sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Não consegui deixar de publicar isto

Li o artigo que se segue, de que deixo aqui o link, no Genizah, e não consegui deixar de o publicar aqui. Tal como o autor do post no Genizah, também eu chorei ao ler o artigo. Só me resta dizer mais uma coisa, e peço desculpa aos meus amigos que aqui vêm por outras razões, mas tenho de dizer: Glória a DEUS.
Dois pastores evangélicos e um motociclista morreram num acidente envolvendo sete veículos, na manhã de ontem, na Rodovia do Contorno, trecho da BR 101 que liga Serra a Cariacica.
Os religiosos pertenciam à Igreja Assembleia de Deus e haviam saído de Alegre, município da Região Sul do Estado, rumo a uma convenção estadual da igreja em Nova Carapina II, na Serra.
Os veículos - cinco caminhões, uma moto e um automóvel Del Rey - bateram um atrás do outro. O engavetamento aconteceu às 8h15, no quilômetro 277, na Serra. Os pastores estavam no carro.
Tudo começou quando um caminhão freou por causa do intenso fluxo de carros no sentido Cariacica - Serra. Os veículos que vinham atrás dele frearam também, mas o último caminhão - de uma empresa de cerveja - não conseguiu parar a tempo. Com isso, os veículos que estavam à frente foram imprensados uns contra os outros.
Os pastores José Valadão de Souza e Nelson Palmeira dos Santos e o motociclista Jonas Pereira da Silva, 52 anos, morreram no local. Dois outros pastores, que também estavam no Del Rey, sobreviveram, e o motorista de um dos caminhões sofreu arranhões nas pernas. Nenhum dos outros caminhoneiros ficou ferido.
O proprietário e condutor do Del Rey é o pastor Dimas Cypriano, 61 anos, do município de Alegre. Ele saiu ileso do acidente e teve ajuda do motorista José Carlos Roberto, carona de um dos caminhões, para sair do veículo.
Seu amigo de infância, o pastor Benedito Bispo, 72, ficou preso às ferragens. Socorristas do Serviço Médico de Atendimento de Urgência (Samu) e bombeiros fizeram o resgate dele. O pastor teve politraumatismo e foi levado para o Hospital Dório Silva, na Serra.
A mulher de Benedito chegou a ver o marido sendo socorrido e teve que ser amparada por um familiar. Ela também seguia para a convenção num outro veículo. A rodovia ficou interditada durante vários momentos da manhã de ontem nos dois sentidos. O trecho só foi totalmente liberado no início da tarde.
O pastor Dimas Cypriano, que sobreviveu ileso ao acidente na manhã de ontem, no Contorno, contou que usava cinto de segurança e que ficou preso ao tentar sair. Ele dirigia o Del Rey e disse que precisou de ajuda para sair do carro. Mas depois continuou no local, acompanhando os trabalhos de resgate do colega, Benedito Bispo. Nas mãos, levava uma Bíblia que ficou suja de sangue. Mas isso não impediu que o pastor orasse durante o socorro.
O mais comovente do triste episódio, foi o relato dado por 2 pastores sobrevivente, e pelos bombeiros que tentavam tirar os pastores ainda com vida, que estavam presos nas ferragens.
As testemunhas citadas acima, contam que os pastores Nelson Palmeiras e João Valadão, ainda com vida e presos nas ferragens, em meio a um mar de sangue que os envolvia, começaram a cantar o Hino 187 da harpa cristã:
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Ainda que seja a dor
Que me una a ti,
Sempre hei de suplicar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Andando triste
Aqui na solidão
Paz e descanso
A mim teus braços dão
Nas trevas vou sonhar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
Minh'alma cantará a ti Senhor!
E em Betel alçará padrão deAmor,
Eu sempre hei de rogar
Mais perto
Quero estar meu Deus de ti!
E quando Cristo,
Enfim, me vier chamar,
Nos céus, com serafins irei
Morar
Então me alegrarei
Perto de ti, meu Rei, meu Rei,
Meu Deus de ti!
Aos poucos suas vozes foram silenciando-se para sempre.
As lagrimas tomaram conta dos bombeiros, acostumados a resgatar pessoas em acidentes graves, porem jamais viram alguem morrer cantando um hino; como foi o caso dos pastores Nelson Palmeiras e João Valadão .
Notícia disponível no O Galileo
Postou Zé Luís no Genizah, confessando que os olhos marejaram ao ler o artigo.

Professores no Governo


Fenprof convoca greve dos professores para dia 4 de Março - Educação - PUBLICO.PT

Entreguem o Governo do país aos Professores.

Sinceramente acho que os professores são uma das forças que mais pode contribuir positivamente para o desenvolvimento do país. Mas acredito também que isso só será possível quando os seus sindicatos deixarem de ter o comportamento terrorista que actualmente têm. Num ano como este, em que no sector privado praticamente ninguém terá aumentos, em que as despesas do Estado estão descontroladas, em que existe uma luta, pela correcção do desvio orçamental, a ser travada, os professores assumem, ou pelo menos os seus sindicatos, assumem uma posição terrorista de valorizar a sua corporação em detrimento do interesse nacional.
Tantas vezes tenho criticado os partidos por deixarem o interesse do país para último, de darem primeiro lugar aos devaneios e exigências dos seus grupos de interesse. Afinal, e como se pode ver, os sindicatos sofrem do mesmo mal, até porque a maioria deles, sendo a Fenprof disso um excelente exemplo, estão vendidos ao interesse dos partidos aos quais estão ligados, desprestigiando efectivamente a sua classe profissional, comportando-se como uma força corporativista, ao nível de uma Máfia.
Cada dia me convenço mais que para este país progredir uma das coisas mais importantes e decisivas será a desconstrução das Corporações, não numa lógica do dividir para reinar, mas sim de incluir numa força mais abrangente e que zele pelo interesse comum do país e dos seus representados.

Só santinhos

Director do "Sol" diz que Vara "comandava" o jornal no BCP - Media - PUBLICO.PT

Mais uma farpa em toda esta situação.
Não sei já o que pensar ou o que é preciso acontecer. A política e os políticos são das coisas mais sujas que há por causa deste tipo de comportamentos e de pessoas.
Estou na política, num pequeno partido é claro, onde não cheira nem a dinheiro, nem a poder, por isso quem por lá anda está na política por convicção. A luta por uma higienização da política é cada dia mais uma luta urgente, uma luta essencial para a sobrevivência de uma débil democracia, onde os partidos são agora parte do problema e não da solução. Não sei, por vezes parece impossível acontecer alguma coisa de positivo vinda dos meios políticos. Os partidos, mais do reformados, precisam de ser refundados, pelo que essa a minha luta, construindo um novo partido e uma nova força política, sendo que entre as lutas políticas normais, temos de lutar contra os ímpetos que nos possam assemelhar no comportamento e nas ideias a esta gente.
Há muito a mudar, mas não são as direcções dos jornais.
É verdade que os nossos jornalistas e os nossos meios de comunicação social têm alguns problemas com o pluralismo político, afunilando ideologicamente as ideias difundidas ao bloco central. Mas se isto é por pressão, política ou económica, ou se é apenas defeito de formação não sei, o que sei é que se aos abusos dos políticos, juntarmos os abusos dos próprios jornalistas e seus patrões, podemos ver a forma como a nossa liberdade, sobretudo a de pensar e a de informação, estão bastante condicionadas.
O abuso dos meios de comunicação social chega ao ponto de ignorarem impunemente a lei e a Constituição.
Porque digo isso? A lei e a Constituição obrigam a que os Partidos em campanha eleitoral sejam tratados da mesma forma pelos meios de comunicação social. Ora estes, a pretexto do interesse público e de divulgarem apenas aquilo que tem "interesse" ou aquilo que "vende", que dá audiências, praticamente ignoram os pequenos partidos, concentrando-se apenas naqueles que já estão no parlamento. Aqui reside um evidente viciar da nossa vida pública, ao condicionar a informação aos partidos já com assento parlamentar, transmitem a ideia de que só esses é que poderão voltar a ter esse assento. Ora uma eleição é um ponto de partida, é o início de uma corrida sem vencedores anunciados. Ou deveria ser, os jornalistas imediatamente, pelo condicionamento que fazem, apenas dão possibilidades a quem querem. Isto é ilegal e é inconstitucional.
Alguém poderá afirmar que os meios de comunicação estão condicionados à necessidade de vender, de garantirem audiência, pelo que não é possível dar a mesma atenção a todos os partidos. Se isto pode ser verdade fora do período eleitoral, em campanha não o será, porque é uma exigência legal. É o mesmo que dizer que numa altura de enchente um restaurante pode fugir das regras de higiene ou facturação que a lei lhe exige. Todos os negócios têm as suas exigências e condicionantes legais e todos temos de os cumprir. Uma das exigências que a lei faz a quem tem um negócio de comunicação social é, por exemplo, o direito de antena, mas também o dever de tratamento igual de todos os partidos e forças concorrentes. Mas a comunicação vive ilegalmente e o nosso sistema político e judicial deixa.
Poderá ainda alguém defender que o Bloco de Esquerda superou esse condicionamento, que ultrapassou esses problemas, ou, como já li do José Manuel Fernandes, os jornalistas "sentiram" qualquer coisa de diferente no Bloco e por isso deram-lhe atenção. Isto é tudo falso e é condicionador da liberdade. Em primeiro lugar porque o dever dos jornalistas não é sentirem se devem ou não fazer notícia, em segundo lugar o dever dos jornalistas e seus patrões é cumprirem a lei. Além disso o Bloco só conseguiu ultrapassar as barreiras impostas pela comunicação social a partir do momento em que pessoas como o Fernando Rosas e o Miguel Portas, entre outros, com muitas ligações e muitos conhecimentos nos meandros e nas redacções, conseguiram levar o Bloco para as notícias. Daí à eleição de um deputado foi um pulinho.
É grave o que se revela sobre as tentativas de controlo da comunicação social pelos políticos, mas os jornalistas não se armem em virgens, porque também querem, e muito, condicionar os políticos.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Não há pressões, é tudo normal. Crime não é, mas indecente...

