das mesmas situações e vivências da humanidade, passando por esta em pureza, sem pecado, sem mácula, erguendo-se de entre os seus iguais como o único sem defeito, podendo assim em brancura assumir o lugar de cordeiro vicário, sacrificando-se. Na prática o significado do Natal é a celebração da encarnação de Deus em forma humana, para assumir o nosso lugar no altar do sacrifício da Justiça divina, sendo que Deus feito homem é Deus Filho, entregue por Deus Pai para o sacrifício, cumprido o qual seria dado ao homem o Deus Espírito Santo, para conduzir, os que o desejem, no caminho que, sendo imperfeito, o levará a Deus.
Complicado? Nem tanto.
É apenas uma história de Amor.
Deus ama o ser humano, o homem porém afasta-se de Deus, pelo seu comportamento, pelo seu pecado. Porém Deus deseja resgatar o seu relacionamento amoroso para com o homem, porém esses actos pecaminosos afastam o homem de Deus. Este Deus não se deixando vencer assume que necessita de cumprir a sua justiça, para que esse pecado seja vencido. Esse Deus amoroso, em busca do seu amor pelo homem, entrega o seu Filho, o seu próprio e único Filho, Jesus Cristo, para que este morrendo, cumprisse toda a justiça, assumindo sobre si o castigo que cada ser humano, pelos seus pecados, merecia sofrer. Mas este sacrifício de um único homem é universalmente abrangente na medida em que foi um inocente, foi o único homem sempre perfeito, quem morreu, injustamente acusado, perante o sofrimento, morreu, levando consigo todo o castigo. Deus apenas pede agora, apenas pede hoje confiança. Deus apenas diz: há perdão para ti em Cristo, ou seja o perdão obtido por Jesus na cruz será válido para ti se em mim confiares. E esta é a grande dificuldade hoje - confiar em Deus - quando os sinais do cinismo, do egoísmo, dos feitos humanos, etc., parecem dificultar o depósito dessa fé. Mas somente isso, uma entrega pequena perante aquela que Deus já fez: a entrega da Fé a Deus. Nesse momento tudo se transforma e aqui está a resposta para a última pergunta.

Saberemos ainda reconhecer o porquê de ainda hoje continuarmos ou não com esta celebração?
A necessidade de se continuar com a celebração do Natal é só esta: é que o verdadeiro presente do Natal - que não são os embrulhos do Pai Natal - continua disponível. A necessidade de se continuar com a celebração do Natal é só esta: Jesus Cristo nasceu em Belém, mais ainda não nasceu em todos os corações. A necessidade de se continuar com a celebração do Natal é só esta: a família de Deus ainda continua aberta para receber mais filhos.
Ainda há um presente para receber: Jesus.
Ainda há um nascimento para acontecer: de Jesus nos corações.
Ainda há uma festa de família por celebrar: a da adopção de mais filhinhos na família de Deus.
Por isso enquanto houver quem queira receber este presente, quem queira deixar este nascimento acontecer em si e quem queira a esta família pertencer, vai continuar a fazer sentido celebrar o Natal.
Todos estes seculares desvios do sentido original do Natal servem apenas para ocultar esta oferta, impedir este nascimento e impedir o crescimento desta família. Por isso atenção e vejam bem se ainda vos falta isto. Hoje já é Natal.

Palhaçadas


Durante anos habituei-me a ouvir as pessoas comuns, o vulgar cidadão, a tratar os políticos, principalmente os deputados, por PALHAÇOS. Qual não foi a minha surpresa quando ontem, assim que sentei em frente ao computador, ver em todos os jornais online a troca de palavras entre deputados, numa comissão, em que esse substantivo, transformado em adjectivo qualificativo, é lançado de uns para outros.

No entanto existem uma série de outros epítetos que os cidadãos lançam contra os políticos que será interessante, caso se continue nesta linha, ver os deputados a trocarem entre si.

Ora vejamos:

  1. Corruptos
  2. Preguiçosos
  3. Não fazem nenhum
  4. Inúteis
  5. Só querem é tacho
  6. Não servem para nada
  7. São todos iguais
  8. Mentirosos
  9. Aldrabões
  10. Charlatões
Bem faltou-me a inspiração, ou melhor, a memória, porque bocas (não regimentais) tenho ouvido muitas.

Será legítimo?


Será legítimo manter-se um governo que escondeu as contas para que estas não parecessem tão negras antes das eleições, indo depois ao parlamento, cerca de um mês e meio depois das eleições, pedir para ser aprovado um novo orçamento rectificativo, trazendo agora, depois das eleições a verdade à luz?

Não deveria o Presidente da República intervir de imediato e demitir o governo, nomeando um de iniciativa presidencial?

Será legítimo pensarmos que estamos à beira da falência, como aconteceu na Grécia, onde o défice das contas públicas é de 12% e a dívida é de 130% do PIB, sendo o nosso défice cerca de 8,5% e o endividamento já ultrapassa os 100% do PIB?

Será ou não que temos coragem de colocar esta gente no sítio, demitir este governo e assumir a verdade das contas, assumir que não temos condições para continuarmos com estas protecções sociais que temos, para as quais não produzimos o suficiente para pagarmos, entre muitas outras despesas incomportáveis para o Estado?

Conferência da TSF e da Reuters


A TSF e a Reuters organizaram hoje uma conferência sobre um assunto muito interessante: "O papel da Banca na recuperação da economia portuguesa". O interessante, para mim, deste tema é sobretudo o facto de tentar branquear uma outra questão que eu gostaria de ver primeiramente respondida: Qual o papel da Banca no aprofundamento da crise?

A verdade é que, sem qualquer complexo ideológico de esquerda, com a qual não me identifico minimamente, os bancos portugueses, não sendo os culpados pela crise actual, uma vez que, tendo nascido no mercado financeiro, ainda que tivessem havido erros, não foi entre os bancos portugueses que foi originada a crise. Na verdade os bancos portugueses foram até pouco atingidos pelos estilhaços lançados pela quebra dos gigantes financeiros internacionais no sistema, o que permitiu que mantivessem elevadas taxas de rentabilidade, apesar de algumas quebras, nenhum caminhou, nem para perto, de terem prejuízos. Apenas ocorreu uma excepção: o BPP, um banco que se caracterizava precisamente pelo elevado risco dos seus investimentos.

Mas a minha questão prévia surge apenas devido ao facto de os bancos portugueses serem profundamente culpados pelo agudizar e prolongar da crise.

Ora vejamos.

