segunda-feira, 8 de junho de 2009

Análise aos resultados do MMS



Estas foram as primeiras eleições do Movimento Mérito e Sociedade, umas eleições europeias, onde a forte abstenção marcou a sua senda vitoriosa cada vez mais evidente na sociedade portuguesa. Este alheamento dos portugueses em relação à política, sobretudo no que diz respeito à política europeia, deveria preocupar os políticos, que porém se limitam a fazer crítica de circunstância, não retirando daí ilações, pois a auto-crítica não faz parte dos seus exercícios políticos.
Daí passemos para os resultados do MMS.
Estamos perante umas eleições onde o MMS teve uma intensa exposição pública, através dos cartazes e das acções de campanha, mais presente até do que o próprio CDS/PP, porém este arrastava a comunicação social consigo, coisa que ao MMS não aconteceu, preferindo a comunicação social manifestamente a candidatura do MEP.
A verdade é que o MMS escolheu o caminho mais difícil, entrar de novo na política, com transparência, sem grandes rasgos publicitários, tipo autocarros, e sem se ancorar em figuras públicas, que por si só atraem atenções. Este caminho difícil coloca o partido numa situação de, sendo sério, está também muito isolado. Os cerca de 21 mil votos que o partido obteve são claramente um resultado insuficiente perante o esforço despendido. O preocupante é que o MEP, partido pequeno e que também concorreu a umas eleições pela primeira vez, ultrapassou os 50 mil votos, logo a barreira da subvenção, pelo que terá a sua campanha paga pelo estado e as suas actividades subvencionadas. Isto dá um avanço considerável a este partido perante os outros pequenos, dando razão à sua cabeça de lista que afirmou que com este resultado o MEP estava no mapa. Preocupante também é o facto de o PCTP/MRPP também obter mais votos que o MMS. Este partido certamente goza do estatuto de figura pública do seu mandatário nacional, o advogado Garcia Pereira, mas a sua mensagem, ultrapassada e desactualizada mantém fiel um eleitorado considerável, apesar de não ter chegado aos 50 mil votos. A seguir ficou o MPT, que pela primeira vez fez uma campanha com uma forte presença na rua. Se a sombra do fundador deste partido, o arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, que ainda é o presidente honorário do partido, ainda traz notoriedade, o facto de ter ideias claras sobre o Tratado de Lisboa, entre outras questões europeias, talvez tenha dado os seus frutos. O MMS surge depois.
Claro que estes resultados não sendo em si mesmos maus para um partido estreante, ficaram muito longe das expectativas que a campanha criou. Deixa também um problema nas mãos da Comissão Política Nacional, que deverá, não enterrar a cabeça na areia, mas analisar o que correu menos bem. Para mim a maior evidência é a falta de uma estrutura nacional mais disseminada do partido, que continua ainda muito concentrado na figura do presidente, o Prof. Dr. Eduardo Correia. Parece-me evidente que a estrutura das distritais deve ser implementada enquanto estrutura organizacional, com uma Comissão Política Distrital, naqueles onde existem militantes para tal. O exemplo de Lisboa é gritante, onde a Distrital não existe, confunde-se com a estrutura nacional. Um erro, mas natural num partido estreante de gente estreante, do qual faço, orgulhosamente, parte.

1 comentário:

  1. Fiquei estupefacto ao ver que o MEP teve mais do dobro dos votos em relação ao MMS tendo sido o partido mais pequeno com mais votos!! Na verdade senti uma grande revolta ao ver que toda aquela propaganda que se via em quase todos os autocarros da Carris dá mais frutos que um projecto sério para o país! E agora fico mais revoltado ainda por saber que neste momento aquele mesmo partido também vai andar a ser sustentado pelo estado!! São estas coisas que por momentos fazem com que se perca a esperança nos portugueses! Mas como diz, o MMS escolheu o caminho mais difícil, e nunca se poderia esperar que MUDAR PORTUGAL fosse tarefa fácil.

    Edgar Castro

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