José Sócrates pressionou o director do "Expresso" para não publicar notícia sobre licenciatura - Media - PUBLICO.PT

Não creio que seja nada de grave um político telefonar para um jornal ou televisão a expressar desagrado acerca de uma notícia. Perante uma notícia não publicada (o que me admira é como dois dias antes da publicação do jornal o Primeiro-Ministro já sabia do conteúdo do jornal, mas adiante) querer emitir um desmentido ou apresentar uma correcção dos factos da notícia, parece-me ainda plausível. Pedir, ou exigir - não estou a dizer que o PM exigiu - que uma determinada notícia não seja publicada é que já não me parece assim tão natural. Além de ficar a nítida sensação de que se quer esconder alguma coisa, é uma pressão incrível ter o titular de um órgão de soberania a querer condicionar uma notícia.
Creio que por muito que se queira tapar o sol com a peneira é verdadeiramente notória a degradação da condição política de José Sócrates para se manter no Governo. Não sei como isto é possível num país democrático, aliás, parece-me que este caso é mais um sintoma da impressionante debilidade que ataca os fundamentos do Estado de Direito Democrático: o sistema judicial, o sistema político/partidário e o Governo e a sua esfera de acção.
Tenho muito medo de devassas de vida privada, de revelação de escutas, de intromissões abusivas, mas a verdade é que perante as revelações feitas e desmentidas apenas em tom de cassete, sem apresentação de provas contrárias, quando a comprovar o dito pelos jornais há escutas e transcrições de escutas, a margem de manobra dos envolvidos é muito pouca.
Como um amigo meu insistentemente diz, se o Nixon fosse Presidente de Portugal, nunca se tinha demitido e Watergate não era crime, nem tão pouco ia além do razoável na luta partidária.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Recordação de outros tempos

Perante as recentes declarações do Primeiro-Ministro José Sócrates acerca do Segredo de Justiça, e, ao ouvir hoje o Fórum da TSF dedicado a esse tema, tive uma sensação de regresso ao passado, de teletransporte.
O Primeiro-Ministro indignado com as informações que têm vindo a público, defendeu ontem um reforço das penas e da forma como devem ser encaradas as violações ao segredo de justiça, cavalgando uma senda legalista.
É interessante lembrar que a última vez que o PS foi profundamente atacado devido a um processo judicial, o Caso Casa Pia, os seus líderes começaram publicamente a falar na necessidade de alterar a lei para que os "abusos" que tinham sido cometidos contra gradas figuras socialistas não voltassem a acontecer. Dessa necessidade imensa de vingança contra o sistema judicial surgiu o Novo Código do Processo Penal e o Novo Código Penal, com as consequências evidentes na deterioração da segurança e ordem públicas, que leva o agora Ministro da Justiça a falar na necessidade de, passados estes anos, voltar a mudar a Lei por se terem evidenciado vários problemas nesta.
O líder do PS, agora afectado por um Caso Face Oculta, que revela a podridão, mais do que do Primeiro-Ministro, das figuras próximas deste e a podridão na forma como se usam recursos de empresas em favor das campanhas eleitorais partidárias, já está a cavalgar contra o sistema, começando a defender já alterações à Lei do Segredo de Justiça. Como da primeira vez, esperemos que esta senda não resulte em mais opacidade do sistema judicial e político, trazendo ainda mais descrédito sobre todo o sistema democrático sobre o qual o país assenta.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

1º ANIVERSÁRIO D' A TEXTURA DO TEXTO

Este espaço de opinião, o blogue A textura do Texto completa hoje um ano de existência.
Conforme prometido, para quem ainda não tiver lido fica a seguir a reedição do primeiro post deste blogue. Obrigado a todos os leitores e amigos deste espaço.


Existe uma Palavra no léxico da blogosfera política nacional que tem tomado algum protagonismo. De tal forma que se colou quase que de forma adesiva ao blogger que habitualmente a usa. A insistência tem sido tal que quase já não se consegue falar em política portuguesa sem falar nessa palavra. Trata-se do situacionismo.

Mas afinal o que é o situacionismo: é a forma como a comunicação social, e a sociedade em geral até, proclama e aclama insistentemente as virtudes e as ideias de quem tem o poder, bem como de quem é amigo de quem tem o poder, e até de quem é amigo de quem é amigo de quem tem o poder, e por aí adiante.

Quem tem falado insistentemente em Situacionismo: o ilustre Dr. José Pacheco Pereira, no seu conhecido blog "Abrupto". De facto é uma leitura diária que não dispenso, sou um confesso admirador do dito Sr., porém gostaria de deixar algumas considerações diversas acerca do situacionismo.

O que tanto tem revoltado o Dr. Pacheco Pereira, é um situacionismo que parece insistentemente proteger a esfera do governo, quer por parte deste propriamente dito, quer por parte do partido que o sustenta. De facto, pela forma como o Dr. Pacheco Pereira apresenta as situações, podemos falar numa grave crise de respiração na política portuguesa.

Mas gostaria de sugerir um outro caminho, uma outra razão para a respiração assistida do situacionismo ser tão premente: porque há tão pouco ar respirável para outras ideias e outras pessoas na política portuguesa? Há excesso de mofo, esse é o problema. Existem muitas ideias iguais, muitas pessoas "iguais", muitos "modus operandus" iguais; o fazer, o propor, a ambição, é tão comum, tão igual, que não há ar novo, respirável, na nossa política, na nossa sociedade, daí a necessidade de assistência respiratória.

Tudo isto porque creio que o situacionismo vai mais além do que a esfera PS/Governo: tudo é mais abrangente. O situacionismo ataca tudo e todos e é, não um mal em si mesmo, mas mais um sintoma de um mal mais profundo da nossa sociedade, da nossa política. Creio que o problema é mais abrangente, é mesmo um problema de regime.

No pós 25 de Abril, com toda a liberdade conquistada, proclamou-se a democracia, porém ela foi substituída habilmente pelos políticos, que tantos há que nunca tiveram nenhuma outra actividade profissional sem ser políticos (exemplos disso são o nosso Primeiro-Ministro, o Dr. Almeida Santos, o Dr. Santana Lopes - neste caso exceptua-se o tempo em que foi presidente do Sporting -, o Dr. Manuel Alegre, entre muito outros), por um outro regime, não declarado, nunca legislado, nem tão pouco assumido: a partidocracia.

Portanto creio que as dificuldades respiratórias da nossa política e da nossa sociedade se devem não ao situacionismo mas sim à Partidocracia: a ditadura, ou melhor, o regime de governo dos, pelos e para os partidos.

Regime dos partidos: foram eles os autores do regime - os lugares eleitos são seus, não dos eleitos, e só eles são os legítimos representantes do povo!!!???

Regime pelos partidos: não é possível haver projectos governativos sem ser dentro do grupo de partidos que entre si partilham o poder, ou seja os dois maiores e os seus satélites, todos mais ou menos cúmplices, que abafam completamente qualquer ponto de luz que tente quebrar esse breu.

Regime para os partidos: estes governam e governam-se, quer através dos milhões que recebem do orçamento de estado para se sustentarem e financiarem, como pela forma como os cargos políticos e públicos são distribuídos pelos amigos políticos - quando estes últimos deveriam de ser lugares de carreira, de quem faz carreira, nunca de quem é amigo, estando o estado e os partidos de tal forma intrincados que se confundem.