Antes da instalação da crise financeira internacional, Portugal vivia já uma profunda crise económica, com origem numa herdada e prolongada crise orçamental, onde as empresas não conseguiam realizar os seus negócios, onde o recurso ao crédito estava caro, bem como para os particulares, pois as taxas de referência do BCE estavam altas, levando taxas como a Euribor para valores loucos. Ainda assim os bancos, vendendo caro os créditos, tapavam o sol, culpando as taxas que não dependiam deles, como responsáveis por esse excesso. Mas a máscara foi caindo - o governo - a meu ver bem (até me custa dizer isto) - começou a fazer a sua função, iniciou um processo de regulação do mercado, impondo rigorosas regras de arredondamentos, regras que limitavam as penalizações cobradas pelos bancos quando da transferência de um crédito, entre outros. Aqui os bancos imediatamente se revoltaram dizendo que lhes estavam a tirar dinheiro do bolso e que isto se iria reflectir nos clientes.
Porém, a cereja em cima do bolo ocorreu quando, perante a crise, numa tentativa de conter as suas consequências, o BCE baixou historicamente as taxas de juro, levando consigo a Euribor: o que fizeram os bancos portugueses? Aumentaram os spreads, aumentando a sua margem de lucro, anulando, nos novos créditos principalmente, muitos dos ganhos que os clientes iriam alcançar com a redução das taxas de referência. Ainda se poderia dizer que isto era reflexo do aumento de risco de crédito, mas nem isto é verdade, porque este aumento foi acompanhado de uma intenso aperto nos critérios de atribuição de crédito, manifestando de facto aquilo que os bancos portugueses têm sido: "proxenetas" do sistema financeiro e da economia nacional. Pouco ou nada têm contribuindo para o sistema, encostando-se sim ao Estado, andando juntos de mão dada a sugar tudo o que o sector produtivo, bem como outros segmentos de serviços, vai produzindo. Tal realidade deixa-me revoltado, principalmente quando, defendendo a liberdade do mercado, como defendo, vejo que há um componente importante que está descontrolado e abusa da economia abafando-a: isto não é trabalhar, é ser um brutal cartel, declarado e explícito, que distorce o mercado e a concorrência. Há que regular e promover, rapidamente, o desmantelamento deste brutal agrupamento de bancos.

sábado, 21 de novembro de 2009

Tomar Partido


Tomar Partido é o nome do blogue que fica na blogosfera após a morte do seu autor: Jorge Ferreira. O comentário político em Portugal fica mais pobre. Uma das minhas leituras, dos autores que seguia, desapareceu. É um dos blogues da lista da textura, que ali permanecerá como testemunho do respeito pela opinião de alguém frontal e directo e que mantinha um dos melhores blogues individuais do país.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Taxa de reincidência dos pedófilos chega aos 80%


Este é o título desta notícia do Expresso, onde se fala da alta taxa de reincidência de um dos mais hediondos e odiosos crimes que se podem cometer: a pedofilia.
Na notícia fala-se da França, onde se está a estudar a introdução da castração química, aliado a uma psicoterapia, para a qual se deverá conceber uma infra-estrutura própria.
No mesmo texto fala-se também do Reino Unido, onde um pai, como eu, pode ir à polícia e perguntar se o professor, o contínuo, ou outra pessoa que lide com um dos seus filhos, foi alguma vez condenado, ou apenas suspeito, de ter cometido abuso sexual de menores.
Estas medidas extraordinárias que se têm tomado em vários países por esse mundo fora, na intenção clara de proteger as crianças, mesmo diante de apenas suspeitas, o que pode constituir uma enorme devassa de vidas que podem ser inocentes. Mas ainda assim, essas sociedades preferiram isso como forma de protegerem as suas crianças. Estas medidas têm-se justificado também devido à elevadíssima taxa de reincidência destes criminosos, que ronda, de acordo com vários estudos internacionais, entre os 80% e os 90%.
Claro que em Portugal os especialistas são sempre melhores do que no resto do mundo, as medidas mais fortes e musculadas nunca são tomadas, pois efectivamente, como acontece em muitos outros crimes, a perspectiva da vítima é sempre desvalorizada.
Quando se procuram alternativas que concedam mais segurança às crianças, em relação a estes crimes e criminosos, no nosso país os "especialistas" continuam a dizer que a solução é solução nenhuma. Ou seja, o "especialista" ouvido pelo Expresso, autor de um livro sobre o assunto, diz que a melhor alternativa para tratar os pedófilos será a psicoterapia, eventualmente acompanhada por psicofármacos.
Deixo porém a pergunta, e uma pergunta que muito me inquieta enquanto pai de duas crianças pequenas: não seria preferível que um pedófilo liberto, após cumprir a sua pena de prisão, seja preventivamente castrado quimicamente - ou para quem não gosta da expressão, seja tratado com psicofármacos que inibem a libido e o apetite sexual - protegendo primeiramente as crianças, naquilo que é possível, ainda que não seja absoluto, encaminhando-os para uma psicoterapia que resolva definitivamente o problema - que cure - podendo-se na altura retirar esses medicamentos, em vez de permitir que saiam (das prisões) com todas as suas pulsões, que depois serão tratadas com psicoterapia, ainda que esta já se tenha iniciado na prisão?
Ou será que este especialista não sabe que a psicoterapia só resulta se o doente aderir à mesma, não havendo qualquer garantia da vontade do criminoso em se tratar, enquanto a castração química já confere, à partida, algum grau de protecção?
É por isso que defendo a castração química dos pedófilos, por uma questão de prevenção e redução dos riscos de reincidência, o que, ainda que não seja a cura, que deve ser a meta, é já alguma protecção que as crianças merecem, enquanto potenciais vítimas.
Por isso quando o MMS apresentou tal medida eu aderi de imediato a esta, compreendendo as polémicas, até porque tendo um psicólogo clínico na família, e este de imediato me alertou para o facto de não resolver o problema. Ainda assim prefiro alguma protecção a protecção nenhuma, que é efectivamente a situação actual.
O MMS só falhou por não ter promovido, ou provocado por si só, um profundo debate sobre esta matéria, e sobre a pedofilia em si, que a nossa sociedade já necessita.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A solução dos nossos políticos para a crise: naturismo e casamento gay

O título deste texto pode parecer um disparate, mas a realidade é que estes dois assuntos vão ocupar imenso tempo de debate e de trabalho dos nossos deputados.
O nosso país debate-se com uma enorme crise, estando já anunciado o regresso da crise orçamental, após o fim da crise actual, pelo que à crise seguir-se-à a crise, após a tempestade virá a tempestade.
Seria de supor que o nosso governo e os nossos deputados estivessem preocupados em como superar a actual e a vindoura crise, a mitigar as suas consequências sociais, entre muitos outros assuntos, mas não.
O primeiro projecto de lei que o Partido Ecologista "Os Verdes " vai apresentar é no sentido de se aumentar o número de praias onde se pode fazer naturismo, bem como reduzir de 1500 para 500 os metros que têm de separar as praias de naturismo das localidades.
O PS já avisou que, via governo, irá fazer aprovar o Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo, com uma prioridade imediata.
Sendo assim se vê que os nossos políticos não estão autistas, eles estão é a viver noutro mundo, noutro planeta, noutra galáxia talvez, pois estas coisas é que são importantes e não discutir um bom programa de governo, um bom orçamento, boas práticas, a corrupção - porque raio não discutem eles, por razões óbvias, a corrupção e como combatê-la. Será uma prioridade para o país levantar estas questões fracturantes, ainda por cima sem debate, ou as questões ridículas - como as do naturismo - em vez de se discutir como vamos ajudar o país a produzir, a induzir investimento, a criar riqueza, a educar melhor os seus cidadãos, a garantir mais segurança, a assegurar melhores serviços de saúde.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Novo governo


Encontro-me entre aqueles que se viram surpreendidos pela constituição do novo governo do PS. Confesso que esperava um governo mais político, pronto para um combate intenso, visando um horizonte temporal de dois anos, até novas eleições, onde o PS procuraria atingir nova maioria absoluta. Isso não aconteceu e o equilíbrio entre políticos e técnicos manteve-se, com o núcleo duro do governo anterior a sair incólume, talvez à excepção de Santos Silva que foi corrido para cima.
Não espero grandes coisas deste governo, como não esperaria grandes coisas se o governo fosse do PSD. Nada muda. Afinal os dois partidos são mais semelhantes do que opostos, têm mais pontos de contacto do que divergências, por muito que me custe constatar tal facto. Efectivamente nada de novo veio com estas eleições legislativas, tudo vai continuar na mesma. O português é especialista em reclamar mas depois em deixa tudo na mesma, quer que tudo mude menos ele. E assim só temos os governos, os partidos e o país que merecemos.
Urge a necessidade de uma mudança, que começa nas mentes, nas mentalidades dos portugueses, mas isso exige coragem. Exige a coragem de pensar, a coragem de nos colocarmos a nós mesmos em causa, a coragem de querermos apostar noutras pessoas, enfim exige a coragem da confiança, coisa a que o português é muito poupado.
E há um velho ditado que diz que quem não fia não é de fiar...