A Partidocracia está de tal forma enraizada que não conseguimos quase conceber outra forma, outro regime.

Acho que é tempo de haver uma separação clara entre os partidos e o estado, tal como o laicismo proclama para o estado e a religião.

Como? Simples, muito simples: todos os cargos da Administração Pública deixam de ser de nomeação política, são desempenhados por indivíduos com qualificações e com carreira feita, independentemente dos ventos partidários do poder: as esferas de nomeação política limitar-se-iam aos ministros e seus secretários de estado (claro que com os seus muitos e diversos assessores e afins).

Como? Simples, muito simples: todos os cargos eleitos pertencem a quem é eleito e não ao partido, sendo os deputados eleitos em círculos uninominais, bem como o primeiro-ministro, ministros e secretários de estado são eleitos através de listas apresentadas para irem a votos, tal como acontece na mais vulgar das associações deste país.

Como? Simples, muito simples: os partidos deixariam de receber qualquer verba do orçamento de estado para se financiarem, teriam de ser os seus militantes a financiarem o partido.

No entanto estas ideias são inconvenientes para a Partidocracia vigente, daí a forma como são abafadas. Sim porque existe quem as defenda: o partido Movimento Mérito e Sociedade (MMS), defende estas e muitas outras ideias, e aí, aí sim, o situacionismo não permite que este ar novo entre na nossa política e traga uma nova respiração à nossa sociedade tão necessitada.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Amanhã, 1º Aniversário d' A textura do Texto

Amanhã A textura do Texto celebra o seu primeiro aniversário. Fica prometida a reedição do primeiro post e um outro texto de reflexão sobre este ano.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Novo Livro? ou só imitação?

Sócrates: a verdade da mentira.

Procurador-geral da República: tentar controlar a imprensa e a TVI não é crime


Leiam-se estes dois artigos, um do i, outro do Jornal de Notícias e conclua-se o que há a concluir.

Pinto Monteiro fez o favor político a Sócrates com base num argumento grave: a tentativa de desviar a linha editorial de um jornal não é crime, aliás poderá até estar dentro do razoável para a luta político-partidária. Dizer isto é o mesmo que dizer que tudo vale, que a democracia não tem regras, pode-se mesmo afirmar que não é preciso ir votar que os senhores da política metem os boletins de voto na urna por nós.

Para mim foi a gota de água, a credibilidade de Pinto Monteiro ficou definitivamente arruinada, substitua-se rapidamente.

“Nossa salvação é uma dádiva inteiramente gratuita de Deus”.

“Nossa salvação é uma dádiva inteiramente gratuita de Deus”.
Benjamin B. Warfield

“Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.”
Lucas 19:10

“a saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo.”
Romanos 10:9

“Mas Deus dá prova do seu amor para connosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.”
Romanos 5:8

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.
Efésios 2:8-9

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Grave, grave, gravíssimo



Ex-director do “Público” acusa governo de ter pedido a sua saída para "favorecer" OPA da Sonae à PT





A primeira das personalidades ouvidas pela Comissão Parlamentar de Ética lança uma enorme bomba. Grave, tudo muito grave. Certamente que este homem não ia dizer coisas destas para o parlamento de forma inconsciente. Não vou fazer julgamentos de valor sobre a veracidade ou não das afirmações, mas a sua produção no parlamento, perante deputados, deixa-me preocupado, muito preocupado mesmo.

Fernando Nobre candidata-se a Belém

Segundo a edição online do jornal Expresso o Presidente da AMI Fernando Nobre apresentará amanhã a sua candidatura a Belém. Apesar de ser um homem ligado a assuntos humanitários, é clara a sua ligação à esquerda. Aparentemente é o homem descoberto pelos socialistas que não desejam apoiar Alegre para combater este no seu próprio terreno: o campo de uma esquerda alargada que abranja PS, PCP e BE, o que vai até além do que Alegre consegue.
No entanto Manuel Alegre tem-se portado muito bem.

Como deixou expresso o Prof. Carlos Santos neste post do Regra do Jogo, onde observa o ensurdecedor silêncio de Alegre acerca das denúncias de tentativas de condicionamento da comunicação social, o que, para um homem com o currículo político de Alegre, deveria ter originado já uma reacção.

Este comportamento amestrado de Alegre é concerteza na expectativa de um apoio à sua candidatura presidencial por parte do PS, o que poderá até ser mais do que uma expectativa e ter sido já previamente negociado com Sócrates. Claro que houve sempre uma facção do PS insatisfeita com esse apoio, pelo que dessa insatisfação, aparentemente, surgiu a candidatura de Fernando Nobre. Sem peso político público, tem no entanto uma imagem pública bastante positiva, podendo ser, muito mais do que Alegre, uma real ameaça a Cavaco. O actual Presidente deve pôr-se até em sentido perante esta candidatura, que deve até servir para impor algum respeitinho a Belém, que se já andava a tratar com paninhos quentes a situação política actual (em que na minha opinião devia tomar a iniciativa de demitir Sócrates), ainda mais cuidadinho vai ter perante esta candidatura que, na minha opinião, poderá ser muito mais problemática do que qualquer outra da esquerda,

Antes do o ser já o era

Tal como a pescada também a discussão sobre a Liberdade de Expressão e de Imprensa, levada a cabo pela Comissão de Ética, Sociedade e Cultura do Parlamento, antes de morrer já estava morta. Isto não espanta porque como sempre as discussões das comissões parlamentares, sejam de inquérito, sejam as comissões permanentes, nunca são consequentes. Claro que não quero ser acusado de defender que estas são inconsequentes sempre que não concluem o que penso que devem concluir, mas a verdade é que os relatórios finais são sempre inconclusivos por falta de evidências.

Também aqui vai acontecer o mesmo, mas aqui há um culpado de estar a impedir a discussão elementar do assunto, por tentativa clara e assumida de recentrar a discussão: ou seja o PS assume, ainda hoje se ouviu a deputada Inês de Medeiros a afirmar que a ideia é fazer desta discussão sobre a liberdade de expressão e de imprensa numa discussão sobre a comunicação social em geral, e, o exercício do jornalismo, as suas condições de trabalho, etc.

Aliás assisti hoje a um exercício muito interessante da parte de um Vice-Presidente da bancada parlamentar socialista em que este recusava uma inquirição baseada em diz que disse, condenando as insinuações e afirmações pouco claras, deixando logo a seguir um desafio aos ouvintes para que tentassem saber quem são os donos do semanário Sol e entender por aí se não haverá outras motivações por detrás das denúncias apresentadas. O deputado socialista quis fazer o exercício que condenava aos outros: recusando a matéria de facto que o Sol apresentou, bem como outros órgãos de informação, pretende que se deduza então um processo de intenções e suspeições e até de conclusões a partir do conhecimento de quem são os proprietários de um jornal.

A coisa atingiu o risível quando ao ouvir estas declarações um cidadão se recorda das afirmações de Sócrates de que não valia a pena controlar, ou comprar, jornalistas, o melhor era mesmo controlar ou influenciar os patrões. Sócrates abriu a caixa de pandora, querendo usá-la em seu favor, mas como o feitiço se virou contra o feiticeiro quer virá-la contra os outros. Ridículo.

Aqui está a evidência da podridão


PS envolve Cavaco e leva caso da alegada vigilância a Belém para o Parlamento - Política - PUBLICO.PT

Para o comum dos cidadãos deste país que procure manter-se informado e se interesse por estes assuntos, que procure não estar condicionado no seu pensar, nem tão pouco se deixe levar em manobras de auto-comiseração e dramatização artificial, o que fica desta reacção do PS, tentando envolver, ou melhor, procurando sujar o nome do Presidente da República fazendo agora ressurgir o velho caso das escutas, é a certeza de que o tal condicionamento a Belém denunciado agora como paralelo ao plano de controlo da comunicação social, afinal prossegue mesmo. Porque numa altura em que vozes se levantam a falar de uma moção de censura, afirmando os que contrariam esse dramatismo que a questão não é o Governo mas sim o Primeiro-Ministro, sendo que assim o que faria sentido é uma demissão deste pelo Presidente da República, este ataque a Belém soa realmente como uma tentativa de condicionamento político para que Cavaco se encolha e mantenha este seu ensurdecedor silêncio. Afinal aquilo que pretendem negar fica sim mais evidente.
Tal como o tal plano para controlo da comunicação social, porque a bem dizer, ainda que nem tudo tenha corrido como planeado, sobretudo a parte de ser secreto, a verdade é que gente incómoda como Moniz e Moura Guedes estão fora do ar.
Por muito que se queira negar os eleitos práticos do tal plano afinal estão aí para quem quiser ver, é preciso é querer.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Que pena o TGV ainda não estar construído...