Velhos Inimigos


Gostaria de deixar aqui na textura o texto integral da Crónica de Vasco Pulido Valente, publicada hoje na última página do Público, à qual não acrescento mais nenhum comentário.

Uma farsa
O problema com o furor que provocaram os comentários de Saramago sobre a Bíblia (mais precisamente sobre o Antigo Testamento) é que não devia ter existido furor algum. Saramago não disse mais do que se dizia nas folhas anticlericais do século XIX ou nas tabernas republicanas no tempo de Afonso Costa. São ideias de trolha ou de tipógrafo semianalfabeto, zangado com os padres por razões de política e de inveja. Já não vêm a propósito.
Claro que Saramago tem 80 e tal anos, coisa que não costuma acompanhar uma cabeça clara, e que, ainda por cima, não estudou o que devia estudar, muito provavelmente contra vontade dele. Mas, se há desculpa para Saramago, não há desculpa para o país, que se resolveu escandalizar inutilmente com meia dúzia de patetices.
Claro que Saramago ganhou o Prémio Nobel, como vários "camaradas" que não valiam nada, e vendeu milhões de livros, como muita gente acéfala e feliz que não sabia, ou sabe, distinguir a mão esquerda da mão direita. E claro que a saloice portuguesa delirou com a façanha. Só que daí não se segue que seja obrigatório levar a criatura a sério. Não assiste a Saramago a mais remota autoridade para dar a sua opinião sobre a Bíblia ou sobre qualquer outro assunto, excepto sobre os produtos que ele fabrica, à maneira latino-americana, de acordo com a tradição epigonal indígena. Depois do que fez no PREC, Saramago está mesmo entre as pessoas que nenhum indivíduo inteligente em princípio ouve.
O regime de liberdade, aliás relativa, em que vivemos permite ao primeiro transeunte evacuar o espírito de toda a espécie de tralha. É um privilégio que devemos intransigentemente defender. O Estado autoriza Saramago a contribuir para o dislate nacional, mas não encomendou a ninguém - principalmente a dignatários da Igreja como o bispo do Porto - a tarefa de honrar o dislate com a sua preocupação e a sua crítica. Nem pro caridade cristã. D. Manuel Clemente conhece com certeza a dificuldade de explicar a mediocridade a um medíocre e a impossibilidade prática de suprir, sobre o tarde, certos dotes de nascença e de educação. O que, finalmente, espanta neste ridículo episódio não é Saramago, de quem - suponho - não se esperava melhor. É a extraordinária importância que lhe deram criaturas de bom senso e a escolaridade obrigatória.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

5-0

Benfica deu mais uma cabazada, desta vez ao Everton: granda Benfica e não há mais nada a dizer.

BE a demagogia barata de regresso


Há assuntos que são sérios e quando envolvem crianças ainda mais sérios se tornam. É o caso das agressões no Colégio Militar, uma instituição de prestígio, mas onde, dada a sua disciplina militar, eu nunca deixaria um filho meu. Mas respeito quem pense o contrário, até porque quem por ali passa em geral tem futuro assegurado, o que por si só é motivo para muitos pais depositarem confiança nesta instituição.
São sérias, são demasiado sérias todas as acusações de agressão em instituições fechadas, onde a defesa de quem lá está perante fenómenos grupais é mínima. Mas quando essas agressões ocorreram sobre crianças e numa instituição que ensina e recebe crianças, a seriedade da questão aumenta exponencialmente. Trata-se de um assunto que deve ser tratado com todo o rigor, as responsabilidades devem ser apuradas, os pais das vítimas, se o entenderem, devem recorrer aos tribunais, tudo isso está correcto.
Incorrecto é um partido politico, seja ele qual for, tentar apropriar-se deste assunto e numa atitude moralista, no pior sentido da palavra, no sentido mais farisaico do termo, tentar obter ganhos políticos com isto. O BE vem exigir, colocar-se ao lado dos pais de ex-alunos, procurar arranjar confusão, destpristigiar e destabilizar uma instituição onde continuam a estar crianças, pelo que estas devem ser protegidas e mantidas fora deste espectáculo com aproveitamentos políticos vergonhosos, em que tudo isto se está a tornar.
O Bloco de Esquerda em mais uma tirada de populismo e demagogia barata intervém num assunto que não é político, nem nunca deverá ser, apenas devido ao preconceito ideológico contra tudo o que seja militar. O despropósito desta situação é tal que exigem que se investigue, que se esclareça, que se diga, quando já tudo foi investigado e dito, quando já tudo se sabe. Claro que não se sabe na esfera pública, sabe-se onde se deve saber, porque é aí que tudo deve ser mantido, até para manter a dignidade daqueles que continuam no colégio.
Imagino que, tal como exigia o BE no seu programa eleitoral em relação às forças armadas, o Bloco nos próximos dias vá pedir o encerramento, o fim, a extinção do Colégio Militar, porque esse é o grande, oculto e inconfessado objectivo que têm com toda esta história.

Porque é que Deus não aceitou a oferta de Caim?


Saramago depois de ter feito afirmações, mais do que lamentáveis, são sim ofensivas, acerca de Deus e da Bíblia (fazendo uma certa confusão entre o Deus da Bíblia e o Deus dos Católicos), voltou à carga: emendando a mão mas dando logo a seguir outra facada, deixou mais uma farpa - "Deus não é de fiar". Rematou com várias observações, entre elas esta pergunta: Porque é que Deus não aceitou a oferta de Caim? Desta pergunta Saramago retira um Deus mau que descriminou o pobre Caim, mas esta não é a verdade, a verdade está encerrada no próprio texto bíblico que Saramago lê como quer - tem e deve ter liberdade para isso - dali forma o seu dogma do "Deus mau" e depois, como o pior dos fundamentalistas, procura impor essa sua convicção pela força de um racionalismo humanista, que procura descredibilizar e imbecilizar quem o coloca em questão.
Leia-se a este propósito as seguintes palavras do jornalista Miguel Gaspar, publicadas hoje na última página do Público: "Li as palavras sobre a maldade de Deus como expressão da intolerância que o caracteriza (o autor aqui fala de Saramago). E é verdadeira essa intolerância: Saramago eleva a sua leitura da Bíblia à dimensão de um dogma. Para ele, a ideia do 'Deus rancoroso, vingativo e má pessoa' é uma verdade 'inquestionável'. 'Eu leio apenas aquilo que lá está', escreve Saramago, como se Saramago não soubesse que a Bíblia, como todos os textos, é aberto à pluralidade de leituras. Viaja-se alegremente de Deus a Marx sem perceber que o mais importante é olhar para o mundo sem um sentido único."
Mas para percebermos melhor que Saramago apenas está a apresentar um dogmático, e por isso religioso, relativo e muito pouco credível ponto de vista, é interessante observar as palavras que se seguem, de José Manuel Fernandes, o ainda director do Público, presentes do editorial de hoje: "E como, por cá, ninguém reage com fatwas, Saramago pode tirar partido de uma liberdade de expressão que ele, curiosamente, não deu a quem trabalhou sob as suas ordens no Diário de Notícias no tempo da Revolução." Saramago demonstrou não ser um homem da liberdade de expressão, mas sim um homem da liberdade de expressão do seu pensamento, ou seja, liberdade só a de exprimir o pensamento que com o dele coincide. Um homem dogmático, intolerante e preconceituoso, que com o passar dos anos não amadureceu, apenas requintou os seus tiques autoritários, dourando-os sob uma imagem de intelectualidade e genialidade literária.