Assim o Constâncio chegava mais depressa a Bruxelas. Ah é verdade, para isso acontecer era preciso a ligação de TGV de Madrid para o resto da Europa já estar concluída, coisa que os espanhóis dizem não ser para os próximos anos. Espera lá!!, então porque raio é que o Sócrates está com tanta pressa em construir o TGV até Madrid, dizendo que é para ligar Portugal ao resto da Europa??!! Bem, só se Madrid for "resto da Europa" que chegue.

Cerrar fileiras


Sócrates empenha-se a alimentar a unidade do PS - Política - PUBLICO.PT

Perante os ataques que têm sido desferidos contra si, bem ao estilo do velho animal feroz, José Sócrates, o Secretário-Geral do PS vai esta semana procurar cerrar as fileiras em torno da sua pessoa. Seria quase impensável que o sanguíneo Sócrates não tentasse reagir aos ataques, mas sobretudo ao início do surgimento de vozes dissonantes dentro do aparelho dos socialistas. Em vez de se render, de pensar em dar lugar a outro, Sócrates prefere o ataque, ou melhor o contra-ataque, a reacção, levando a uma união socialista, mais de vender para fora do que para consumo interno. Aliás isto servirá apenas para abafar ainda mais um PS que pouco ar tem fora do "socratismo", de que a falta de alternativas, perante a generalidade da opinião pública, a uma eventual saída de Sócrates, parece uma evidência gritante. Provavelmente os socialistas estão a preferir o lugar de refúgio, que parece seguro hoje mas pode-lhes sair muito caro no futuro.
Mas na minha opinião isto é só mais uma demonstração das prioridades de interesses a que os senhores da actual política tradicional portuguesa procuram acudir. O primeiro interesse a servir é o pessoal, depois é o do grupo de interesses no qual se movem, após isso vem o interesse do partido e só no fim vem o interesse do país. Esta é a forma como a generalidade dos partidos e dos políticos funciona, o que é um real empobrecimento da nossa democracia, que se desmanchou numa oligarquia de partidos, ou poderemos mesmo dizer de uma determinada classe que mina todos os partidos.
Perante este panorama não consigo perceber como ainda há pessoas que pensam em aderir a partidos como o PS, o PSD, o CDS, o PCP ou o BE, pois estes estão enquistados num serventilismo do seu grupo de interesses, dificilmente observando a realidade com olhos de ver. Para mim só faz sentido hoje a militância política fora dos partidos tradicionais e no âmbito de um movimento político novo, sem vícios, que podemos ajudar a formar e a construir para que estas situações sejam preventivamente debeladas. O efeito profilático é o melhor para alcançar a transformação política de que o país necessita, desconstruindo a nossa democracia partidocrática em favor de uma democracia inclusiva dos cidadãos e da sociedade civil. É crucial, para mim, entender a política como o espaço da primazia do interesse do colectivo, beneficiando a vida do indivíduo, sem colectivismos absurdos e utópicamente perigosos, mas percebendo o espaço de liberdade de cada indivíduo para construir o seu caminho, e, aí lutar por uma nova perspectiva, fazendo do primado do interesse do país, demonstrando-o pela prática e não pela dialéctica, nem pela verborreia, o primeiro dos interesses a ser atendido.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Se fosse noutro tempo


Manuel Godinho terá pago 72 mil euros a Santana Lopes - Sociedade - PUBLICO.PT

O caso Face Oculta está a dar pano para mangas. E como não seria de espantar, a porcaria espalha-se cada vez mais, atingindo já gente do PSD. Não espanta porque as semelhanças entre os dois partidos são tantas, tantas, que até no lixo que os sujam se assemelham.
A diferença existente é a de Presidente da República. Cada vez tenho mais relutância em votar Cavaco, como fiz da primeira vez, caso ele se recandidate.
Se fosse no tempo em que Santana Lopes foi Primeiro-Ministro e se soubesse das insinuações de que este artigo fala, ele tinha sido corrido na hora. Com muito menos Sampaio provocou a queda do Governo, com um apoio maioritário no parlamento. Com uma história destas de corrupção, de cheques e dinheiro de um sucateiro corrupto, o que faria Sampaio. Não se percebe então, a não ser por tacitismo político do mais baixo nível, colocando mais uma vez os interesses políticos pessoais aos interesses do país, que Cavaco não demite Sócrates. Nem a desculpa da negociação e apresentação do Programa de Estabilidade e Crescimento a Bruxelas servirá de desculpa, uma vez que o pacote está praticamente fechado e certamente que as opções dentro do PS que poderiam substituir o actual Primeiro-Ministro conseguiriam concluir esse trabalho, porque o mais difícil, o Orçamento de Estado já está aprovado.
Cavaco está a ser um mau Presidente e a prestar um péssimo serviço à democracia e ao país em geral.

Ninguém pode orar e ficar preocupado ao mesmo tempo

“Ninguém pode orar e ficar preocupado ao mesmo tempo. Quando nos preocupamos,

não estamos orando. Quando oramos, não estamos preocupados. Quando você ora,

você “fica” com sua mente em Cristo,...”

Incendiário é o PS não se decidir já pela substituição de José Sócrates


Apelo a moção de censura é "incendiário" - Política - PUBLICO.PT

Interessante artigo este do Público, no qual se percebe a confusão que reina nos dois principais partidos do espectro parlamentar português. Por um lado no PS há quem estique mais uma vez a velha corda da dramatização, afirmando que se a oposição acha que o Governo não tem condições de governar deve apresentar uma moção de censura - como Capoulas Santos e António Costa. Há outras personalidades socialistas, como Francisco Assis, que acham que esse desafio é incendiário. Aqui também não há novidade, porque Assis tem-se mostrado ultimamente dos elementos mais moderados das cúpulas do PS, o que assenta bem ao líder parlamentar de uma maioria relativa.
Sendo assim parece-me que existe hoje algo de impensável há pouco tempo atrás no PS: uma clara divisão, ainda mais notada através de outras declarações de dirigentes como Sérgio Sousa Pinto.
Parece-me a mim que ao PS, perante os estragos provocados pelas revelações relacionadas com o caso Face Oculta, só resta uma solução: substituir o Primeiro-Ministro. Aliás Marcelo Rebelo de Sousa fez ontem esse exercício lançando três nomes de possíveis futuros Primeiro-Ministros, caso a decapitação de Sócrates aconteça: António Costa, Teixeira dos Santos.
Do lado do PSD já se percebeu a armadilha, sendo que Rangel e Aguiar Branco, com posições mais moderadas, afirmaram ambos, com pequenas nuances, que esta dramatização e estas guerrilhas dentro do PS estão a ser usadas pelos socialistas como uma manobra de diversão em relação aos estragos do Face Oculta, saindo de Pedro Passos Coelho posição mais extremista e também mais desconexa - demonstrando quanto a mim a sua manifesta impreparação, pois estaria disposto a facilmente cair na armadilha socialista da moção de censura.
Na minha opinião a iniciativa aqui deve ser do Presidente da República, mais do que dos partidos, porque não se trata da legitimidade da continuidade do Governo - o que seria razão do moção - mas sim da falta de condições de José Sócrates, do Primeiro-Ministro, pelo que o PR devia, ele sim, demitir José Sócrates e chamar o PS a escolher um novo Primeiro-Ministro.