Mas afinal Porque é que Deus não aceitou a oferta de Caim? Esta pergunta é interessante e não posso de deixar de ir ao seu encontro, até porque acho que muitas pessoas que afirmam acreditar na Bíblia não devem saber responder à mesma.

Deixo aqui o texto bíblico:
"E conheceu Adão a Eva, sua mulher, e ela concebeu, e teve a Caim, e disse: Alcancei do SENHOR um varão. E teve mais a seu irmão Abel; e Abel foi pastor de ovelhas, e Caim foi lavrador da terra. E aconteceu, ao cabo de dias, que Caim trouxe do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. E Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura; e atentou o SENHOR para Abel e para a sua oferta. Mas para Caim e para a sua oferta não atentou. E irou-se Caim fortemente, e descaiu-lhe o seu semblante. E o SENHOR disse a Caim: Por que te iraste? E por que descaiu o teu semblante? Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti? E, se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e para ti será o seu desejo, e sobre ele dominarás. E falou Caim com o seu irmão Abel; e sucedeu que, estando eles no campo, se levantou Caim contra o seu irmão Abel e o matou. E disse o SENHOR a Caim: Onde está Abel, teu irmão? E ele disse: Não sei; sou eu guardador do meu irmão? E disse Deus: Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra. E agora maldito és tu desde a terra, que abriu a sua boca para receber da tua mão o sangue do teu irmão. Quando lavrares a terra, não te dará mais a sua força; fugitivo e errante serás na terra. Então, disse Caim ao SENHOR: É maior a minha maldade que a que possa ser perdoada. Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e errante na terra, e será que todo aquele que me achar me matará. O SENHOR, porém, disse-lhe: Portanto, qualquer que matar a Caim sete vezes será castigado. E pôs o SENHOR um sinal em Caim, para que não o ferisse qualquer que o achasse."

Como podemos ler neste texto foram feitas duas ofertas a Deus: uma de animais, por Abel, que Deus aceitou, outra de vegetais, por Caim, que Deus não aceitou. Caim ficou desiludido, descaiu o seu semblante, quando Deus não aceitou a sua oferta. Claro que como muitas pessoas fazem, Caim fulanizou a questão, mas a frase seguinte, a pergunta seguinte, encerra todo o cerne da questão: "Se bem fizeres, não haverá aceitação para ti?". Deus disse a Caim que bastava ele oferecer correctamente, oferecer animais, fazer como estava estabelecido, haveria também aceitação para ele. Caim só precisava trocar verduras por animais e realizar a sua oferta. Assim estava estabelecido simbolicamente desde o momento em que Deus com peles de animais cobriu a nudez de Adão e Eva, era com derramamento de sangue que o homem cobria a sua nudez para se aproximar de Deus. Caim sabia disso, assim tinha sido ensinado, educado. Assim vira os seus pais fazer centenas de vezes: mas quis inovar, quis fazer diferente, quis ser desobediente, quis ser rebelde. Quis fazer à sua maneira e foi recusado: Deus recusou a oferta de Caim porque ele foi desobediente e rebelde, quis ser mais esperto do que os outros e fazer as coisas à sua maneira. Deus ainda lhe disse, "faz tudo correctamente, arrepende-te, arrepia caminho e a nossa relação ficará restabelecida, a justiça será reposta". Mas a reacção de Caim foi alimentar a rebelião, dela produzir a revolta e da revolta a reacção. Reagiu então contra o seu irmão, porque ele fez tudo bem feito, não foi rebelde, não o acompanhou, armou-se em menino lindo e tinha ficado bem visto, enquanto ele agora era o mau. Caim tinha dois caminhos, dois intemporais caminhos, os mesmos que hoje se nos deparam em cada dia: o do arrependimento e correcção, ou o da rebelião e revolta; o do "bem fazer", ou o do "pecado jaz à porta". Caim tinha o caminho de oferecer os animais adquiridos com os vegetais fruto do seu trabalho, ou rebelar-se matando o seu irmão. Caim escolheu, não foi Deus quem escolheu o caminho, não foi Deus quem induziu Caim, foi de Caim, foi do homem, foi dele a escolha que fez: escolheu o pior caminho, escolheu matar o irmão, deu lugar à revolta, ao rancor, à inveja e matou, derramou sangue, não o de um animal, mas o sangue do seu irmão. Não é Deus que é mau e rancoroso, como diz Saramago, essa é a descrição do homem, de Caim e do homem, de cada um.

Deus não é mau, rancoroso, vingativo e má pessoa, Caim sim, esse é mau rancoroso, vingativo e má pessoa, por isso escolhe o homicídio à reconciliação, escolhe a morte à vida, escolhe estar sem Deus a estar com Deus. Se daqui julgamentos de valor podemos fazer, que tipo de homem será Saramago?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Eleição do “lambe botas” do ano 2009








A textura do Texto associa-se ao Sono Luso nesta eleição. Participe (clique na imagem)

O Génio Imbecil, Intolerante e Preconceituoso (e ainda por cima equivocado)


Sou uma daquelas pessoas que admira o génio literário de José Saramago, que se arrepia quando pensa na maravilha da escrita que é o Memorial do Convento, que olha e suspira perante a tremenda arte demonstrada no Ensaio Sobre a Cegueira, que são, para mim, as grandes obras de referência de José Saramago, e que justificam, também por si só, os prémios e reconhecimentos que tem recebido. Porém há algo que eu prezo muito, tanto quanto o direito à liberdade de expressão, que é o respeito pelo próximo, sobretudo naquilo que de mais íntimo existe na natureza humana, tal como a dimensão espiritual. E ofender não é direito de ninguém, ou ainda que o deseje fazer, que o faça para quem esteja disposto a ouvir, mas agredir, ofender publicamente e propositadamente é profundamente errado e revelador de mau carácter.
Identifico-me como evangélico, não sou católico, e revejo-me na posição da Aliança Evangélica Portuguesa acerca deste assunto, que no seu site, diz o seguinte: "Os evangélicos contam-se entre os portugueses que durante séculos foram privados da liberdade de expressão e por isso entendem o valor de tal direito como fundamental e inalienável. Por isso, defendem o direito de todas as pessoas a expressarem as suas ideias. A liberdade de expressão adquire ainda mais significado quando a reconhecemos àqueles que a usam para nos agredir e para defenderem ideias das quais discordamos absolutamente. Os evangélicos defendem que devemos ser tolerantes mesmo para com quem usa a liberdade de expressão para agredir as nossas convicções religiosas. A liberdade de expressão não foi concebida só para ouvirmos palavras agradáveis. Não é agradável ouvir-se a defesa de ideias que expressam ignorância, preconceito e agressividade acerca da Bíblia e acerca de Deus, mas temos presente que todo o homem é mortal mas que a Palavra de Deus é eterna."

Mas gostaria de deixar aqui mais alguns pensamentos.

O escritor José Saramago afirmou que o Deus da Bíblia é invejoso e insuportável. Para quem tem um relacionamento impessoal, religioso ou meramente filosófico com a pessoa de Deus estas palavras podem parecer meramente uma opinião, mais uma posição filosófica, mais uma demonstração de humanismo militante, ou até uma mera provocação, com objectivos comerciais ou outros. Mas para quem mantém com Deus um relacionamento pessoal e íntimo, convívio diário com a sua Pessoa, isto parece apenas agressividade gratuita, ofensa a alguém muito amado e querido. Ao mesmo nível que alguém sente quando chamam coisas pouco recomendáveis à mãe, ou ofendem um filho a quem se ama. Devemos entender que as nossas palavras produzem impacto nas outras pessoas e que estas têm direitos a, mais do que acreditar, a viver a sua espiritualidade. E isto é algo que José Saramago não entende, e como ele muitas outras pessoas, que apontam para quem crê em Deus e afirmam "Prove-me que Deus existe" e um cristão sincero responderá "Prove-o você, basta crer e querer e saberá naturalmente que Deus existe". Para um cristão bíblico, não falo de um cristão religioso ou católico, Deus pode ser experimentado, sentido, como uma realidade muito perto da realidade física, que basta querermos e crermos para que aconteça essa experiência única e pessoal com Deus. É a maravilha da fé depositada na pessoa de Deus.
Além disso dizer que o Deus da Bíblia é cruel e invejoso está ao mesmo nível das mentiras vinculadas pela IURD para extorquir dinheiro aos seus fiéis, pois é desenraizar os textos bíblicos dos seus contextos textuais e históricos e reduzir factos isolados a isso mesmo, olhando para eles com os olhos do homem do século XXI. Também é olhar para a Bíblia com um olhar plano e preconceituoso, pois é importante, sem condicionarmos o nosso pensamento num sentido ou noutro, olhar para a Bíblia de cima, vendo que todos os desenvolvimentos históricos seguem um plano, um plano que se desenrola diante dos homens ao longo da história.
O Deus da Bíblia não é cruel nem insuportável, bem pelo contrário, o Deus da Bíblia é um Deus de Amor e de Paciência, no termo bíblico, de longanimidade. Onde Saramago vê crueldade eu vejo ensino e plano, onde Saramago vê inveja eu vejo justiça.
É verdade que somos manipulados desde pequeninos, como disse o escritor, somos manipulados para não crermos em Deus, para acreditarmos unicamente no poder indestrutível do ser humano e para olharmos para as obras do homem como as únicas existentes no mundo, recusando a evidência que a natureza grita constantemente aos nossos ouvidos, de que Deus existe e é recompensador dos que o buscam.
Saramago não entende que raio de canal poderá ter existido entre os escritores da Bíblia e Deus, se Deus lhes estaria a sussurrar ao ouvido. Este é um belo exemplo da má vontade, da intolerância e pior, da ligeireza com que trata de assuntos importantes. Se Saramago se tivesse dado ao trabalho de estudar um pouco de doutrina cristã teria essa sua "dúvida" esclarecida. Mas claro que este só pretende atirar-se ao pescoço da Igreja Católica e por ela desacreditar Deus, a Bíblia e os Cristãos - nem Deus é a Igreja Católica, nem os Cristãos bíblicos são católicos, nem Deus deve ser tomado pelas asneiras dos homens. Mas voltando à inspiração divina da Bíblia: José Saramago deveria entender que Deus não ditou nem sussurrou as palavras que queria aos ouvidos dos escritores da Bíblia. Deus usou os conhecimentos de cada escritor - há alguns mais cultos que outros - Deus usou o contexto histórico de cada um - uns em cativeiro, outros durante o domínio romano - Deus usou até os devaneios e loucuras de alguns - como por exemplo de Salomão - mas usou tudo isso, todos e cada um dos escritores para escreverem aquela que era a sua vontade, sem erros, por forma a que tudo, mas tudo o que ficasse naqueles livros fosse facilmente identificado como sendo Palavra Inspirada Divinamente, ou Palavra de Deus. Pelo que os cristãos bíblicos vêm naqueles livros, não uma palavra de Deus, nem que contêm a palavra de Deus, mas como toda a completa e única Palavra de Deus. É um dogma da fé cristã? É certamente, mas baseado na evidência prática do plano histórico que encerram, na uniformidade linear dos pensamentos e princípios que defendem, bem como na evidência concreta e indesmentível da transformação positiva que esta mensagem tem em milhares de vidas que todos os dias se convertem ao Deus amoroso da Bíblia.
Por fim Saramago diz que antes de criar o Universo Deus nada fez, até que decidiu cria-lo. Na teoria alternativa, o Big-bang, também nada aconteceu à partícula que explodiu até que esta decidiu explodir. Ou será que foi até ter condições para explodir? e de onde veio essa partícula, veio do nada e apareceu cresceu até explodir? e surgiu de onde para depois explodir e do nada criar o universo? e sendo assim o universo iniciou-se aquando do big-bang ou quando apareceu essa partícula? Aos meus olhos a melhor ciência de Saramago é apenas uma questão de fé...
Saramago questiona-se ainda acerca das razões que levaram Deus a criar o Universo, o que queria Deus atingir com a criação do Universo. Bem quanto a isto tenho uma opinião que é apenas esta: Deus criou o Universo para criar o Homem, a coroa da sua criação. Porque era importante para Deus criar o Homem? Aqui é onde Saramago mais poderia ficar admirado: Deus criou o Homem por amor, para a existência do mais excelso e puro Amor. Deus criou o Homem, um ser inteligente e sobretudo com livre arbítrio, existindo numa dimensão diferente da espiritual onde Deus era (e é e será). Sim Deus existia rodeado de seres celestiais, criados por si, para o adorarem, também inteligentes, também com livre arbítrio, mas que existiam na sua dimensão, logo com a evidência da existência de Deus bem demarcada na sua natureza. Mas o Homem criado era diferente: vivia numa dimensão diferente, a que hoje chamamos de física, relacionando-se com Deus, onde o exercício do livre arbítrio seria efectivamente mais concreto, logo o amor que este ser magnífico tributaria para com Deus seria de uma outra pureza, de uma outra sinceridade, seria um amor maior e mais verdadeiro, por ser livre e espontâneo, natural, interior. Foi então apenas para que Deus amasse e fosse amado pelo Homem que o Universo e todas as coisas foram criadas. Obviamente que havendo liberdade esta poderia encaminhar-se para a rebelião. Foi o que aconteceu: o homem virou-se contra Deus e afastou-se d'Ele.
A Bíblia é apenas o explanar do plano de Deus para levar o Homem a reconstruir a sua relação com a divindade, de uma forma a que o amor pudesse ser restabelecido com sinceridade. E é apenas isso que Deus hoje espera de cada ser humano: Deus aguarda pacientemente que cada um de nós se vire espontaneamente e de livre vontade para Ele, pois só assim o amor é verdadeiro, quando é livre e sincero.
Dizer que Deus nunca mais fez nada é apenas uma coisa: estupidez. Certeza desta afirmação tenho quando vi tantos homens e mulheres, destruídos e estrangulados pela sabedoria e pela sociedade humana e que, diante dos meus olhos, foram reconstruídos, recuperados, sarados e devolvidos ao mundo, à vida. Gostaria de saber quantos compendêndios da sabedoria humana e das ideias comunistas que Saramago tanto propala alguma vez conseguiram transformar a natureza humana como a mensagem e a pessoa do Deus da Bíblia.