José Relvas, o homem da 'revolução' - Portugal - DN


José Relvas, o homem da 'revolução' - Portugal - DN

Por ainda ter raízes em Alpiarça, terra onde José Relvas morava, e também por ter vivido lá algum tempo da minha juventude, sinto-me sempre atraído pelas histórias que falam da mais eminente figura desta terra.
Para muitos José Relvas é um desconhecido, mas foi ele quem proclamou a instauração da República em Portugal da varanda da Câmara Municipal de Lisboa. Deixou um enorme legado patrimonial, em terras e a sua própria casa ao município, pelo que ainda hoje, na Casa dos Patudos, se pode ver um maravilhoso espólio, do qual se pode destacar a enorme e líndissima colecção de tapetes de arraiolos.
Certamente um encontro com a nossa história a não perder.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Moção de censura



Silva Pereira: substituição de Sócrates resolve-se nas eleições - Política - PUBLICO.PT

Como se isso já não fosse óbvio, perante as declarações de hoje de Silva Pereira, dúvidas nenhumas ficariam: o Governo e o PS estão a esgrimir uma violenta estratégia de vitimização, velha e gasta mas eficaz, em que, ou conseguem os seus intentos na Assembleia da República e ameaçam com demissão, ou desafiam então, ainda que sub-repticiamente, os partidos da oposição a fazer cair o Governo com uma Moção de Censura. A estratégia costumeira fica bem a certa desinformada opinião pública que gosta sempre de olhar para o coitadinho.
O que queria Silva Pereira dizer com isto:
"Em resposta às declarações de António Capucho, presidente da câmara de Cascais e conselheiro de Estado, o ministro disse: 'Que uma das figuras mais destacadas do PSD não queira que o país seja governado por este primeiro-ministro e por este Governo, esse é um problema que se resolve nas eleições.' "
Parece-me óbvio que, apesar de já haver conscientes vozes dentro do PS que se afirmam, ainda que com pouca visibilidade, incomodadas com a permanência deste Primeiro-Ministro, pela demonstração constante de falhas de carácter, a estratégia é mesmo a de desafiar a apresentação de uma Moção de Censura.
O coitadinho do Sócrates sairia à rua, a grande vítima de uma oposição ressabiada por não conseguir ganhar as eleições (já agora é preciso que alguém informe que o ganhar eleições não dá a ninguém o poder de cometer crimes impunemente, ou de tentar atacar fundamentos do estado de direito), procurando assim retomar uma maioria absoluta que afundaria de vez com o país. Evidentemente que este feio número, de tão repetido, pode sair caro, porque resta sempre a esperança de que um dias destes o povo acorde.

Pedro Silva Pereira e o controlo dos media


O Clone do Primeiro-Ministro, o Sr. Ministro da Presidência Pedro Silva Pereira, em declarações após o Concelho de Ministros, acabou de dizer que a prova da inexistência presente ou passada de um plano para controlar a comunicação social, ou alguns dos seua órgãos, está naquilo que se tem dito e escrito sobre todo este caso em todos os media.
O Sr. Ministro da Presidência só não entende, ou não quer entender, que a liberdade actualmente demonstrada só acontece porque o tal plano que para hoje parece evidente ter existido, falhou, pelo que o Governo só está a levar com aquilo que preparou.

Perguntas:


PODE O PRESIDENTE DA REPÚBLICA CONTINUAR EM SILÊNCIO POR MUITO MAIS TEMPO PERANTE O PÂNTANO EM QUE O PAÍS E O GOVERNO ESTÃO A CAIR?

AFINAL AINDA TEMOS PRESIDENTE OU NÃO?

Exercício interessante


A SIC acaba de fazer um interessante exercício jornalístico no Primeiro Jornal, ao recordar as declarações repetidas e bombásticas de Sócrates, aquando do Caso Marcelo - acerca das alegadas pressões do Governo para a saída de Marcelo Rebelo de Sousa da TVI, sendo na altura Santana Lopes o Primeiro-Ministro.
Ora o mundo dá muitas voltas e todas as pedras que ele atirou na altura estão hoje a cair-lhe em cima do seu telhado de vidro. Pena é que o Presidente da República actual não faça o mesmo que Sampaio fez, mas talvez esteja também, tal como o seu antecessor, a aguardar que o PSD se reorganize. (Ou não!)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Revoltante de todo




Na sequência do artigo anterior, o i complementa com o artigo acima. O revoltante da história é que o nosso inútil sistema judicial não serve em geral para nada, é ineficiente e chega tarde e a más horas para cumprir a sua função. A excepção é quando está ao serviço de alguma grande cabeça deste país, como é o caso: "Rui Pedro Soares, administrador da PT, interpôs uma providência cautelar para impedir o semanário SOL de publicar o conteúdo das escutas do processo Face Oculta onde aparecem conversas entre o primeiro-ministro, José Sócrates, e Armando Vara."

Revoltante é a palavra, porque os dois oficiais de justiça permanecem à porta do Jornal SOL à espera de um dos três destinatários da providência cautelar: o director, José António Saraiva, e duas jornalistas, Felícia Cabrita e Ana Paula Azevedo.

Pelos vistos, como dizia Jorge Coelho, ainda continua a levar quem se mete com o PS.

A bem da nossa democracia, se não fosse crime, sugeria que alguém atirasse uma pedradas aos oficiais de justiça para que fossem para longe, mas não o faço, porque como disse, isso seria crime, e isto é só uma força de expressão.

Isto está lindo está...


Providência cautelar tenta impedir publicação de mais escutas no semanário "Sol" - Media - PUBLICO.PT

Se o sistema de justiça português não serve para garantir o exercício da justiça e do direito, pelo menos que sirva para proteger gente a quem o comum dos mortais não confiaria nem cinco Euros, mas que são Administradores de grandes empresas.
Agora o condicionamento e a pressão sobre a comunicação social começa a ser às claras.
Aliás esta frase do director do Sol, publicada ontem em declarações ao i, se não demonstram mais nada, evidenciam pelo menos uma arrogância e sentimento de impunidade imensas:

“No único almoço que o 'Sol' teve com Sócrates em São Bento, ele às tantas disse-me que 'isto de a gente tentar comprar jornalistas é um disparate, porque a melhor forma de controlar a imprensa é controlar os patrões'. Foi extraordinário o desplante de ter dito isto e depois ter posto esse plano em prática".

E ficamos de braços em baixo murmurando: "mas não há alternativas". Por favor, vamos limpar este país desta gente que, para além de pouco capaz, é arrogante e sobretudo pouco séria.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Ressabiamento evidente


Segundo o Expresso online o líder da bancada parlamentar do PSD José Pedro Aguiar Branco também vai avançar para a presidência do PSD.
Evidentemente que perante o não surgimento de alternativas internas a Pedro Passos Coelho o homem que sobrava com disposição para o enfrentar seria Aguiar Branco. Este já tinha sido candidato aquando da eleição de Manuela Ferreira Leite, tendo desistido a favor desta. Desta vez, ao que parece, também foi apanhado de surpresa pela candidatura de Paulo Rangel, mas aparentemente desta vez parece não estar disponível para recuar. Ao que parece, a visibilidade evidente entregue a Aguiar Branco deixava vislumbrar que ele seria a opção apoiada pela liderança actual. Porém agora com o surgimento de Rangel na equação fica a expectativa do sentido a assumir por Ferreira Leite.
Claro que assim o PSD vai cair de novo no canibalismo interno, o ressabiamento de Aguiar Branco parece evidente, pois teve a paciência de ver os potenciais líderes a declinar essa hipótese, apontando todos os dedos para ele como única alternativa viável a Passos Coelho, o que agora fica manifestamente em causa perante o avanço de Rangel.
Para bem do próprio PSD impunha-se um cerrar de fileiras em redor de Rangel, porque este é o melhor candidato, uma vez que não está comprometido com governações anteriores dos sociais-democratas, tal como Passos Coelho, mas com a vantagem de ter uma imagem de competência e uma experiência manifestamente positiva como líder parlamentar. Torna-se por isso claro que existem muitas vantagens de Rangel em relação a Coelho, mas também em relação ao cinzentismo de Aguiar Branco.

Perante a falta de credibilidade do Primeiro-Ministro a alternativa na alternância parece começar a surgir


Digo isto porque uma das poucas pessoas que dentro do PSD podem ser verdadeiramente alternativa a Sócrates, e, que me parecem ter capacidade e credibilidade para contrapor à incapacidade de descrédito do PM, é precisamente Paulo Rangel. Acredito que este não fosse de todo o seu desejo, que vai colocar a cabeça no cepo, bem a jeito de ser cortadinha ao primeiro deslize, porque esta é uma fase difícil para se ser líder da oposição, mas perante a alternativa de entregar o PSD a um inútil como o Pedro Passos Coelho, sem que mais ninguém quisesse avançar, Rangel cedeu. Veremos as suas declarações hoje às 20 horas.

Jaime Gama preocupado com a credibilidade do primeiro-ministro


Jaime Gama preocupado com a credibilidade do primeiro-ministro - Política - PUBLICO.PT

Já há vozes de pessoas conscientes do PS que se começam a ouvir, pelo menos em corredores obscuros dos espaços políticos, colocando em questão a figura do Primeiro-Ministro.
Aquilo que parece ser um clamor que se espalhou pelo país já há muito tempo, que para muitos parece evidente, que é a necessidade da saída imediata de Sócrates, só agora está a subir à mente das elites políticas. Na minha opinião isto só é mais uma demonstração da forma distante, em relação às realidades e aos sentimentos do país, em que os políticos vivem. Assim se comprova que a abstenção é em grande parte culpa da classe política que é surda e distante, vivendo numa estratosfera irreal, onde as realidades diárias dos cidadãos parecem uma ficção distante, de que apenas ouvem falar, ou que vêm nuns índices no monitor do computador, ou estampadas num jornal, tomado depois, quando não agrada, esse jornal como inimigo a abater. É o que temos: uma classe política inútil para melhorar a qualidade de vida dos cidadãos do país.