Apenas uma nota final para quem acha - como a ilustre eurodeputada Edite Estrela - que reagir contra as palavras de Saramago é sinal de intolerância: intolerância é alguém achar-se no direito de pronunciar todo o lixo que isso lhe vem à cabeça, intolerantes foram em si mesmas as palavras de José Saramago.

No final do blogue está um texto bíblico que é um sério conselho a quem diz o que Saramago disse, e, sem crueldades, invejas nem maus costumes.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Tvi, Sócrates e Freeport














A novela, cheia de intriga, inveja, discussões, desmentidos, pressões, situações mirabolantes, meias verdades e situações mal explicadas em que se tornou o caso Freeport, com dois protagonistas, arqui-inimigos confessos, a TVI e o "Eng." Sócrates, teve mais um episódio. Segundo esta notícia do Público surgiu mais um documento incriminador (ou não) do Primeiro-Ministro, desta vez um fax, tendo a TVI enviado algumas perguntas, a que este se recusou, fruto da inimizade mutuamente cultivada, a responder.
Enfim as suspeitas prosseguem. Vamos ver se afinal o Presidente da República não terá argumentos, fornecidos directamente pela TVI (especialista neste género literário), para dissolver a Assembleia da República e demitir o Governo, ainda antes das Eleições Presidenciais. Atenção que no actual estado de coisas Cavaco ainda tem tempo de dar uma de Sampaio, deixar o PSD organizar-se e pegar numa desculpa para correr com o PS e dar oportunidade ao seu clube, perdão, partido do coração de tentar reconquistar o poder.

Continuidade da textura

Depois de alguma reflexão e descanso decido continuar a escrever n' A textura do Texto. Não sei se vou conseguir manter a regularidade anterior, mas vou esforçar-me. Sei que mais difícil será recuperar os leitores que anteriormente mantinha, mas procurarei estimular essa mesma continuidade.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Coligações


A dignidade dos governos, as convicções dos partidos e das pessoas que os dirigem manifestam-se nos momentos da verdade. E no momento da verdade do Engenheiro Sócrates, enquanto Primeiro-Ministro Indigitado, dignidade e convicções fortes foram coisas que não existiram. Digo isto pelo simples facto de ter estendido a mão para coligações de governo a todos os partidos com assento parlamentar, independentemente de serem mais de esquerda ou direita. Equidistância estranha que no entanto não é de todo surpreendente. Afinal é apenas a manifestação concreta do que tenho pensado, que as diferenças entre os partidos do sistema são apenas aparentes, pois no fundo são todos iguais e todos procuram o mesmo: um lugarzinho à mesa do orçamento.
Por isto me mantenho, mais convicto que nunca, como militante de um partido que está fora do sistema, não sendo irresponsável ou anárquico, mas sim um partido que coloca o interesse nacional acima da necessidade evidente das clientelas, que se balcanizaram há muito nos partidos do sistema, e, sim incluo aqui o BE, porque não sai do esquema, entrou nele e dele se alimenta.
O nosso sistema político-partidário grita por renovação, mas infelizmente a maioria dos portugueses ainda não se aperceberam disso. Assim acredito que um partido de fora do sistema, como é o MMS, não deve procurar a destruição do sistema, mas sim assumir uma atitude pedagógica de demonstrar aos concidadãos a necessidade de mudança de mentalidade, esclarecendo e demonstrando cabalmente as vantagens de um outro sistema.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dúvidas

Depois de todo este tempo de paragem e de toda a energia despendida em política, está difícil de encontrar vontade, motivação para voltar à Textura, pelo que estou a pensar se irei continuar ou extinguir o blogue. Nos próximos dias decidirei.

sábado, 10 de outubro de 2009

Quase de volta

Depois de meses de frenética actividade política, com as duas eleições, sendo que nas autárquicas tive de organizar toda a lista, organizar e fazer a campanha eleitoral para a Junta de Freguesia de Agualva, finalmente estou a descansar. Hoje é dia de reflexão e finalmente, depois de alguns meses, tive um pequeno momento para dedicar à Textura. Estou quase de regresso a este espaço: em princípio a partir da próxima segunda feira regressarei ao comentário na Textura.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Lançamento de Candidatura


Estou a preparar uma candidatura autárquica, pelo Movimento Mérito e Sociedade, à Junta de Freguesia de Agualva, Concelho de Sintra, onde serei o cabeça de lista. Como tal estamos a preparar um pequeno evento de lançamento da candidatura do próximo dia 2 de Setembro, pelas 19 horas, no Largo da República (antigo largo da feira, largo dos bombeiros), em Agualva-Cacém. Este contará com a presença de vários elementos do MMS.


Deixo aqui o convite para que todos os amigos da textura do Texto, leitores, outros bloggers, etc. para estarem presentes neste pequeno evento.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Aborto: a degradação da condição e do valor da pessoa humana


Sempre fui e serei sempre contra a prática de crimes contra a vida humana. Entre estes incluo o aborto. Claro que não me venham falar no aborto terapêutico porque aí há uma opção entre duas vidas do mesmo valor, ou o valor de uma pessoa enquanto tal. Atenção que eu não valorizo a vida humana por si só, mas a pessoa humana, a sua dignidade, a sua condição e a sua qualidade de vida.

Por tudo isto a liberalização do aborto sempre me pareceu uma má solução, sobretudo porque a alternativa, até por uma questão de valorizar a pessoa das mulheres, não é nunca o aborto, mas sim a contracepção e a possibilidade de engravidar no momento escolhido.

Mas a nossa sociedade é a sociedade da irresponsabilidade social, é a sociedade que prefere lavar as mãos em vez de educar, formar, apoiar e construir. Opta-se apenas pelo facilitismo, pelo imediatismo, tal toxicodependente ressacado a precisar urgentemente da dose seguinte.

Assumir o problema do aborto clandestino como um verdadeiro problema social e que retira dignidade à vida e à pessoa das mulheres, não é dar-lhes a possibilidade infinita de abortar: dignificar a pessoa humana é construir um verdadeiro programa de educação sexual nas escolas, onde não seja dito aos jovens "façam sexo mas protejam-se" onde se dê a todos e a cada um o equipamento pessoal de decidirem pelo seu tempo, pelo seu momento e quando esse momento acontecer, aí saberem como se protegerem, não só de uma gravidez indesejada, mas também de doenças; dignificar a pessoa humana é depois disso construir uma verdadeira rede de planeamento familiar, onde as mães das adolescentes assumam que, sem preconceitos nem vergonhas, as suas filhas devam ir para iniciarem um contraceptivo, sem que isso signifique necessariamente atirá-las para debaixo de algum rapaz desejoso; educar, formar. Prova de toda esta irresponsabilidade social está neste artigo do Público de hoje, que dada a sua acuidade decidi reproduzir integralmente.


Lei que despenalizou a IVG entrou em vigor há dois anos

Segundo aborto devia ser a pagar, diz director do serviço de ginecologia de Santa Maria

15.07.2009 - 08h52 Natália Faria

As mulheres que fazem mais do que um aborto deviam começar a pagar pela segunda interrupção, preconizou ao PÚBLICO Luís Graça, director do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de Santa Maria (HSM).


Apesar de fazer um balanço "extremamente positivo" dos primeiros dois anos de vigência da lei - que despenaliza o aborto até às dez semanas - que hoje se assinalam, aquele responsável lembra que, desde o início do ano, mais de 20 mulheres recorreram ao HSM para fazer um segundo aborto. "Se estas mulheres tivessem que pagar o custo hospitalar da segunda IVG, pelo menos pensariam duas vezes", declarou Luís Graça.


"Em Inglaterra, a primeira interrupção é gratuita e a segunda é a pagar. Creio que isso ajudaria estas mulheres a perceber que isto tem um custo e que a disposição da sociedade para lhes pagar o direito a fazer um aborto tem limites", insiste Graça, ressalvando que o preço "teria que ser sempre mais baixo que o aborto na clandestinidade".


No HSM, duas em cada três mulheres não aparecem à consulta de planeamento familiar que, nos termos da lei, deve ocorrer no prazo de um mês após o aborto. "É a negligência pura e simples. Algumas mulheres não fazem anticoncepção e jogam na sorte, o que é muito triste para quem, como eu, se bateu muito por esta lei", lamenta.


Esta posição não é consensual. Admitindo que "algumas mulheres têm repetido o aborto", o director da Maternidade Alfredo da Costa, Jorge Branco, considera que tal não permite concluir que tenha havido negligência ao nível da contracepção. "Temos mulheres que repetem a interrupção mas não podemos deixar de a fazer, até porque a lei não limita o número de abortos por mulher", sublinha. De resto, para Branco, que coordena o Programa Nacional de Saúde Reprodutiva, limitar o número de abortos empurraria muitas mulheres de volta ao circuito clandestino. "Seria andar para trás. E a legalização da IVG surgiu precisamente para evitar situações que possam pôr em perigo a vida da mulher".


Porque os números divulgados pela Direcção-Geral de Saúde (DGS) mostram que 433 mulheres que fizeram IVG em 2008 já tinham quatro abortos no seu historial, a Associação de Planeamento Familiar (APF) promete fazer um estudo sobre as razões que levam as mulheres a repetir abortos num curto espaço de tempo. "A ideia é apurar os contextos e as razões das gravidezes não planeadas e, a partir daí, desenvolver acções que previnam esses comportamentos de risco", adiantou Duarte Vilar, director executivo da APF.


Ligeiro aumento em 2009


Numa coisa os profissionais da saúde concordam: "Deixámos de ter nas urgências hospitalares as consequências do aborto clandestino. Praticamente já não fazemos corretagens e isso é um grande ganho em termos de saúde", sintetizou Luís Graça. "Num ano, quase 18 mil mulheres puderam interromper uma gravidez não desejada sem terem de se submeter à indignidade do aborto ilegal", reforça Duarte Vilar.


Quanto aos números, só em Agosto é que a Direcção-Geral de Saúde (DGS) deverá divulgar as estatísticas do aborto no primeiro semestre de 2009. Nas instituições contactadas pelo PÚBLICO, registou-se um ligeiro aumento. "É uma variação sazonal normal, inferior a cinco por cento", minimizou Luís Graça, para especificar que, a manter-se o ritmo actual, "isto significa que, no fim do ano, "o Santa Maria terá feito 525 abortos, em vez dos 500 do ano passado". Já na Maternidade Alfredo da Costa, nos primeiros cinco meses deste ano, tinham sido registadas mais 51 IVG do que no mesmo período de 2008. "Fizemos 765 e, no ano passado, tínhamos feito 714", adiantou Branco.


Isilda Pegado, presidente da Federação Portuguesa pela Vida, continua a lamentar que a lei não seja acompanhada de um quadro de estruturas de apoio à mulher. "Algumas que chegam às nossas instituições desistem do aborto depois de ajudas tão simples como as que lhes dão a conhecer os apoios sociais existentes", exemplifica, considerando "escandaloso" que, dois anos depois, o Tribunal Constitucional continue sem se pronunciar quanto ao pedido de fiscalização sucessiva da lei. "Os 40 deputados pediam tão simplesmente que o tribunal dissesse se esta lei, da forma como está feita, protege o direito à vida como vem consagrado no artigo 26.º da Constituição".

O aborto em 2008


Quando a lei 16/2007, de 17 de Abril, entrou em vigor, as previsões dos especialistas apontavam para uma média de 20 mil abortos por ano. Em 2008, primeiro ano de vigência da lei, foram realizadas 17.511 IVG, das quais 9.492 em Lisboa e Vale do Tejo. Houve variações sazonais: em Janeiro, houve 1.610 e, em Dezembro, esse número tinha descido para 1.313. Do universo total, 244 mulheres fizeram fizeram duas IVG em 2008. Do mesmo modo, 2.659 mulheres declararam já ter feito um aborto ao longo da vida, enquanto 433 declararam ter feito mais de quatro. Quanto à idade, em 11.470 casos (65,5 por cento) as mulheres tinham entre 20 e 34 anos. A faixa etária dos 15-19 foi responsável por 11,7 por cento das IVG. Cerca de metade vivia em casal e as trabalhadoras não qualificadas surgiam à frente (20,7 por cento), enquanto as desempregadas e as estudantes perfaziam 15,8 e 15,5 por cento, respectivamente. Em termos de escolaridade, 31,6 por cento das mulheres tinham o ensino secundário e 24,8 por cento o básico.

Adolescentes - os novos hábitos de consumo


Certamente que quase toda a gente que frequenta habitualmente a internet já ouviu falar neste relatório feito por um miúdo de 15 anos, acerca dos hábitos de consumo, sobretudo de informação, música, televisão e cinema, de outros miúdos da sua idade.
O que mais me surpreende neste relatório foram as reacções que suscitou, a grande surpresa que os adultos tiveram com o dito neste.
Não me surpreende nada esta visão da comunicação e do mundo, até porque acredito que, em relação por exemplo aos jornais, aquilo que este adolescente afirmou ser hábitos desta faixa etária, certamente poderão ser vistos como prática em adultos, sobretudo os mais familiarizados com a internet. Qual a surpresa? Quem não conhece homens e mulheres de mais de 40 anos que o seu entertenimento não são as telenovelas da TVI mas intermináveis sessões de jogos da Playstation?! Quem não viu ainda a rede social do seu filho e surpreendeu por este ter mais de 400 "amigos" ligados, de todas as partes do mundo?!
Quem ainda acha que os CD's vendidos pela Fnac são comprados por adolescentes?!, claro que não, são gente mais velha, ou com mais posses, mas ainda assim uma franja muito limitada.
Não surpreende, a não ser pela surpresa causada. Isto quanto a mim revela que de facto no mundo e na sociedade existem vários mundo e várias sociedades, que tão perto estão, mas que se desconhecem cada vez mais, numa espiral de afastamento emocional.
No entanto isto pode ser apenas mais uma versão, desta vez batalhada num campo mais tecnológico, da velha guerra de gerações, sendo que o espaço entre as gerações que se rompem umas com as outras seja cada vez mais curto, percepção que tenho e que creio dever-se ao facto de também o mundo, em especial o das tecnologias, ou melhor as tecnologias do mundo, o fazerem mudar cada vez mais rápido, à mesma velocidade a que a velocidade da Internet aumenta por esse mesmo mundo.