Histeria ou a urgência da mudança


Li no blogue A Torto e a Direito uma crónica da Constança Cunha e Sá, onde esta defende que toda esta onda em torna da liberdade de expressão é apenas um ataque histérico de gente que procura todos os motivos para atacar José Sócrates. Ela dá o exemplo de que para esses histéricos radicais anti-Sócrates no caso Mário Crespo uma conversa privada podia servir para um artigo público, enquanto no caso das Escutas a Belém um mail privado já não devia ter sido divulgado.

Aparentemente ela tem toda a razão, acontece que, pelo menos para mim, Cavaco e Sócrates podem ser os dois enfiados no mesmo saco, embora eu veja, no futuro próximo, muito menos alternativa a Cavaco do que vejo a Sócrates.

Aliás toda a argumentação de Constança Cunha e Sá redunda no facto de não haver alternativa a este "famigerado governo", como ela afirma.

Porém a alternativa está, acredito eu, a ser confundida com alternância, e essa, como em 35 anos de democracia já vimos, não resolve absolutamente nada.

Mas o mais curioso das considerações desta crónica são as seguintes:

"Mas se a liberdade de expressão está, de facto, em causa, não se percebe porque é que a Oposição, nomeadamente, o PSD do dr. Rangel, não tira daí as devidas consequências e apresenta uma moção de censura na Assembleia da República. Ou, melhor, percebe-se: porque a Oposição sabe que, por pior que seja o eng. Sócrates, não existe qualquer alternativa ao seu famigerado Governo."

Será que no PSD há assim tanta consciência de que não são alternativa ou têm sim consciência de que o exercício de auto-comiseração do Primeiro-Ministro poderia garantir-lhe uma nova maioria absoluta que ninguém deseja. É que o português gosta sempre de se sentir o protector dos fracos e oprimidos, ainda que estes lhes estejam a arruinar a vida, como é o caso do Eng. Sócrates. Acreditar que não há alternativas é menosprezar os outros partidos, sobretudo o PSD, mas acima de tudo o próprio PS, é o mesmo que dizer que o PS é Sócrates e nada mais. É pouco, muito pouco para um partido que quer ser governo mais quatro anos estar limitado a um só homem.

Será que "apelar ao Presidente da República para que demita o primeiro-ministro, na situação em que o País se encontra, seja um exercício fútil que dificilmente pode ser levado a sério. Ou seja mais um sinal da histeria que por aí abunda."

Será que não é antes um sinal de vivência e de vida de uma sociedade civil que começa a reclamar o seu direito a existir e a uma intervenção política e cívica que, o colectivismo cultivado nos últimos anos, tem procurado insistentemente asfixiar, enquanto nos discursos, de forma hipócrita, afirmava querer estimular. Estamos perante uma histeria ou uma tomada de consciência. E quando gente se manifestou na rua contra a nomeação de Santana Lopes para Primeiro-Ministro, ou quando se fez cair um governo com maioria absoluta no parlamento por muito menos do que se está a ver hoje, também se estava a assistir a uma histeria colectiva?

4-1

Para ligar para o complexo Alvalade XXI o indicativo mudou: em vez do indicativo de Lisboa 2-1, deve marcar um novo indicativo, exclusivo para estruturas leoninas, o 4-1.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Do que estamos à espera: é tempo de agir


Chega de socractinices.
Perante isto, em que até gente de dentro do PS já defende a saída do Primeiro-Ministro, parece-me evidente que já não há condições políticas para a continuidade de José Sócrates. Nem sequer uma alegada estabilidade, tida como fundamental, serve já de sustentação, pois a contínua mácula de suspeitas graves, sejam de corrupção, ou de tentativas e planos de controlo da comunicação social, são hoje, promotores de profunda instabilidade social e política.
Aguenta-se ainda Sócrates por conta de ainda não ter essa instabilidade atingido a economia - o que também, sendo verdade, o é apenas em parte, porque a pressão feita sobre a oposição para que se prossigam os intentos do Governo só tem provocado instabilidade - e por o nosso Presidente da República estar hoje, mais interessado no seu futuro político, com a proximidade das eleições, do que com o interesse do país - o que é aliás apanágio dos políticos tradicionais portugueses.
Também para acção deixo aqui a proposta para a assinatura da petição online "Todos pela Liberdade".
Vamos exigir já uma mudança, pelo menos a demissão imediata e a bem do país deste senhor, deste Eng. Sócrates.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

21 de Fevereiro - 1º Aniversário d' A textura do Texto

Dia 21 de Fevereiro este blogue completa um aninho de idade e de escritas quase diárias (quase hã).
É motivo para comemorar, não sei é bem como. Aceitam-se sugestões, desde que cumpram os seguintes requisitos: tem de custar nada, ou custando que seja pouco e que cada participante pague o seu.
Bem leitores força aí nessas ideias.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sócrates lamenta "jornalismo de buraco de fechadura"


O Primeiro-Ministro José Sócrates fez hoje finalmente uma declaração sobre a divulgação das escutas telefónicas e o despacho do Juiz de Aveiro, ontem divulgado pelo Sol.
Sócrates declarou:
"Eu acho absolutamente lamentável que esse jornalismo, que se pode classificar como jornalismo de buraco de fechadura, baseado em escutas telefónicas e em conversas privadas, que não tendo relevância criminal devem ser privadas, se faça e com o objectivo de atacar pessoas."
O nosso Primeiro-Ministro só se esqueceu de um pequeno pormenor: é que este tipo de despacho judicial, depois de transitado em julgado, como é o caso, torna-se um documento público. As suspeitas e o jornalismo não é feito com base nas escutas, mas sim naquilo que o Juiz deixa transparecer no despacho. Claro que outras notícias sobre insultos e outros assuntos, já são de facto irrelevantes, mas o que de facto deixa estranheza é que o Juiz de Aveiro, com as escutas que ouviu, e que deixa transparecer para o despacho, ficou com nítida impressão de que havia um plano que configurava um crime, mas, chegando as mesmas escutas ao Procurador Geral da República e ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, estes tenham pensado exactamente o contrário. A estranheza de que falo emana do facto de da leitura dos despachos qualquer pessoa ficar com sérias dúvidas de que não tenha havido um crime, ou pelo menos a manifestação do mesmo. O que estas notícias fazem é que, ainda que não existisse matéria criminal, há certamente conteúdo político relevante. Ou seja, embora inicialmente não fosse favorável a isso, perante o avolumar das situações e das suspeições, cada vez fica mais a suspeita de que houve um "favorzito" feito a Sócrates pelo Procurador e pelo Presidente do Supremo, pelo que se impões agora a divulgação dessas escutas. Ainda assim eu sou mais pela defesa da provacidade, mas há dois organismos que estão fragilizados: a Procuradoria e o Supremo, sendo que se impões claramente a substituição dos líderes desses órgãos.
Além disso a vergonha impunha que Sócrates se demitisse, mas isso já se viu que ele não tem Logo, a bem do país, impunha-se que fosse o Presidente da República a ter essa vergonha e a demitir este vergonhoso governo.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Lembram-se quando o Sampaio demitiu o Santana...


Após alguns poucos meses de governação, e apesar de uma clara maioria, de coligação, a suportar o Governo, perante uma série de casos, que não tendo nada a ver com a governação em si, afectavam profundamente a mesma, e, demonstrando assim que tudo se tratou apenas de uma vergonhosa manobra que foi apenas para permitir afinal, uma reorganização urgente dentro do Partido Socialista, para permitir uma vitória, que antes parecia improvável, demitiu o Primeiro-Ministro Pedro Santana Lopes.

Bem sei que vivemos outros tempos, bem mais conturbados ao nível económico, onde os olhos dos mercados financeiros internacionais estão sobre o nosso país, mas diga-se em abono da verdade que uma boa parte dessa instabilidade tem sido produzida por este Governo. Em primeiro lugar porque fizeram uma manobra de "chico-espertice" ao lançar para cima o défice de 2009, para apresentarem uma falsa descida para 2010 de 1%. Em segundo lugar o Governo é responsável por produzir assim um Orçamento Geral do Estado que não corresponde efectivamente às necessidades urgentes do país de consolidação orçamental, nomeadamente através de cortes na despesa que se impões, e que, só com uma grande coragem e sentido de responsabilidade poderiam ser tomadas. Em terceiro lugar, apesar de os partidos da oposição terem garantido a passagem desse orçamento sem grandes contrapartidas exigidas, o Governo teve de criar uma falsa tensão devido a uma Lei das Finanças Regionais que afinal, ao contrário do afirmado, reduz as transferências e limita o endividamento mais do que alguma vez foi feito (exceptuando as vezes em que foi aplicada a Lei do Enquadramento Orçamental), produzindo assim aquilo que, aquando da discussão do Orçamento, a oposição procurou evitar: instabilidade política.