Pedido de desculpas

Pela segunda vez A textura do Texto tem um interregno de actualizações. Por tal facto deixo aqui o meu pedido de desculpas, mas tal facto deve-se a estar a organizar uma candidatura autárquica à Freguesia de Agualva, o que me tem dado muito que fazer, tirando-me todo o tempo e energia que anteriormente era dedicado ao blogue.
Pelo que esta dificuldade nas actualizações se vai manter por mais algum tempo, sendo que na primeira quinzena de Agosto as férias serão totais, longe de tudo de telefones e computadores, descansar será a palavra de ordem, pelo que aí não haverá mesmo qualquer actualização do blogue.
Estou consciente que isto para um blogue pequeno e no início da sua afirmação é um grande golpe, mas são opções, pelo que a minha candidatura à freguesia, bem como as férias, estão agora no topo das minhas prioridades.
Espero que não abandonem a Textura, continuando sempre que desejarem a vir aqui procurando pelas actualizações.
A todos muito obrigado, mais uma vez fica o meu pedido de desculpas.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Ferreira Leite quer "transformações profundas" em consenso, mas concorda com medidas sociais do Governo

Este é o título de uma notícia de hoje do Público que só confirma o que, quer eu, quer o MMS, vimos dizendo acerca dos partidos tradicionais: que são todos iguais.
Não querendo voltar de novo a observações negativas acerca dos políticos dos partidos do costume - leia-se PS, PSD, PCP, PEV, CDS/PP e BE - a grande verdade que a arte de desmentir o dito anteriormente é comum a todos eles. Isso, para além de acarretar uma grande carga de descredibilidade para a actividade política, traduz a pouca consciência ou seriedade que os políticos assumem das suas palavras. Aqui só tenho a dizer que a culpa é dos próprios eleitores que perpetuam constantemente estas personalidades na ribalta da vida política.
Sendo assim resta apenas uma única alternativa: olhar para quem se propõe fazer uma política nova, seriamente transparente, sem os compromissos e os constrangimentos do passado.
Ainda hoje falei com alguém acerca da minha candidatura à junta de freguesia de Agualva, que me disse conhecer uma Advogada que se move nos meandros da política local, e que, reconhecendo a falta de qualidade do actual Presidente da Junta, Rui Castelhano, afirmava ser muito difícil de o vencer, porque está bem protegido por gradas figuras do PSD. Ora isto além de confirmar a minha perspectiva sobre o executivo da Junta de Freguesia de Agualva, também confirma as minhas palavras acerca dos eleitores, que provavelmente continuarão a votar (espero que não) num presidente de junta manifestamente mau, apenas pela manipulação partidária.
A constatação desta realidade deixa uma perspectiva muito negra, mas gostaria de acreditar numa possibilidade de que o eleitorado não entre em carneirismos e seja informado, procurando comparar programas. Claro que mesmo aí os partidos tradicionais pregam uma rasteira aos eleitores. Produzem programas extensíssimos, com o objectivo de que ninguém, nem mesmo eles, os conheça e por isso não lhes cobre a realização dos mesmos. Mas até aí é possível ser sério: produzir um programa eficaz e concreto, com medidas poucas e difíceis de desmontar, verdadeiramente importantes para as populações. É essa a prerrogativa do MMS e a minha na Agualva.

Governo vai limitar subida dos ‘spreads’ pela banca


Este é o título desta notícia do Diário Económico.
Por princípio não concordo com ingerências do Estado na economia, mas também por princípio demonstrado inquestionavelmente por esta crise os mercados não se regulam eficazmente por si só, pelo que por vezes é importantíssimo que o Estado se imponha, não num papel interventor, mas sim regulador. E creio sinceramente que esta matéria da limitação dos "spreads" é uma matéria de regulação, sendo crucial que, não inibindo a concorrência, se estabeleçam limites máximos para os "spreads".
Acho porém que a medida peca por limitada. Além desta medida, no mercado do crédito à habitação, e neste contexto particular de crise, impunham-se medidas extraordinárias. Medidas como uma revisão do cálculo das prestações de quem usufrui (ainda) de crédito bonificado, para que as prestações destes empréstimos não sejam agravadas, bem como voltar a atribuir crédito bonificado aos jovens, na compra de habitação. Ambas as medidas são medidas de apoio ao mercado, especificamente dirigidas a um sector crucial na nossa economia, a construção, sendo também uma forma de apoio às pequenas e médias empresas, ao mesmo tempo que estimula o consumo privado, que tanto necessita de ser reanimado. Claro que tais medidas não agradam a quem prefere anúncios de milhões, em programas onde depois são gastos tostões, dada a ineficácia dos mesmos, bem como a dificuldade de acesso que têm.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O exercício da política


Depois de ter olhado com tanta negritude para a política e para os políticos, há uma questão que parece gritantemente impor-se: afinal porquê fazer política, porquê estar na política, porquê querer ser "político"?
De toda a reflexão pessoal que fiz impõe-se apenas uma resumida conclusão: é apenas por uma questão de consciência.
Como? O que quero dizer com isso?
O meu interesse pela política já vem da minha adolescência, sem que disso tenha tirado qualquer consequência. Porém mais tarde, aos 19 anos de idade, tornei-me cristão evangélico. Do exercício da minha fé cristã, uma consciência social foi crescendo, quer em mim, quer no meu grupo de amigos. Dessa consciência social iniciei um período da minha vida em que dedicava todos os meus tempos livres às causas sociais, ligado sempre à igreja a que pertenci. O trabalho social foi crescendo, principalmente no apoio a toxicodependentes e suas famílias. Mas a envolvência com estas problemáticas sociais ainda nos fazia encarar e ver mais e mais necessidades, crescendo sempre dentro de mim e dentro de cada um desse grupo a que pertencia, a vontade e a urgência de intervir nessas outras problemáticas. Até que, desse crescimento, formámos uma instituição particular de solidariedade social, da qual fui eleito secretário da direcção. Iniciámos uma batalha, conseguimos alguns apoios, mas na hora h, outros que nos acompanhavam, não conseguiram encarar a urgência das necessidades e travaram o rápido avanço da obra, levando a uma dispersão desse grupo mais empenhado, chegando mesmo a desfazer-se mais tarde todo o trabalho até aí desenvolvido. No entanto a consciência ficou.
Ficou a consciência do próximo, das suas necessidades, das dificuldades encontradas em ajudar outros, na forma como o Estado engole tudo e não deixa nada, da forma como nós somos difíceis de mobilizar para uma causa, da dificuldade que existe na mudança de mentalidades. Ficou essa consciência.
Esta evoluiu, amadureceu e daqui surgiu a necessidade de me realizar pessoalmente na ajuda ao outro, ao próximo, ao cidadão. Como voltar para o trabalho social era algo que estava fora de questão, por motivos pessoais, a política, com o gosto pessoal que já tinha por esta, surgiu como a saída óbvia.
E é assim e só assim que entendo o exercício da política, como o serviço prestado à comunidade, seja local, regional ou nacional, procurando buscar sempre, não o proveito próprio ou do partido, mas sim o proveito do próximo, da melhoria da qualidade de vida de todos.
Bem sei que não é assim que a maioria dos políticos vê a política, mas apenas respondo por mim. E acredito que no meu partido a maior parte das pessoas estão nesse espírito, concerteza que com motivações, com histórias pessoais diferentes. Até porque quem procura projecção pessoal, viver e servir-se da política não se filia num pequeno e recém-criado partido, alia-se aos grandes e tradicionais que mais depressa garantirão o respectivo lugar desejado.