Estes factores demonstram que os olhares "animalescos", nas palavras de Teixeira dos Santos, sobre o nosso país, só para aqui recaíram em boa parte por culpa do Governo.

Se a isto somarmos os sucessivos casos que demonstram a forma como este Governo tem mentido aos país e pior, procurado controlar e condicionar os jornalistas e órgãos de comunicação social (caso Crespo, caso TVI, Manuela Moura Guedes, José Manuel Fernandes, etc.), bem como os casos de corrupção que insistentemente se colam à pele do Primeiro-Ministro, creio que existem razões bem mais relevantes e substanciais para que o Presidente da República intervenha e demita este Governo. Instabilidade por instabilidade, ela já está mesmo aí, provocando dúvidas em quem nos observa. Mas se o país precisa de se endireitar, é claramente óbvio, pelo menos para mim, que não é com este Governo, nem com este PS que a coisa endireitará.

Urge a mudança.

Este foi o email que deixei no site criado pela mãe da menina da reportagem Filha Roubada

A senhora é uma pessoa lamentável, manipuladora e desonesta. A senhora atira-se ao juíz porque ele é novo, mas nunca tem coragem de dizer que a decisão dele já foi confirmada por três juízes da relação, para onde a senhora recorreu.
Além disso é egoísta, quando não quer sequer perceber porque é que num orfanato cheio de crianças, a maior parte delas sem ninguém, não permite que a sua filha seja cheia de brinquedos - o que acha que as outras crianças iam sentir.
Neste site chama o Lar de odioso, mas a única pessoa que vejo odiosa nesta história é a senhora.
Tenha vergonha e ajude a sua filha a reconstruir a sua vida, consigo, mas também com o Pai, que foi isso que a senhora nunca quis. Basta ler a decisão que o juíz proferiu, para se perceber que toda esta história é uma vergonhosa manipulação, orquestrada por uma mulher doente e por um jornalista mentiroso.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Teixeira dos Santos junta-se à ninhada


Sim o Ministro das Finanças junta-se à mesma ninhada de pintos negros de onde pertence o Calimero Sócrates, assumindo também ele o papel do coitadinho. O sentido de responsabilidade e de Estado exigia mais: pelo menos mais negociação com quem tem exigido pouco ou nada para viabilizar uma governabilidade, que os próprios agora querem por em causa.

Exige-se conversa discussão e responsabilidade: chega de birras, bastidores e esticar de corda. Perante tantos recuos o que resta à oposição? Nada, quase nada, porque esta Lei, como hoje foi aprovada na especialidade, não compromete o orçamento. O que compromete o Orçamento de Estado é a falta de coragem do Governo em não admitir cortes, principalmente privatizando certos cancros públicos, ou assumindo definitivamente um corte em certos níveis da hiererquia do Estado.

Ferreira Leite chamada a São Bento para reunião com Sócrates


O primeiro-ministro, José Sócrates, pediu hoje à presidente do PSD, Manuela Ferreira Leite, para se reunirem sobre o actual impasse político em torno da Lei das Finanças Regionais, disse à Lusa fonte da direção social-democrata.

O mesmo responsável social-democrata, cuja informação foi também confirmada por fonte da bancada socialista, adiantou que a presidente do PSD recebeu o telefonema de José Sócrates, esta tarde, durante a sessão plenária na Assembleia da República. O gabinete do primeiro-ministro, no entanto, disse não fazer qualquer comentário sobre o assunto.

Por Lusa

UUUUUUH. Eu teria medo, a qualquer altura o animal feroz pode acordar.

Tremenda citação acerca da teologia da prosperidade


A teologia da prosperidade não nos prepara para a vida. A vida é dura, curta e incerta. Em todas as igrejas há casos de crentes sinceros que estão passando por provas bastante duras. Glorificando a Deus através da manutenção do ser apesar de todas as perdas do ter. Gente que segue a Deus não pelo que vê, cuja fé embora não os tenha ajudado a ver milagres, os tem ajudado a viver sem eles.
A.C. Costa em Palavra Plena e Genizah
Foquei tocado com estas palavras e perguntei-me: de facto o que é mais fácil viver uma vida cristã vendo milagres ou viver uma vida cristã sem ver nada disso, e ainda assim permanecer fiel e firme? O que é mais difícil ser um crente na prosperidade ou da dificuldade? O que será?...

Sócrates O Calimero


Já não é a primeira vez que comparo o nosso Primeiro-Ministro, Ex.mo Sr. Eng. José Sócrates, com o pintinho cheio de auto comiseração Calimero, por usar constantemente a estratégia da vitimização.

Desta vez volto à comparação porque o nosso Primeiro está de novo a fazer esse exercício, porém a raiar, desta vez, a irresponsabilidade grave. É que depois de ter esticado a corda da dramatização com o Orçamento de Estado, gritando "olhem vejam os maus partidos da oposição a quererem governar a partir da Assembleia", conseguindo a aprovação do Orçamento de Estado, sem a imposição de qualquer exigências da parte dos partidos PSD e PP, agora, perante uma iniciativa (deveras despropositada) da oposição, volta a esticar a corda.

O pior é que desta vez ameaça, não partir, mas a cortar de verdade a corda. A Oposição, percebendo a contradição que seria aprovar esta despropositada e despesista Lei das Finanças Regionais, numa segunda demonstração de sentido de responsabilidade e de Estado, cedeu, aprovando na especialidade profundas alterações, o que retirou as características mais esbanjadoras da Lei, procurando o acordo do PS e do Governo. Mas começa-se a perceber que a intenção é fazer birra, não havendo qualquer desejo de negociar nada, naquilo que parece ser a estratégia que o PS e o Governo vão seguir no restante da legislatura, apresentando propostas que a Oposição tem de seguir sob o pretexto de ser irresponsável e causar uma crise política com as ameaças constantes de demissão. O PS e o Governo estão a ser politicamente desonestos, pois declaram uma intenção de negociação que efectivamente não pretendem encetar, querendo sim arrastar os outros partidos nos seus desejos.

Estamos perante uma forma grave de encarar a democracia: esta é a política de governar pela chantagem, é uma governação terrorista, exigindo, apontando a arma da demissão, tentando lançar o ónus sobre a oposição.

Até o Presidente da Assembleia da República está a entrar na paranóia, sendo afirmado pelo jornal i que Gama poderá adiar ele a votação da Lei, mesmo depois das profundas alterações, para evitar esta crise política.

Ouvi agora na TSF que o Teixeira dos Santos convocou os jornalistas para falar ao país hoje às oito da noite, mas aparentemente o cenário de demissão está afastado, mas a corda será esticada um pouco mais.

A ver vamos.

Mas começo a achar que para andarmos a ser governados por terroristas políticos do PS mais vale haver novas eleições e que o PS, claro, não ganhe, ou ganhando (por azar supremo) que seja com maioria para acabar sozinho com o resto - do país entenda-se.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Risco da dívida portuguesa dispara para valor recorde




Este é um trecho de um artigo do Público que demonstra que o risco de incumprimento da dívida pública portuguesa está a subir, o que significa que o prémio a pagar pelo Estado está a subir.

É mais um sinal de preocupação para com as nossas finanças públicas e que devia abrir os olhos dos nossos políticos para a necessidade urgente de efectuar cortes efectivos e não cosméticos nas despesas públicas. É por isso de exigir, por exemplo, a privatização de empresas públicas que são sorvedouros de dinheiros do orçamento e que não nos acrescentam nada de útil: RTP, TAP, ANA, entre outros só dão prejuízo e necessitam de ser cortados do Estado que as alimenta às custas de todos nós.

O abismo que Sócrates andou a cavar nos últimos cinco anos está finalmente a começar a engolir-nos.

Eu ia escrever qualquer coisa sobre o assunto mas...



Será que com os impostos também vão deixar cair o seu aumento, ou o seu aumento acabará por cair sobre nós?

Finanças regionais, Calimero Sócrates, Dramatização e Conselho de Estado











Parece uma sopa, ou talvez uma salada, mas não é.
Depois de o responsável PSD ter, apesar de todas as reservas, concordado em viabilizar o Orçamento de Estado, eis que a ala irresponsável do PSD trouxe à luz a velha história da vingança pessoal que Sócrates tem exercido contra Alberto João Jardim, tentando ressuscitar as transferências do Estado Central, em algumas dezenas de milhões de Euros, para a Madeira. O clamor tem sido geral, com a exclamação de que seria um mau sinal dado aos mercados internacionais. Já para não falar que a palavra de ordem é poupar e apertar o cinto e de que a Madeira, como o resto do país, não pode ser aí excepção.
Na verdade o PSD está a fazer um favor ao Jardim, e na pior altura possível, mas não está nisto sozinho, pois os restantes partidos da oposição parecem acompanhar os sociais democratas nisso. Mas porquê? A razão parece ser simples: a birra de Sócrates com Jardim provocou uma situação de descriminação da Madeira em relação aos Açores.
Existem muitos argumentos contra e a favor desta Lei das Finanças Regionais que o PSD quer aprovar, mas para mim, tudo o que seja agravar os gastos do Estado neste momento é mau. Nunca pensei dizer isto mas o Governo tem aqui alguma razão.
Claro que isso não desculpa o nível de dramatização apresentado pelo PS e por Sócrates, com ameaças de demissão de Teixeira dos Santos, de José Sócrates ou mesmo do Governo em bloco. Creio que é tempo do Governo seguir o exemplo do responsável PSD, que sem grandes concessões, a bem da estabilidade governativa do país, acordou viabilizar o Orçamento do Estado. Deve o Governo vergar e aceitar que a Assembleia tenha liberdade para aprovar Leis, ainda que com impacto orçamental. É essencial manter a estabilidade, até porque esta birra faz lembrar uma fuga, ao estilo Durão Barroso, procurando uma desculpa para fugir de algo que sente não ser capaz de levar a bom porto. Sempre me pareceu que o actual PS é um partido de gente incompetente para com a situação actual do país, tendo mesmo optado pelas políticas mais erradas. O perigo - para o país - é que o Governo caia mesmo e o PS - em consequência desta lamechice autopiedosa - consiga um reforço parlamentar, aí sim seria o caos. O País precisa de uma injecção pujante de realismo que parece faltar a uma parte muito substancial dos actuais actores políticos.
A isto junta-se agora um Conselho de Estado, que sem agenda conhecida, parece estar condenado a discutir o óbvio, com Jardim, Sócrates e César frente a frente. Será que Cavaco terá força suficiente para ser catalisador de um acordo de estabilidade? Eu duvido, mas fico na expectativa.

Bruxelas aprova plano de recuperação da Grécia



Siga o link e descobrirá uma notícia fantástica: a Comissão Europeia aprovou o plano da Grécia para a redução do défice, que em 2009 foi de mais de 12%, para menos de 3% até final de 2012. A Grécia vai ser vigiada de perto, tendo o Governo Helénico de prestas contas a Bruxelas de três em três meses. O plano grego foi qualificado pela Comissão como difícil, ambicioso mas possível.
O mais estranho disto tudo é que foi dito que Portugal - que a par da Grécia, e muito mais que Espanha ou Irlanda, tem fortes problemas estruturais a enfrentar para consolidar o controlo orçamental exigido - irá entregar em breve um plano semelhante. É estranho porque até hoje ainda não ouvi falar de nenhum plano plurianual de controlo do défice - aliás ouviu-se que o PSD iria exigir a construção desse plano para viabilizar o orçamento, coisa que não se concretizou, pois a estratégia de dramatização, aliada ao desprezo inicial dado ao PSD em detrimento do PP, garantiu por si só a abstenção social democrata.
Mas agora que ouço o Governador do Banco de Portugal a anunciar um inevitável, segundo ele, aumento de impostos, começo a perceber que esse plano já deve ter um esboço, que deve passar mesmo por um agravamento fiscal, pois Vítor Constâncio tem servido ultimamente de mensageiro das más notícias fiscais, ou como diz Bagão Félix, de Lebre Fiscal.
Fiquemos atentos a este desgoverno socialista, que parece nitidamente desnorteado.

Mário Crespo e os limites da liberdade


Este é o título de um texto do Henrique Monteiro no site do expresso. Por ser tão certo, acutilante e ao mesmo tempo equilibrado, apesar de já toda a gente o ter lido, creio ser essencial, pelo menos para mim, publicá-lo aqui.


Sou amigo do Mário Crespo há muitos anos e tenho-o na conta de um homem independente e sério, o que não significa que partilhe muitas opiniões com ele, ou que entenda que ele é um modelo de jornalismo. Também não acho isso de mim próprio, ou de ninguém em particular.
A liberdade é a coexistência de modelos e não a imposição de um em concreto.
Ao longo de mais de 30 anos de carreira jornalística - e nesse particular sou mais antigo do que o Mário - não me lembro de um cronista ser dispensado depois de a crónica estar pronta a ir para a oficina. E o que isto significa é que os limites da liberdade estão mais apertados do que nunca.
Tenho o director do JN, José Leite Pereira, na conta de um bom profissional e de um homem independente e sério. É jornalista há muitos mais anos do que eu, tem uma experiência considerável. Não creio que ele se impressione com uma crítica a Sócrates, como não creio que ele exigisse gratuitamente a Mário Crespo uma confirmação independente de fontes. Provavelmente, não o faz (nenhum de nós o faz) quando, em vez de Sócrates, está um outro cidadão qualquer em causa.
Porém, no caso do primeiro-ministro as palavras são relevantes, já que proferidas por quem tem a responsabilidade do poder executivo neste país. É certo que a conversa pode ser considerada privada, mas é igualmente certo que o bom-nome de Mário Crespo foi atacado de forma pública, ou jamais seria ouvida por circunstantes que nada tinham a ver com a conversa.
O que se passa, então?
Posso tentar avançar uma explicação: Mário Crespo tornou-se incómodo para Sócrates (e até para Cavaco, que denunciou em algumas crónicas), e a sua incomodidade estava a deixar o próprio José Leite Pereira numa situação difícil. Por isso o director do JN recorreu a um excessivo escrúpulo jornalístico para resolver a questão. E decidiu não publicar a crónica.
Não posso condenar José Leite Pereira, não é do meu timbre julgar os outros. Apenas posso dizer que este é o panorama da nossa Comunicação Social: Grupos que dependem do poder do Governo, patrões que pressionam directores e editores até à exaustão, cronistas afastados por serem incómodos e uma multidão de lambe-botas que, prudentemente se cala ou arranja eufemismos para tratar a questão.
Tenho em comum com Mário Crespo o facto de trabalharmos num grupo onde nada disto acontece (felizmente não será o único). Talvez não estejamos inteiramente preparados para o mundo 'lá fora', onde as palavras têm de ser medidas, onde não se pode escrever preto no branco, como aqui faço, que Sócrates é o pior primeiro-ministro no que respeita à Comunicação Social; o único que telefona e berra com jornalistas, directores, com quem pode. O único em que nestes mais de 30 anos que levo de vida jornalística, se preocupa doentiamente com o que dizem dele, em vez de mostrar grandeza e fair-play com o que de errado e certo propaga a Comunicação Social.
Lamento dizê-lo, tanto mais que é nosso primeiro-ministro e seguramente tem trabalhado muito e o melhor que sabe.
Mas é a verdade, e num momento destes a verdade não se pode esconder.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Afinal houve mesmo gente que ouviu


Se houve dúvidas nestas horas acerca da sanidade mental do jornalista Mário Crespo, que num artigo de opinião, aludia a factos reais - graves ainda por cima - sem que aparentemente estes fossem possíveis de confirmar, agora parece que não é tanto assim.

As coisas começam a compor-se e a saber-se: já se sabe onde foi o tal almoço - no Hotel Tivoli - e quem foram as pessoas com quem Mário Crespo confirmou a informação de que tinha sido mesmo referido como um problema a resolver - Nuno Santos, director da SIC e Bárbara Guimarães, apresentadora da mesma estação e esposa do socialista Manuel Maria Carrilho.

Afinal onde há fumo continua ainda a haver fogo.

Parece que o nosso Primeiro-Ministro é melhor a resolver problemas na comunicação social do que a governar. Ora vejamos: RTP - tudo controladinho e a voz dissonante, o Prof. Marcelo, já está em fase de silenciamento; TVI - Jornal Nacional de Sexta, já acabou, a MM Guedes, já não trabalha, o José Eduardo Moniz já foi exportado para a Ongoing; Público - o José Manuel Fernandes já se demitiu, cansado de ser saco de pancada do Sócrates e amigo (de tanto ser malhado...); agora chegou a vez da SIC e do Medina Carreira.

Isto não é censura, é a democracia (?) no seu melhor (?), a democracia do PS e de Sócrates.